quinta-feira, 9 de abril de 2020

Gripe espanhola: 100 anos da mãe das pandemias



O vírus influenza causou a epidemia mais mortal da história — foram mais de 50 milhões de vítimas. Será que algo parecido pode se repetir? 


Por Dra. Natalia Pasternak Taschner* 




É possível que a gripe volte a causar tantas vítimas quanto naquela ocasião? (Ilustração: Marcos de Lima/SAÚDE é Vital) 


No dia 4 de março de 1918, um soldado da base militar de Fort Riley, nos Estados Unidos, ficou de cama, com sintomas de uma forte gripe. Esse acampamento no Kansas treinava cidadãos americanos para a Primeira Guerra Mundial. Naquela semana de março, mais de 200 soldados adoeceram também. Em apenas 14 dias, mais de mil militares foram parar em hospitais — e o mal se alastrou por outros acampamentos. No pico da epidemia, mais de 1 500 militares reportaram a enfermidade em um único dia. A doença se espalhou rapidamente pelos EUA e pegou carona com os soldados americanos que embarcaram para a Europa. E de lá ganhou o mundo. 


A chamada gripe espanhola — que nada tem de espanhola — matou de 50 a 100 milhões de pessoas em 1918 e 1919. Esse número representa mais mortes do que o montante provocado pelas duas grandes guerras juntas. Mais do que a aids causou em 40 anos. Foi e ainda é a maior pandemia de que se tem notícia. E o Brasil não passou ileso por ela. Por aqui foram cerca de 35 mil óbitos, entre eles o do presidente da época, Rodrigues Alves (1848-1919). 


E de onde veio o “espanhola” se a tal gripe provavelmente se originou em solo americano? A Espanha era um dos poucos países neutros durante a Primeira Guerra — um dos poucos a ter imprensa livre para noticiar a praga. Nos próprios EUA, o então presidente Woodrow Wilson (1856-1924) emitiu ordens para censurar qualquer notícia que pudesse abalar a população e os soldados. A situação foi a mesma em outras nações em guerra. Ocorre que o esforço para manter a epidemia em segredo contribuiu para sua rápida disseminação. Ora, como propagar e tomar medidas preventivas se ninguém sabe o que está acontecendo? 


O vírus por trás da pandemia é um velho conhecido nosso: o influenza H1N1. Antes de você me questionar se ele aprontou de novo ou vai voltar a aprontar, permita-me descrever um pouquinho o vírus e essa sigla embutida no nome dele. As letras e os números do H1N1 se referem a proteínas na superfície viral, as hemaglutininas e as neuroaminidases. 


Ao mesmo tempo que permitem ao vírus se conectar às células humanas, elas são reconhecidas pelo nosso sistema imune. Mas o influenza tem uma característica única em recombinar essas proteínas com as dos colegas virais. Assim, se dois vírus da gripe diferentes infectam a mesma célula, lá dentro eles podem dar origem a um vírus novo. Da mistura de um H5N1 com um H3N2, por exemplo, pode nascer um H5N2. Essa peculiaridade, aliada às mutações regulares que um vírus sofre, explica por que nossas defesas enfrentam dificuldade para reconhecer um agente infeccioso novo. 


Mas a história não se restringe a vírus e seres humanos. Hoje se sabe que as linhagens mais virulentas da gripe vieram das aves. Normalmente, esses vírus que têm aves como reservatórios não infectam o homem. Só que eles infectam porcos. E o vírus da gripe humana também. 


Isso significa que vírus de aves e de humanos podem se encontrar e recombinar nas células do porco, gerando uma prole viral capaz de ser transmitida para (e entre) os homens. Também pode acontecer o seguinte: um vírus típico de ave consegue infectar diretamente um humano e, uma vez dentro dele, sofre mutações e recombinações que o tornam contagioso e agressivo para nossa espécie. Deu para entender agora por que falamos em gripe suína e aviária? 


Na gripe espanhola, há indícios de que o vírus, cujo reservatório eram aves migratórias, teria infectado uma criação de porcos no Kansas — de onde foi parar no soldado de Fort Riley. Mas o H1N1 de 1918 era muito peculiar. Não causava os sintomas de uma gripe comum. As pessoas sangravam pelo nariz, pelos ouvidos, pelos olhos… Ficavam azuis com a falta de oxigênio, segundo relatos da época. Caíam de cama pela manhã e à tarde estavam mortas. Geralmente, os vírus da gripe se apoderam das células do nariz e da garganta. O H1N1 do início do século 20 mantinha esse traço, mas parecia infectar expressivamente as células dos pulmões. 


Outra característica intrigante até hoje: o ataque do influenza costuma ser mais forte em crianças e idosos, que possuem sistema imune mais frágil. Em 1918, porém, as principais vítimas foram os adultos jovens — tanto civis quanto soldados no front. Uma hipótese é que, justamente por ter uma imunidade mais proativa, a resposta do organismo jovem era vigorosa demais. Resultado: uma tempestade inflamatória que agredia os pulmões e encurtava a vida. 


PESTE NEGRA: COMO AS PESSOAS REAGIRAM À DOENÇA DURANTE A IDADE MÉDIA?


CURIOSIDADES

Sem saber o que causava a enfermidade, as pessoas adotavam práticas artesanais inusitadas em busca de uma cura

VANESSA CENTAMORI PUBLICADO EM 13/03/2020


População usa máscaras para se proteger da peste negra - Wikimedia Commons

Hoje a ciência já mostrou que a trágica Peste Negra, que assombrou a Idade Média, entre os anos de 1346 e 1353, foi causada por uma bactéria, batizada de Yersinia pestis. Acontece que no século 14 ninguém sabia disso. Então, sem esse conhecimento, como será que as pessoas da época reagiram frente à peste?

A doença desconhecida causou muito pânico e mortes, ceifou um terço da população mundial na época. A febre da peste atingia 41 graus, os vômitos eram sanguinolentos, e muitas pessoas desenvolviam complicações pulmonares, enquanto que outros sortudos se curavam de modo espontâneo.
Máscara para peste negra / Crédito: Divulgação

Mas, para a maioria, o sofrimento foi tanto que isso apareceria de modo muito recorrente em relatos históricos. Um deles é do poeta Boccaccio, que viveu em Florença, na Itália. Ele fez a seguinte descrição:

“Em homens e mulheres, [a Peste Negra] ela se manifesta pela emergência de certos tumores nas virilhas e axilas, alguns dos quais chegam ao tamanho de uma maçã; outros, ao de um ovo… Dessas duas regiões do corpo, esses tumores mortais logo começam a propagar-se e a espalhar-se em todas as direções”.

Amedrontadas e sem saber o que fazer, as pessoas recorriam à receitas e crenças sem embasamento científico para aliviar suas dores. Uma das grandes preocupações era evitar que a enfermidade evoluísse e que surgissem miasmas (odores extremamente desagradáveis, considerados na época como uma das principais causas da infecção).

Máscara usada pelos médicos durante a epidemia de Peste Negra / Crédito: Wikimedia Commons

Para resolver essa questão, a população fabricava grandes chamas, que eram queimadas em esquinas. Muitas pessoas usavam plantas com troncos aromáticos e várias essências, como de alecrim, âmbar e almíscar, além de flores com fragrâncias cheirosas.

Essas essências eram levadas com as pessoas, que carregavam ervas com elas a todo lugar. Muitos acreditavam que colocá-las nas janelas de suas casas permitiria bloquear a poluição do ar — que eles acreditavam ser a causadora da Peste Negra.

Outra questão era a dieta. Ninguém comia carne ou figo, considerados alimentos propícios à doença mortal. Atividades físicas que podiam abrir os poros e causar o miasma também estavam proibidas. Fazer sexo e tomar banho estavam entre as tarefas não recomendadas, além não poder tirar sonecas durante o dia.

Grupo que se flagelava para se castigar pela peste / Crédito: Wikimedia Commons

Ter pensamentos sobre a morte e a doença também não era algo aconselhável, por mais inevitável que fosse. Havia uma crença, inclusive, que aquela situação era um castigo de Deus. Foi isso que acreditava a irmandade Brotherhood of the Flagellants, que para compensar, se castigava andando pela Europa a pé e praticando autoflagelação.

Outra reação inusitada frente à peste foram as vestimentas. Pessoas usavam máscaras com formas parecidas com bicos de aves, contendo itens aromáticos. Isso era usado até por profissionais da saúde para se proteger de qualquer tipo de ar contaminado. Outras medidas também incluíam fazer os pacientes sangrarem para tirar aquele veneno, que estaria causando a doença.

Judeus sendo queimados na fogueira / Crédito: Wikimedia Commons

Desconhecendo as origens biológicas da Peste Negra, as pessoas reagiam também depositando a culpa em grupos sociais marginalizados, por supostamente terem trazido a doença à Europa. Alguns documentos do período incriminavam os judeus pela doença, sendo que alguns deles foram até queimados vivos.

Outros perseguidos foram os leprosos e os estrangeiros, que eram acusados de terem disseminado a Peste Negra. Mas claro, as condições de vida e higiene nos ambientes urbanos são na verdade as principais causadoras da epidemia.
Saiba mais sobre o tema por meio das obras:
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Epidemias no Brasil. Uma Abordagem Biológica e Social, Rodolpho Telarolli Junior (2013)

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HIV: Os 35 anos do boom da epidemia e a comunidade gay masculina, Fábio Germano de Oliveira (e-book) - https://amzn.to/34Om85L

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A desconhecida vida pregressa de Luiz Henrique Mandetta e o caso “Gisa”


06/04/2020 às 19:10
Luiz Henrique Mandetta

Quando Luiz Henrique Mandetta foi anunciado como ministro da Saúde do governo Bolsonaro, o Jornal da Cidade Online alertou: É o único ministro escolhido pelo presidente eleito que destoa da equipe.

Publicamos inúmeras matérias demonstrando a pouco recomendável vida pregressa do escolhido. Não adiantou. Lamentavelmente, o nome foi mantido.
Mandetta surgiu na política como secretário de saúde de Campo Grande (MS) na gestão do ex-prefeito Nelsinho Trad, seu primo-irmão. O pai de Mandetta é irmão da mãe de Nelsinho, atual senador, homem com inúmeros processos por envolvimento em casos de improbidade e corrupção.
Os primos foram criados juntos, moraram juntos e estudaram Medicina na Gama Filho, no Rio de Janeiro. Sempre tiveram uma ligação muito forte.
Um outro primo, Marquinhos Trad, irmão de Nelsinho, fez direito na mesma época, também no Rio de Janeiro. É o atual prefeito de Campo Grande.
E um outro primo, Fábio Trad, também advogado, ex-presidente da OAB-MS, irmão de Nelsinho e Marquinhos, é deputado federal, ferrenho opositor do governo e ligadíssimo a Rodrigo Maia.
Nelsinho e Mandetta protagonizaram na saúde de Campo Grande o escândalo que ficou conhecido como “Gisa”, um programa de atendimento a saúde que nunca funcionou, mas consumiu muito dinheiro.
O Escândalo Gisa teria causado prejuízos de R$ 8,1 milhões aos cofres públicos.
Como o programa nunca funcionou, o Ministério da Saúde obrigou a prefeitura de Campo Grande a devolver o dinheiro gasto com o sistema, o que só ocorreu na gestão de Alcides Bernal, sucessor de Nelsinho.
Mandetta é acusado pelos crimes de fraudes em licitações e tráfico de influência na contratação do Consórcio Telemídia & Technology International Comércio e Serviços de Tecnologia.
“As ilegalidades atingiram a licitação já na elaboração da seleção. A empresa vencedora (Telemídia) teve acesso às regras da licitação – e se adaptou a elas – antes do edital ser publicado, tanto que o orçamento apresentado foi exatamente igual ao dinheiro disponível pela Prefeitura”, acusaram os procuradores da República em ação civil por improbidade administrativa, que pede a devolução de R$ 16,2 milhões e tramita em segredo na Justiça Federal de Campo Grande.
Além de restringir a concorrência, o ministro é investigado porque a Telemídia apresentou documentos falsos para dar base legal à assinatura do contrato.
Nesse sentido, uma outra ação por improbidade administrativa também tramita em sigilo na Justiça Federal de Campo Grande.
O senador e ex-prefeito, como já dito, ainda tem uma série de outras pendengas judiciais. Assim paira na sociedade de MS uma grande estranheza por ter ele conseguido registrar sua candidatura, ter permanecido solto e, pior, ter sido eleito.
Seu ex-parceiro, André Puccinelli, ex-governador do estado, ficou cinco meses no xilindró. Um outro ex-parceiro, Edson Girotto, ex-secretário de obras, estava preso até esta semana, tendo sido solto por estar no grupo de risco do Coronavírus. Seu ex-cunhado e braço financeiro, empresário João Amorim, está preso.
Nelsinho está solto, é senador, tem um irmão prefeito, um outro irmão deputado federal e um primo-IRMÃO, ministro.
É preocupante.
 
da Redação cidade on line

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