domingo, 6 de janeiro de 2013

Governanta relembra momentos que presenciou ao conviver com Brizola


Na década de 1980, Cacilda Guedes de Andrades serviu cafezinho para políticos, artistas, reis e presidentes no apartamento do ex-governador Leonel Brizola no Rio




Foto: Marcelo Oliveira / Agencia RBS
Eduardo Rodrigues

Governanta relembra momentos que presenciou ao conviver com Brizola
Na década de 1980, Cacilda Guedes de Andrades serviu cafezinho para políticos, artistas, reis e presidentes no apartamento do ex-governador Leonel Brizola no Rio. Aos 89 anos e moradora de Taquara, Cacilda conserva retrato de Brizola.


Ela foi testemunha de célebres encontros num amplo e famoso apartamento de Copacabana, no Rio. Encontros que poderiam ter mudado a história do Brasil.

Com um sorriso acolhedor, Cacilda Guedes de Andrades recepcionou caciques políticos e líderes da esquerda em ascensão. Homens de terno e gravata que depois se tornariam figuras marcantes no cenário nacional.

Brizola com o deputado federal Miro Teixeira: pausa para o famoso café
Foto: Arquivo pessoal

Enquanto eles festejavam a anistia e discutiam a redemocratização do país, num ambiente regado a café e sonhos de mudança, ela esquentava água na cozinha de uma das residências mais movimentadas da Avenida Atlântica na década de 1980.

Cacilda, hoje com 89 anos, foi governanta de Leonel Brizola e Neusa Goulart Brizola durante oito anos no Rio. Entre 1980 e 1988, a simpática senhora de cabelos brancos serviu políticos, artistas, reis e presidentes. Conheceu Lula antes da consagração e madrugou para atender os pedidos de café do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) durante a conclusão do projeto do Sambódromo.

O príncipe Charles e a princesa Diana também se renderam ao pretinho saboroso feito à moda antiga. Até hoje Cacilda passa o café no coador de pano.

— Foi muito gostoso para mim. Conheci tanta gente importante que ia lá conversar com o doutor Brizola. Eu sempre os recebia na porta e depois servia o cafezinho — lembra.

Único filho vivo de Brizola, o engenheiro João Otávio, 60 anos, lembra dela com gratidão:

— Temos o maior carinho por ela, é uma pessoa fabulosa. Ajudou muito meu pai e minha mãe na volta do exílio.

Cacilda mora com a família numa casa de madeira no tranquilo bairro Jardim do Prado, em Taquara, a 72 quilômetros da Capital. A última vez em que viu o antigo patrão foi no aniversário de 80 anos dela, em 8 de abril de 2004. Ao levantar os olhos e avistar a velhinha que o aguardava na porta do carro, Brizola afirmou surpreso:

— Dona Cacilda, mas é a senhora. Olha, eu quero que tu voltes para lá!

Dois meses e 13 dias depois, Brizola morreria aos 82 anos. Naquele 21 de junho de 2004, parte da história de dona Cacilda se foi também. Mas na memória da governanta, o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro continua vivo em fotos, lembranças e histórias.

Confira momentos em que Cacilda serviu autoridades na casa de Leonel Brizola:

O dia em que ela dobrou o rei

Embora não revele o segredo, o cafezinho que Cacilda faz alongou muitas conversas de políticos, foi fundamental na costura de acordos, recebeu elogios das realezas espanhola e inglesa e até dobrou a resistência inicial de um rei nacional, Pelé.

— Pelé me cumprimentou, mas a princípio não queria. Quando retornei com a bandeja para servi-los, Brizola disse:

— Toma, que esse da dona Cacilda tu vais gostar.

Figura polêmica, o cantor e ex-deputado federal Agnaldo Timóteo entrava cantando no apartamento, lembra ela.

Lula, quem diria, não deixou boa impressão

De Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Darcy Ribeiro a Doutel de Andrade e Marcelo Alencar, líderes da política brasileira se reuniam nos salões de sofás e poltronas confortáveis. O então líder sindical e fundador do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve algumas vezes no apartamento de Brizola. Mas o futuro presidente da República não deixou boa impressão.

— Ele entrou e não me cumprimentou, me tratou como se fosse um animalzinho — recorda a governanta.

Realeza, aqui tem café no bule!

Era difícil guardar o nome de tanta gente, mas alguns dona Cacilda jamais esquecerá. O rei Juan Carlos e a rainha Sofia, da Espanha, e o príncipe Charles e a princesa Diana, da Inglaterra, também provaram do famoso café. E gostaram.

Sempre discreta, Cacilda trazia o pretinho na quentura certa em xícaras ordenadas harmoniosamente na bandeja. O aroma ficava no ar:

— Apenas servi, não falei com eles, mas acho que gostaram — diz.

Mitterrand, Fidel Castro, Mário Soares...

Presidente de honra da Internacional Socialista, Brizola vez por outra recebia chefes de Estado, como François Mitterrand, da França, Fidel Castro, de Cuba, e Mário Soares, de Portugal.

A presença de presidentes de nações importantes na residência do casal também ficou gravada na memória da governanta. A ponto de anos depois, em casa, ao lado da família em Taquara, ela reconhecer uma autoridade sempre que esta aparecia no noticiário da TV.

— Ela olhava e dizia: "Aquele ali esteve lá em casa" — afirma a nora, Laura Fagundes.

Niemeyer e as curvas do Sambódromo

No meio da conversa, dona Cacilda declara: "Eu também ajudei a construir o Sambódromo". Mas logo ela se apressa em explicar como contribuiu para o surgimento do símbolo do Carnaval carioca.

— Brizola e a equipe dos arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa passavam madrugadas debruçados sobre o projeto. Então eu não podia dormir. Ficava em pé, encostada na parede da cozinha. Lá pelas duas, três horas da manhã, Brizola pedia mais cafezinho — conta.

by Zero Hora

46% dos gastos via cartão corporativo do governo são mantidos em segredo




Presidência da República e órgãos oficiais de investigação, como 
Abin e 
Polícia Federal, são os que mais recorrem ao sigilo de despesas

Em 2012, ano em que a Lei de Acesso à Informação entrou em vigor, quase metade dos gastos com cartões corporativos do governo federal foi mantida em segredo. O argumento é que são informações estratégicas para a segurança da sociedade e do Estado brasileiro.
Veja também:
Entre janeiro e setembro, 46,2% das despesas via cartão foram classificadas como sigilosas – as informações referentes aos meses finais de 2012 ainda não foram enviadas pelo Banco do Brasil à Controladoria-Geral da União (CGU) para divulgação no Portal da Transparência do governo.
Ao todo, na administração pública, os portadores dos mais de 13 mil cartões de pagamento do governo espalhados pelo País gastaram, de forma secreta, R$ 21,3 milhões dos R$ 46,1 milhões pagos pelo chamado suprimento de fundos. A maioria é de compras e saques da Presidência da República, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Polícia Federal. Na Presidência, 95% das despesas com cartões são sigilosas.
Pela legislação, o uso do chamado suprimento de fundos – ou seja, os cartões – não é regra e deve ser usado como exceção e em casos de despesas excepcionais ou de pequeno vulto, como compra de material de consumo e contratação de serviços.
A Abin diz que utiliza o cartão de forma "ostensiva" para atender às demandas administrativas de 26 superintendências estaduais vinculadas. O Gabinete de Segurança Institucional, a quem a Abin é subordinada, afirma que os cartões de pagamento são usados em ações de caráter sigiloso em conformidade com a lei.
A Polícia Federal, órgão submetido ao Ministério da Justiça, cujos gastos secretos por meio de cartão corporativo são altos, não quis comentar o assunto.
A Secretaria de Administração, responsável pela gestão dos cartões da Presidência, informou que os cartões corporativos se destinam a atender as despesas eventuais de pronto pagamento e que, por sua excepcionalidade, não podem se subordinar ao processo normal de empenho. A Vice-Presidência da República, que gastou R$ 537,8 mil com os cartões, informou que não poderia responder aos questionamentos da reportagem porque seus servidores estavam em recesso.
Sem amparo legal específico, a fiscalização das despesas sigilosas é compartilhada dentro do governo. Cabe à Secretaria de Controle Interno (Ciset) da Secretaria-Geral acompanhar os gastos relacionados à Presidência da República, incluindo a Abin. Já as despesas da PF são fiscalizadas pela Controladoria-Geral. No entanto, os relatórios de contas da Ciset e da CGU revelam que os órgãos utilizam artifícios para burlar o controle e não divulgar os gastos.
Atraso. Os últimos dados disponíveis na página da CGU são de setembro. Até a última semana, o portal estava desatualizado e divulgava informações referentes à fatura de maio, um atraso de mais de seis meses na divulgação de informações públicas.
O sigilo e a demora na publicação dos dados vai na contramão da Lei de Acesso e do compromisso assinado pela presidente Dilma Rousseff de implantação do projeto Governo Aberto. Durante a abertura da 1.ª Conferência de Alto Nível Parceria para o Governo Aberto (OGP) em abril do ano passado, Dilma ressaltou o "grande compromisso" do governo com a transparência e destacou o Portal da Transparência. "O Portal divulga todas as despesas do governo federal em base diária e nos mínimos detalhes. Quem acessá-lo nesta manhã verá que todos os gastos realizados até a noite de ontem estão lá expostos e configurados."
Em nota, a CGU informou que o Banco do Brasil é o responsável pelo envio dos dados e a Controladoria, pela publicação. O atraso, segundo o órgão, foi causado por "problemas de ordem técnica" ocorridos no processamento das informações no mês de julho, o que prejudicou a atualização dos meses subsequentes. O banco alegou que a demora foi provocada por mudanças no sistema dos cartões.
Incorporados ainda no governo Fernando Henrique Cardoso com o objetivo de diminuir os gastos e dar mais transparências às contas, os cartões corporativos provocaram uma crise em 2008.
Denúncias de mau uso, incluindo o pagamento de despesas pessoais e saques sem justificativas, levaram a então titular da Secretaria da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, a pedir demissão. Uma CPI foi criada no Congresso. A ex-ministra será secretária adjunta de Netinho de Paula na pasta da Promoção da Igualdade Racial na gestão de Fernando Haddad (PT) na Prefeitura de São Paulo.
by Estadão

Pressionado pelo Planalto, que o obrigou a interromper as férias, e pelo PMDB, que cobiça sua vaga na Esplanada, o ministro da Integração Nacional defendeu-se atirando. Em entrevista, Fernando Bezerra Coelho admitiu que 90% dos repasses antienchentes feitos pela pasta foram mesmo para Pernambuco, sua terra natal. Mas afirmou que foi uma decisão de governo, com conhecimento da presidente Dilma. Sobre a falta de dinheiro para os municípios afetados pelas chuvas, apontou como responsável o Ministério das Cidades, chefiado pelo PMDB, que "tem um orçamento de R$ 11 bilhões para obras de prevenção a enchentes"


Convocado para prestar esclarecimentos em Brasília, ministro da Integração Nacional afirma que a presidente tinha conhecimento dos repasses para obras em Pernambuco e garante que pasta das Cidades tem orçamento de R$ 11 bilhões contra enchentes

Pressionado pelo Palácio do Planalto, que o obrigou a antecipar o retorno a Brasília, e pelo PMDB, que pretende tomar-lhe a vaga na Esplanada, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, convocou ontem entrevista coletiva para dizer que a presidente Dilma Rousseff sabia do repasse de R$ 70 milhões para a construção das usinas na Bacia do Una, em Pernambuco. É a primeira vez que um ministro instado a dar explicações sobre ações consideradas suspeitas — a destinação da maior parte dos recursos de prevenção do ministério ao seu estado natal — envolveu diretamente a presidente da República em suas justificativas. "O repasse dos R$ 70 milhões foi discutido com a Casa Civil, o Ministério do Planejamento e com o conhecimento e participação da presidente da República", declarou.

Aliados do ministro confirmam que, logo após o desastre ocorrido na Bacia do Una em junho de 2010, que provocou alagamentos em 41 municípios, atingiu 80 mil pessoas e deixou 18 mil famílias desabrigadas, integrantes do governo federal ligaram para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, perguntando o que precisava ser feito para que a situação fosse contornada. A liberação dos recursos ocorreu em 2011. Questionado se a presidente saberia detalhar todos os recursos liberados pela sua pasta nas ações de combate a enchentes, Bezerra foi enfático. "Eu não disse todos os recursos. Mas sobre esses R$ 70 milhões ela tinha conhecimento."

Bezerra Coelho também abriu uma crise com um colega de Esplanada — o ministro das Cidades, Mário Negromonte, que está com os dias contados no governo federal. O titular da Integração Nacional disse que o orçamento de sua pasta é ínfimo se comparado ao comandado pelo colega baiano. "O Ministério das Cidades tem um orçamento de R$ 11 bilhões para as obras de contenção e prevenção a enchentes. Nossos recursos são muito pequenos", completou.

Durante a entrevista coletiva, o ministro reforçou a nota divulgada pela Casa Civil no final da manhã negando que a pasta estava sendo esvaziada por Gleisi Hoffmann a pedido da presidente Dilma Rousseff. "Quando isso ocorrer, espero estar longe. Ao me chamar para uma tarefa, gosto de fazer a tarefa completa, não pela metade", completou Bezerra, negando que estivesse fazendo uma ameaça. "Minha relação com a ministra Gleisi é muito estreita", arrematou.

Orçamento
Bezerra teve que cancelar as férias até sexta-feira para explicar as razões pelas quais teria reservado quase a totalidade do orçamento do ministério para atender Pernambuco, governado pelo presidente de seu partido (PSB), Eduardo Campos. O PPS já protocolou requerimento na Câmara cobrando explicações do ministro. "Não se pode discriminar Pernambuco por ser o estado do ministro", reclamou ele.

O ministro Bezerra classificou como "injustiça e política miúda" as afirmações de que estaria aproveitando-se do cargo para direcionar recursos a um estado governado pelo presidente de seu partido — Eduardo Campos, do PSB. "Não existe aqui política partidária", assegurou. Amparado por uma apresentação em Powerpoint, o ministro afirmou que, dos R$ 98 milhões direcionados para Pernambuco em ações de prevenção, R$ 70 milhões foram utilizados na construção de três das cinco barragens na Bacia do Una, Sirinhaém e Mundaú. No total, o Ministério reservou R$ 218,76 milhões para ações de prevenção em 12 estados.

O titular da Integração Nacional também negou que a pasta tenha direcionado R$ 8,9 milhões para Petrolina, cidade onde nasceu e município no qual seu filho, Fernando Bezerra Coelho Filho, será candidato a prefeito em outubro. "É um repasse para um batalhão de infantaria contratar carros-pipa para atender os moradores da região", justificou. Fernando Bezerra afirmou que outros estados também foram beneficiados com recursos liberados pela pasta. No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, que sempre é castigado pelas chuvas de verão, ano após ano, o ministro assegurou que foi assinado um convênio de R$ 300 milhões para obras de contenção e reparo na região serrana, uma das mais atingidas pelos temporais de 2011.

O PSB não quer fazer acusações diretas a ninguém, mas dirigentes do partido lembram que o PMDB e o PPS, que protocolou o pedido de informações no Congresso, são adversários do partido de Eduardo Campos tanto no plano nacional quanto no plano local. Em Pernambuco, um dos maiores adversários de Eduardo Campos é o senador e ex-governador Jarbas Vasconcelos. "Toda essa movimentação é provocada por quem pretende derrubar o ministro e ficar em seu lugar", disse um aliado do ministro.

                                                                                                        by blogdodrmarcosobreira

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