quarta-feira, 28 de maio de 2025

Entenda a diferença entre DMT, Ayahuasca e Jurema

Conversa com um psicólogo e um indígena Huni Kuin para esclarecer sobre o assunto


O chá da Ayahuasca é feito através da mistura de um cipó e uma planta - Foto: Reprodução | iStock

A Polícia Federal (PF) desmantelou, nesta quinta-feira, 10, um esquema internacional de tráfico de DMT (dimetiltriptamina), que é extraído da planta Jurema Preta e presente no chá da Ayahuasca. No entanto, essa substância faz parte de práticas antigas que transcendem culturas nativas e gerações.

O DMT é procurado por muitas pessoas para uma busca de “expansão da consciência”. Seja presente nos chás da Jurema ou da Ayahuasca, ele possui características únicas tanto do ponto de vista científico quanto indígena. Além do dimetiltriptamina, a investigação da PF apreendeu mescalina, outra substância comum em tradições nativas.

Para explicar os conceitos de cada substância, o Portal A TARDE conversou com o psicólogo Iago Lobo, especializado em psicologia analítica junguiana e mestrando em saúde coletiva, e o cacique Tuwe Inu Bake, do povo Huni Kuin, da Aldeia São Vicente (Acre).

Segundo o psicólogo, os elementos citados são de uma classe de substância psicoativas que funcionam de forma diferente no sistema nervoso central. Elas não estimulam, não deprimem e nem diminuem as atividades, afirma Iago.

“Hoje usamos as palavras neurogênese, que fala da formação de novos neurônios e a neuroplasticidade, que fala da produção de novas conexões sinápticas no cérebro. Essas substâncias se distinguem de muitas outras que são apreendidas como tráfico, justamente porque os psicodélicos tem cada vez mais comprovação de efeitos psicoterapêuticos. Além disso, eles têm outra característica muito interessante que é não ter um potencial de abuso, porque são substâncias que criam uma tolerância muito grande”, explica o especialista.

O que é DMT?
O DMT é o princípio ativo presente na Jurema e na Ayahuasca, como explica o psicólogo. Ele também é encontrado em muitas plantas, animais e seres humanos.

“Tem muitas especulações de qual a função do DMT no nosso corpo mas tem algumas hipóteses que pode ter a ver justamente com o momento da morte humana, com as experiências místicas que podem se ter durante as experiências de quase morte. Já teve gente que chamou o DMT da molécula do espírito, então também historicamente vem sendo associada no campo místico, o sagrado”, destaca Iago.

A folha da chacrona, usada para o feitio de Ayahuasca Foto:
Reprodução | iStock

O que é Ayahuasca?
A forma mais tradicional de consumir o DMT, no Brasil, é na consagração do chá da Ayahuasca. O líquido é feito através da mistura de um cipó e uma folha que contém a substância.

“É essa a combinação que faz com que o chá tenha um efeito psicoativo, porque a folha contém o DMT, só que a gente tem uma enzima no estômago que degrada a substância. Então, se a gente comer aquela folha pura, a gente não vai sentir o efeito psicoativo. O cipó tem a molécula IMAO, que é o inibidor da monoamina oxidase. Ela inibe essa enzima do estômago e deixa de degradar o DMT. Nisso, a gente passa a ingerir e consequentemente ter os efeitos psicoativos. A Ayahuasca é essa combinação do DMT com as propriedades do cipó, que são tanto o IMAO, mas também harminas e outros tipos de compostos”, explica o psicólogo.

Na língua materna do povo Huni Kuin, a Ayahuasca é chamada de Nixi Pae. O cacique Tuwe Inu Bake detalha que é no processo de preparar o chá que se transforma em um líquido “sagrado”.

“A gente consagra essa medicina de uma forma ritualizada, dentro da tradição do nosso povo. Então, para nós, ela é o professor dos professores, é a nossa biblioteca, a nossa universidade. Quando a gente bebe, a gente tem que ter um propósito. A partir do momento que a gente bebe, a gente vai pra outra dimensão espiritual se conectando com nossos ancestrais, se conectando com a natureza e muitas vezes a gente mira o nosso passado, o nosso presente e o nosso futuro”, ressalta Tuwe.

O que é Jurema?
A Jurema é uma árvore nativa do semiárido do nordeste, sagrada para os indígenas desta região e é encontrado DMT nas suas raízes, como explica o psicólogo. Além disso, também é uma religião afro-indígena que tem a presença do chá da planta.

“A Jurema tem uma tradição de uso indígena, ritualístico, que quase foi perdida durante o processo de colonização. Toda essa cultura da Jurema estava ali principalmente nesses povos do nordeste, com acesso ao mar e foram logo afetados, mortos, tornando a cultura da Jurema enfraquecida. Nas últimas décadas, muitos povos indígenas estão retomando o uso da Jurema e hoje tem um conjunto de tradições. Tem as tradições indígenas e tem a religião da Jurema, que é mais comum no nordeste também. Cada tradição dessa vai ter seus modos de preparo da bebida da Jurema”, pontua Lobo.

O que é Mescalina?
A Mescalina é o princípio ativo do Cacto Peyote ou do Cacto São Pedro, presentes nas regiões andinas. Ela pode ser utilizada em pó, em chá ou ao mastigar os seus botões.

“É uma substância psicodélica natural, que tem uma história ritualística associada aos povos nativos da América Central que faziam uso em rituais. Essa tradição indígena é autorizada legalmente dentro desse contexto religioso da igreja nativa americana. Ela tem um potencial de experiências sagradas ou místicas”, descreve Iago.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

SEM ANISTIA: Golpistas do INSS Devem Pagar Por Todos os Crimes

Fraudar a aposentadoria de milhões de brasileiros não é crime de esperteza: é crueldade social. Qualquer acordo seria um tapa na cara da justiça.


O escândalo bilionário de fraudes no INSS, exposto em detalhes em 2025, não é apenas um problema contábil. É uma crise moral e institucional de proporções gigantescas. Milhões de brasileiros, a maioria idosos e de baixa renda, foram lesados por organizações que usaram brechas legais e má-fé para descontar valores de seus benefícios, sem consentimento e sem explicação.

É inaceitável que, diante de um crime tão covarde, se cogite qualquer tipo de acordo, anistia ou negociação branda com os responsáveis. Roubar da Previdência é roubar do povo. Ponto.
Justiça, não jeitinho

A estrutura do esquema, com entidades de fachada como a CONAFER e envolvimento de agentes públicos e privados, mostra que não se trata de erro técnico, mas de fraude sistematizada. Estima-se que mais de R$ 6 bilhões foram desviados entre 2019 e 2024. Em muitos casos, os beneficiários só descobriram o rombo quando foram notificados em 2025, anos após terem seus contracheques descontados sem qualquer autorização.

A resposta precisa ser clara: prisão, confisco de bens e devolução integral dos valores. O Estado não pode negociar com quem desmonta a confiança na Previdência, uma das poucas redes de proteção social ainda acessíveis a milhões de brasileiros.
Leniência é convite à reincidência

O Brasil tem um histórico de "soltar os grandes" enquanto aperta os pequenos. Quando o sistema de justiça opta por acordos leves, está incentivando a reincidência. Golpistas que fraudaram aposentados não podem ser tratados como colaboradores, eles devem ser tratados como criminosos.

Só existe uma forma de restaurar a confiança da população: agir com rigor, transparência e exemplo. Isso significa também responsabilizar gestores públicos que falharam no dever de fiscalização ou foram coniventes por omissão.
A conta não pode sobrar para quem já sofre

O aposentado que ganha um salário mínimo e viu R$ 30 ou R$ 50 desaparecerem todo mês sabe o peso desse dinheiro no orçamento doméstico. É remédio, é gás, é comida. Tirar isso de quem trabalhou a vida toda é mais que roubo, é perversidade.

Por isso, aliviar para golpistas é também ferir quem mais precisa da proteção do Estado.
O recado que o Brasil precisa dar

O escândalo do INSS é um divisor de águas. Ou o Brasil pune severamente quem frauda o sistema previdenciário, ou abre as portas para novos golpes, mais sofisticados e mais prejudiciais. Não se trata de vingança. Trata-se de justiça, integridade institucional e respeito ao cidadão.  Pegar leve com golpistas é ser cúmplice deles.

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Projeto propõe multa a quem levar “bebê reborn” para atendimento no SUS


    (Foto Internet)

Propostas em Minas Gerais, Rio de Janeiro e na capital carioca refletem diferentes abordagens sobre o uso e impacto dos bonecos hiper-realistas

O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL-MG) apresentou, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, um projeto que proíbe o atendimento médico a bonecos hiper-realistas conhecidos como “bebês reborn” nas unidades públicas de saúde do estado.

A medida prevê multa de até dez vezes o valor do serviço prestado em caso de descumprimento, com os recursos destinados ao tratamento de pessoas com transtornos mentais.Masterclass Renda Fixa Descomplicada: 

Caporezzo justificou o projeto mencionando um episódio em que uma mulher tentou levar um bebê reborn para atendimento médico, alegando que a “criança” estaria com febre. Para o deputado, esses casos representam uma “distopia generalizada” e colocam em risco o funcionamento do sistema de saúde.

A proposta é mais uma que surge em meio a um debate legislativo em diferentes regiões do Brasil, que incluem até a criação de programas de apoio psicológico para pessoas que desenvolvem vínculos emocionais com eles.

Os bebês reborn têm atraído não apenas colecionadores e fãs, mas também figuras públicas como Britney Spears, Gracyanne Barbosa e o padre Fábio de Melo, que já compartilharam experiências com esses bonecos em suas redes sociais. No entanto, o uso dos reborns também desperta questionamentos, especialmente quando são protagonistas de vídeos que simulam partos, amamentação e cuidados maternos.

Apoio psicológico

Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Rodrigo Amorim (União) protocolou um PL que propõe a criação de um programa de saúde mental para pessoas que desenvolvem laços emocionais com os bebês reborn. A iniciativa procura prevenir casos de depressão, suicídio e isolamento social.

O programa deve oferecer acompanhamento psicológico, terapias e orientação conduzidos por equipes multidisciplinares, que incluirão psicólogos, terapeutas e assistentes sociais. Amorim argumenta que, embora os reborns possam ser usados terapeuticamente em casos de luto perinatal, há riscos de que a relação simbólica evolua para uma dependência emocional prejudicial.
“Dia da Cegonha Reborn”

Na capital fluminense, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou um projeto que institui o Dia da Cegonha Reborn no calendário oficial da cidade. O projeto, de autoria do vereador Vitor Hugo (MDB), homenageia as artesãs que produzem os bonecos, conhecidas como “cegonhas”. A data escolhida é 4 de setembro, e a proposta aguarda sanção ou veto do prefeito Eduardo Paes.

Os bebês reborn são bonecos artísticos confeccionados manualmente para se assemelhar a bebês reais. As “cegonhas” são responsáveis por pintar manualmente os detalhes de pele, veias e manchas, implantar cabelos fio a fio e adicionar peso aos bonecos para que se assemelhem a recém-nascidos. O nome “reborn”, que significa “renascido” em inglês, remete ao processo detalhado de produção.


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