terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Aplausos, que eles merecem


Onde estão as 'pessoas de bem' dotadas de poderes para reagir à entrega do Legislativo ao aviltamento?


Segue a série de revelações diárias sobre os desvios de conduta do favorito à presidência do Senado, Renan Calheiros, seguido de perto na série pelo candidato à presidência da Câmara, Henrique Eduardo Alves. Mas não é nas obras incompletas desses dois líderes políticos que se encontra o motivo mais forte de espanto e indignação. É no seu oposto. É nas outrora chamadas "pessoas de bem", hoje sem uma expressão que as designe.


Onde estão as "pessoas de bem" dotadas de poderes para reagir à esperada entrega do Poder Legislativo do país ao aviltamento escancarado? Onde estão a OAB nacional e suas seções regionais, que não movem sua autoridade histórica e seu patrimônio de conhecimento para ativar e liderar a defesa da sociedade civil? Acomodar-se no imobilismo e no silêncio permissivos é associar-se ao que merece reação. Os intelectuais, os artistas, os estudantes, onde pararam?


Antes daqueles todos, e até pelo nome que ostenta, deveria estar o Ministério Público fazendo a representação ativa da população desprovida de conhecimento e de meios para reagir às traições dos seus eleitos. Mas Renan Calheiros e Henrique Alves estão pendurados há anos em processos criminais que o Ministério Público, pela Procuradoria-Geral da República, guarda com zelo, para evitar que se movam até de uma gaveta a outra. Tal como fez em benefício de Carlos Cachoeira e seus companheiros do PSDB e do DEM.


Em um só dia, ontem, soube-se que Renan Calheiros já negociou a comissão de meio ambiente para o senador Blairo Maggi, o imperador da soja sempre citado quando o assunto é desmatamento ou agronegócio; e a importante Comissão de Constituição e Justiça para o senador Vital do Rego, até há pouco presidente da anti-CPI do Cachoeira, aquela que se dissolveu ao esbarrar em indícios de crimes a serem apurados -entre eles, além dos envolvimentos de políticos do PSDB e do PMDB, os de ligação de Carlos Cachoeira, a empreiteira Delta e o empreiteiro Fernando Cavendish.


E outra: é de Renan Calheiros, pedinte oficial das bocas-ricas em nome do PMDB, a carta indicando para alto cargo no governo o negocista Paulo Vieira, da turma orientada pela tal Rose do escritório da Presidência da República em São Paulo.


Logo serão outras as novidades. Também com duração de 24 horas, porque a indiferença não é terreno propício a que produzam consequências.


Não é preciso refletir muito para admitir que os renans de todos os calibres têm razão. Se fazem o que fazem, são o que são, e têm êxito, aí está a evidência de contarem com consentimento amplo, geral e irrestrito. A indiferença e o silêncio que os acompanham são formas de aprovação. Ou de aplauso, mesmo.


by Janio de Freitas

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Em Santa Maria, 30 mil pessoas participam de passeata até a boate Kiss


Participantes sairam do Centro da cidade, às 22h, para local onde morreram mais de 230 pessoas



Jovens durante passeata em Santa Maria
Foto: Felipe Dana / AP
Jovens durante passeata em Santa Maria Felipe Dana / AP
SANTA MARIA (RS) - Vestindo camisetas brancas, carregando flores, balões e cartazes com os nomes das vítimas da tragédia, cerca de 30 mil pessoas fizeram um passeata até a boate Kiss, em Santa Maria, na noite desta segunda-feira, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Os participantes se concentraram no fim da tarde na praça Saldanha Marinho, no Centro, e foram até o local onde morreram mais de 230 pessoas. Os manifestantes fizeram preces, deram as mãos e se abraçaram.
- Justiça! Justiça! Justiça! - gritaram pessoas em frente ao estabelecimento, que ainda exalava um cheiro forte de queimado.
Durante o percurso, a multidão andou em silêncio. O abatimento era a expressão de todos. Cartazes e faixas homenageavam os mortos.
- Eu estou aqui em busca de um pouco de paz -, disse Jéssica Dornellas, 22 anos. A jovem de Uruguaiana (RS) perdeu 12 amigos no incêndio da boate Kiss. - Amigos mesmo, não apenas conhecidos.
Jéssica vive há dois anos em Santa Maria, onde estuda Serviço Social. Ela foi a dois funerais na cidade. Os outros dez não poderá acompanhar. Eles serão em sua cidade natal.
Perto da praça, uma família segurava cartazes com fotos de Pâmela Lopes, 19 anos. A jovem morta no incêndio era garçonete da boate Kiss há sete meses, e a noite de sábado seria a última que pretendia trabalhar.
- Ela disse para o pai que não queria mais trabalhar à noite. Mas que ia no sábado para se despedir das colegas. Acabou se despedindo mesmo -, lamentou a irmã, Tatiane Garcia de Jesus.
Agora, a família quer encontrar explicações para a morte da jovem.
- Justiça é o que a gente procura. Queremos entender o que aconteceu.
O sentimento é compartilhado pela estudante de administração Roberta Link, 19 anos. A jovem e seus amigos produziram cartazes pedindo por justiça.
- O que queremos é que não haja outros acidentes, que não seja mais um acontecimento trágico sem culpados
by O Globo

Prefeitos reagem à tragédia de Santa Maria. Em Manaus, Arthur Virgílio já mandou fechar boates.

Por todo o País, gestores de grandes capitais anunciam medidas para evitar que o desastre da boate Kiss se repita em outros lugares. Anunciada por prefeitos como ACM Neto, de Salvador, Fernando Haddad, de São Paulo, e Arthur Virgílio, de Manaus, entre outros, a promessa de mais fiscalização já deu resultado na capital amazonense, onde duas boates com falhas de segurança e sem documentação foram interditadas nesta segunda-feira.

- Os 250 estabelecimentos de Brasília lacrados pela Agefis em 2012, 40% continuam a funcionar atualmente por meio de liminar judicial, mesmo sem ter condições de segurança de receber público; depois da tragédia que abalou o país nesse domingo e deixou mais de 230 jovens mortos no Rio Grande do Sul, governador Agnelo Queiroz determinou a intensificação da fiscalização; operações vão ser reforçadas já a partir deste fim de semana

* Clipping www.brasil247.com.br
Fonte: políbio Braga

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