terça-feira, 17 de abril de 2012
Risco da CPI faz base aliada negociar 'operação abafa' para poupar políticos
Temor do Planalto com desdobramentos
da investigação alertou governistas
by Eugênia Lopes, João Domingos e Evandro Fadel
O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA e CURITIBA - Diante do alerta do Palácio do Planalto sobre os riscos
de desgaste do governo, tomou corpo no Congresso, com ajuda da base aliada, uma
“operação abafa” na Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira, a ser
instalada nos próximos dias. Uma das estratégias é poupar políticos de diversos
partidos citados na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que levou à prisão
o contraventor Carlinhos Cachoeira.
Veja
também:
Carlinhos
Cachoeira será transferido do RN para o DF
Grampo
sugere relação da Delta com políticos
ESPECIAL:
CPI do Cachoeira
Ficariam fora do radar deputados flagrados em escutas com integrantes do
esquema, os governadores petista Agnelo Queiroz (DF) e o tucano Marconi Perillo
(GO), além do ex-ministro José Dirceu. A única exceção seria o senador
Demóstenes Torres (sem partido-GO), que teve 298 conversas telefônicas com
Cachoeira grampeadas pela PF nos últimos três anos. O senador está sendo
investigado também pelo Conselho de Ética e pelo Supremo Tribunal Federal
(STF).
A “operação abafa” é resultado da pressão da presidente Dilma Rousseff para
que setores do PT defensores da CPI do Cachoeira tenham calma e não usem a
comissão como palco de vingança, o que poderia causar danos políticos ao
governo.
Dilma conversou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a CPI na sexta-feira, em São Paulo, conforme revelou o Estado.
Dilma conversou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a CPI na sexta-feira, em São Paulo, conforme revelou o Estado.
O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), defendeu nesta segunda-feira, 16,
que a CPI investigue os negócios de Cachoeira e não se transforme numa disputa
política entre governo e oposição. “Queremos é desmantelar esta rede de poder
paralelo que foi constituída por esse cidadão chamado Cachoeira e que vai desde
o Legislativo, passa pelo Executivo e pelo Judiciário, pelo setor privado e pela
imprensa brasileira.”
“Todos serão investigados independente de onde estejam, de qual papel tenham
cumprido”, afirmou Maia, a despeito da operação abafa em curso no Congresso. Ele
negou que o PT queira barrar as investigações.
Até a semana passada arauto de uma investigação que atingisse as entranhas da
oposição, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), adotou um discurso
conciliador. “Acho um exagero chamar o Agnelo Queiroz (governador do Distrito
Federal, do PT) e o Marconi Perillo (governador de Goiás, do PSDB)”, disse o
líder, ao responder se os dois deveriam ser convocados pela CPI. Em seguida,
porém, retomou a luta política: “O envolvimento do governador do PSDB com
Cachoeira é muito maior. É mais razoável chamar o Marconi do que o Agnelo”.
O movimento em gestação no Congresso visa a salvar os políticos ao mesmo
tempo em que tentará fazer com que a CPI concentre suas investigações no
contraventor Carlinhos Cachoeira e nos empresários mais citados nos grampos da
Polícia Federal, como Fernando Cavendish, dono da Delta Construções S.A. e
Cláudio Abreu, representante da empresa no Centro-Oeste.
Entre os parlamentares poupados, neste momento, estão os tucanos Carlos
Alberto Leréia (GO), que admitiu ser mesmo amigo de Cachoeira e saber que ele
estava envolvido com o jogo ilegal, e Leonardo Vilela (GO), pré-candidato à
prefeitura de Goiânia. Também foram citados nas gravações Jovair Arantes (GO),
líder do PTB na Câmara, Sandes Júnior (PP-GO), Rubens Otoni (PT-GO), gravado em
vídeo negociando financiamento de campanha com o empresário preso, e Stepan
Nercessian (PPS-RJ), que tomou um empréstimo de R$ 175 mil do contraventor.
Oposição. O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), disse ter a certeza de que
o governo usará a imensa maioria que terá na CPI para impedir investigações mais
aprofundadas. Dos 30 titulares da CPI, os partidos de oposição vão nomear apenas
6. Caberá ao governo preencher as outras 24 vagas.
O presidente do Conselho de Ética do Senado, Antonio Carlos Valadares
(PSB-SE), e os senadores Vital do Rego (PMDB-PB) e Humberto Costa (PT-PE)
encontram-se nesta terça-feira, 17, com o ministro do Supremo Tribunal Federal
Ricardo Lewandowski para pedir acesso ao inquérito que apura as relações de
Cachoeira com políticos. A investigação está sob sigilo.
Está tudo muito bom, está tudo muito bem... mas realmente... O cara nega que ouvirmos ele falando com Cachoeira, nao era ele falando com o Cachoeira. Ele falou com o Cachoeira. Ponto final. o que ou porque ele deve saber. mas dizer que só admite que a voz dele era dele depois de ver os autos... fala ´serio ne Delgado? Vendo os autos, o caro Delegado,s aberá muito bem que contesto dar a conversa. Enquanto isso em Elizabethtown, entre tapas e beijos, todos estão em seus cargos, ganhando seus substanciosos mil reais mensais. E "nóis! continuamos na fita... dando milho aos pombos.Gostaria de entender e acreditar em sua moral e decência como Deputado. E conduta intocável como Delegado Federal. by Deise
CPI vai revelar a verdadeira
'"quadrilha" comandada por
Cachoeira e Demóstenes
by Protógenes Queiroz
Fonte: Vermelho
Uma publicação do professor Emir Sader na rede social Facebook tem sido rapidamente compartilhada por dezenas de internautas. Parodiando o poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, Sader manteve o título e postou: “Gilmar Mendes tem filha que trabalha no gabinete do Demóstenes. Que trabalha para o Cachoeira. Que é amigo do Perillo. Que teve ação arquivada pelo Gilmar Mendes”.
CPI vai revelar a verdadeira
'"quadrilha" comandada por
Cachoeira e Demóstenes
Decifrar e tornar público essas relações foi o que motivou o deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP) a recolher as assinaturas para a instalação de uma CPI na Câmara dos Deputados, protocolada no dia 28 de março. Tomou a atitude assim que o bicheiro Carlilhos Cachoeira foi preso na operação Monte Carlo e começaram a vazar as ligações que comprovavam a sociedade do bandido com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).
Protógenes conhece bem essa turma. Quando delegado da Polícia Federal, comandou a Operação Satiagaha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas. Aliás, a estrofe de Emir Sader poderia ganhar mais um verso que viria depois da última citação de Gilmar Mendes: “que mandou soltar o Daniel Dantas”.
Quem puxar pela memória, lembrará que a operação encontrou uma ligação telefônica de Demóstenes com Gilmar Mendes. Na época, Gilmar Mendes, ou Gilmar Dantas, como ficou mundialmente conhecido depois de mandar soltar Daniel Dantas duas vezes, fez o maior estardalhaço e com a ajuda do então ministro Nelson Jobim, coseguiu afastar até o chefe da Polícia Federal, Paulo Lacerda.
Heróis do PIG
Demóstenes e Gilmar Mendes são dois dos maiores ídolos da direita brasileira, sempre dispostos a serem as vozes do PIG (Partido da Imprensa Golpista) para atacar os governos Lula e Dilma. Com a prisão de Carlinhos Cachoeira e as revelações de suas relações com Demóstenes e Gilmar Mendes, a direita brasileira e o PIG, que na verdade é a mesma coisa, ficaram desolados.
Órfãos de Demóstenes, ficaram alguns dias na desolação e sem rumo. Agora, que uma CPI mista do Senado e na Câmara começa a ser articulada e pode trazer novas revelações da teia de Cachoeira, o PIG começa a querer jogar no colo do governo as consequências das investigações e mais que isso, dizer que a única intenção do PT em apoiar a sua instalação é tirar o foco do julgamento do caso, que ficou conhecido como “Mensalão”, no Supremo Tribunal Federal.
É essa a tônica das matérias e editoriais do PIG desta quinta-feira (12). Além disso, dizem que o principal prejudicado com as investigações será o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Ou seja, querem mudar o foco totalmente, em 180 graus. Forjam tanto outra realidade que ontem o jornal Estado de São Paulo e o jornal Nacional tentaram ligar até mesmo o deputado Protógenes com a quadrilha. Esqueceram que foi o próprio o autor do requerimento para a instalação da CPI.
Desespero
Essas aberrações desesperadas mostram o temor dos resultados que podem ser obtidos com as investigações. O governo Dilma, que goza de uma aprovação inédita na história recente do país, pode enfraquecer ainda mais sua oposição, muito além de Demóstenes, Perillo, Gilmar Mendes.
Basta lembrar que até a revista Veja, panfleto raivoso da direita brasileira, está envolvida até a cabeça no lamaçal que corre nos barrancos desta Cachoeira. O seu editor Policarpo Jr. trocou mais de duzentas ligações com Cachoeira, que mostram que o bicheiro é o verdadeiro autor de praticamente todas as matérias da revista contra os governos Lula e Dilma.
Quando começou a estourar as faíscas do escândalo, a direita viu que era impossível salvar o seu atacante Demóstenes. Depois viu que a rede pegava também o governador Marconi Perillo. Mas a teia foi crescendo e a quadrilha, como bem descreveu Emir Sader, pode ser muito maior e o episódio deve mostrar ao Brasil como é suja e corrupta a oposição ao governo federal. Em todos os seus níveis, seja no legislativo, no executivo, no judiciário e até mesmo, ou principalmente, na conservadora imprensa golpista.
Deputado Protógenes Queiroz nega envolvimento com o esquema de Carlinhos Cachoeira
Em entrevista exclusiva à Rádio Estadão ESPN, o parlamentar diz desconhecer as conversas gravadas pela PF, nas quais, ele supostamente trataria de negócios com um integrante do esquema do empresário
Nota de Esclarecimento
O Deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) comunica aos internautas que desconhece os áudios publicados hoje (11/04/2012) pelo jornal "O Estado de São Paulo", em que supostamente o Parlamentar estabelece diálogo com Idalberto Matias Araújo, o Dadá, apontado como integrante do esquema de contravenção conhecido como "Caso Cachoeira", deflagrado pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.
Protógenes Queiroz esclarece que os supostos áudios situam-se completamente fora do contexto do caso "Cachoeira", cuja Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi requerida por ele em 20/03/2012. O Parlamentar do PCdoB ressalta ainda que Idalberto, Sargento do Serviço de Inteligência da Aeronáutica, foi, no passado, oficial de ligação daquele orgão com o a Diretoria de Inteligência da Polícia Federal, onde Protógenes Queiroz era lotado.
Nota de Esclarecimento
Acesse abaixo o link da entrevista concedida por Protógenes Queiroz para a rádio Estadão na manhã de 11/04/2012 esclarecendo o assunto:
obre seu suposto envolvimento no caso “Cachoeira”
Em ofício enviado hoje (11/04/2012) ao Procurador-Geral da República, Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, o Deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) solicita informações da investigação sobre o caso “Cachoeira” que possam incriminar sua atuação parlamentar, conforme matéria tendenciosa veiculada no jornal “O Estado de São Paulo”.
No documento, o Parlamentar questiona a existência de dados, além de áudios e vídeos envolvendo seu nome e se os mesmos evidenciam conduta criminosa relacionada com o esquema de contravenção do empresário goiano “Carlinhos Cachoeira”, desbaratado pela Polícia Federal através da Operação Monte Carlo.
Por fim, Protógenes pede o encaminhamento das supostas informações com urgência, uma vez que é o autor do pedido de criação da CPI do Cachoeira, que tem como objetivo investigar o envolvimento de parlamentares nos negócios ilícitos do contraventor de Goiás.
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