quinta-feira, 25 de julho de 2013

Setorial Nacional de Saúde do PT, Proposta de resolução em Defesa do SUS: público, universal e integral!

 24 DE JULHO DE 2013

Logo SUS Debate horizontal
SECRETARIA NACIONAL DE MOVIMENTOS POPULARES
SETORIAL NACIONAL DA SAÚDE DO PT
PROPOSTA DE RESOLUÇÃO AO DIRETÓRIO NACIONAL:
EM DEFESA DO SUS: PÚBLICO, UNIVERSAL E INTEGRAL!
O Partido dos Trabalhadores (PT), em reunião ordinária de seu Diretório Nacional, em ____/____/___, em _________________, considerando que,
1. em 2013, comemoram-se os 33 anos do PT e os 10 anos do Partido na Presidência da República, com avanços significativos nas políticas econômicas e sociais do País, especialmente na Saúde;
2. as políticas do Governo Federal ao melhorar a renda e a geração de empregos, estão retirando milhões de pessoas da miséria e aumentando a faixa da população que ingressa na chamada “classe C”, com um aumento significativo do seu poder aquisitivo;
3. o Sistema Único de Saúde, como resultado das lutas históricas dos trabalhadores por justiça social, organizados no Movimento pela Reforma Sanitária no Brasil, contou e conta com a participação efetiva dos militantes do PT em todas as dimensões das lutas políticas pelo direito à saúde, seja como usuários, trabalhadores ou gestores do sistema, nas universidades, no parlamento, nas organizações governamentais e nas entidades da sociedade civil;
4. nos últimos 10 anos, os Governos do PT – Lula e Dilma – promoveram avanços significativos para o Sistema Único de Saúde (SUS) como a criação e a expansão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), a Farmácia Popular, dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), do Brasil Sorridente, o sistema Nacional de Saúde do Trabalhador, das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), da Política de Combate ao Álcool e Drogas, do Melhor em Casa (atendimento hospitalar domiciliar, Plano de Enfrentamento de Doenças Crônicas e Degenerativas), das Academias da Saúde, dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf), do Programa de Melhoria do Acesso e Qualidade (PMAQ) da Atenção Básica, incentivando a expansão com qualidade da Estratégia Saúde da Família, das Redes de Atenção à Saúde, especialmente a Rede Cegonha e a de Urgência, além de uma série de outros programas estruturantes que mudaram a vida de milhões de brasileiros;
5. o SUS, como previsto na Constituição e na legislação vigente, é um modelo de reforma democrática do Estado brasileiro, tendo como princípios a universalidade, a integralidade e a igualdade no acesso às ações e aos serviços de saúde; a hierarquização da rede de serviços; a descentralização da gestão, das ações e dos serviços; a participação da comunidade na definição da política de saúde; o financiamento solidário pelas três esferas de governo; o controle social e a autonomia dos gestores, com gestão única em cada esfera de governo, com responsabilidade sanitária, com planos e fundos de saúde como instrumentos de gestão dos recursos orçamentários, financeiros e contábeis e com aperfeiçoamento dos mecanismos de prestação de contas.
6. os avanços reais obtidos nesse período de implementação e a necessidade de continuar avançando na implementação do modelo assistencial – na construção de uma gestão participativa, democrática e resolutiva; na superação efetiva do modelo biomédico, neoliberal e privatista; no planejamento sistêmico da ampliação, universalização e melhoria da estrutura das redes e da qualidade das ações e dos serviços públicos de saúde, constituindo-se em uma rede nacional ascendente com componentes municipais, estaduais e nacional, regionalizada e integrada, da atenção básica à emergência e atenção hospitalar integral; no investimento qualificado nas ações de vigilância sanitária e epidemiológica; no financiamento suficiente e tripartite; na gestão do trabalho e na educação na saúde, no fortalecimento do controle social e na humanização do cuidado -para que o SUS se consolide, efetivamente, como a maior política publica de inclusão social do nosso país;
7. o setor privado da saúde – Planos de Saúde regulados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – percebe esta parcela de milhões de brasileiros, população maior que muitos países europeus, como um grande nicho de mercado, mesmo passando por uma crise estrutural com baixa capacidade de oferta de serviços com qualidade, apesar de todos os estímulos concedidos pelo governo, a exemplo da desoneração fiscal aos planos de saúde (R$ 9 bilhões) e aos hospitais, clínicas e laboratórios privados (R$ 3 bilhões), em 2013;
8. ao realizar a desoneração fiscal aos serviços privados de saúde não se considera a universalização do SUS (o livre acesso dos segurados de planos de saúde ao SUS, inclusive encaminhados pelos seus respectivos planos de saúde, especialmente para a urgência/emergência, para os procedimentos de apoio ao diagnóstico de média e alta complexidade, UTI, atendimento a idosos e a doentes crônicos, inclusive de câncer, saúde mental, dentre outros) e o alto grau de judicialização das restituições ao SUS pelas operadoras dos planos;
9. a Constituição Federal estabelece no § 2º do art. 199 ser “vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições privadas com fins lucrativos” e a Lei 9.656/98, que regulamenta o setor, prevê ressarcimento das operadoras privadas ao SUS;
10. os planos privados de saúde são uma falsa alternativa para a população porque, embora pertençam a um dos setores mais lucrativos do Brasil – possuem 48,7 milhões de clientes e faturaram, somente em 2012, mais de R$ 80 bilhões –, são os maiores alvos de reclamações do povo brasileiro nos Procons e não realizam a cobertura minimamente compatível com os planos de saúde comercializados;
11. a experiência tem demonstrado que os planos de saúde, apesar de custarem caro, atendem mal a seus associados: possuem barreiras de acesso, com triagens, autorizações prévias e longos prazos para atendimentos, descumprindo as normas; negando tratamentos de doenças graves e de procedimentos caros, operam com escassez de profissionais, de serviços diagnósticos e de leitos, selecionam sua clientela, buscando pessoas jovens e sadias, formalmente empregadas;
12. mais de 80% dos planos de saúde são empresariais, o que significa que, a maioria dos atuais beneficiários, quando se aposentarem, estará descoberta de planos de saúde passando a depender, exclusivamente, do SUS;
13. o SUS, como sistema universal de saúde, exige novos aportes de recursos financeiros para assegurar a estrutura necessária para o acesso universal e integral com qualidade aos mais de 190 milhões de brasileiros aos serviços de saúde.
Resolve:
Convocar a militância do Partido dos Trabalhadores, todas as direções da estrutura partidária, governantes e parlamentares do PT, cada um conforme sua posição política, a sustentarem e apoiar as medidas que se seguem, as quais devem fazer parte da agenda política do Partido:
1. Defender o SUS como Direito de todos e Dever do Estado para que se consolide como um sistema público, gratuito, eficiente e de qualidade alicerçado nos princípios da universalidade, integralidade, equidade e igualdade na atenção à saúde, comprometido com a defesa da vida;
2. Lutar pela ampliação do financiamento adequado e suficiente para o SUS, mobilizando a sociedade e os governos para garantir a aprovação pelo Congresso Nacional do projeto de lei que assegura o repasse efetivo e integral de 10% das receitas correntes brutas da União para a saúde pública;
3. Defender a criação de novas fontes de recursos para financiar a saúde, tais como, instituir contribuição exclusiva para a saúde, a exemplo da CPMF; aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para a saúde; tributar as grandes riquezas, fortunas e latifúndios, o tabaco e as bebidas alcoólicas; taxar a movimentação interbancária; definir percentual dos royalties do petróleo e da mineração para a saúde; e, definir percentual do lucro das empresas automobilísticas, estas, também responsáveis por subprodutos que geram graves problemas de saúde pública, poluição ambiental e, consequentemente, muitos gastos públicos com saúde;
4. Conclamar o Governo Federal a aplicar os 10% da receita corrente bruta nas políticas de saúde, de forma a realizar a transformação do modelo de atenção à saúde, aplicando os novos recursos, prioritariamente, na Atenção Básica, na estruturação e ampliação da rede pública de serviços de saúde em todos os níveis de atenção para diminuir a dependência que temos da rede privada contratada e conveniada e na consolidação de carreiras para os trabalhadores da saúde no âmbito do SUS;
5. Impedir qualquer iniciativa política de oferecer subsídios públicos a planos e seguros de saúde privados para a população de baixa renda e para classe média;
6. Solicitar ao Governo que reconsidere as desonerações fiscais destinadas ao mercado de serviços privados de saúde, bem como abrir diálogo com as Centrais Sindicais, a sociedade civil organizada e outras entidades contra a mercantilização da saúde e em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS);
7. Conclamar o governo para criar novos mecanismos para cobrar, promover e fiscalizar o ressarcimento ao SUS devido pelos planos de saúde, bem como ampliar sua abrangência aos procedimentos ambulatoriais de média complexidade tecnológica;
8. Convocar a bancada federal do partido e o Setorial Nacional de Saúde do PT para debater a sucessão da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) com a indicação de diretores comprometidos com o fortalecimento do SUS e a regulação efetiva do mercado de planos de saúde;
9. Fortalecer a Política Nacional de Saúde Mental, incluindo nesta, a atenção às pessoas em uso abusivo de álcool, crack e outras drogas, segundo os princípios da reforma psiquiátrica brasileira e da luta antimanicomial, enfatizando o posicionamento contrário às ações de internação compulsória de usuários de substâncias psicoativas promovidas pelo estado de São Paulo e propostas similares previstas em Projeto de Lei que tentam instituir tais práticas em outros estados e em nível federal. Solicitar que se envidem esforços a favor do fortalecimento dos serviços substitutivos previstos pela Política Nacional de Saúde Mental, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), não devendo ser considerada a possibilidade de financiamento público (pelo SUS, SUAS ou Ministério da Justiça) para as chamadas Comunidades Terapêuticas, que não se apresentam como alternativa de tratamento pelo SUS;
10. Promover ampla discussão com as gestões petistas municipais, estaduais e federal sobre as modalidades de gestão pública e estatal do SUS, considerando que devem ser superados os modelos de terceirização dos serviços por Organizações Sociais (OSs), Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) e Parcerias Público Privadas (PPPs), que precarizam vínculos e privatizam o SUS;
11. Comprometer com o aprofundamento da melhoria da qualidade de vida do povo e a permanente superação das desigualdades, o que exige o investimento na implementação do SUS como sistema público e universal, sem o qual o Brasil não será um País desenvolvido.
__________________, _____/________/ 2013.
Partido dos Trabalhadores (PT)

As mobilizações de rua no Brasil, o PT e a questão geracional

 25 DE JULHO DE 2013

Juventude perfil


by Daniel Damiani*
*Daniel Fortuna Damiani, 26 anos, Professor de Sociologia, militante da JPT-RS
As mobilizações de massa protagonizadas sobretudo pela juventude em todo o país surpreenderam, em maior ou menor grau, a todos e todas. De certo ninguém esperaca que em junho deste ano explodissem manifestações tão massivas da forma como ocorreram. Mas seja da perspectiva da luta de classes, seja do ponto de vista do debate sobre juventude e da questão geracional, os conflitos fazem parte da história, a história é movimento, só se esqueceu disso, por parte da esquerda, quem se deixou afastar demais da teoria socialista.
Da perspectiva histórica da luta de classes, os momentos de estabilidade econômica e política são sempre contingentes, ainda mais contingentes são as tentativas de conciliação de interesses antagônicos entre as classes sociais. Um governo de coalização encabeçado por um Partido dos Trabalhadores em um país latino-americano com as dimensões do Brasil, incapaz de realizar transformações estruturais, caminha sob o fio de uma afiada navalha.
Do ponto de vista do debate sobre juventude e da questão geracional, nos debruçamos sobre o tema na Juventude do PT desde 1993(1), rejeitamos o discurso que juventude é uma questão de “estado de espírito”, um mal que se cura com o tempo, ou uma “filha maldita do capitalismo”. Compreendemos juventude como uma condição específica de quem se encontra na transição da infância para a idade adulta, enfrentando de forma mais severa “conflito entre o potencial criativo dos sujeitos e os bloqueios do sistema”(2).
Superamos teoricamente a ilusão acerca de uma natureza rebelde ou conservadora da juventude, compreendendo assim como Manheim (apudABRAMO), “a mocidade pertence aos recursos latentes que toda a sociedade dispõe e cuja mobilização depende sua vitalidade” (3). Não faltam exemplos na história, desde gangues juvenis em Constantinopla, até fenômenos globais como 1968, sobre formas como a juventude é capaz de explodir em revoltas mais ou menos conscientes, progressistas ou conservadoras. O professor Paulo Denisar (4) nos ensina que mais que aferir o grau de “politização” de uma geração, é importante compreender os significados das suas várias expressões, seja através da cultura, da revolta e mesmo da acomodação:
[…] menos importante do que aferir “moralmente” o grau imediato de “politização” da juventude é decifrar dialeticamente o significado social e político daquilo que as juventudes estão expressando à sociedade. E ler as contradições dessa sociedade de modo imanente, na trama das relações que constituem o processo de sua totalidade. O conceito da condição juvenil como torrente de um conflito psicossocial dos indivíduos pressupõe a noção crítica de um comportamento oblíquo aos sistemas vigentes e, portanto, uma potencialidade de recusa. Mas que também pode virar simplesmente à direita ou ao comodismo em sua luta por reconhecimento. A percepção dessas culturas juvenis como modos contraditórios, porém legítimos, de ser/existir na sociedade capitalista, é um pressuposto para que com elas possa dialogar a cultura de intervenção que vem da crítica teórica.”
Nesse sentido, tanto a revolta das juventudes que foram às ruas, como os diferentes formas e comportamentos daqueles que foram, ou mesmo os silêncios ou outras formas de expressão que a juventude encontra hoje – por exemplo, no universo da violência e do tráfico de drogas que a juventude das periferias é submetida onde se constata que está acontecendo um genocídio da juventude negra da periferia – são expressões cheias de significados e demandam respostas das organizações de esquerda, dos governos, da sociedade.
Compreendemos a importância de qualquer organização, em especial as de esquerda e socialistas que pretendem a transformação mais ou menos radical da sociedade em apostar estrategicamente no diálogo e na disputa das novas gerações. Apontamos tanto os equívocos da maioria das organizações que mantém uma visão meramente instrumental acerca da juventude, preocupadas apenas em atrair jovens para o partido, assim como os equívocos do Partido dos Trabalhadores, que negligencia o tema, seja internamente ou nos governos que compõe (5). Assim, apontamos diversas vezes que nem o PT nem o Governo Federal estavam preparados para uma conjuntura como essa, de explosão de mobilizações massivas protagonizadas sobretudo pela juventude.
Algumas organizações de esquerda até demonstram ter política específica e mesmo um foco estratégico na organização da juventude, mas não sem cair nos erros das organizações tradicionais. Impera a visão instrumental, que ignora que os jovens são sujeitos políticos plenos, que não os empodera e que, ao contrário, os trata como objetos da política dos “adultos” do partido. Em geral são reproduzidos por estas organizações preconceitos primários como a aposta em uma determinada “natureza rebelde da juventude”, carregando de ufanismo, proselitismo e fantasia o “discurso para atrais os jovens”.
No PT reproduzem-se os mesmos preconceitos presentes na sociedade acerca de uma geração supostamente acomodada, ou conservadora. Falas de autoridade (e ignorância) que começavam com “no meu tempo” hoje mostram o ridículo de indivíduos e de organizações que envelheceram e perderam o contato com as novas gerações e suas mobilizações de massas. Muitos ainda acreditam que é apenas uma questão de linguagem, como sugeria uma publicação da CUT do inicio dos anos 2000 que trazia um “dicionário de gírias” para os dirigentes sindicais “dialogarem” com a juventude.
Nos governos, em que pese anos de mobilização e formulação de várias organizações de juventude, em especial da Juventude do PT, apoiados por muita pesquisa científica, desde o “Projeto Juventude” da Fundação Perseu Abramo e as contribuições de teóricos como Márcio Pochmann e estudos do IPEA, foram tímidos os avanços em políticas públicas específicas para a juventude. As resoluções de duas Conferências Nacionais de Juventude do Governo Federal, que apontavam reivindicações hoje estampadas em cartazes pelas ruas, como passe livre, mais investimentos em educação, foram solenemente colocadas na gaveta Os governos, que ignoraram por tanto tempo os alertas das organizações de juventude e dos teóricos, acerca da questão do “Bônus Geracional” (em 2010 a juventude atingiu o patamar de maior parcela da sociedade brasileira, nunca tivemos e nunca teremos tantos jovens como agora), da necessidade de políticas específicas, agora tentam atônitos, dar respostas desencontradas às demandas que explodiram nas ruas.
A JPT vem apontando desde alguns anos que as novas gerações não conviveram com outros governos que não os do PT na Presidência da República. Não só não viveram a realidade do desemprego estrutural dos anos neoliberais, como políticas como a expansão da rede federal de educação superior, PROUNI, IFET´s, cotas raciais e sociais não foram vividas como conquistas pelas novas gerações, que cresceram podendo acessá-las (ou não, na medida que muitos ainda não podem). A defesa das políticas do governo de coalizão, que embalou as lutas da juventude governista, não dão conta, nesse país de enormes desigualdades estruturais, de representar conquistas reais para as novas gerações. Essas gerações tiveram conquistas se olharmos de um ponte de vista de como era o Brasil antes de 2003, mas boa parte dessa juventude tinha pouco mais de 6 anos de idade nesse ano, esta é uma questão importante. Tiveram conquistas, mas é como se não as tivessem tido.
A questão geracional não pode ser ignorada. A sociologia da violência, por exemplo, demonstra que não se pode explicar como o fenômeno da violência explodiu nas periferias das grandes cidades latino-americanas sem explicar a questão do êxodo das populações do campo, que obteve relativos avanços no que diz respeito ao acesso à bens e serviços disponíveis nas cidades em relação à geração de seus filhos. Foi na segunda geração, nascida na periferia, que não teve avanço nem conquistas, que explodiu o fenômeno da violência como temos hoje, mais grave a cada geração.
A estratégia dos governos de coalizão deixou o PT e a esquerda que compõe os governos expostas ao longo de 10 anos a um intenso bombardeio por parte dos aparelhos ideológicos conservadores acerca do fim das ideologias, da despolitização da política, descaracterização dos projetos. As ruas cobram alto preço dos governos de coalizão centrados na busca de maioria parlamentar, dos acordos que levam Sarney e Renan na presidência do Senado, dos minutos de TV comprados com um aperto de mão entre Lula e Maluf.
A esquerda que optou por governar em coalizão com partidos de centro e direita, abriu mão em muitos espaços de fazer disputa política ideológica. Abriu espaço para o conservadorismo religioso, para a perpetuação de partidos como o PMDB ao longo dos anos nos poderes da República. Deixou imexido o poder dos grandes conglomerados de comunicação, da retrógrada classe de latifundiários, da burguesia rentista . As campanhas eleitorais, cada vez mais dispendiosas, milionárias, excluem completamente as novas gerações, aqueles que “chegaram depois”, da disputa do poder. Os parlamentares dos movimentos sociais ainda são aqueles dos tempos de ascensão dos anos 1980, alguns já faleceram como o Adão Pretto, do MST do Rio Grande do Sul.
Aí mora o aspecto mais grave e potencialmente mais interessante das mobilizações da juventude, – que começam a balançar os outros setores da sociedade como os trabalhadores demonstraram no dia 11 de julho. Mais grave porque demonstra, de maneira geral, os limites da estabilidade política alcançada no país e, em específico, os limites dos governos de coalizão encabeçados pelo PT, incapazes de avançar nas mudanças estruturais que o país precisa. Potencialmente mais interessante porque as mobilizações de rua podem alterar a correlação de forças na sociedade, abrindo espaço para tais transformações.
Ao mesmo tempo em que parecem jogar as eleições de 2014 em nível federal para um segundo turno, pode empurrar para um segundo Governo Dilma mais à esquerda, que aponte para uma nova agenda de transformações para o país.
A não ser que se altere muito o conteúdo e a qualidade das manifestações, elas não criaram alternativas à esquerda do Governo Dilma, seja do ponto de vista de projeto, seja do ponto de vista eleitoral. Já o contrário teve espaço, Dilma e o governo foram alvo dos protestos e tiveram seus índices de aprovação e popularidade diminuídos. As mobilizações podem servir aos interesses de uma restauração conservadora. Setores golpistas, mesmo que marginais, foram às ruas, reprimiram movimentos e partidos de esquerda, fazem propaganda aberta de golpe militar, planejam manifestações contra o Foro de São Paulo, mostram destreza e profissionalismo na disputa das redes sociais, assim como são alimentados pela grande virada orquestrada pela TV Globo, que passou a incentivar a população a ir para as ruas, com as bandeiras do Brasil e com a agenda conservadora. O plebiscito proposto pela Presidenta Dilma foi fortemente atacado pela oposição de direita e pela mídia monopolista nos meios televisivos, radiofônicos, jornais impressos e internet. A base “aliada” trabalhou para enterrar a proposta inicial da Presidenta.
Fica mais claro o embate com a direita conservadora desse país, a dificuldade de se realizar uma Reforma Política; o desafio de enfrentar o monopólio dos meios de comunicação; os limites e os obstáculos dos governos de coalizão; a necessidade de se avançar na qualificação dos serviços públicos, de saúde,educação e mobilidade urbana. A necessidade de se enfrentar a questão da violência e do extermínio da juventude negra nas periferias, vítima da exclusão, da política de guerra às drogas, das polícias militares assassinas que herdamos da ditadura.
Com as mobilizações da juventude e a depender de como os setores da classe trabalhadora se colocarem em movimento, pode-se abrir um novo período de transformações no país, em que a esquerda pode se colocar em sintonia com os anseios das novas gerações e trilhar o caminho para os avanços que o pais precisa. Que as manifestações não sejam passageiras, que sacudam ainda mais as estruturas, inclusive do Partido dos Trabalhadores.
Gritamos e não nos ouviram, gritemos mais alto!
1 – DENISAR, Paulo. O PT e a juventude, política e concepção. Disponível em: <http://www.espacoacademico.com.br/013/13cdenisar.htm>
2 – DENISAR, Paulo. Juventude e cultura: identidade reconhecimento e emancipação. Disponível em: <http://pagina13.org.br/2013/07/juventude-e-cultura-identidade-reconhecimento-e-emancipacao/>
3 – ABRAMO, Helena W. Cenas Juvenis. Página Aberta. 1994.
4 – Idem nº 2
5 – O PT e a Juventude. Resolução do III Congresso do PT. Disponível em: <http://dc362.4shared.com/doc/lhrxmE2I/preview.html>
6- BRICEÑO-LEÓN, Roberto. Violência Urbana na América Latina.Sociologias, Porto Alegre, ano 4, n º 8, julho / dez 2002, p. 34-51

Simpósio Internacional: Um Mundo em Convulsão

 24 DE JULHO DE 2013

repressc3a3o_pm_reproduc3a7lc3a3o-mpl8 e 9 de outubro de 2013
USP (FFLCH) – Departamento de História – Cidade Universitária
AH: Anfiteatro de História – AG: Anfiteatro de Geografia – CPJ: Sala Caio Prado
Comissão Organizadora: Lincoln Secco – Osvaldo Coggiola – Francisco Alambert – Rodrigo Ricupero – Jorge Grespan
Programa de Pós Graduação em História Econômica (FFLCH – USP) – PROLAM-USP – Laboratório de Estudos da Ásia (LEA)
Inscrições: http://mundoemconvulsao.fflch.usp.br/node/1Serão fornecidos certificados de frequência. Entrada franca
MESAS
3º feira, 8 de outubro
9:00 hs. (AH): COREIA, IRÃ E OS CENÁRIOS DO CONFLITO NUCLEAR
Leonel Itaussu A Mello (In Memoriam) – André Martin – Malcon Arriaga – Milton Pinheiro – Renatho Costa
9:00 hs. (AG): REBELIÃO DAS RUAS, MOVIMENTOS E REDES SOCIAIS
Sergio Amadeu – Pablo Capilé – Bruno Torturra – Pablo Ortellado
9:00 hs. (CPJ): IMPERIALISMO E GUERRA CIVIL NO MUNDO ÁRABE
José Arbex – Henrique Carneiro – Peter Demant – Salem Nasser – André Ferrari
14:00 hs. (AH): CRISE, CULTURA E MARXISMO
Francisco Alambert –  Antonio Rago – Marcos A. Silva – Mauricio Parisi
14:00 hs. (AG): CHINA: UMA NOVA HEGEMONIA?
Armen Mamigonian – Fatima Previdelli – José R. Mao – Wladimir Pomar – Pablo Rieznik
14:00 hs. (CPJ): A EXPLOSÃO DE JUNHO, A MÍDIA E O GOVERNO
Pedro Ekman – Antonio David – Joaquim Palhares –  Laymert Garcia – Marisa Midori
17:00 hs. (AH): ISRAEL/PALESTINA: CONFLITO SEM FIM?
Gershon Knispel – Arlene Clemesha – Soraya Misleh – Paulo Farah – Sylvio Band
17:00 hs. (AG): ÁFRICA: UMA NOVA PARTILHA?
Muryatan Barbosa – Patricia Villen – Leila Hernandez – Marina Gusmão de Mendonça
17:00 hs. (CPJ) ARMAMENTISMO, TERRORISMO E “GUERRA INFINITA”
Antonio R. Espinosa – Gilson Dantas – Douglas Anfra – Edmilson Costa
19:30 hs. (AH): EUROPA: CRISE TERMINAL?
Nikos Seretakis – Sofia Manzano – Silvia DeBernardinis – Luigi Biondi – José Luiz Del Roio
19:30 hs. (AG): A PRIMAVERA ÁRABE: UM BALANÇO
José Farhat – Valério Arcary – Ricardo Musse – Luiz Gustavo Cunha Soares
4º feira, 9 de outubro
9:00 hs. (AH): OS EUA ENTRE POTÊNCIA E DECADÊNCIA
Luiz B. Pericás – Vitor Schincariol – Edgardo Loguercio – Antonio Celso Ferreira
9:00 hs. (AG): A EMANCIPAÇÃO DAS MULHERES NUM MUNDO EM CRISE
Sara Albieri – Miriam Nobre – Tica Moreno – Margareth Rago
9:00 hs. (CPJ): FUNDOS DE PENSÃO: FIM DA PREVIDÊNCIA PÚBLICA?
José Menezes Gomes – Sara Granemann – Otaviano Helene – Maria Aparecida Jardim
14:00 hs. (AH): AMÉRICA LATINA NA GEOPOLÍTICA MUNDIAL
Valter Pomar – Rodrigo Medina Zagni – Rodrigo Ricupero – Luiz Eduardo S. Souza
14:00 hs. (AG): DA URSS À RÚSSIA DE PUTIN
Angelo Segrillo – Henrique Canary – Lincoln Secco – Yves Cohen
17:00 hs. (AH): CLASSE OPERÁRIA E INTERNACIONALISMO HOJE
Ricardo Antunes – Osvaldo Coggiola – Antonio C. Mazzeo – Dirceu Travesso
17:00 hs. (AG): BRASIL: ENTRE EMERGÊNCIA, REBELIÃO E QUEDA
Paulo Arantes – Ildo Sauer – Armando Boito – André Singer
17:00 hs. (CPJ): VENEZUELA DEPOIS DE CHÁVEZ
Gilberto Maringoni – Rafael Duarte Villa – Flavio Benedito – Euclides de Agrela – Nina Cerveira
19:30 hs. (AH): A CRISE MUNDIAL DO CAPITALISMO
Jorge Altamira – Ruy Braga – Wilson Barbosa – Plinio de Arruda Sampaio Jr. – Chico de Oliveira
19:30 hs. (AG): PERIGO FASCISTA E NOVAS FACES DO RACISMO
Zilda Iokoi – Kabengelê Munanga  – Beatriz Bissio – Renato Queiroz

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