domingo, 20 de julho de 2014

Prefeitura no PI alega negligência de cubanas e desiste do Mais Médicos


Prefeito alega que médicas cubanas abandonaram posto de trabalho.
Comissão estadual do programa confirma desistência, mas nega negligência.



Do G1 PI

A prefeitura da cidade de Caridade do Piauí, Sul do estado, foi a primeira do estado a pedir ao Ministério da Saúde o desligamento do Programa Mais Médico do Governo Federal. Segundo prefeito da cidade, José Lopes Filho, o motivo alegado para a desistência é o abandono do posto de trabalho e falta de comprometimento com o serviço apresentado pelas médicas cubanas que foram enviadas ao município.

Populares esperam por atendimento na comunidade de Santo Hilário, em Cocal (Foto: Gilcilene Araújo/G1)Populares esperam por atendimento de cubano
(Foto: Gilcilene Araújo/G1)
Distante 457 km da capital, Teresina, a cidade tem população de 4.826 habitantes segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que conta com três equipes do Programa Saúde da Família. Cada equipe tem além de vários profissionais da área da saúde, um médico, sendo que na cidade duas das equipes eram compostas pelas médicas cubanas.

“Elas vieram para a cidade para suprir a demanda e acabar com o problema de falta de médicos para a população, mas não foi isso o que aconteceu. Desde o princípio, elas já chegaram botando empecilhos para trabalhar na cidade. Reclamaram da hospedagem nos hotéis, por isso as abriguei em minha casa até acharmos uma casa do contento delas, para alugarmos”, conta o prefeito José Lopes.

Ainda segundo o prefeito, mesmo depois de hospedadas como desejavam, as médicas faltavam constantemente ao trabalho e não avisavam. “Era um problema, porque a população precisa do atendimento e as vezes não tinha. Elas também se recusavam a atender as pessoas que não fossem pré-agendadas. Se tivéssemos um caso de uma criança que ficou doente há poucos dias, elas não o atendiam”, descreve José Lopes.

Médicos estrangeiros participam de oficina de acolhimento em Teresina (Foto: Catarina Costa/G1)Médicos estrangeiros participam de oficina de
acolhimento em Teresina (Foto: Catarina Costa/G1)
Para o prefeito, as profissionais cubanas não supriam as necessidades do município. “Se por acaso, em um dia tivesse uma fila maior, e os atendimentos passassem um minuto do horário de trabalho delas, elas largavam os pacientes no consultório e saiam. Deveria prevalecer pelo menos uma ética profissional, agir com bom sendo e terminar o atendimento. Por isso, a população acabou ficando descontente com elas”, afirma o prefeito.

O gestor declara ainda que foi um dos primeiros do estado a aderir ao programa. “A primeira médica chegou a cidade em dezembro de 2013 e a outra em janeiro de 2014. Pensávamos que tudo ia melhorar e não sobrecarregaríamos mais o único médico do município, mas não foi o que aconteceu. Não sou contra o programa, acredito que, apenas, não tivemos sorte com as profissionais que vieram para cá”, revela José Filho.

José Filho diz que no mês de julho, as médicas abonaram os postos de trabalho. “Elas simplesmente saíram da cidade, recebemos um comunicado que uma estaria tratando de uma alergia que adquiriu na cidade e a outra veio para a capital (Teresina) para acompanhá-la. O detalhe é que essa outra médica, apenas abandou o posto de trabalho e não comunicou nada para Prefeitura”, reclama.

Não sou contra o programa, acredito que, apenas, não tivemos sorte com as profissionais que vieram para cá"
prefeito José Lopes
Comissão do Programa

Segundo a Comissão Estadual do Programa Mais Médicos o pedido de desligamento da Prefeitura de Caridade foi solicitado no dia 5 de junho deste ano. O pedido já foi enviado ao Ministério da Saúde, em Brasília, e aguarda apenas ser protocolado, para que a cidade seja oficialmente desligada do programa.
Ainda segundo a Comissão, as médicas cubanas que atuavam no município estão em Teresina. A comissão confirmou que uma das profissionais está fazendo um tratamento contra uma alergia e a outra está como acompanhante.

Sobre os problemas relatados pelo prefeito, a Comissão informou que as médicas relataram que desde o início tiveram problemas com a administração municipal e negaram ter abandonado ou faltado ao posto de trabalho. Após a desistência do programa pela cidade de Caridade, as médicas cubanas serão remanejadas para outros municípios.

Vigilante morre sem atendimento em frente a hospital particular de SP

19/07/2014 13h40 - Atualizado em 19/07/2014 13h45

Durante mais de uma hora o vigilante agonizou e pediu socorro. 

Polícia abriu inquérito para investigar a denúncia de omissão de socorro.

Renata CafardoSão Paulo, SP
A polícia abriu inquérito para investigar uma denúncia de omissão de socorro a um homem que morreu sem atendimento na frente de um hospital particular, em São Paulo, mas imagens foram gravadas por pessoas que estavam no local.
O homem deitado no chão é o vigilante Nelson França, de 48 anos.  As testemunhas disseram que Nelson estava numa lotação quando passou mal e foi deixado em frente ao hospital Santo Expedito - hospital particular da Zona Leste de São Paulo.
Durante uma hora o vigilante agonizou a poucos metros da entrada do pronto-socorro. A pedagoga Daniela Gomes estava no hospital acompanhando a mãe e viu tudo.  “O rapaz falou assim: ‘aqui só atende particular e quem tem convênio’”, conta.
Segundo ela, um enfermeiro impediu que o vigilante fosse socorrido do lado de fora. As testemunhas se ofereceram para levar o vigilante para dentro, mas os enfermeiros também não deixaram. Daniela então pediu ajuda num posto policial.  Foi a Polícia Militar que chamou os bombeiros.
Segundo ela, só quando os bombeiros chegaram é que um enfermeiro e o médico se aproximaram do vigilante.  Mas aí, já era tarde.
“Um enfermeiro ele foi até lá com o médico. Aí o médico pôs a mão do lado no pescoço dele e falou: ó, ele tá em óbito. Aí foi onde começamos a discutir”, conta Daniela.
Os bombeiros disseram que o vigilante chegou a ser reanimado, mas morreu quando estava sendo levado para um hospital público.
Para a polícia, um dos enfermeiros que estava de plantão, Leonardo Bambrila Santos, disse que chamou o médico e que foram feitos os procedimentos de praxe.
A administração do Hospital Santo Expedito não quis gravar entrevista, mas, por telefone o diretor Mauricio Gerdelli, disse que vai abrir sindicância para saber o que de fato aconteceu no caso.
Ele disse que apesar de ser particular, o hospital costuma fazer os chamados atendimentos sociais a pessoas de baixa renda e que não é procedimento dos funcionários recusar atendimento mesmo que o paciente seja deixado do lado de fora. A família do vigilante está indignada.
“Um pai de família ser tratado como um verme, um lixo na porta do hospital sem eles prestarem atendimento. Estamos muito tristes mesmo”, fala a cunhada da vítima, Roseli Ribeiro Santos Souza.
A cunhada de Nelson disse que ele não tinha nenhum problema de saúde. O enfermeiro Leonardo Brambila Santos não foi encontrado pelas nossas equipes.

Mulher dá à luz dentro de banheiro de hospital municipal em Itupeva

19/07/2014 10h14 - Atualizado em 19/07/2014 16h49

Paciente coletava urina para exame quando entrou em trabalho de parto.

Ela alega que não sabia que estava grávida. Mãe e filho passam bem.

Do G1 Sorocaba e Jundiaí
Flávia Dias deu à luz um menino em Itupeva (Foto: Prefeitura de Itupeva/Divulgação)Flávia Dias deu à luz um menino em Itupeva. Ela e filho passam bem (Foto: Prefeitura de Itupeva/Divulgação)
Uma mulher deu à luz um menino no banheiro de um hospital nesta sexta-feira (18), em Itupeva (SP). De acordo com informações da instituição, Flávia Dias é moradora de Jundiaí (SP) e teria ido ao centro de saúde porque estava sentindo dores nas costas. 
Após os primeiros cuidados de enfermaria do hospital municipal Nossa Senhora Aparecida para avaliar a dor nas costas, a paciente foi ao banheiro coletar urina para um exame e então deu à luz. Em nota, a prefeitura de Itupeva informou que a mulher não relatou em momento algum sobre a possível gestação para nenhum médico da unidade.
Depois do nascimento da criança, Flávia afirmou aos médicos que não havia feito qualquer tipo de exame pré-natal por não saber que estava grávida e estava surpresa com a situação. A paciente foi atendida e ela e o bebê passam bem.
Médica afirma que é possível não saber de gravidez
Em entrevista ao G1 neste sábado (19), o médica obstetra Ana Claudia de Oliveira Batista, do Hospital Regional de Sorocaba, afirmou que é possível a gravidez passar desapercebida. Segundo ela, apesar do caráter excepcional, isso pode ocorrer especialmente nos casos de mulheres que possuem microcistose. De acordo com o médica, é comum mulheres com esse problema ficarem meses sem menstruar.
Outra situação que pode fazer com que a mulher não perceba a gravidez é o excesso de peso. "A mulher não saber que está grávida não é mais uma condição tão incomum. É possível que ocorra uma negligência da própria paciente, mas quando a ela está muito acima do peso, enquandrada em um quadro de obesidade, é muito difícil o médico fazer uma avaliação adequada, o que pode passar desapercebida qualquer suspeita de gravidez", explica Ana Claudia.
Mulher deu à luz dentro de banheiro do hospital de Itupeva (Foto: Arquivo/TV TEM)Depois do parto inesperado, a mãe e o bebê recebem tratamento no hospital (Foto: Arquivo/TV TEM)

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