quinta-feira, 25 de julho de 2013

"O Foro de São Paulo estabeleceu, entre seus objetivos, atuar junto à população de origem latino-americana e caribenha, residente nos Estados Unidos e na Europa".

Lá, sim, precisamos

Caracas (Venezuela). 06 Julio del 2012. XVIII Encuentro del Foro de Sao Paulo.Foto: Xavier Granja Cedeño - Ministerio de Relaciones Exteriores, Comercio e Integración.Por Valter Pomar – 24/06/13
O Foro de São Paulo estabeleceu, entre seus objetivos, atuar junto à população de origem latino-americana e caribenha, residente nos Estados Unidos e na Europa.
Essa população apresenta características muito variadas: país de origem, motivo da migração, tempo de permanência no país, grau de integração à sociedade local, padrão de vida, vínculos com o país de origem etc. Mas a maioria migrou por razões econômicas e constitui uma fração muito explorada do proletariado local, submetida a duras condições de trabalho, reduzidos direitos sociais e políticos, além de vítima de preconceito e perseguições.
Quais os objetivos do Foro? Em primeiro lugar, estimular a população de origem latino-caribenha a organizar-se, socialmente, sindicalmente, politicamente, incorporando-se a organizações locais, instituições, movimentos e partidos políticos da esquerda europeia. Conquistar direitos sociais e políticos, tanto no país de moradia quanto no de origem. Em segundo lugar, fazer com que essa população, de origem latino-caribenha, apoie os processos de transformação que estão em curso em nossa região.
Com esse propósito, o Foro constituiu duas novas secretarias regionais: a Secretaria Europa e a Secretaria Estados Unidos, cada uma integrada pelos partidos políticos de nossa região que possuem militância organizada nos EUA e na União Europeia. O PT, por exemplo, possui núcleos que atuam tanto nos Estados Unidos quanto em diversos países europeus, como Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Bélgica.
Ainda estamos em fase de implantação, mas está evidente que se trata de uma atividade estratégica. Fortalecer a esquerda na Europa e nos Estados Unidos reduz a pressão sobre cada um de nossos países e sobre o conjunto de nossa região. Principalmente nos Estados Unidos, os latino-americanos e caribenhos constituem um segmento cada vez mais importante da população e do eleitorado, tendo provavelmente contribuído de maneira significativa para a vitória de Obama nas últimas eleições presidenciais.
Isso nos remete a um terceiro motivo pelo qual organizar os latino-americanos e caribenhos se trata de uma atividade estratégica. A direita europeia e norte-americana desenvolve um trabalho político-ideológico permanente na América Latina e Caribe, contribuindo inclusive financeiramente para organizações sociais e políticas vinculadas a seus interesses. De nossa parte, devemos também “atuar na retaguarda”, por exemplo, estimular os latino-americanos e caribenhos residentes nos Estados Unidos a organizar um partido político de esquerda, de massas, democrático e socialista, que quebre a hegemonia de democratas e republicanos. Lá, sim, precisamos de uma terceira via.
*Valter Pomar é membro do Diretório Nacional do PT e secretário executivo do Foro de São Paulo

Sobre as deliberações da reunião do Diretório Nacional do PT do dia 20 de julho: Carta, réplica e tréplica

 22 DE JULHO DE 2013

Estrela PT fundo amarelo limão
Debate a respeito das resoluções do Diretório Nacional sobre o Processo de Eleições Diretas do PT – PED 2013, contendo:

CARTA DE VALTER POMAR AO DIRETÓRIO NACIONAL DO PT SOBRE AS DELIBERAÇÕES DA REUNIÃO DO DIRETÓRIO NACIONAL DO PT DO DIA 20 DE JULHO

Ao Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores
Companheiras e companheiros integrantes do Diretório Nacional do partido dos Trabalhadores,
Acabamos de realizar, no sábado 20 de julho, uma reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores.
Nesta reunião, a maioria dos presentes alterou algumas regras do Processo de Eleição das Direções.
O prazo para pagar o PT foi ampliado, para 30/8 (cotizações individuais) e para 30/9 (cotizações coletivas).
Alterou-se a distribuição dos recursos do fundo partidário: antes, 50% eram divididos igualmente entre todas as chapas e candidaturas; agora, só 20% serão divididos igualmente.
As chapas não precisarão mais ser pré-ordenadas. Agora elas poderão ser pós-ordenadas, ou seja, o filiado vota na lista, mas sem saber em qual ordem os componentes desta lista farão parte do DN.
Além da anterior, revogou-se a seguinte resolução do IV Congresso: “será necessário participação do filiado em pelo menos uma atividade partidária no ano para votar e ser votado”.
Estas alterações foram feitas com um argumento principal: é preciso ampliar o número de pessoas que vão votar no PED.
Certamente, todos queremos que centenas de milhares de filiados participem do PED.
Mas é preciso quantidade com qualidade. E não se pode, em nome da quantidade, violentar as resoluções aprovadas pelo Congresso.
Durante a reunião, eu e vários outros integrantes do DN apresentamos alternativas que buscavam preservar as resoluções congressuais.
Em nenhum momento adotamos uma postura inflexível, frente às preocupações apresentadas pela maioria.
Infelizmente, a maioria não buscou o consenso, a mediação.
Isto me coloca, e acredito que coloca outros dirigentes partidários, diante de um dilema.
Afinal, como se costuma dizer, é muito grave alterar as regras do jogo, no meio do jogo. Especialmente quando isto se faz sem consenso ou pelo menos amplíssima maioria.
Mais grave ainda é que estas alterações resultem em benefício evidente para a maioria relativa que aprovou as respectivas alterações.
E muito pior é que esta alteração implique na revogação de decisões adotadas pelo recente IV Congresso partidário.
Podemos ter diferentes opiniões sobre o mérito do que foi aprovado pelo DN. No IV Congresso, eu mesmo votei contra algumas das regras que a maioria relativa do DN agora decidiu revogar. Mas do ponto de vista do método, abriu-se nesta reunião do DN um precedente que considero inaceitável.
Foram desrespeitados dois preceitos básicos da democracia partidária: o caráter supremo das resoluções congressuais e a possibilidade da minoria converter-se, com base nas regras estatutárias, em maioria.
Afinal, a mesma maioria que alterou as regras hoje, poderá fazer novas alterações amanhã.
Levando isto em conta, e considerando o que prevê nosso estatuto, solicito formalmente ao Diretório Nacional que suspenda as decisões aprovadas e que busquemos uma solução consensual para os problemas apontados acima.
Peço aos companheiros e companheiras que lembrem que há determinadas regras que não podem ser quebradas, há determinados rios que não podem ser atravessados, sem que se tire disto as devidas consequências.
Especialmente nesta conjuntura tão turbulenta que o país e o PT atravessam, é essencial evitar este tipo de situação.
Saudações petistas
Valter Pomar
21 de julho de 2013

RESPOSTA DO SECRETÁRIO DE ORGANIZAÇÃO DO PT, FLORISVALDO SOUZA, A CARTA DE VALTER POMAR

Envio o texto abaixo solicitado pelo companheiro Florisvaldo Souza, Secretário Nacional de Organização.
Aos companheiros e companheiras do DN
Em relação ao texto do Companheiro Valter Pomar entendo que:
O companheiro tem todo o direito de expressar sua opinião e recorrer das decisões tomadas pela maioria do DN. E se for recebido o recurso, o DN tem que debater com toda a tranquilidade. Mas, afirmar que não houve tentativas de buscar acordos e consensos em torno de propostas mediadas sobre os temas não é verdade. Eu mesmo procurei as diversas forças políticas, inclusive o companheiro, no sentido de buscar um diálogo e entendimento que permitisse superar alguns entraves que não só na minha compreensão, mas na compreensão de muitos dirigentes nacionais e estaduais, alguns pontos do regulamento, deveriam ser análisados, pois impediam uma maior participação no PED. (Mais interessante ainda é que o companheiro se recusou a dialogar e no debate ficou tentando alterar coisas que também quebravam a regra. Ai eu pergunto? Se as propostas dele tivessem sido aprovadas iriam valer?). Acho estranho ainda porque ele propos uma mudança no regulamento na última Execut iva sobre a regra que alterava o pagamento das contribuições partidárias de integrantes das chapas. Regra esta que também foi referendada pelo DN, embora o companheiro não a tenha mencionado em sua carta (diga-se alteração de uma regra consolidada no PT desde o primeiro PED em pleno andamento do jogo).
Sobre as decisões do DN, entendo que toda a lei e toda a regra tem que dialogar com a realidade. Se a regra não está dialogando com a realidade é porque precisa ser repensada e foi o que aconteceu.
Por fim, vejo na decisão do Diretório uma preocupação muito grande com o atual momento político do país e uma vontade muito grande de realizar um PED com a maior participação possível dos filiados e os ajustes que foram feitos tenho certeza que contribui com este objetivo.
Sobre o conteúdo das mudanças entendo que não há nenhum afronta as deliberações do Congresso como:
Sobre as finanças – Não houve alteração no princípio da importância das contribuições financeiras – Pra votar o filiado tem que contribuir financeiramente de acordo com a tabela existente! O que aconteceu no DN foi prorrogar em 18 dias o prazo de pagamento permitindo assim um tempo maior para o filiado procurar o seu DM e cumprir com sua obrigação.
Sobre a pré-ordenação das chapas – Houve um entendimento amplo de que o PED é um processo e que o mais correto é ordenar as chapas no período entre a votação e a posse, não podendo mais haver alteração após o fim do processo que se encerra com a posse.
Sobre as atividades, me parece, é o que está sendo mais questionado pelo companheiro, o texto do Congresso diz o seguinte “Será necessário a participação do filiado em pelo menos uma atividade partidária no ano para votar e ser votado”. O DN ao regulamentar criou regras burocráticas que ná prática não estão funcionando e o resultado até o momento, foi o registro de pouco mais de 20.000 filiados no SISFIL, isto porque dos 70.000 registrados até o momento, 50.000 já estão em atividade permanente. Este registro não está acontecendo por muitas dificuldades operacionais nos Diretórios Municipais. (Bom que se diga que não temos uma estrutura profissionalizada) Portanto não houve quebra de princípio do Congresso e sim a avaliação de que a regulamentação criada pelo próprio Diretório Nacional, não estava funcionando adequadamente.
abraço fraternal a todos e todas.

TRÉPLICA DE VALTER POMAR AO SECRETÁRIO DE ORGANIZAÇÃO DO PT, FLORISVALDO SOUZA

Prezado companheiro Florisvaldo
Lendo a tua mensagem, vejo que não fui claro, assim por favor tome nota: a carta que enviei ao DN no dia 21 de julho, domingo, ontem, é um recurso.
Fiz o recurso porque as mudanças aprovadas pela reunião do DN desrespeitam deliberações estatutárias e congressuais.
O estatuto fala que os pagamentos individuais devem ser feitos 90 e 60 dias antes. O DN mudou estas datas.
O Congresso fala que as chapas devem ser pré-ordenadas. O DN mudou esta regra.
O Congresso fala que para votar, o filiado deve participar de alguma atividade partidária durante o ano anterior ao PED. No DN revogou-se esta exigência.
Não discuto o mérito destas mudanças.
Como já expliquei ao DN e na carta, quando o IV Congresso aprovou estas regras, eu votei contra algumas.
Meu questionamento é de método.
Mudar deliberações estatutárias e congressuais é algo muito grave. Especialmente quando temos decisões aprovadas por 41 votos, num Diretório que tem 83 integrantes.
Voce tem todo o direito de achar que não há nenhuma afronta as deliberações do Congresso. E eu tenho o direito de achar que voce tergiversa. Mas isto é irrelevante. O problema é: 41 membros do DN não podem derrubar resoluções congressuais e estatutárias.
Voce tem todo o direito de achar que as mudanças ampliam a participação no PED. E eu tenho o direito de achar que as mudanças visam ampliar a votação de algumas chapas e candidaturas. Mas isto também é irrelevante. O problema é: 41 membros do DN não podem derrubar resoluções congressuais e estatutárias.
Voce tem todo o direito de achar que “toda a lei e toda a regra tem que dialogar com a realidade. Se a regra não está dialogando com a realidade é porque precisa ser repensada e foi o que aconteceu”. O problema é que o DN não “repensou”, ele revogou deliberações estatutárias e congressuais.
Reitero o que disse no DN e na minha carta: reconheço a existência de problemas e por isto mesmo propus alternativas. Infelizmente, parece que o companheiro e outros entraram na reunião do DN com uma lista de decisões a aprovar e as aprovaram, tal e qual haviam decidido.
Pior: voce usa a tentativa de mediação que fiz, as alternativas que apresentei, para tentar desqualificar minha reclamação. Mas vou tomar esta crítica como elogio.
Para que voce entenda o que estou querendo dizer: na reunião da executiva nacional do PT, na qual aliás eu não estive presente, foi analisada proposta minha segundo a qual os integrantes das chapas nacionais tivessem até o dia 12/8 para confirmar que estão em dia com suas contribuições partidárias. Eu não estava na reunião, mas segundo me disseram a proposta foi aprovada por unanimidade na CEN; posteriormente a proposta foi referendada, também por unanimidade, no DN.
Esta é a diferença entre nós: se a realidade impõe uma mudança tão grave, façamos isto por consenso. Não por estreita maioria. Muito menos em benefício exclusivo dos que alteram a regra.
Por fim, alterar a lista pré-ordenada e a distribuição dos fundos entre as chapas concorrentes não amplia a participação no PED. Aprovar estas mudanças, junto com as outras já citadas, constitui um pacote regressivo. É este conjunto da obra, a soma das partes, não cada parte tomada individualmente, que me obriga a fazer o recurso.
Um abraço e aguardo uma resposta acerca de como será analisado meu recurso
Valter Pomar

Setorial Nacional de Saúde do PT, Proposta de resolução em Defesa do SUS: público, universal e integral!

 24 DE JULHO DE 2013

Logo SUS Debate horizontal
SECRETARIA NACIONAL DE MOVIMENTOS POPULARES
SETORIAL NACIONAL DA SAÚDE DO PT
PROPOSTA DE RESOLUÇÃO AO DIRETÓRIO NACIONAL:
EM DEFESA DO SUS: PÚBLICO, UNIVERSAL E INTEGRAL!
O Partido dos Trabalhadores (PT), em reunião ordinária de seu Diretório Nacional, em ____/____/___, em _________________, considerando que,
1. em 2013, comemoram-se os 33 anos do PT e os 10 anos do Partido na Presidência da República, com avanços significativos nas políticas econômicas e sociais do País, especialmente na Saúde;
2. as políticas do Governo Federal ao melhorar a renda e a geração de empregos, estão retirando milhões de pessoas da miséria e aumentando a faixa da população que ingressa na chamada “classe C”, com um aumento significativo do seu poder aquisitivo;
3. o Sistema Único de Saúde, como resultado das lutas históricas dos trabalhadores por justiça social, organizados no Movimento pela Reforma Sanitária no Brasil, contou e conta com a participação efetiva dos militantes do PT em todas as dimensões das lutas políticas pelo direito à saúde, seja como usuários, trabalhadores ou gestores do sistema, nas universidades, no parlamento, nas organizações governamentais e nas entidades da sociedade civil;
4. nos últimos 10 anos, os Governos do PT – Lula e Dilma – promoveram avanços significativos para o Sistema Único de Saúde (SUS) como a criação e a expansão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), a Farmácia Popular, dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), do Brasil Sorridente, o sistema Nacional de Saúde do Trabalhador, das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), da Política de Combate ao Álcool e Drogas, do Melhor em Casa (atendimento hospitalar domiciliar, Plano de Enfrentamento de Doenças Crônicas e Degenerativas), das Academias da Saúde, dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf), do Programa de Melhoria do Acesso e Qualidade (PMAQ) da Atenção Básica, incentivando a expansão com qualidade da Estratégia Saúde da Família, das Redes de Atenção à Saúde, especialmente a Rede Cegonha e a de Urgência, além de uma série de outros programas estruturantes que mudaram a vida de milhões de brasileiros;
5. o SUS, como previsto na Constituição e na legislação vigente, é um modelo de reforma democrática do Estado brasileiro, tendo como princípios a universalidade, a integralidade e a igualdade no acesso às ações e aos serviços de saúde; a hierarquização da rede de serviços; a descentralização da gestão, das ações e dos serviços; a participação da comunidade na definição da política de saúde; o financiamento solidário pelas três esferas de governo; o controle social e a autonomia dos gestores, com gestão única em cada esfera de governo, com responsabilidade sanitária, com planos e fundos de saúde como instrumentos de gestão dos recursos orçamentários, financeiros e contábeis e com aperfeiçoamento dos mecanismos de prestação de contas.
6. os avanços reais obtidos nesse período de implementação e a necessidade de continuar avançando na implementação do modelo assistencial – na construção de uma gestão participativa, democrática e resolutiva; na superação efetiva do modelo biomédico, neoliberal e privatista; no planejamento sistêmico da ampliação, universalização e melhoria da estrutura das redes e da qualidade das ações e dos serviços públicos de saúde, constituindo-se em uma rede nacional ascendente com componentes municipais, estaduais e nacional, regionalizada e integrada, da atenção básica à emergência e atenção hospitalar integral; no investimento qualificado nas ações de vigilância sanitária e epidemiológica; no financiamento suficiente e tripartite; na gestão do trabalho e na educação na saúde, no fortalecimento do controle social e na humanização do cuidado -para que o SUS se consolide, efetivamente, como a maior política publica de inclusão social do nosso país;
7. o setor privado da saúde – Planos de Saúde regulados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – percebe esta parcela de milhões de brasileiros, população maior que muitos países europeus, como um grande nicho de mercado, mesmo passando por uma crise estrutural com baixa capacidade de oferta de serviços com qualidade, apesar de todos os estímulos concedidos pelo governo, a exemplo da desoneração fiscal aos planos de saúde (R$ 9 bilhões) e aos hospitais, clínicas e laboratórios privados (R$ 3 bilhões), em 2013;
8. ao realizar a desoneração fiscal aos serviços privados de saúde não se considera a universalização do SUS (o livre acesso dos segurados de planos de saúde ao SUS, inclusive encaminhados pelos seus respectivos planos de saúde, especialmente para a urgência/emergência, para os procedimentos de apoio ao diagnóstico de média e alta complexidade, UTI, atendimento a idosos e a doentes crônicos, inclusive de câncer, saúde mental, dentre outros) e o alto grau de judicialização das restituições ao SUS pelas operadoras dos planos;
9. a Constituição Federal estabelece no § 2º do art. 199 ser “vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições privadas com fins lucrativos” e a Lei 9.656/98, que regulamenta o setor, prevê ressarcimento das operadoras privadas ao SUS;
10. os planos privados de saúde são uma falsa alternativa para a população porque, embora pertençam a um dos setores mais lucrativos do Brasil – possuem 48,7 milhões de clientes e faturaram, somente em 2012, mais de R$ 80 bilhões –, são os maiores alvos de reclamações do povo brasileiro nos Procons e não realizam a cobertura minimamente compatível com os planos de saúde comercializados;
11. a experiência tem demonstrado que os planos de saúde, apesar de custarem caro, atendem mal a seus associados: possuem barreiras de acesso, com triagens, autorizações prévias e longos prazos para atendimentos, descumprindo as normas; negando tratamentos de doenças graves e de procedimentos caros, operam com escassez de profissionais, de serviços diagnósticos e de leitos, selecionam sua clientela, buscando pessoas jovens e sadias, formalmente empregadas;
12. mais de 80% dos planos de saúde são empresariais, o que significa que, a maioria dos atuais beneficiários, quando se aposentarem, estará descoberta de planos de saúde passando a depender, exclusivamente, do SUS;
13. o SUS, como sistema universal de saúde, exige novos aportes de recursos financeiros para assegurar a estrutura necessária para o acesso universal e integral com qualidade aos mais de 190 milhões de brasileiros aos serviços de saúde.
Resolve:
Convocar a militância do Partido dos Trabalhadores, todas as direções da estrutura partidária, governantes e parlamentares do PT, cada um conforme sua posição política, a sustentarem e apoiar as medidas que se seguem, as quais devem fazer parte da agenda política do Partido:
1. Defender o SUS como Direito de todos e Dever do Estado para que se consolide como um sistema público, gratuito, eficiente e de qualidade alicerçado nos princípios da universalidade, integralidade, equidade e igualdade na atenção à saúde, comprometido com a defesa da vida;
2. Lutar pela ampliação do financiamento adequado e suficiente para o SUS, mobilizando a sociedade e os governos para garantir a aprovação pelo Congresso Nacional do projeto de lei que assegura o repasse efetivo e integral de 10% das receitas correntes brutas da União para a saúde pública;
3. Defender a criação de novas fontes de recursos para financiar a saúde, tais como, instituir contribuição exclusiva para a saúde, a exemplo da CPMF; aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para a saúde; tributar as grandes riquezas, fortunas e latifúndios, o tabaco e as bebidas alcoólicas; taxar a movimentação interbancária; definir percentual dos royalties do petróleo e da mineração para a saúde; e, definir percentual do lucro das empresas automobilísticas, estas, também responsáveis por subprodutos que geram graves problemas de saúde pública, poluição ambiental e, consequentemente, muitos gastos públicos com saúde;
4. Conclamar o Governo Federal a aplicar os 10% da receita corrente bruta nas políticas de saúde, de forma a realizar a transformação do modelo de atenção à saúde, aplicando os novos recursos, prioritariamente, na Atenção Básica, na estruturação e ampliação da rede pública de serviços de saúde em todos os níveis de atenção para diminuir a dependência que temos da rede privada contratada e conveniada e na consolidação de carreiras para os trabalhadores da saúde no âmbito do SUS;
5. Impedir qualquer iniciativa política de oferecer subsídios públicos a planos e seguros de saúde privados para a população de baixa renda e para classe média;
6. Solicitar ao Governo que reconsidere as desonerações fiscais destinadas ao mercado de serviços privados de saúde, bem como abrir diálogo com as Centrais Sindicais, a sociedade civil organizada e outras entidades contra a mercantilização da saúde e em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS);
7. Conclamar o governo para criar novos mecanismos para cobrar, promover e fiscalizar o ressarcimento ao SUS devido pelos planos de saúde, bem como ampliar sua abrangência aos procedimentos ambulatoriais de média complexidade tecnológica;
8. Convocar a bancada federal do partido e o Setorial Nacional de Saúde do PT para debater a sucessão da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) com a indicação de diretores comprometidos com o fortalecimento do SUS e a regulação efetiva do mercado de planos de saúde;
9. Fortalecer a Política Nacional de Saúde Mental, incluindo nesta, a atenção às pessoas em uso abusivo de álcool, crack e outras drogas, segundo os princípios da reforma psiquiátrica brasileira e da luta antimanicomial, enfatizando o posicionamento contrário às ações de internação compulsória de usuários de substâncias psicoativas promovidas pelo estado de São Paulo e propostas similares previstas em Projeto de Lei que tentam instituir tais práticas em outros estados e em nível federal. Solicitar que se envidem esforços a favor do fortalecimento dos serviços substitutivos previstos pela Política Nacional de Saúde Mental, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), não devendo ser considerada a possibilidade de financiamento público (pelo SUS, SUAS ou Ministério da Justiça) para as chamadas Comunidades Terapêuticas, que não se apresentam como alternativa de tratamento pelo SUS;
10. Promover ampla discussão com as gestões petistas municipais, estaduais e federal sobre as modalidades de gestão pública e estatal do SUS, considerando que devem ser superados os modelos de terceirização dos serviços por Organizações Sociais (OSs), Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) e Parcerias Público Privadas (PPPs), que precarizam vínculos e privatizam o SUS;
11. Comprometer com o aprofundamento da melhoria da qualidade de vida do povo e a permanente superação das desigualdades, o que exige o investimento na implementação do SUS como sistema público e universal, sem o qual o Brasil não será um País desenvolvido.
__________________, _____/________/ 2013.
Partido dos Trabalhadores (PT)

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