quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Quatro argentinos são resgatados de trabalho escravo na colheita da uva na Serra Gaúcha

Fiscalização identificou condições precárias e que único acesso à água era em açude contaminado por esgoto

Água que abastecia as torneiras era captada de um pequeno açude junto à casa. Foto: Divulgação


Quatro trabalhadores de nacionalidade argentina foram resgatados nesta terça-feira (28) de condições análogas à escravidão em São Marcos, na região serrana do Rio Grande do Sul, durante uma operação coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com acompanhamento do Ministério Público do Trabalho (MPT-RS) e participação da Polícia Federal (PF). Os trabalhadores haviam sido trazidos para o Estado para trabalharem na colheita da uva.

Os resgatados são todos homens, com idades entre 19 e 38 anos, oriundos da província de Misiones, e ingressaram no Brasil via Dionísio Cerqueira (SC). Fiscalização identificou condições precárias de moradia | Foto: Divulgação

De acordo com o MPT-RS, eles estavam alojados em uma casa de madeira, bastante velha, com dois quartos que, segundo o depoimento dos trabalhadores, chegaram a abrigar 11 homens ao todo. Os trabalhadores dormiam em colchões no chão, não tinham armários ou quaisquer outros móveis para guardar seus pertences, a fiação elétrica estava exposta e em desacordo com as Normas Regulamentadoras.

Outro problema apontado era de acesso a água potável. A água que abastecia as torneiras era captada de um pequeno açude junto à casa, e toda água usada no banho e na descarga das instalações sanitárias era devolvida para o pátio, junto ao açude, formando um esgoto a céu aberto na entrada do imóvel e contaminando a água do açude que seria usada para o consumo dos trabalhadores. A fiscalização constatou que a água apresentava cor amarelada e odor fétido. Trabalhadores relataram sofrer com alergias cutâneas e diarreia.

Os trabalhadores relataram ter sido agenciados por um conterrâneo, o qual buscava trabalhadores na Argentina e os encaminhava a uma arregimentadora de serviços em São Marcos. Esta, por sua vez, havia prometido um trabalho bem remunerado, incluindo moradia.

Conforme o MPT-RS, ao chegar no local, os trabalhadores se depararam com a precariedade do alojamento e, ao final de uma semana de trabalho, quando deveriam receber pelos serviços prestados, a arregimentadora desapareceu sem efetuar o pagamento — o paradeiro atual é desconhecido.

As autoridades ouviram o produtor rural para o qual os argentinos trabalharam e ele informou que havia efetuado o pagamento da remuneração correspondente, o qual não foi repassado aos trabalhadores.

Na quarta-feira (29), o produtor firmou um Termo de Ajuste de Conjunta para garantir o pagamento das verbas trabalhistas e rescisórias devidas pela rescisão indireta dos contratos de trabalho. O Ministério do Trabalho e Emprego emitiu o seguro-desemprego para cada trabalhador resgatado, assegurando aos imigrantes argentinos o pagamento de 3 (três) parcelas de um salário-mínimo. A assistência social do município de São Marcos providenciou estadia e disponibilizou passagens para deslocamento dos trabalhadores, que não desejaram retornar à Argentina.

O resgate fez parte de uma operação mais ampla de fiscalização da colheita da uva que marcou o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Em fevereiro do ano passado, uma operação semelhante encontrou 22 trabalhadores argentinos também em condições análogas à escravidão em São Marcos.

De acordo com o MPT-RS, somente em 2025 oito trabalhadores já foram resgatados no RS.

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Transplantes de órgãos no RS em 2023 superam os três anos anteriores



Os números foram apresentados nesta quinta-feira à secretária da Saúde -
 Foto: Divulgação/ Central de Transplantes

O número de transplantes de órgãos realizados no Rio Grande do Sul em 2023 superou os três anos anteriores, praticamente voltando ao patamar de antes da pandemia. Segundo relatório da Central de Transplantes da Secretaria da Saúde, apresentado nesta quinta-feira (18) à secretária Arita Bergmann, 712 procedimentos ocorreram no Estado no ano passado, acima dos 595 de 2022, 420 em 2021 e 508 em 2020.

Em termos percentuais, os transplantes de 2023 superaram em 19,6% os de 2022, 16,9% de 2021 e 14% os realizados em 2020. O número também ficou bastante próximo dos 721 de 2019 ou mesmo dos 739 transplantes realizados em 2018.

Foram 753 órgãos captados de doadores com morte encefálica em todo o Estado no ano passado, permitindo a realização de 515 transplantes de rim, 137 de fígado, 36 de pulmão e 20 de coração, além de outros três de fígado e rim. O número de notificações de morte encefálica – 838 – foi o maior desde o início da série histórica, em 1996. E os 285 doadores efetivos só ficaram abaixo dos 295 doadores efetivos de 2017.

Já no total de transplantes envolvendo órgãos sólidos e também tecidos e medula, os 1.867 procedimentos realizados no ano passado superam os 1.354 em 2022. Um aumento de 37,8%, refletindo um ano de ações intensas da Central de Transplantes, como o início da implantação do sistema informatizado de transplantes Gedott pela Secretaria da Saúde, em parceria com uma empresa terceirzada, e a reformulação do programa Assistir, da Secretaria da Saúde, para a realização de novos transplantes.

A doação de órgãos também foi tema, em agosto, de um episódio do Govcast, podcast conduzido pelo governador Eduardo Leite. No mesmo mês, o lançamento da campanha de doações “O Amor Vive”, realizada no Mirage Circus, em Porto Alegre, contou com a participação do ator Marcos Frota para conscientizar a população sobre o tema.

“O estímulo à doação, assim como uma captação de órgãos cada vez mais efetiva, é uma política permanente do Estado. Enaltecemos, por isso, os indicadores atingidos em 2023”, destacou Arita Bergmann. “Sabemos que ainda há uma fila de espera, mas confiamos na conscientização das famílias e tenho plena certeza de que será um 2024 com números ainda mais positivos”.

Em 2024, mais 1.502 transplantes

Apesar dos números positivos do ano passado, de acordo com o relatório, ainda há no Estado 2.578 pacientes à espera de um transplante. A maior fila de espera é para um transplante de rim, com 1.228 pessoas. Outras 1.110 aguardam um transplante de córnea, enquanto 162, um transplante de fígado, 63 de pulmão e 15 de coração.

A meta do Estado é reduzir a espera com a realização de 1.502 transplantes de órgãos e de córnea este ano e um número de doações 36,5% superior ao de 2023. As ações estratégicas seguirão, com o início do Plano Estadual de Saúde 2024-2027, o início da implantação do sistema Gedott, o monitoramento e avaliação dos indicadores e metas sobre transplantes do programa Assistir e a consolidação da campanha “O Amor Vive”, além da recomposição da equipe da Central de Transplantes.

Outro tema importante será a implantação da Política Estadual de Conscientização e Incentivo à Doação e Transplante de Órgãos e Tecidos, conforme lei do último dia 10.



Auxílio alimentação de R$ 12 milhões para 11 ministros do STF. O que eles comem?”, questiona senador

Abuso de PoderSupremo Tribunal FederalSenado FederalDireitoMinistro Gilmar Mendes

“Auxílio alimentação de R$ 12 milhões para 11 ministros do STF. O que eles comem?”, questiona senador

Publicado por Fernanda H
há 5 anos

O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) usou a tribuna da casa para criticar valores destinados a ministros STF.

Segundo o parlamentar, além dos benefícios como moradia e alimentação (além de outros mimos como passagens aéreas, antecipações, gratificação natalina, seguranças armados, carros blindados, etc…), os ministros ainda contam com auxílio-funeral e de natalidade. Os números citados por Kajuru, assustam:

Cerca de R$ 1,5 milhão/ano para auxílio-moradia dos 11 ministros … uma média de R$ 11 mil por mês para cada um.

Somam-se aos ‘mimos’, outros R$ 12 milhões/ano com auxílio-alimentação, cerca de R$ 90 mil por mês (por cabeça).

O senador questionou o fato: 
“Eu gostaria de saber qual é a comida lá. São R$ 12 milhões para 11 ministros? Isso é um desrespeito a uma nação com quase 15 milhões de desempregados e mais de 200 empresas falidas” , destacou o parlamentar.

O senador também pediu explicações sobre o elevado número de funcionários por ministro: 
Cada togado possui em média 222 funcionários à sua disposição, explicou Kajuru, que também questionou a necessidade de se arcar com os custos de manutenção de três caminhões.

Agência Senado

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