terça-feira, 21 de abril de 2015

Ovelhas negras, ovelhas brancas



Stálin era um visionário: na sua paranoia criminosa, ele conseguiu apagar de fotos "oficiais" os inimigos reais (ou imaginários) da sua estimável ditadura muitos anos antes do Photoshop ser inventado.

Mas não só: com igual engenho, ele próprio aparecia em fotos decisivas, sobretudo na companhia de Lênin, como forma de mostrar ao povo soviético quem era o verdadeiro herdeiro bolchevique (tradução: era ele, e não Trótski).
Passou quase um século. Mas a tentação de "apagar" o passado não larga certas cabeças com deficit de liberdade.

Um caso aparentemente menor mostra como: leio na virtualíssima "Slate" que Ben Affleck, um conhecido ator e "liberal" americano ("liberal" no sentido esquerdista do termo), pediu à PBS (televisão pública norte-americana) que um fato da sua família não fosse incluído no documentário "Finding Your Roots" ("encontrando suas raízes").

O referido documentário, da autoria de Henry Louis Gates Jr., procura revelar ao mundo quem eram os antepassados de várias figuras públicas. E um dos antepassados de Ben Affleck era –ó miséria das misérias!– um proprietário de escravos.

Affleck, depois de um presumível achaque nervoso, pediu à PBS para apagar essa nódoa. A PBS, em grande gesto deontológico que só honra o jornalismo, concordou. Primeiro, porque o antepassado escravocrata de Affleck "não era má pessoa", disse o autor do programa (sem rir).

E, depois, porque Affleck tinha nomes mais interessantes no cardápio –generais, ativistas dos direitos humanos etc.– que não comprometiam a canonização do ator. Para que sujar essa canonização com a ovelha negra, ou branca, da família?
O caso é primoroso porque mostra duas coisas sobre a cabeça de um ator que gosta de debitar grandes lições de moralidade sobre os outros –mas que abomina os espelhos que tem em casa.
A primeira lição é a incorrigível ignorância que existe nessa cabeça: qualquer cidadão de um país com passado escravocrata pode ter antepassados pouco recomendáveis. Os Estados Unidos são um caso.

Portugal seria outro: nunca fiz uma história genealógica da família. Falta de interesse, de tempo, ou ambos. Mas não me espantaria que, nos séculos 16 ou 17, houvesse por lá um Coutinho qualquer que, depois de comprar escravos na África (normalmente de um vendedor negro, que os capturava nas profundezas da selva para os vender na costa), os transportasse depois para as plantações do Novo Mundo.

A ideia de que eu, nascido em 1976, sou responsável por eventuais crimes cometidos por antepassados 300 ou 400 anos atrás só faz sentido na cabeça analfabeta de Ben Affleck.

Confrontado com um antepassado escravocrata, bastava que Affleck usasse algum humor ("felizmente, não o conheci") para que o assunto ficasse encerrado.
Só que "humor" é palavra interdita para um moralista. E esta é a segunda lição: se o caso não servisse para fazer piada, Affleck poderia sempre pedir "perdão" pelos crimes alheios, mantendo o seu halo de santidade.

Essa atitude, aliás, tem sido moda no Ocidente desde que Bill Clinton pediu desculpa pela escravatura; Tony Blair pelas fomes da Irlanda no século 19; ou até João Paulo 2º pelas Cruzadas.

As consciências progressistas sempre aplaudiram essas expiações anacrônicas, talvez por imaginarem que, hoje, ano da graça de 2015, a nossa imaculada conduta jamais será reprovada por quem viver em 2215.

O problema é que, nos Estados Unidos, pedir desculpas não chega. E o milionário Ben Affleck poderia ser confrontado com a indústria das reparações, que nos últimos anos tem exigido quantias exorbitantes à República americana pelos crimes da escravatura.

Perante todos esses dilemas, o que fez Affleck? Simples: para proteger a hipocrisia da imagem (e o recheio da carteira), pediu o exato tipo de censura que ele é sempre o primeiro a condenar. E como sabemos disso?

Ironia final: porque o pedido de censura de Affleck foi revelado pelo WikiLeaks, essa nobre instituição que é o sonho úmido de qualquer "liberal" que se preze.
Não há maior escravidão que esta: sermos vítimas da nossa própria vaidade e estupidez. 

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2015/04/1619121-ovelhas-negras-ovelhas-brancas.shtml#_=_

sábado, 18 de abril de 2015

‘Chuva de minhocas’ na Noruega intriga cientistas

Fenômeno misterioso espalhou milhares de animais sobre a neve de montanhas na região no Sul do país

POR CESAR BAIMA


As minhocas encontradas pelo professor de biologia Karstein Erstad em cima de uma grossa camada de neve nas montanhas próximas à cidade norueguesa de Bergen - Reprodução/The Local/Karstein Erstad


RIO – Uma “chuva de minhocas” no Sul da Noruega está intrigando biólogos e meteorologistas. Segundo o serviço de notícias norueguês “The Local”, o fenômeno foi descoberto pelo professor de biologia Karstein Erstad quando esquiava nas montanhas próximas à cidade de Bergen no domingo passado.

- Vi milhares de minhocas sobre a neve – contou Erstad ao “The Local”. - Elas pareciam mortas, mas quando fui pegá-las vi que estavam vivas.

A princípio, Erstad pensou que as minhocas tinham saído do solo e subido pela neve, mas descartou a ideia ao ver que a camada de neve tinha pelo menos meio metro de espessura nas montanhas e os animais não conseguiriam atravessá-la vivos. Além disso, esta não seria a primeira vez que o misterioso fenômeno foi registrado na região. Segundo Erstad, existem relatos de minhocas caindo do céu no Sul da Noruega que datam dos anos 1920.

- É um fenômeno muito raro, é difícil dizer quantas vezes isso já aconteceu, mas ele já foi relato algumas vezes – disse Erstad ao “The Local”. - Agora, várias outras pessoas observaram o mesmo fenômeno em muitos lugares na Noruega. Não sei se tivemos algum sistema climático em especial ultimamente.

Uma das hipóteses para explicar a “chuva de minhocas” na Noruega sugere que os animais foram levados para o ar por ventos fortes e depois caíram a quilômetros de distância. Outra hipótese é de que uma tromba d'água tenha tocado a terra e sugado as minhocas, que também depois acabaram “pousando” a grande distância.

O Globo

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Após morte de idosa, cães e gatos ficam abandonados em casa no RS

13/04/2015

De acordo com amigos, há mais de 100 animais na casa em Santa Maria.
Mulher de 66 anos não resistiu a um câncer e morreu no domingo (12)

Do G1 RS
Mulher vivia com cães e gatos em casa em Santa Maria (RS) (Foto: Reprodução/RBS TV)Mulher vivia com cães e gatos em casa em Santa Maria (RS) (Foto: Reprodução/RBS TV)
Mais de cem cães e gatos estão abandonados em uma casa de Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, depois que a dona deles morreu na tarde de domingo (12). Sem ela, não há quem cuide dos animais, como mostra a reportagem do Jornal do Almoço da RBS TV (veja o vídeo).
Maria Dorilda Feltrin, de 66 anos, não resistiu a um câncer. Em casa, tinha a companhia apenas dos animais.
"Eram uma família. Ela se dedicava muito, cuidava bem dos bichinhos. Mas as pessoas largavam muitos cachorros lá porque sabiam que ela gostava. Era uma preocupação que eu tinha, quando ela viesse a falecer, no caso. Agora vamos ver como vamos resolver", diz o irmão Luiz Carlos Hallberg.
Por enquanto, a chave da residência está com um dos amigos de dona Dorilda. É praticamente impossível entrar no cômodo onde estão os animais. A casa é apertada e há pouco espaço para mantê-los. "Eu fiquei nos nervos de ver como ela estava vivendo. O pessoal ajudava, dava ração, mas a maioria ela comprava. Ela deixava de viver a vida dela, que era uma contadora muito boa, para cuidar dos animais”, conta o amigo Marco Antonio Franciscato.
Da rua, é possível ouvir o barulho dos bichos, que agora estão praticamente sem água e sem comida. A protetora de animais voluntária Beatriz Vendruz Colo, pede ajuda à comunidade. Doações de ração são aceitas. Quem tem interesse em adotar um dos animais também pode se manifestar. "Pode fazer doação em dinheiro se quiser, ou então vai em um pet, compra ração, e avisa liga e avisa e a gente vai tentar ajudar esses animais para que todos eles tenham um caminho", afirma.
Os telefones para contato são: (55) 3211-8157, (55), 3026-3101 ou (55) 9963-2615.

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