quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Dilma anistiou dívida da Guiné Equatorial, ditadura sangrenta que patrocinou a Beija-Flor


E o filho do ditador, que provavelmente estará no poder futuramente, gastou o DOBRO disso numa única noitada de compras em Paris. Pois essa é a nossa cara de idiota agora.

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Tanto os grandes veículos quanto as redes sociais não se acanharam em reconhecer que a Guiné Equatorial, país patrocinador do desfile da Beija Flor deste ano, é uma ditadura sangrenta. Trata-se do ditador africano mais longevo no exercício do poder, há cerca de 35 anos mandando no país.
Pois esse regime facínora teve sua dívida perdoada por Dilma Rousseff, em 2013, numa anistia que incluiu outros países da África igualmente nada democráticos. Vejamos trechos dereportagem de O Globo acerca do perdão:
Com anistia, Brasil beneficia países africanos acusados de corrupção – Perdão do governo de Dilma Rousseff é de 80% de uma dívida de R$ 1,9 bilhão – Cada brasileiro será obrigado a doar R$ 8 para a África. É quanto vai custar a decisão da presidente Dilma Rousseff de perdoar 80% da dívida acumulada por uma dúzia de países africanos com o Brasil. Eles compraram R$ 1,9 bilhão em produtos e serviços no mercado nacional nas últimas três décadas. Não pagaram. Agora, os prejuízos serão socializados entre 190 milhões de brasileiros. Quatro países concentram mais da metade dessa dívida africana com o Brasil: Congo-Brazzaville, Sudão, Gabão e Guiné Equatorial. São nações cuja riqueza em petróleo e gás contrasta com a pobreza extrema em que vive a maior parte dos seus 41 milhões de habitantes, governados por ditadores cleptocratas. Os presidentes do Congo-Brazzaville, Sudão, Gabão e Guiné Equatorial, alguns de seus familiares e principais assessores enfrentam processos em diferentes tribunais da Europa e dos Estados Unidos. Entre as múltiplas acusações, destacam-se roubo e desvio de dinheiro público, enriquecimento ilícito, corrupção, lavagem de dinheiro e até genocídio.” (grifos nossos)
Mas, então, eles não teriam mesmo como pagar? Foi uma ajuda ao POVO desses países? Não, nada disso. A ajuda teve como único efeito o benefício político e diplomático dessas ditaduras. A coisa foi tão ridícula e indesculpável que exatamente O FILHO do ditador da Guiné Equatorial gastou numa única noite de compras O DOBRO da dívida que Dilma perdoou. Sério. A seguir, excerto de reportagem também de O Globo:
Filho de ditador gasta em compras o dobro da dívida com o Brasil – Teodorín Obiang é herdeiro de Teodoro Obiang Nguema, há 34 anos no poder na Guiné Equatorial – Ontem, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo comemorou 34 anos no poder. Aos 71 anos de idade, ele é o mais antigo ditador africano em atividade. (…) Obiang comanda um país cuja riqueza subterrânea, em petróleo, contrasta com a plena miséria da superfície: sete de cada dez habitantes (600 mil) sobrevivem com renda inferior a US$ 2 por dia, segundo o Banco Mundial. Apenas 44% da população da Guiné Equatorial têm acesso à água potável e a desnutrição impera entre 39% das crianças com menos de 5 anos. O presidente, no entanto, se destaca entre os oito governantes mais ricos do planeta, segundo a revista “Forbes”. A Guiné Equatorial tem uma dívida de R$ 27 milhões (US$ 12 milhões) pendente há duas décadas com o Brasil. O governo Lula chegou a anunciar sua liquidação, com anistia, mas não concretizou. A presidente Dilma Rousseff decidiu renegociá-la com anistia. No centro do interesse brasileiro estão petróleo e contratos de obras que fizeram o fluxo de comércio entre o Brasil e a Guiné Equatorial se multiplicar, saltando de US$ 3 milhões em 2003 para cerca de US$ 700 milhões no ano passado. Nesse período, o ditador Obiang tornou-se um “caro amigo” para o ex-presidente Lula. E personagem relevante aos olhos da presidente Dilma, para quem “o engajamento com a África tem um sentido estratégico” (…) Para o clã Obiang, a anistia financeira do Brasil não tem qualquer significado, além de uma espécie de aval político a uma ditadura contestada na ONU e sob investigação em tribunais da Europa e dos Estados Unidos. Para os Obiang, uma quantia de R$ 27 milhões (valor da dívida com o Brasil) é dinheiro de bolso. Teodorín, filho mais velho e virtual sucessor do ditador, gastou o dobro disso numa única noitada de compras na Christie’s, em Paris. Foi durante o leilão da extraordinária coleção de arte de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, em 2009 – informou o Departamento Antilavagem do Ministério das Finanças da França em relatório aos juízes parisienses Roger Le Loire e René Grouman. Parte dos lotes que Teodorín arrematou incluía obras de Rodin, Degas e Monet. Elas foram apreendidas pela Justiça no final do ano passado. A polícia levou, também, peças de mobiliário avaliadas em R$ 117 milhões (US$ 52 milhões) e uma coleção de carros (sete Ferrari mais alguns Bentley, Bugatti Veyron, Porsche Carrera, Maybach Mercedes, Aston Martin, Maserati e Rolls-Royce). O “tesouro”, como ficou registrado no boletim de ocorrência, estava em uma das residências do herdeiro Obiang em Paris – a mansão número 42 da avenida Foch (distrito 16), com 101 ambientes distribuídos em seis andares. Alguns dos veículos foram leiloados no mês passado. No final do ano passado, a Justiça francesa mandou prender Teodorín por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele recorreu, mas a decisão foi mantida. No último carnaval esteve em Salvador, mas não foi preso: a polícia alegou que não sabia de sua presença na capital baiana e nem mesmo do pedido de prisão na França.” (grifos nossos)
Pois é. Essa é a estatura diplomática do Brasil sob o PT. Perdoamos dívida considerada irrisória para o clã dono do poder na Guiné Equatorial, mas algo simbolicamente valoroso para eles por representar uma maneira de apoiar o regime monstruoso. O povo de lá não está comemorando esse perdão à dívida. Nem a vitória no carnaval.

País na Miséria e Ditador da Guiné Equatorial dá R$ 10 milhões para desfile da Beija-Flor



RIO — O que Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, de 72 anos, ditador há 35 anos da Guiné Equatorial, o chefe de Estado há mais tempo no poder na África, e o oitavo governante mais rico do mundo, segundo a revista “Forbes”, tem a ver com o Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, campeã 12 vezes do Grupo Especial do carnaval carioca e a maior campeã da era do Sambódromo?



Confira na próxima segunda-feira quando a escola entrar na avenida às 23h40 em ponto, depois da Portela e antes da União da Ilha, com o enredo “Um griô (homem sábio) conta a História: um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade”. Nunca antes no carnaval do Rio uma escola recebeu tanto dinheiro de patrocínio — R$ 10 milhões, injetados por Obiang, que assistirá ao desfile no Sambódromo.

Capricho de um ditador que governa por decreto um pequeno país localizado na África Ocidental, formado por duas ilhas e um pedaço estreito de continente, e habitado por escassas 700 mil pessoas? Sim. Mas ele pode agir assim. A Guiné Equatorial é um país miserável, mas é também o terceiro maior produtor de petróleo da África. Só perde para a Nigéria e Angola. Obiang concentra em suas mãos todos os poderes e governa por decreto. Faz o que quer.

FREQUENTADOR DISCRETO DO SAMBÓDROMO


Ai de quem o desafie. Seu tio, Francisco Macías, ditador anterior a ele, desafiou Obiang que o ajudava a governar. Pois acabou deposto no segundo semestre de 1979 e fuzilado pelo sobrinho. Foi um dos golpes mais sangrentos da África. Desde então o medo se abateu sobre o país. A ponto de as pessoas fugirem se alguém lhes aponta uma inocente máquina fotográfica. Receiam estar sendo alvo da curiosidade do serviço de espionagem do governo.


Há pelo menos 10 anos que Obiang frequenta com discrição o carnaval do Rio e assiste ao desfile das escolas. Ora se hospeda em um apartamento luxuoso de Ipanema comprado à vista. Ora na suíte mais cara do Copacabana Palace. Vem sempre acompanhado de parentes — entre eles seu primogênito Teodoro Nguema Obiang Mangue, conhecido por Teodorin, um dos vice-presidentes do país. O mais forte deles, escolhido para suceder ao pai um dia.

Foi em um desses carnavais que Teodorin convenceu o ditador a pagar caro por um show particular contratado à Beija-Flor. Um grupo de músicos e de passistas se exibiu no camarote de Obiang no Sambódromo. Ali nasceu a ideia de patrocinar um desfile da escola.

No ano passado, a Beija-Flor teve prejuízo com o enredo que homenageou José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Teodorin soube e ofereceu o patrocínio do seu governo.


De princípio, nada demais. O patrocínio de escolas de samba tornou-se comum. Em 1985, pela primeira vez, uma entrou na avenida com o enredo pago — Império Serrano, com “Samba, suor e cerveja”. Cervejarias meteram a mão no bolso. Em 1994, o governo do Ceará pagou o desfile da Imperatriz Leopoldinense, que cantou as belezas daquele estado. Em 2006, a estatal venezuelana de petróleo bancou o enredo da Vila Isabel. Este ano, além da Beija-Flor, Salgueiro, Unidos da Tijuca e Portela desfilarão com carnavais patrocinados.

Fundada como bloco em 1948, promovida a escola em 1953, a Beija-Flor carrega duas marcas — uma boa, a outra ruim. A ruim: exaltou as realizações da ditadura militar de 64 durante os carnavais de 1973, 1974 e 1975 (“Educação para o desenvolvimento”, “Brasil ano 2000” e “Grande decênio”). Era a época do Milagre Brasileiro, do “Ame-o ou deixe-o”. O general Garrastazu Médici presidia o país. Que colecionava casos tenebrosos de torturas e assassinatos.

A marca boa: foi na Beija-Flor que Joãosinho Trinta promoveu a maior revolução do carnaval carioca. Ele havia sido bicampeão em 1974 e 1975 com Salgueiro (“O Rei de França na Ilha da Assombração” e “O Segredo das Minas do Rei Salomão”). Em seguida foi tricampeão com a Beija-Flor (“Sonhar com Rei dá Leão”, Vovó e o Rei da Saturnália na Corte Egipciana” e “A criação do mundo na tradição nagô”).

A revolução: o desfile das escolas passou a privilegiar o luxo, a ostentação, os gigantescos carros alegóricos em detrimento do samba no pé. Os puristas subiram nas tamancas, mas de nada adiantou. Hoje, para manter aberto seu barracão durante o ano inteiro e entrar no Sambódromo com chances de vencer o desfile, uma escola gasta, por baixo, algo como R$ 5,5 milhões. Graças a Obiang, a Beija-Flor espera ir para a cabeça.

O samba dos compositores J.Velloso, Samir Trindade, Jr Beija Flor, Marquinhos Beija Flor, Gilberto Oliveira, Elson Ramires, Dílson Marimba e Silvio Romai não parece destinado a se destacar de outros sambas deste ou de anos passados. Foi pensado para em mais de uma ocasião dar espaço à virtuosidade da bateria nota 10 da escola. Em compensação... Quem teve acesso aos segredos da escola garante que ela arrancará da multidão o grito de campeã. A ver.

Carnaval patrocinado não quer dizer necessariamente carnaval chapa-branca, um tributo a quem paga as despesas. O carnavalesco dá corda à imaginação e explora o que pode render de mais atraente. Uma vez a prefeitura de Campos pagou para que a Imperatriz exaltasse suas realizações. A carnavalesca Rosa Magalhães falou dos índios Goitacazes que viveram em Campos. Teve gente na prefeitura que queria o dinheiro de volta. Depois desistiu.

Para escapar da acusação de ter feito um carnaval financiado por uma das mais cruéis ditaduras do mundo, conforme relatório de 2013 do Departamento de Estado do governo americano, o carnavalesco da Beija-Flor preferiu elogiar belezas e lendas da África. Somente em duas passagens, o samba enredo fala diretamente da Guiné. Uma quando a chama de Guiné, rima mais fácil. Outra quando se refere a ela como Guiné Equatorial.

VERSO MUDADO POR EXIGÊNCIA DO DITADOR

Versão do samba gravada em agosto do ano passado não tem referência ao nome completo do país de Obiang. Por exigência do ditador, mudou-se um verso para chamar Guiné de Guiné Equatorial. Há na África mais duas Guinés — a Bissau e a somente Guiné. As duas são vizinhas. A Guiné é vítima de um surto de ebola. Obiang não quer que a sua Guiné Equatorial seja confundida com a Guiné do ebola. Faz sentido.

Não pense que o ditador descerá do seu camarote no sambódromo para beijar o estandarte da Beija-Flor à passagem da escola. A segurança dele não permitiria. Obiang infunde pavor aos seus governados que acreditam na lenda de que ele descende de canibais. Em 2003, a rádio estatal declarou que Obiang é um deus sempre em contato com “Deus todo poderoso”. E que "pode decidir matar sem ninguém o chamar a prestar contas e sem ir para o inferno".

O medo que emana dele no seu país também o apavora lá e em qualquer parte. Obiang convive com o pesadelo de um dia ser vítima de sua própria maldade. É por isso que seus opositores estão presos ou no exílio. E que parte de sua fortuna está em outros países para se um dia ele precisar fugir. Em 2003, Obiang depositou meio bilhão de dólares em contas controladas por ele mesmo e por sua família no Banco Riggs, em Washington. Um trocado perto do que tem.


O Globo

GUINÉ EQUATORIAL



GEOGRAFIA
Área - Costa: 28 051 km2 - 296 km
Terra Irrigável: -
Recursos Naturais: Petróleo, gás natural e madeira

POPULAÇÃO
Habitantes - População Urbana: 668 225 - 40%
Grupos Étnicos: Fang (85,7%), Bubi (6,5%) e Mdowe (3,6%)
Índice de Desenvolvimento Humano: 117º lugar (0,538)

POLÍTICA
Capital - Divisões Administrativas: Malabo - 7 Províncias
Poder Executivo: Chefe de Estado (Presidente Teodoro Obiang) e Chefe de Governo (Primeiro-ministro Milam Tang)
Poder Legislativo: Câmara de Representantes do Povo (100 lugares)

ECONOMIA
Moeda: Franco CFA
PIB per capita - Taxa de Crescimento: 36 600 dólares - 0,8% (2010)
População Abaixo da Linha de Pobreza: 60%

SAÚDE
Taxa de Mortalidade Infantil: 77,3/1 000 nascimentos
Esperança de Vida à Nascença: 62,4 anos
Taxa de Fertilidade: 4,9 filhos/mulher

TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES
Estradas Pavimentadas - Caminhos-de-Ferro: 2 280 km - –
Telefones Móveis - Utilizadores de Internet: 445 000 - 14 400
Estações de Rádio - Estações de Televisão: 2 - 1

EDUCAÇÃO E RELIGIÃO
Taxa de Alfabetização Adultos: 87%
Línguas: Espanhol (oficial) e francês (oficial)
Confissões: Cristãos (92%), crenças indígenas (7%), muçulmanos (1%)
Católicos: 630 000



Ditadura petrolífera

Cronologia

1968: Independência (de Espanha)
1968-1979: Presidência autocrática de Francisco Nguema
1979-presente: Presidência autocrática de Teodoro Obiang
1990-presente: Alta produção de petróleo e crescimento do PIB
2004: Tentativa de golpe de estado
2006: Teodoro Obiang oitavo governante mais rico do mundo
2011: Mais de metade da população vive na miséria absoluta


Fontes: ‘CIA - The World Factbook 2011’, ‘UNDP - Human Development Report 2010’, ‘Fondazione Nigrizia - Almanaco Africano 2011’ e ‘Rationarium Generale Ecclesiae - Annuarium Statisticum Ecclesiae 2009’, Libreria Editrice Vaticana 2011.
Mapa: Sara Ribas

Guiné Equatorial diz que patrocínio a Beija-Flor foi iniciativa de empresas

País tema do enredo da agremiação alegou não ter feito doação à escola.

Beija-flor confirmou doações de empresas, mas não divulga nomes ou valor.











O governo da Guiné Equatorial negou nesta quinta-feira (19) ter disponibilizado verba para que a Beija-Flor, escola de samba campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, realizasse o desfile em homenagem ao país africano e informou que apenas apoiou uma iniciativa idealizada por empresas brasileiras "que mantêm operações" por lá.

A nota, divulgada pela embaixada, não informa quais empresas teriam doado verbas para a agremiação. Em entrevista ao jornal “O Globo”,o carnavalesco Fran-Sérgio, integrante da comissão de carnaval da escola, citou construtoras, entre elas a Odebrecht, como patrocinadores do enredo.
O país africano homenageado no enredo é uma ditadura comandada há 35 anos por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo e tem como base da economia a exploração do petróleo.
A Odebrecht nega que tenha patrocinado o desfile e informou que nunca realizou obras na Guiné Equatorial.
O presidente da Beija-Flor, Farid Abraão David, confirmou em entrevista à GloboNews que a agremiação recebeu ajuda de empresas brasileiras, mas não informou de onde vieram as doações e nem qual foi o valor recebido. “Houve uma ajuda, mas não de R$ 10 milhões. Agora, o que quero dizer é o seguinte: qual é a escola que não quer receber um patrocínio? Todas saem em busca de patrocínio sob o regime de cada país” disse ele.

Farid afirmou ainda que a análise do tipo de governo existente não pode ser feita pela presidência ou diretoria da Beija-Flor. “Quem tem que analisar o regime de cada país são as organizações internacionais. Nós estamos aqui para falar de carnaval”, finalizou.
Leia a nota completa da empresa:
A Odebrecht não patrocinou o desfile do Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor, do Rio de Janeiro. A Odebrecht esclarece ainda que nunca realizou obras na Guiné Equatorial. A empresa chegou a manter um pequeno escritório de representação no país africano, mas ele foi desativado em 2014.
Filho de ditador da Guiné Equatorial (de azul) acompanha desfile da Beija-Flor sobre o país  (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)Filho de ditador da Guiné Equatorial (de azul) acompanha desfile da Beija-Flor sobre o país (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

A Guiné Equatorial que não vimos no Sambódromo do Rio


HAROLDO CASTRO (TEXTO & FOTOS) , MALABO


Teodorin e seu pai Teodoro Obiang conseguiram seu objetivo: mais de 99,9% dos brasileiros ouviram pela primeira vez o nome de seu país, Guiné Equatorial, durante a festa máxima da tradição brasileira, o Carnaval carioca. Graças ao patrocínio de R$10 milhões que a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis teria recebido para exaltar a minúscula nação africana durante o desfile, pai e filho, os atuais detentores do poder, colocaram sua marca na história do samba carioca. O dinheiro fácil tem uma explicação: a Guiné Equatorial, mesmo se possui apenas a área do Estado de Alagoas, é o terceiro produtor de petróleo da África; embora esteja em 144º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.

No país formado por cinco ilhas e um território no continente, não há distinção entre governo e seu presidente: Teodoro Obiang Nguema está no poder desde 1979 e pretende passar a coroa a seu filho Teodorin, vice-presidente. Desde a independência em 1968, o país é uma ditadura brutal. Quem protestar contra Obiang e seu clã, que fuja. No país, não há chance para qualquer oposição. O primeiro presidente, seu tio Macias Nguema, um ditador comparado a Pol Pot do Camboja, foi deposto e executado sem piedade em 1979 pelo sobrinho Obiang.

Por ser um dos poucos brasileiros a ter conhecido o país, achei que deveria ver na televisão o desfile que ocorreu na segunda-feira à noite. A Guiné Equatorial mostrada pela Beija-Flor foi linda, colorida e encantadora. A comissão de frente, composta de 15 guerreiros, montou uma árvore da vida e deu show de criatividade. Os mascarões, com movimento nos lábios e olhos, eram estonteantes. O casal mestre-sala e porta-bandeira, vestidos de dourados, também foram louvados. Os carros alegóricos, espetaculares. Em um deles, uma floresta rica, cheia de animais. Os R$ 10 milhões do patrocínio foram bem usados e deram à Beija-Flor o título de Campeã do Carnaval Carioca 2015. Os Teodoros estão contentes: o investimento deu retorno!
Mas durante os nove dias que passei em Malabo, no parque nacional Monte Alen e na Caldera Luba, o que mais vi foram exemplos de devastação da biodiversidade e de desmatamento.

Vilarejo e estrada perto do parque nacional Monte Alen, no interior do país (Foto: Haroldo Castro/Época)

Uma surpresa para um vegetariano como eu foi encontrar, na beira das estradas de acesso a Monte Alen, um número imenso de tartarugas, pássaros e roedores – todos mortos e amarrados em uma vara de bambu. Os animais eram oferecidos aos viajantes, interessados em transformá-los em sua próxima refeição. Na África Central e Ocidental, o consumo de carne de animais selvagens – bushmeat – ainda é uma prática comum, trazendo graves riscos para a saúde da população.

Um roedor morto é oferecido aos motoristas que transitam pelas estradas da região Rio Muni, a parte continental do país (Foto: Haroldo Castro/Época)
Um roedor morto é oferecido aos motoristas que transitam pelas estradas da região Rio Muni, a parte continental do país (Foto: Haroldo Castro/Época)
Duas espécies de calaus, aves africanas com longos bicos, são vendidas na beira da estrada (Foto: Haroldo Castro/Época)
Duasespécies de calaus, aves africanas com longos bicos, são vendidas na beira da estrada (Foto: Haroldo Castro/Época)

Para chegar ao parque nacional Monte Alen precisamos cruzar uma concessão madeireira. As tristes imagens de animais mortos foram substituídas pelas longas toras de madeira tombadas, à espera de um caminhão que as leve ao porto. De lá partem para a Europa, Índia ou China. A floresta tropical continua a ser definhada.

Um caminhão leva troncos de árvores ao porto de Bata, no litoral, de onde serão exportados (Foto: Haroldo Castro/Época )

Mas nem tudo é destruição no país de Obiang. Junto com colegas conservacionistas, uma das nossas missões era encontrar – e, se possível, fotografar e filmar – a maior rã do mundo, a Conraua goliath, que vive, em seu ambiente natural, às margens dos rios turbulentos da Guiné Equatorial.

Depois de uma hora de caminhada no mato, chegamos à beira do rio Wele. Do outro lado estava o parque nacional, teoricamente uma área protegida. Para cruzar o rio, usamos uma canoa. Já era o final da tarde, quando chegamos na primeira cascata, habitat da rã Golias. Tive apenas 90 segundos para fotografar as cachoeiras e fui interrompido por uma tremenda trovoada que quase arrebentou meus tímpanos. Imediatamente, uma tempestade derramou-se sobre todos. A pesada e escura nuvem não somente trouxe chuva como também escuridão. Nem pensar em buscar anfíbios.

Chegamos a uma casa de madeira abandonada, com inúmeras tábuas podres, mas um teto com poucos furos. Encharcados, colocamos nosso equipamento em lugar seguro e nos deparamos com uma nova surpresa. Uma pessoa que não fazia parte de nossa equipe estava cercada por nossos ajudantes. “Esse homem estava caçando dentro do parque nacional”, afirmou um dos guarda-parques em espanhol. “Quando chegamos, ele estava com um antílope e uma tartaruga dentro de seu cesto de palha”, disse outro. Os animais ainda estavam vivos, pois haviam sido capturados com uma armadilha. Fiz questão de soltar a tartaruga, uma a menos para cair na panela.

Nossa atenção volta-se às rãs: ninguém havia visto nenhuma na cachoeira. Como o animal é noturno, alguém terá de procurar o anfíbio à noite.

Lá pelas duas horas da manhã ouvimos vozes. Alguém chegava no acampamento. Fui ver o que estava acontecendo e descobri que o visitante estava feliz, exibindo um sorriso de vencedor. Em uma de suas mãos ele segurava uma rede de pescar, uma espécie de tarrafa. A outra mão agarrava um saco e, pelo movimento, com alguma coisa viva dentro.

Em poucos minutos elucidamos a equação. Nelson, o visitante, vivia em um dos vilarejos fora do parque. Ao cair da noite, ele caminhou até o rio, cruzou-o e seguiu a trilha até a cachoeira. Lá, no habitat da Golias, Nelson demonstrou que era um bom pescador. Com sua tarrafa, conseguiu capturar dois espécimes.
A maior rã do mundo, a Golias, vive nas cachoeiras dos rios da Guiné Equatorial (Foto: Haroldo Castro/Época)
A maior rã do mundo, a Golias, vive nas cachoeiras dos rios da Guiné Equatorial (Foto: Haroldo Castro/Época)

Na manhã seguinte, levamos as duas rãs de volta à cachoeira. A maior delas pesava mais de dois quilos e, esticada, media 60 centímetros. Era grande mesmo. Fotografamos a rã nas nossas mãos, pois não sabíamos como seria a reação dela ao ser liberada. Com cuidado, colocamos a rã em uma pedra, nos afastamos lentamente e começamos a clicar. O anfíbio ficou imóvel por alguns segundos, mas, num piscar de olhos, deu um tremendo salto, passando por cima de nossas cabeças e mergulhando de volta no rio turbulento.
Infelizmente, a rã Golias, além de ser consumida localmente como carne, também é procurada por colecionadores e pode valer até três mil dólares no mercado negro. O governo da Guiné Equatorial deveria usar também seus petrodólares para proteger a natureza e agir para que essa espécie única não desapareça do planeta.
Vale um retrato: o autor segura uma rã Golias que pesa mais de dois quilos (Foto: John Martin/Época)

IMORALIDADE, CORRUPÇÃO E SANGUE: BEIJA-FLOR VENCE CARNAVAL COM APOIO DE DITADURA AFRICANA



Brasil é assim... corrupção em cima de corrupção...

Sabemos que o carnaval é uma festa movida à imoralidade e prostituição, e que as escolas de samba são financiadas com dinheiro sujo do tráfico e de políticos, mas desta vez, este ano, eles inovaram: a escola de samba Beija-Flor foi financiada com milhões de uma ditadura assassina, que mantém sua população na miséria. E como o dinheiro manda, é claro que ela foi campeã.

Nossa nação esta num poço tão profundo de decadência moral e espiritual, que uma seca em nível nacional ainda não adiantou... entramos definitivamente em um espiral de juízo de Deus sem volta.

Falo isso sem temer o "mi-mi-mi" dos liberais... O que o homem semear, ele também colherá!

Duramente criticada pelo patrocínio de uma ditadura africana, a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis foi a vencedora do Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo homenageando a Guiné Equatorial. A decisão dos jurados foi anunciada nesta quarta-feira (18/02).

A Guiné Equatorial é um pequeno país da África Ocidental governado há 35 anos pelo ditador Teodoro Obiang, cujo regime é frequentemente apontado por organizações de direitos humanos como um dos mais violentos e repressivos do continente africano.

Há pelo menos uma década Obiang frequenta o Carnaval do Rio e assiste ao desfile das escolas de samba. Quando visita a cidade, ele se hospeda ou num apartamento luxuoso de Ipanema, que comprou à vista, ou na suíte mais cara do hotel Copacabana Palace.
Obiang comanda Guiné Equatorial há 35 anos
 

Segundo o jornal O Globo, o governo africano teria apoiado o desfile com 10 milhões de reais, valor que não foi confirmado pela escola nem pelo governo da Guiné Equatorial. A Beija-Flor afirmou que o apoio tem viés estritamente cultural e não aborda o formato de governo do país.

A Beija-Flor seria a escola de samba favorita do regime, como indica o fato de Obiang reservar, já há quatro anos, um camarote para assistir aos desfiles do Grupo Especial, a elite do Carnaval do Rio. O ditador e uma comitiva de 40 pessoas acompanharam a apresentação deste ano.

Em declarações a O Globo, o diretor artístico de carnaval da Beija-Flor, Fran Sérgio Oliveira, considerou "uma bobagem" a polêmica sobre o enredo da Beija-Flor. "As pessoas juntam enredo com política, o que é uma grande bobagem. Além disso, o povo da Guiné Equatorial é apaixonado por seu presidente. É uma ditadura? É. Mas é benéfica para a população do país."

Em 2013, a Beija-Flor fez uma apresentação para a elite da Guiné Equatorial em uma festa no país africano, e as negociações para o patrocínio ao enredo deste ano teriam começado ali.

O patrocínio foi alvo de críticas de organizações de direitos humanos. A ONG SOS Brasil Racismo, que promove ações de igualdade racial, repudiou o apoio do governo da Guiné Equatorial.

"Nas questões de direitos humanos não há o que titubear, Teodoro Obiang é o ditador mais antigo num país africano e, apesar das riquezas e recursos da Guiné Equatorial, mais da metade de seus habitantes vivem na extrema miséria e sob um regime de terror", afirmou a organização.

AS/lusa/ap/dpa

Via: http://www.dw.de/

Muito petróleo e o mesmo governo há 35 anos: Um perfil da Guiné Equatorial

Beija-Flor diz que desfile divulgou a trajetória do povo guinéu-equatoriano


A escola de samba Beija-Flor venceu, nesta quarta-feira, o Carnaval carioca de 2015 com um enredo polêmico por exaltar a pequena Guiné Equatorial.

"Um griô conta a história: um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial" teria sido financiado com uma quantia que variaria de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões doados pelo presidente do país africano, Teodoro Obiang Nguema, que está no poder há 35 anos. A ONG Anistia Internacional acusa o governante de violação dos direitos humanos, que iriam desde execuções extrajudiciais e tortura a prisões arbitrárias e repressão violenta a protestos.

Consultada pela BBC Brasil antes do desfile, a Beija-Flor não confirmou os valores recebidos e limitou-se a dizer, em nota, que recebeu "apoio cultural e artístico do governo da Guiné Equatorial" e que "visando divulgar a trajetória de seu povo, a Guiné Equatorial disponibilizou todo o aparato histórico para que a comissão de Carnaval da agremiação pudesse pesquisar e ter acesso a diversos aspectos da cultura local".

Nesta quarta-feira, um diretor artístico da escola afirmou que o desfile da Beija-Flor foi financiado por empresas brasileiras de construção civil que atuam na Guiné Equatorial.

A BBC preparou um perfil do país africano que entrou no noticiário brasileiro:
'Maldição' petrolífera

O pequeno país do oeste africano começou a explorar suas riquezas petrolíferas em 1995 e hoje é visto como vítima de um típico caso de "maldição do petróleo" – ou paradoxo da abundância.

Desde meados da década de 1990, a antiga colônia espanhola se tornou um dos maiores produtores de petróleo na África Subsaariana e tinha, em 2004, a economia em maior crescimento do mundo.

Leia mais: Anistia pede 'transparência' após enredo polêmico da Beija-Flor

No entanto, apesar de o país liderar o ranking de prosperidade da África, uma grande parcela de sua população permanece na pobreza. Segundo o Banco de Desenvolvimento Africano, os lucros do petróleo e do gás levaram a melhorias na infraestrutura básica nos últimos anos, mas não houve avanços significativos nas condições de vida do povo guinéu-equatoriano.

O governo ampliou os gastos em obras públicas, mas a ONU alega que menos da metade da população tem acesso à água potável e quase 10% das crianças morrem antes de completar cinco anos.
Governo e direitos humanos

O país é criticado por diversas organizações de direitos humanos, que alegam que os dois líderes pós-independência estão entre os principais violadores de direitos na África.

Guiné Equatorial

Política: Obiang tomou o poder em 1979; grupos de direitos humanos dizem que seu governo é um dos mais brutais da África

Economia: O país é o terceiro maior produtor de petróleo da África Subsaariana; há denúncias de que os lucros da commodity venham sido tomados pela elite local

Internacional: A Guiné Equatorial e o Gabão disputam ilhas que acreditam ser ricas em petróleo

O reinado de terror de Francisco Macias Nguema – da independência, em 1968, a sua derrubada, em 1979 – forçou a fuga de um terço da população do país. Além de ser alvo de denúncias de ter cometido genocídio contra a minoria étnica Bubi, ele ordenou a morte de milhares de suspeitos oposicionistas, fechou igrejas e governou em uma época de colapso econômico.

Seu sucessor, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, assumiu em um golpe de Estado e tem demonstrado pouca tolerância com a oposição durante suas três décadas no poder. Ainda que o país seja, nominalmente, uma democracia multipartidária, eleições têm sido, de forma geral, consideradas fraudulentas. Segundo a Human Rights Watch, a "ditadura do presidente Obiang usou o boom do petróleo para se consolidar e enriquecer a si mesma, às custas do povo".

Corrupção e críticas externas


A organização Transparência Internacional colocou a Guiné Equatorial entre os 12 países com maior percepção de corrupção.
Teodoro Obiang Nguema governa o país há 35 anos

Em 2008, o país se tornou candidato à Iniciativa de Transparência das Indústrias Extrativistas – um projeto internacional para promover a abertura nas contas governamentais com respeito a obtidos com o petróleo –, mas não conseguiu se qualificar. Desde então, vem tentando entrar no grupo.

Em 2004, uma investigação do Senado americano sobre um banco local identificou que a família de Obiang havia recebido pagamentos vultuosos de petroleiras americanas, como Exxon Mobil e Amerada Hess.

Observadores dizem que os EUA evitam criticar publicamente a Guiné Equatorial porque o país é um aliado em uma região volátil e rica em petróleo.

Em 2006, a então secretária de Estado americana Condoleezza Rice exaltou Obiang como um "bom amigo", apesar das críticas feitas pelo próprio Departamento de Estado às restrições a liberdades civis e direitos humanos no país africano.

Em 2010, uma visita do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Guiné Equatorial também despertou polêmicas. Na época, o então chanceler Celso Amorim disse que "negócios são negócios".

Mais recentemente, o presidente dos EUA, Barack Obama, posou para uma foto oficial com Obiang em uma recepção em Nova York.

Em outubro do ano passado, o filho de Obiang, Teodorin, que é ministro, foi forçado a abdicar de mais de US$ 30 milhões em ativos nos EUA, que autoridades alegam ter sido comprados com dinheiro roubado.

by BBC

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