terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Morte do procurador Pedro Jorge, do Escândalo da Mandioca, vira filme

O fato aconteceu há 35 anos. Ele foi assassinado quando investigava o desvio de milhões do Banco do Brasil




Um dos maiores casos de corrupção no Brasil, que ganhou repercussão internacional na época da ditadura militar, o Escândalo da Mandioca, será conhecido agora pelo jovem público num documentário sobre o assassinato do procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, ocorrido há 35 anos, em Olinda, quando ele investigava a fraude que desviou cerca de R$ 34 milhões em valores atuais do Banco do Brasil para plantios que nunca aconteceram. O curta-metragem “Pedro Jorge: uma vida pela justiça” está sendo produzido pela Procuradoria Regional da República da 5ª Região, no Recife, em parceria com a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

“Essa história nunca morreu. Talvez seja o único caso em que agentes da ditadura militar foram identificados, processados e presos durante o processo”, lembra Marques, em tempos de destaque da Lava Jato, o maior processo de investigação de corrupção no País.

Se estivesse vivo, o procurador estaria completando agora 70 anos. Na época do assassinato, deixou duas filhas pequenas, uma de dois e outra de cinco anos. O crime ocorreu na saída de uma padaria em Jardim Atlântico.

“O pistoleiro Elias Nunes Nogueira disparou três tiros contra o procurador, a mando do ex-major José Ferreira dos Anjos, um dos beneficiados pelo esquema de corrupção que estava sendo investigado por Pedro Jorge. Ele já vinha sofrendo ameaças dos denunciados e pressões para abandonar o caso, mas decidiu seguir em frente com seu trabalho e acabou morto”, lembra o Ministério Público Federal.

Segundo o MPF, o documentário tem a participação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, dos ex- procuradores-gerais da República Geraldo Brindeiro e Aristides Junqueira, do arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, da viúva de Pedro Jorge, Maria das Graças Viegas, e de suas filhas, Roberta e Marisa, entre outras personalidades.

by jconline

Jornalistas brasileiros são presos na Venezuela


A equipe da Rede Record investigava uma obra da Odebrecht que estava inconclusa



O jornalista Leandro Stoliar, da Rede Record, foi preso na Venezuela (Reprodução)

As autoridades da Venezuela prenderam neste sábado no estado de Zulia, no oeste do país, dois jornalistas brasileiros e outros dois venezuelanos que faziam uma reportagem sobre uma obra não concluída da construtora Odebrecht.
Os brasileiros presos são o repórter Leandro Stoliar e o cinegrafista Gilson Souza de Oliveira. Ambos empregados da Rede Rocord. Também foram detidos os venezuelanos Jesus Urbina e María José Túa, coordenadores na cidade de Maracaibo da ONG Transparência Venezuela.
Os quatro estavam gravando imagens da chamada ponte de Nigale, uma estrutura prometida em 2005 pelo então presidente Hugo Chávez, morto em 2013, e até hoje não concluída. Ela seria uma segunda opção para passagem de veículos sobre o Lago de Maracaibo.
Segundo Ruiz, funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) ordenaram que os quatro jornalistas se dirigissem, escoltados, até a sede do órgão no estado para uma “entrevista”.
“Eles mandaram os jornalistas irem em seu próprio carro, depois comunicaram que iriam rumo ao Sebin e retiraram os celulares deles. Eles não têm advogados”, disse o sindicalista, explicando que os brasileiros chegaram ao país na última quarta-feira.
As informações também foram divulgadas pela ONG Transparência Venezuela pelo Twitter. A organização classifica a prisão de “sequestro” e exige a libertação imediata dos quatro detidos.
“Nossa equipe de Zulia e os jornalistas brasileiros estavam coletando informações sobre as obras da Odebrecht. Fazemos um pedido à Defensoria Pública para que vá ao local da prisão”, disse a ONG.
O SNTP indicou em janeiro que sete correspondentes estrangeiros foram expulsos da Venezuela no último ano.
A Venezuela também foi citada nos pagamentos de propina feitos pela Odebrecht e revelados ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos. No acordo firmado com a Justiça americana, a construtora brasileira disse ter pago US$ 98 milhões a funcionários e intermediários do governo entre 2006 e 2015.
(Com agência EFE)

O bote contra a Lava Jato está armado

Sinais emitidos por Brasília não dão margem a dúvida: se não houver vigilância rigorosa da sociedade, a operação poderá perder a guerra para os corruptos


Por Daniel Pereira, Laryssa Borges, Rodrigo Rangel




Talvez pela proximidade do Carnaval, a piada recorrente em Brasília é que o governo de Michel Temer rasgou a fantasia. O chiste decorre da leitura mais óbvia dos últimos acontecimentos: tudo conspira, dentro e fora do governo, para sabotar ou pelo menos restringir o alcance da Lava Jato. Com o aval do Planalto, acusados de corrupção ocuparam postos-chave no Congresso – como Edison Lobão, presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado -, assumindo o controle sobre a tramitação de qualquer projeto. Também uniram forças com o governo para dar apoio à indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal, vaga na qual terá papel de protagonista no julgamento da Lava Jato. 

Os sinais da cruzada pela impunidade estão no governo, no Congresso e no Supremo e até na Polícia Federal. A explicação é uma só: o silêncio das ruas, que faz com que movimentos de cerco à operação sintam-se mais à vontade. Tanto que o novo capítulo do abafa reúne próceres dos três poderes. O vale-tudo contra a operação, agora à luz do dia, conta ainda com ações sem estardalhaço, como o desmonte da força-tarefa da PF, com a remoção de personagens centrais, como o delegado Márcio Anselmo, que desvendou a relação do doleiro Alberto Youssef com a Petrobras, marco zero da Lava Jato, e irá para a corregedoria da PF no Espírito Santo.

Com reportagem de Robson Bonin e Marcela Mattos

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