sábado, 16 de agosto de 2014

De: Ucho Haddad – Para: Dilma Rousseff – Assunto: Processe-me!

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(*) Ucho Haddad –

ucho_25Como sempre faço em nossos colóquios redacionais, Dilma, lembro que deixarei de lado a formalidade para não comprometer a fluidez do texto. Você pode até estar pensando que fiquei louco, mas isso ainda não aconteceu. E saiba que não lhe darei esse privilégio. O dia que isso acontecer, que seja por uma mulher inteligente. E esse não é o seu caso, apesar de você continuar acreditando que é o Aladim com uma dose cavalar de progesterona.
Imagino o quanto deve ser difícil comandar um país com as dimensões e os problemas do Brasil, mas você abusou da irresponsabilidade ao errar seguidas vezes e não pedir para sair. Tivesse feito isso, com certeza teria entrado para a história. Mas não, você precisava mostrar aos brasileiros a extensão da sua incompetência, que de tão grande coloca na sua alça de mira até mesmo quem conta verdade sobre a economia. Veja a situação do analista do Santander que decidiu revelar aos clientes do banco o que mais da metade do planeta já sabia: que uma eventual vitória sua nas urnas de outubro próximo provocará um desastre ainda maior na economia.
Muito estranhamente, Dilma, você é economista. E por isso sabe que o tal analista, agora desempregado, não está errado. No máximo pode-se dizer que ele foi ousado, mas o Brasil ainda é uma democracia. Ou será que estou enganado, Dilma? Ao invés de rebater o conteúdo do comunicado estampado nos extratos bancários dos clientes especiais do Santander, você trabalhou nos bastidores para que o sujeito fosse demitido. Decisão típica de ditadores travestidos de democratas. O pior é que você sequer teve coragem para pressionar o presidente do banco, pois se a notícia vazasse seria o fim. Então surgiu a ideia esdrúxula de colocar em cena o “doutor honoris causa” em besteiras e alucinações.
Jamais acreditei em uma só palavra balbuciada por você, pois a política se confunde com a prática de omitir a verdade. E nesse quesito você é especialista. Eis a primeira oportunidade para me processar: afirmei que você esconde a verdade, o que não significa que tem mentindo mais. Apenas deu uma repaginada na mitomania de sempre. Quer dizer, Dilma, que aquele que fizer críticas à sua atuação genial diante da economia tupiniquim está com dos dias contados?
Como não tenho medo de cara feia e muito menos de ameaça, algo que seus “cumpanheros” fazem com invejável maestria, continuarei criticando de forma contundente, ácida e dura as barbaridades que você e seus estafetas cometeram e comentem na seara econômica, a ponto de colocar o Brasil a um passo do despenhadeiro da crise. Mesmo assim, você ousa dizer que o Brasil está prestes a entrar em um novo ciclo. Só se for o ciclo final da máquina de triturar. O estrago que você provocou na economia só tem uma explicação: a declaração de Lula, feita em 2010, de que você era, à época, a garantia de continuidade. Por isso reconheço desde já que nesse quesito você se mostrou extremamente competente. Continuou a lambança iniciada por Lula. Não contente, resolveu turbinar o estrago ao seu modo.
Mesmo assim, confesso que minha admiração por você é descomunal e crescente. Fato é, que tenho pensado em lhe presentear, talvez com uma camisa de força, pois dizem as más línguas palacianas que com você o jogo é duro e bruto. Entendo esse seu comportamento, Wanda, quer dizer, Dilma, pois a clandestinidade embrutece. É o que dizem os clandestinos de então, agora críticos contumazes do seu desgoverno. Quem diria, a guerrilheira Estela acabando seus dias de suposta glória na mira dos pretéritos companheiros de armas. Ou seja, lhe falta competência até para convencer os mais próximos.
Não venha com a aquela conversa melodramática de que foi torturada durante os plúmbeos anos, pois você tem se mostrado uma direitista de mão cheia. Senti literalmente na pele o que isso significa e sei o quão difícil é apagar esses momentos da memória. Talvez você tenha aprendido nos porões da ditadura como se pede a cabeça de alguém, como aconteceu, de forma covarde, em relação à pessoa do Santander que ousou afirmar que sua vitória nas urnas provocaria uma débâcle na economia da nossa querida e descontrolada Botocundia.
Um dia, não faz muito tempo, quando seus companheiros de palácio surgiram com a ideia de que a imprensa deveria ser controlada – sem contar aquela banda podre que passa no caixa do governo –, você, sem me convencer, disse que preferia o ruído da democracia ao silêncio da ditadura. Por sorte não me decepcionei, pois sempre soube que o ácido desoxirribonucléico – o tal do DNA – que ocupa sua carcaça é totalitarista. Fico imaginando o que acontecerá com os jornalistas que têm criticado de maneira recorrente as insanidades que descem a rampa do Palácio do Planalto dia após dia para destruir a nação e vilipendiar os direitos mais básicos do cidadão.
Faltar com a verdade já não é problema pra você, Dilma. Fico a imaginar o que pensará o seu neto, o Gabriel, quando souber dos desvarios governamentais da avó. E discorro os porquês. Você insiste em “vender” à população a ideia de que o Brasil é o País de Alice, aquele das maravilhas. Provavelmente esse deve ser o seu endereço oficial, pois não é possível que a presidente do Brasil desconheça a realidade (dura) da economia local. Para você está tudo certo, maravilhoso, impecável, apenas e tão somente porque o seu partido descobriu a fórmula mágica de governar, transformando-se na derradeira salvação do universo.
Creio que há muito você não vai ao supermercado ou sai em campo para as compras corriqueiras do cotidiano. Por isso afirma, sem saber o que fala, que a inflação oficial está perto do teto da meta, mas sob controle. Dilma, para adoçar nosso apimentado colóquio cito alguns exemplos. Sou do tempo em que engordava-se os porcos com abóbora. Hoje, sob o manto da genialidade petista, um quilo de doce de abóbora custa R$ 35.
Tudo bem, você dirá que isso é uma exceção. Vamos à outra ponta da doçaria. Na infância, quando aos domingos saía para almoçar com a família, eu e meu pai, após o regabofe, nos rendíamos à doçura de suculentas cocadas. Coisa de gordo, assunto que você não desconhece, até porque sua cintura de pilão não deixa dúvidas a respeito. Recentemente encontrei um cidadão, em dada feira-livre da Pauliceia Desvairada, fazedor de cocadas. Por questões óbvias tornei-me cliente do sujeito. As cocadinhas, deliciosas, é bom lembrar, custavam R$ 4 cada.
Um belo dia, numa sexta-feira, saí em cima da hora para buscar as cocadas e descubro que os trocados que carregava no bolso eram insuficientes para levar as costumeiras doçuras para casa. O preço da cocada saltara de R$ 4 para R$ 5. Perguntei ao “seu cocada”, assim o chamo, sobre a razão do aumento, e ele me respondeu: pergunte à Dilma. Na sequência o “seu cocacada” disparou: INFLAÇÃO. Ou seja, nesse país que você sequer conhece, o Brasil, a inflação que reina no tabuleiro da baiana já está em 25% ao ano. Dilma, já passei da idade de sonhar com determinadas coisas, mas admito que o meu sonho maior no momento é morar nesse seu país. Que coisa bacana conviver com inflação de 6,5% ao ano!
Conhecida pela humildade e também pela facilidade com que reconhece os próprios equívocos, você há de dizer que no Brasil o responsável pela economia é um tremendo cretino. E serei obrigado a concordar, Dilma. Que bando de incompetentes. O pior é que esses alarifes costumam pedir a cabeça de quem os critica. Definitivamente, os ditadores foram infectados pelo vírus da canalhice.
Diante da minha casa, magnânima Dilma, tem uma daquelas máquinas de assar frango, as chamadas “televisões de cachorro”. Nesse país chamado Brasil, minha terra natal e pela qual luto diuturna e incansavelmente, já tem gente se juntando aos cachorros que ficam a contemplar os frangos rodando debaixo das resistências incandescentes. Isso porque cada frango assado custa R$ 30. Pasme, Dilma, que a presidente do meu país crê que ter aumentado o salário mínimo em pouco mais de R$ 40 foi um ganho enorme para o trabalhador. Ou seja, essa incompetente deu ao trabalhador comum um aumento salarial que corresponde a um frango assado e um punhado de cacarejos, mas acredita que está abafando.
Você também poderá alegar que as penosas estão mesmo pela hora da morte. Tudo muito bem… Passo ao pão de queijo, que você já deve ter ouvido falar. O danado do pão de queijo custava, onde costuma saborear essa guloseima, R$ 4, mas agora está custando R$ 5. De novo a inflação verdadeira, aquela que atormenta os brasileiros a todo instante, está na casa de 25% ao ano. Ultimamente tenho pensado em procurar um analista, não de economia, mas aquele de divã, porque ando dividido entre a cocada e o pão de queijo. E não sei que caminho tomar. Do doce de abóbora já desisti, pois está mais barato comer marrom glacê em uma daquelas charmosas pâtisseries parisienses. Em relação ao frango, ainda não decidi a identidade canina que adotarei de agora em diante.
Saindo do devaneio e voltando à realidade, cheguei à conclusão, Dilma, que presenteá-la com apenas uma camisa de força é pouco. O melhor é chegar na “loja” e pedir uma de cada cor, assim você poderá combinar com seus enfadonhos terninhos. Não pense que decifrei esse enigma sem uma inspiração de sua parte. Você despenca na minha cidade, a Pauliceia Desvairada, onde sua reputação está abaixo da axila da serpente, e como fosse um papagaio de pirata inovador diz que a “verdade vai vencer o pessimismo”. Isso porque sua espantosa criatividade precisou se escorar no besteirol de Lula, vociferado em 2002, quando a cantilena da ocasião era “a esperança vai vencer o medo”.
Dilma, para finalizar e não mais tomar o seu precioso tempo, até porque gênios têm a agenda repleta de compromissos, a economia brasileira está uma grande porcaria. E se você for reeleita a situação ficará muito pior. Você chama isso de pessimismo, mas eu chamo de verdade.
Pedir a minha cabeça, apenas porque afirmo e repito que você é incompetente, é um direito seu, mas nesse caso o assunto deve ser tratado comigo mesmo. Como ainda não cheguei a um grau de loucura que me leve a ensaiar harakiris, sugiro que você me processe. Quanto ao Lula, o irresponsável que lhe inventou como presidenciável, você não precisará acioná-lo para me intimidar. Faça isso sozinha, pois desse falso “doutor honoris causa” cuido eu.
Como não consigo desejar o mal ao próximo, despeço-me com a elegância de sempre e sem finalizar com “PT saudações”, porque essas duas consoantes, quando juntas, provocam gastura.
(*) Ucho Haddad é jornalista político e investigativo, analista e comentarista político, cronista esportivo, escritor e poeta.

Apenas metade dos computadores de Cuba tem conexão à internet

15 de agosto de 2014 12h50

Acesso à rede em lares e residências só é liberado para determinados profissionais; maioria da população usa a web em centros públicos

Por Agências
Maioria dos cubanos acessa a rede por salas de navegação públicas. FOTO: Reuters
HAVANA – Cuba superou em 2013 a marca de um milhão de computadores, mas apenas metade deles tem conexão à internet, enquanto o número de usuários da rede se aproximou dos três milhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Escritório Nacional de Estatística (ONE).
O número de “usuários de serviços de internet” foi no ano passado de 2,9 milhões, o que representou um aumento de 1,8% em relação a 2012 e situa a média em 261 usuários por cada mil habitantes.
Em Cuba não se permite o acesso à rede nos lares, exceto para determinados profissionais como médicos, jornalistas, acadêmicos, intelectuais e artistas, e os moradores da ilha acessam a internet em salas de navegação públicas ou hotéis a preços caros para a maior parte da população.
O aumento em 52 mil internautas aconteceu em um ano em que o governo de Raúl Castro ampliou o número de locais para conectar-se com a abertura de 118 salas de navegação em todo o país.
De acordo com o relatório sobre tecnologias da informação e as comunicações divulgado pela ONE, no ano passado se contabilizaram mais de um milhão de computadores pessoais na ilha, o que representa 90 computadores por cada mil habitantes, apesar de apenas 514.400 estarem conectados à rede.
Em 2012 já havia sido ultrapassada a barreira dos 800 mil computadores pessoais, um dado que foi crescendo paulatinamente desde os 630 mil de 2008, quando o governo autorizou a venda livre destes equipamentos a particulares.
A aquisição destes computadores segue longe do alcance da maioria dos cubanos, já que são vendidos a preços que oscilam os 600 CUC e 800 CUC (moeda forte equivalente ao dólar).
O relatório do ONE indica também que o número de assinantes de telefones celulares se aproximou dos dois milhões, com 1.995.700 clientes, o que representa uma cobertura de 85,3%.
Embora esta porcentagem seja a mesma de 2012, a telefonia celular é um dos serviços mais dinâmicos no setor das telecomunicações desde que o governo autorizou o acesso livre, também em 2008.
/EFE

Os silêncios são extremamente mais reveladores, do que qualquer explicação. by Deise

Os silêncios de Robin Williams

Nas entrevistas, a fala dele era uma tempestade de vozes, sotaques e personalidades – seguida por momentos perturbadores de vazio e calmaria

ANA MARIA BAHIANA, DE LOS ANGELES
15/08/2014 

O que assustava em Robin Williams eram os silêncios. Eles vinham de repente, depois de uma saraivada frenética de ideias, palavras e imitações, presas umas às outras por livre associação, pontuadas por vozes diferentes, idiomas diferentes, sotaques diferentes. No tempo que daria para encher um parágrafo de texto, Williams pulava do inglês para o francês, para o alemão, para o espanhol. Transformava-se num motorista de táxi de Nova Jersey, numa garotinha de jardim de infância, num entediado crítico gastronômico, num professor de Oxford. Descrevia uma refeição memorável num bistrô de Paris, sua reação ao ver o filme Doutor Jivago pela primeira vez, como a dramaturgia de Brecht podia mudar a visão de mundo de um ator e como eram os bailinhos com garotas no internato só de meninos onde passara sua infância. “Eu me sentia como Quasímodo numa delicatéssen.”
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E aí, de repente, vinham os silêncios. Williams rangia silenciosamente os dentes, a mandíbula exterior levemente estendida, o olhar perdido nalgum ponto distante além da interlocutora, além da sala, além do prédio, além.

Como a visão retrospectiva é sempre perfeita, é fácil hoje definir esse silêncio como triste, tristíssimo, desesperadoramente triste. No momento, a sensação que se tinha era de susto, desconforto. Parecia que o brinquedo quebrara, que a presença da interlocutora não era mais bem-vinda, ou que algo absolutamente grave e bizarro acontecera. No começo, eu achava a sensação semelhante à breve calmaria que se segue a uma série de ondas grandes e violentas. Hoje, a acho mais próxima da vazante extrema que anuncia um  tsunami. Hoje, sei também que, nesses silêncios, vivia a coisa mais parecida com o “verdadeiro Robin Williams” que eu jamais veria.
>> Ator Robin Williams cometeu suicídio por enforcamento, diz polícia

Entrevistei Robin Williams pela primeira vez em dezembro de 1987. Estava em Los Angeles havia meros seis meses, e Robin lançava o filme Bom dia, Vietnã, que deflagrou sua trajetória como astro cinematográfico.

Com uma bela carreira na televisão desde o final da década de 1970, Williams começara a se deslocar para a tela grande com alguns filmes  –  o controvertido Popeye, de Robert Altman (1980), O mundo segundo Garp (1982) e Moscou em Nova York (1984). Este último, dirigido por Paul Mazursky, figura essencial do cinema independente americano, pôs Williams definitivamente na mira como ator, não apenas comediante. No papel de um artista de circo russo que decide abandonar a trupe em excursão pelos Estados Unidos e ficar em Nova York, Williams, nas palavras do ilustre crítico Roger Ebert, “desaparece tão inteiramente no personagem, com tantas nuances delicadas, divertidas e complicadas, que parece inteiramente plausível que ele seja russo mesmo”.
>> 10 filmes marcantes de Robin Williams

É bom lembrar que nessa época, para um ator, os mercados de televisão e cinema eram rigorosamente segregados. Fazer boa carreira num não era garantia de sucesso no outro, muito pelo contrário. Isso era ainda mais verdadeiro quando se tratava de comediantes. A geração de Williams, que inclui seu grande amigo e alma gêmea John Belushi, mais Eddie Murphy, Dan Aykroyd, Bill Murray e Tom Hanks, foi a vanguarda na derrubada dessas fronteiras.
 
O MESTRE DAS MÁSCARAS Imagens de Robin Williams feitas em Los Angeles,  em 2003. Ele era um ator capaz  de “sumir no personagem” (Foto: Jeff Vespa/Contour by Getty Images)
Na época, Williams estava no meio de uma de suas melhores fases: longe da bebida e da cocaína, os dois aliados que encontrara para combater um inimigo antigo, a depressão, o perverso combustível que impulsionava seu talento para o improviso. “É muito fácil para mim ser um monte de pessoas ao mesmo tempo – isso evita ao máximo que seja eu mesmo”, ele me diria, em 2002. Ele já escorregara de volta para a bebida, depois de meses difíceis e solitários filmando Insônia, de Christopher Nolan, no Alasca. Em 1987, Williams se definia como “feliz, muito feliz”. “Moro numa casa pequena em San Francisco, num bairro muito interessante, cheio de rapazes (Castro District, coração da comunidade gay). É uma casinha muito acolhedora e muito feliz.” As visitas semanais do filho Zachary, de seu primeiro casamento – cujo nascimento fora o estopim de sua sobriedade –, e as novas ofertas de trabalho eram uma fonte de felicidade, ele me disse. “Ter um filho faz com que você saia de si mesmo, veja as coisas em sua devida proporção, faz você se sentir – sei que parece meio sentimentaloide, mas é verdade – parte da família humana.”
E aí houve um silêncio.
Um astro multifacetado (Foto: AFP (2), divulgação (3) e Everett Collection)
Voltando a todos os meus encontros com Williams, aparecem, claros, o tema recorrente – a fuga de si mesmo – e as marés de fala ininterrupta, quase uma possessão, espirais maníacas de ideias perseguindo ideias. “Se realocarmos todos os gays dos Estados Unidos para o Canadá, nunca mais teremos a cerimônia dos Tonys. Ou dos Oscars.” “O homem nasce com dois cérebros, um na cabeça e outro no pênis. Infelizmente, só dá para oxigenar um de cada vez.” “Sou tão peludo que tenho medo de que um dia o pessoal do Peta (associação de proteção aos animais) me atire tinta numa estreia.” Frases como essas eram seguidas, subitamente, pelo silêncio.
Houve uma estranha espécie de clareza, em agosto de 1998, quando Williams divulgava o filme Amor além da vida, cujo tema central é a vida após a morte. Mais especificamente, o suicídio. “Meus filhos estão naquela idade em que me perguntam muito sobre a morte, sobre morrer. Querem saber se vovô estará esperando por eles lá do outro lado, se eu estarei esperando por eles… São perguntas difíceis, e percebo que elas me obrigam a criar uma visão minha sobre o assunto. Gostaria de que existisse um lugar pacífico onde pudesse me reencontrar com meu pai, com minha mãe, com meus amigos que se foram. Um lugar onde houvesse apenas paz.”

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