segunda-feira, 16 de junho de 2014

Lula reencontra o caixa dois

O PT ensinou ao Brasil, sem perder a ternura, o conceito de dinheiro não contabilizado










14/06/2014 07h00 - Atualizado em 16/06/2014 


Lula aconselhou o Brasil a desconfiar das denúncias “muito estranhas” envolvendo a Petrobras. “Tenho a impressão de que tem gente querendo fazer caixa dois”, disse. É um alerta importante.

Lula entende do assunto. Foi o primeiro presidente brasileiro a declarar que caixa dois todo mundo faz, na época do mensalão. Mas uma coisa é fazer caixa dois sendo o “filho do Brasil”, porque aí tudo que é do seu pai é seu. Outra coisa, bem diferente, é fazer caixa dois sendo filho de qualquer um, sem ter nem um Delúbio para guardar esse dinheiro, que será usado sabe-se lá como – talvez comprando os deputados errados. O PT ensinou aos brasileiros, sem perder a ternura, o conceito de dinheiro não contabilizado. É um absurdo que a oposição queira sair fazendo caixa dois de qualquer maneira, sem conceito nenhum.

É para isso que serve um verdadeiro líder nacional, um grande estadista: para apontar as coisas que ninguém poderia imaginar. Quando todos achavam que a Petrobras era depenada pelo governo popular e seus clientes, vem Lula esclarecer que não é nada disso. Fazer sumir centenas de milhões de dólares com aquisições suspeitas, travestir o preço do petróleo e torrar fortunas com propaganda política do pré-sal são coisas da vida. Os esquemas bilionários do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, que, por coincidência, floresceram na estatal com a chegada do PT ao poder, também não têm importância. Caixa dois todo mundo faz, e parasitar empresa pública também. Assim como José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa são presos políticos. Chamem a OEA.

O verdadeiro problema com a Petrobras – que os neoliberais tentam encobrir, mas Lula revelou – é essa gente querendo usar as denúncias para fazer caixa dois. Como funcionaria isso? Ele não explicou, mas tudo bem. Quem tem intimidade com determinado assunto não tem paciência mesmo para ser didático. Possivelmente, Lula quis dizer que seus adversários pretendem usar a CPI da Petrobras para extorquir suspeitos – arrecadando “taxas de inocência” para não convocá-los a depor. Essa acusação já havia sido feita por correligionários de Lula. É uma estratégia que o PT conhece profundamente, como demonstrou na famosa CPI do Banestado.

Isso foi em 2004 – mesma época que, sabe-se agora, o esquema de Paulo Roberto Costa começou a funcionar na Petrobras. A CPI do Banestado tinha, como relator, o deputado José Mentor e, como mentor, o ministro José Dirceu. Foi desmoralizada porque a tropa de choque (cheque) do governo popular fabricava convocações e fazia chantagem aos quatro ventos. Como todo mundo sabe, chantagem de esquerda é progressista e não chateia ninguém. O estranho, bizarro mesmo, é imaginar os adversários do PT usando esse expediente. Lula sonhou com isso e foi logo contando ao Brasil, visionário que é. Tudo em defesa da Petrobras.

Assim começa a campanha eleitoral, em que Lula, Dilma e companhia poderão denunciar todos os caixas dois que sonharem. Se forem contestados no Tribunal Superior Eleitoral, estará tudo em casa. Adivinhem quem acaba de tomar posse na presidência do TSE, para ser o juiz supremo da corrida presidencial? Ele mesmo, o menino prodígio da dupla Batman e Robin do PT no STF, o ex-advogado de Lula que suou a camisa pelos mensaleiros – Dias Toffoli. Está garantida a isenção no pleito.

Como já se viu no Primeiro de Maio, a presidente da República transformou a cadeia obrigatória de rádio e TV em comício eleitoral inflamado. O TSE provavelmente a punirá com rigor e a obrigará impiedosamente a rezar 13 Ave-Marias e 13 Pais-Nossos (para combinar com o número na cédula).

Surge agora a informação de que o PT usou dinheiro público do fundo partidário para pagar a defesa de mensaleiros e até da inesquecível Rosemary Noronha – assessora especial da Presidência para negócios privados à sombra. Ninguém precisa ter dúvidas: o xerife de estrelinha vermelha do TSE acabará com essa bagunça. Determinará até que Rose e os mensaleiros devolvam todo o dinheiro aos cofres públicos. E a seleção de Camarões conquistará a Copa do Mundo.

Governo atua como lobista para levar farmas brasileiras a Cuba

16.06.2014
América Latina

Para rentabilizar o porto de Mariel, alta cúpula do governo Dilma tenta não apenas convencer empresas do setor farmacêutico a negociar com o regime dos irmãos Castro, mas também instalar fábricas na ilha; até o momento, as companhias resistem

Talita Fernandes
Generosidade sem fim: Dilma Rousseff e Raúl Castro, durante a inauguração do Porto de Mariel
Generosidade sem fim: Dilma Rousseff e Raúl Castro, durante a inauguração do Porto de Mariel (Roberto Stuckert Filho/PR)
O governo brasileiro mostra-se incansável quando o assunto é colocar-se em maus lençóis em nome de sua simpatia pelo regime dos irmãos Castro, em Cuba. Não bastasse a utilização de quase 700 milhões de dólares em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a construção do Porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, a nova empreitada que vem sendo orquestrada pela alta cúpula prevê, conforme revelou o colunista do site de VEJA Reinaldo Azevedo, a ida de empresas farmacêuticas brasileiras para produzir medicamentos em solo cubano. A estratégia é tentar rentabilizar a zona portuária por meio da exportação de remédios produzidos em parceria entre estatais cubanas e empresas brasileiras — em especial fabricantes de genéricos e biossimilares. Desde a inauguração da primeira fase do terminal de contêineres do porto, em janeiro, o governo vem travando uma ofensiva velada para levar executivos a Cuba para participar de grupos de trabalho. O alto escalão da República tem atuado, por assim dizer, como lobista de primeira linha dos irmãos Castro, sem que qualquer contrapartida benéfica para o Brasil seja posta na mesa. Mas a estratégia tem encontrado resistência: o alto custo de instalação de indústrias na ilha e as dificuldades de exportação de produtos, devido ao embargo econômico, tornam a empreitada economicamente inviável. Além disso, a razão de o governo demandar investimentos em Cuba, e não no Brasil, está cercada de pontos nebulosos. Afinal, costurar acordos com outros países com o objetivo de estimular a indústria nacional é agenda mais que bem-vinda para o país. Contudo, não há lógica que justifique lançar mão do mesmo expediente para criar (mais um) pacote de bondades para Cuba.
Em janeiro, a presidente Dilma Rousseff, o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e seu sucessor, Arthur Chioro — que está à frente da pasta desde que Padilha saiu para candidatar-se ao governo paulista pelo PT — convidaram empresários do setor farmacêutico, que ouviram da própria presidente a intenção do governo de levar empresas brasileiras para se instalar na Zona Especial do Porto de Mariel e desenvolver a economia local. A estratégia é construída com base no argumento das vantagens tributárias e alfandegárias da Zona Especial. Contudo, mesmo com todos os incentivos, empresários ouvidos pelo site de VEJA se mostraram céticos.
Inviabilidade econômica — Os convites vêm confundindo o empresariado porque contrariam o próprio plano que o governo brasileiro tem para o setor farmacêutico. "Não faz o menor sentido, pois o Brasil já tem uma estratégia bem desenhada para o setor, que é de estimular a indústria nacional por meio das próprias compras governamentais. O plano para Cuba vai contra a própria política industrial", diz Dante Alário Junior, sócio e responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento e inovação da Biolab. Sua empresa já recebeu vários convites para participar de eventos promovidos pelo governo brasileiro em Cuba e investir na ilha — o último deles ocorreu no início de junho — mas não tem interesse na empreitada porque já investe num projeto de internacionalização nos Estados Unidos. “Cuba foi descartada porque não temos condições de investir também lá. Não faz sentido para a empresa", afirma. 
Outro executivo do setor ouvido pelo site de VEJA, que prefere não ter seu nome revelado, afirmou que os empresários se mantêm descrentes em relação à viabilidade dos investimentos. “O setor farmacêutico sempre foi cético com a possibilidade de Cuba suprir um negócio que exige alta tecnologia”, disse. Parte do pessimismo deve-se também ao fato de as empresas brasileiras já estarem firmando acordo com multinacionais de outros países para produzir medicamentos (em especial os biossimilares), sobretudo americanas e europeias. O embargo econômico a Cuba anula a viabilidade, diz o executivo, porque impede que tais empresas consigam exportar os medicamentos produzidos na ilha para mercados consumidores importantes, como Estados Unidos e México, que têm proximidade geográfica.
As farmacêuticas vêm sendo procuradas há mais de um ano para realizar investimentos em Cuba. Num primeiro momento, o contato foi estabelecido por intermédio da Odebrecht, responsável pela construção do porto cubano. Em 2014, o governo passou a fazer os convites, excluindo da lista as empresas associadas à Interfarma, que são essencialmente estrangeiras. Procurada pela reportagem, a Odebrecht disse que "apoia o acordo bilateral entre Brasil e Cuba no desenvolvimento de medicamentos". A companhia, inclusive, assinou um Memorando de Entendimentos com a farmacêutica cubana Cimab para a criação de uma joint-venture na ilha. Contudo, o acordo nunca saiu do papel. 
Mesmo sem um interesse claro em investir na ilha, as empresas são alvo de tamanha insistência do governo — em especial do Ministério da Saúde e do Desenvolvimento — que não ousam declinar totalmente as ofertas de negócios. “As que foram a Cuba quiseram atender a um pedido da Presidência. É muito difícil não ir”, disse o médico e deputado federal Eleuses Paiva (PSD-SP), que está ciente das conversas no Ministério da Saúde. “Agora, se as indústrias forem se instalar, é porque o governo está montando situações econômicas fantásticas”, disse o deputado. "A indústria de genéricos acabou de construir um parque nacional. É tudo recente demais para ir a Cuba”, disse.
De Brasília a Havana — A última reunião realizada em Cuba ocorreu nos dias 5 e 6 de junho, liderada pelo Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. O encontro contou também com a participação de executivos da Eurofarma, da PróGenéricos (Associação dos produtores de medicamentos genéricos) e de representantes da Fiocruz e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Procuradas, as empresas participantes negaram que o encontro tenha sido realizado com o objetivo de levar as farmacêuticas a se instalarem em Cuba. Contudo, a pauta do encontro, à qual o site de VEJA teve acesso, mencionava a discussão de “investimentos no Porto de Mariel”.
Comandante da missão, Carlos Gadelha é um dos nomes do Ministério da Saúde citados nos escândalos da Operação Lava-Jato. Conduzida pela Polícia Federal, a Operação desmontou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro orquestrado pelo doleiro Alberto Youssef, preso desde março e pivô dos escândalos. O laboratório comandado pelo doleiro, o Labogen, é apontado pela Polícia Federal como o carro-chefe do esquema de lavagem de dinheiro. Durante as investigações, a PF interceptou conversa telefônica entre o empresário Pedro Argese e Youssef, relacionadas à assinatura de parcerias entre o Ministério da Saúde e empresas privadas. Em um dos trechos, Argese comenta ter conversado com Gadelha. De acordo com a transcrição, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, o secretário teria prometido dar todo o apoio possível para a retomada do Labogen.
O Ministério da Saúde nega que o governo brasileiro queira incentivar a instalação de empresas farmacêuticas em Cuba. Afirmou que o encontro de junho teve "por objetivo o monitoramento e avaliação das prioridades científicas, tecnológicas e de saúde pública para os respectivos países em áreas como terapia e controle de câncer, terapia celular e neurociências”. Em nota, afirmou ainda que o país tem cerca de vinte projetos em andamento entre laboratórios públicos e privados brasileiros com instituições cubanas. “Em nenhum dos projetos aprovados pelo Comitê, cabe ressaltar, está prevista a instalação de fábricas brasileiras em Cuba.”
A pasta, contudo, não combinou a resposta com os cubanos. Artigo extenso do jornal castristaGranma aponta o Brasil como principal parceiro de Cuba no setor farmacêutico. Diz o texto que uma nova etapa na cooperação entre os dois países iniciou-se após a visita a Havana da presidente Dilma, em janeiro deste ano. E que a criação de empresas mistas (brasileiras e cubanas) colocadas na Zona Especial do Porto de Mariel, "utilizando tecnologia cubana e capital brasileiro", servirá para incentivar a produção de biossimilares para "satisfazer as necessidades dos sistemas de saúde de ambos os países e permitir a exportação conjunta a outros mercados". O que ainda não está claro — e o governo se negou a explicar — é a razão de se investir capital dos contribuintes brasileiros para desenvolver a indústria de outro país. Trata-se, mais uma vez, de um presente generosíssimo do Brasil ao regime cubano.
by Veja

O holocausto americano

O tempo é implacável para a História. Transforma heróis em vilões, réus em vítimas, muda sentenças, versões. O futuro é a segunda instância do passado. A distância temporal o reinterpreta, torna claro o que estava obscurecido por preconceitos e dilemas morais. Uma vítima foi Euclides da Cunha, que chegou em Canudos como repórter e, sobretudo, [...]

O tempo é implacável para a História.
Transforma heróis em vilões, réus em vítimas, muda sentenças, versões.
O futuro é a segunda instância do passado.
A distância temporal o reinterpreta, torna claro o que estava obscurecido por preconceitos e dilemas morais.
Uma vítima foi Euclides da Cunha, que chegou em Canudos como repórter e, sobretudo, militante republicano. Foi narrar a repressão contra religiosos fanáticos, liderado por um insano corno, que se opunha a modernidade, Estado laico e casamento civil. Mandou reportagens carregadas na tinta.
Anos depois, se sentou num casebre à beira de um rio e escreveu a narrativa sobre o massacre, a luta entre passado e futuro. Uma busca da identidade brasileira.
Publicado em 1902 com estardalhaço, Os Sertões se esgotou em dias. Talvez tenha sido o primeiro best-seller de um Brasil que se industrializava. Que teve mais duas edições revisadas pelo autor. Em cada uma, ele mudava o final, reinterpretava, fazia adendos. Até surpreender na última versão e mudar de lado, fazer um mea-culpa, encontrar os verdadeiros insanos, o verdadeiro brasileiro, e repensar em seus ideais.
Outra tragédia é recontada décadas depois.
Uma que já matou mais que muitas doutrinas, tiranos e guerras (causou 36 milhões de mortes) e infecta três mil pessoas por dia: a do descaso com o vírus da aids.
Um filme produzido pela HBO, The Normal Heart, que acaba de estrear no cabo, com Mark Ruffalo e Julia Roberts, baseado na peça de Larry Kramer, roteirista deHorizonte Perdido- que militou no movimento gay e testemunhou a morte da metade dos amigos em Nova York no começo da epidemia- oxigena o incêndio criado por outro filme da HBO de 20 anos atrás, And The Band Plays On, baseado no livro de Randy Shits.


Shits relatou os dilemas que a nova doença, que atacava a comunidade gay, levantavam na sociedade arrastada pela nova onda conservadora, pêndulo que voltava depois dos delírios das décadas anteriores.
Em 1981, ela se espalhou entre frequentadores de saunas gays de San Francisco e Nova York. Já se sabia que era sexualmente transmissível e tinha uma mortalidade de 100%. Sem nome, ficou conhecida como “praga gay” ou “câncer gay’. Em 1983, quando os EUA contabilizavam 951 casos, 640 mortes, mudaram de Grid (Gay Related Immune Deficiency) para aids (Auto Immune Deficiency Syndrome).
O CDC (Centro de Controle de Doenças) começou a rastreá-la enquanto Reagan tomava posse e anunciava cortes públicos para combater a inflação (exceto na Defesa). O CDC não tinha verba para comprar um microscópio eletrônico. Descobriu um padrão de infecção, chegou ao chamado paciente zero, um comissário de bordo canadense, provou que bancos de sangue estavam contaminando hemofílicos, mas poucos acreditavam.
A indústria dos bancos de sangue se recusou a admitir a contaminação por transfusão, apesar dos números (89% os hemofílicos tinham o vírus da aids em 1982). A comunidade gay de San Francisco se recusou a fechar as saunas, para ela, o grande símbolo da afirmação homossexual e da revolução por liberdade e direitos civis.
Foram os franceses do Instituto Pasteur, que estudavam a doença entre imigrantes africanos desde 1978, que isolaram o vírus.
Depois, o infectologista americano Robert Gallo tentou patenteá-lo e se tornar “dono” do teste anti-HIV.
Os dois grupos foram à Justiça, enquanto a Era Reagan ignorava a doença, assim como o Departamento de Saúde Pública de Nova York, e religiosos insistiam em condenar o uso de preservativos, sob o aplauso do Vaticano.
Só em 1985, o FDA (Food Drugs Administration) aprovou o teste contra o HIV. Bancos de sangue o adotaram depois de contaminarem 28 mil pacientes, e Reagan finalmente reconheceu a aids como uma epidemia; 25 mil homens e mulheres já tinham morrido nos EUA.
Foram cinco anos cruciais.
O filme The Normal Heart mostra a insana e solitária luta de ativistas nova-iorquinos, que abrigava metade dos contaminados, para conseguir fundos para alertar sobre os perigos da doença.


Larry Kramer fundou com amigos o Gay Men’s Health Crises. Não conseguiu um tostão da prefeitura. O prefeito Ed Koch, apesar da fama de enrustido, não os recebia. Até a imprensa se calou nos primeiros anos. Percebia-se que uma força maior impedia que o debate se propagasse, admitisse a existência da epidemia. A Casa Branca os ignorava. Só havia uma explicação para a comunidade: há um pacto não declarado, invisível, para exterminar os gays do País. A homofobia estava matando.
Pensei nos amigos que perdi por causa da aids.
No meu professor da USP, Luiz Roberto Galizia, que estudou em Berkeley, na Califórnia, onde Cazuza morou em 1979. Trabalhou com Bob Wilson em Nova York, onde Renato Russo também se infectou. E aparecia na piscina do CRUSP com manchas pelo corpo (Sarcoma). Ninguém sabia o que eram aquelas manchas.
Morreu em 1985.
Cazuza em 1990.
Renato em 1996.
Pensei em Henfil, ídolo com quem trabalhei na TVA. Hemofílico, morreu em 1988. Pensei no meu primeiro diretor de teatro, João Albano. Que me dirigiu desde quando eu tinha 15 anos.
No ator e parceiro de pôquer Adilson Barros. Em 1984, fomos a Nova York apresentar Feliz Ano Velho. Ficamos num hotel da Washington Square, Village. Era o fim de um verão inesquecível. Fumar maconha no parque ainda estava liberado. Às noites, eu ia ao lendário CBGB. Ele, às boates e saunas gays com o produtor, Paulinho, e o cenotécnico, Carlinhos. Voltavam e contavam as estripulias sexuais. Os três morreram de aids na década seguinte.
Me pergunto se não estariam vivos, se o governo americano tivesse agido rápido e sem discriminação.

ADILSON BARROS E MARCOS FROTA

No mundo todo, 34 milhões vivem com HIV.
Aqui, 37 mil novos casos são notificados por ano.
Segundo pesquisa do SampaCentro publicada em 2012 na Revista da Fapesp, 6,4% dos jovens gays de São Paulo, entre 18 e 24 anos, os filhos da geração Coca-Cola, têm aids.
Foram entrevistados 1.217 frequentadores de bares, cinemas e boates da região da República-Consolação.
Descobriu-se que 15% têm HIV.
Mantem-se o pacto invisível para exterminá-los.
DETALHE. De acordo com o Ministério da Saúde, havia um caso de aids entre mulheres para cada 26 de homens em 1985. Em 2010, a proporção saltou de um caso em mulheres para cada 1,7 homem.
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