quinta-feira, 28 de março de 2024

O que é a triangulação narcísica e como reconhecê-la?


A triangulação é comum, frequente não apenas no narcisismo mas é uma característica central nos relacionamentos tóxicos.
A triangulação narcísica é um jogo patológico em que um manipulador usa terceiros para controlar as decisões da sua vítima.
Isso é o que acontece quando alguém usa uma terceira pessoa para exercer domínio sobre a sua vítima
Embora muitos o ignorem, é uma situação que ocorre em muitas áreas da vida. Acontece, por exemplo, quando alguém em nosso círculo social fala mal de nós para outras pessoas. O que o manipulador busca é gerar um conflito por meio de comentários negativos que causem uma má impressão nos outros.
É importante saber identificar este tipo de manipulação. Se conseguirmos reconhecer os indicadores, evitaremos cair em dinâmicas conflituosas. Uma vez detectados, o mais saudável a fazer é se distanciar dessas pessoas. Mas como fazer isso?
Contextos em que a triangulação narcísica pode ocorrer
Existem vários cenários em que um manipulador pode usar terceiros para exercer controle sobre as vítimas. A seguir, revisamos uma lista dos contextos mais frequentes em que a triangulação narcísica ocorre.

1. Relações familiares
Nas famílias, há casos em que os membros fazem comentários infundados uns sobre os outros. Isso ocorre, por exemplo, quando um irmão é responsável por colocar os pais contra os outros filhos. Frases como “Sei que não sou seu filho favorito porque você trata melhor meus irmãos” fazem parte do repertório da triangulação.
Claro, essa situação pode ocorrer com qualquer um dos outros membros de uma família. Há casos em que são os pais que fazem a manipulação. Dizer que as crianças são preguiçosas na frente de outros parentes pode parecer inofensivo.
Ou seja, a outra pessoa tem uma ideia tendenciosa do filho sobre quem ele está fazendo os comentários. Desta forma, mesmo sem conhecer alguém diretamente, podemos formar uma impressão errada dessa pessoa.
A triangulação narcísica ocorre em contextos familiares, sociais e emocionais. É preciso estar atento aos sinais.

2. Relações com um parceiro
É natural que os casais falem sobre seus relacionamentos anteriores e sobre sua vida familiar. No entanto, devemos estar atentos a como esses pontos de discussão se desdobram. Quando houver comparações constantes com parceiros anteriores, os alarmes devem soar.

A ideia de comparar o parceiro atual com alguém do passado esconde uma intenção egoísta. É o caso de comentários como “minha ex-namorada preparava o jantar todas as noites, você deveria fazer o mesmo”. O manipulador usa outra pessoa para tentar realizar seu próprio desejo .

3. Relações de amizade
Certamente já encontramos alguém que falava mal dos nossos amigos. Essa pessoa pode até nos contar coisas negativas sobre seus próprios amigos. Em geral, o objetivo desses comentários é gerar inimizades ou um distanciamento da nossa parte em relação a um determinado grupo social.

O que pode motivar a triangulação narcísica?
Essa forma de manipulação é comum em pessoas egocêntricas com baixa tolerância à frustração. O que motiva uma triangulação narcísica é a necessidade de exercer controle sobre as vítimas . Os manipuladores também procuram satisfazer seus desejos pessoais.
O ciúme do parceiro é um gatilho para esse tipo de comportamento. Vamos dizer, por exemplo, que o namorado não tolera que sua parceira tenha amigos. Quando esse tipo de situação ocorre, tem início uma campanha de difamação: “Seus amigos querem nos separar”, “Seus amigos não gostam de mim”, entre outros comentários.
Isso não é algo exclusivo de casais, já que também pode ser visto em outras situações. No caso da família, alguns pais super protetores podem usar a triangulação narcísica para tirar os filhos do seu círculo social.

Possíveis impactos da triangulação narcísica
As pessoas que são vítimas de manipuladores narcisistas são afetadas de várias maneiras. Primeiro, ocorre um processo de despersonalização. Isso significa que a vítima perde sua essência e se torna uma marionete de quem exerce o controle.
Por sua vez, o sentimento de insegurança passa a predominar e surge a dependência da aprovação do manipulador. Nesse sentido, a autoestima também é diminuída e, na esfera social, a capacidade de ter relacionamentos saudáveis é perdida.

Como agir nessa situação?
Quando identificamos que somos vítimas de triangulação por um narcisista, o mais importante é recuperar o controle. Para isso, é fundamental identificar os comentários que nos fizeram cair na triangulação.
Caso o manipulador tenha falado mal de uma terceira pessoa, o mais saudável a fazer é deixar de lado a ideia errada que criamos dessa outra pessoa . Se necessário, podemos conversar com ela para esclarecer algumas situações.
Se a terceira pessoa for você, a situação é diferente. Em outras palavras, quando identificamos que alguém está nos caluniando para manipular alguém que conhecemos, é melhor falar diretamente com a vítima e desmentir o que for necessário. Não é aconselhável questionar o manipulador, pois o ideal é evitar conflitos desnecessários.
A comunicação assertiva é a chave para lidar com situações derivadas da triangulação narcísica.

O que fazer quando a manipulação vem da família?
Nos casos em que a triangulação narcísica vem de um membro do núcleo familiar imediato, não é tão fácil se afastar. Na verdade, a distância nem sempre é a melhor opção.
O que devemos fazer é colocar limites saudáveis entre nós e aquele membro da família.
Os limites começam na forma de comunicar as coisas. Podemos usar uma linguagem assertiva para deixar claro que preferimos tomar nossas próprias decisões. Às vezes, seremos forçados a ser firmes ao afirmar nossas idéias. De qualquer forma, você deve tentar manter o respeito.

Bibliografia

Serrano Lindes, Rosario. “Vicisitudes Del Narcisismo Originario Del Niño y Fragilidad de La Triangulación Edípica: Dinámica Pulsacional y Objetal En La Organización Narcisista de Personalidad91.” Revista de psicoanálisis 56 (2009): 91–105. Revista de psicoanálisis. Web.

Kernberg, Otto. “El Paciente Narcisista Casi Intratable.” The Journal of American Psychoanalytic Association 55 (2007): 503–539. Print.

Blanco Artola, Carolina, Natasha Gómez Solorzano, and Dennis Orozco Matamoros. “Actualización de Los Trastornos de Personalidad.” Revista Medica Sinergia 5.4 (2020): e437. Revista Medica Sinergia. Web.

Sarti, Narella Paula, Bárbara Rocío Vidal, and Marcela Spinetto. “Trastorno Narcisista de La Personalidad y Esquemas Maladaptativos Tempranos En Una Población Femenina de Bajos Recursos Socioeconómicos.” Revista Argentina de Ciencias del Comportamiento 13.1 (2021): 73

–80. Revista Argentina de Ciencias del Comportamiento. Web.
Os conteúdos desta publicação foram escritos apenas para fins informativos. Em nenhum momento podem servir para facilitar ou substituir diagnósticos, tratamentos ou recomendações de um profissional. Consulte o seu especialista de confiança em caso de dúvida e peça a sua aprovação antes de iniciar qualquer procedimento.

Texto por Sergio S. Oliveira - Quora

quarta-feira, 27 de março de 2024

AMOR FATI: A RECLAMAÇÃO É INIMIGA DA AÇÃO


Amor Fati é uma expressão do latim que pode ser traduzida para “amor ao destino” ou, trazendo para termos mais práticos, “aceitação entusiástica de tudo que possa vir a acontecer”. O Amor Fati é uma proposição para que aceitemos o que vier a acontecer conosco. Mais do que aceitar passivamente, porém, os estoicos propõem que aproveitemos verdadeiramente o que está acontecendo.
“Não queira que tudo aconteça como deseja. Deseje que tudo aconteça como deve acontecer, e terá serenidade” – Epicteto

Assim, o termo nos ensina que devemos amar o destino. Devemos amar o nosso destino como se não houvesse outro melhor! Parece loucura amar os acontecimentos que nos desfavorecem ou que nos colocam em situações desconfortáveis. A princípio talvez você pense:
“como me alegrar se fui demitido? Como sentir gratidão quando estou doente? Por que sorrir quando perco alguém que amo?”

Vamos pensar! O que é mais fácil mudar: um evento que já aconteceu (está no passado) ou a nossa opinião sobre o acontecido (está no presente e sob o nosso controle)?

Uma vez que o ocorrido está no passado, não há nada que possamos fazer para mudá-lo. Enquanto que nossas opiniões são um fenômeno do presente, portanto são elas que podemos alterar. Aceitar o que aconteceu e parar de desejar que não tivesse acontecido, é o caminho mais saudável para viver uma vida tranquila.

Os estoicos chamam essa sabedoria de “a arte da aquiescência”, que significa aceitar em vez de lutar contra. Tudo que temos é o presente e nossa capacidade de lidar com ele.
"Aceitar sem arrogância, deixar ir com indiferença" - Marco Aurélio, Meditações, 8.33


Essa ideia de aceitação daquilo que não se pode controlar não é exclusiva dos estoicos. Nietzsche cunhou o termo:

“Minha fórmula para a grandeza em um ser humano é amor fati: que ninguém queira que nada seja diferente, nem para a frente, nem para trás, nem para toda a eternidade. Não basta suportar o necessário, escondê-lo ainda menos — todo idealismo é mentira diante do necessário — mas amá-lo.”

A premissa fundamental dessa crença é a aceitação dos acontecimentos assim como eles são e não como você deseja que eles sejam e que a infelicidade é causada pela expectativa que criamos. Quando não temos expectativa quanto ao destino, você cria uma aceitação que serve como escudo para toda e qualquer decepção.

Não devemos esperar que os fatos se desenrolem de uma maneira específica. De forma contrária, devemos dar boas-vindas e abraçar o destino, seja ele qual for. Isso não precisa nos desencorajar a lutar e perseguir os nossos sonhos. Muito pelo contrário, a ideia propõe que em nossa caminhada por nossos sonhos algumas coisas não irão se sair assim como desejamos. E tudo bem!
"Devemos saber suportar com espírito forte tudo o que por lei universal nos é dado a enfrentar. É nossa obrigação suportar as condições da vida mortal e não nos perturbarmos com o que não está em nosso poder evitar" - Sêneca, Da felicidade, XV

A maioria das vezes em que nos sentimos ansiosos ou nervosos é quando nos deparamos com situações imprevisíveis. Contudo, não são as situações que perturbam nosso estado de tranquilidade, são nossos julgamentos e a forma como reagimos aos acontecimentos.
“As circunstâncias não ocorrem para atender às nossas expectativas. Os fatos acontecem como têm que acontecer. As pessoas comportam-se de acordo com o que são. Acolha as coisas que de fato conseguir" - Epicteto, A arte de viver, nova interpretação de Sharon Lebell

Lutar contra o destino é uma forma de desperdiçar tempo útil de vida. Aceitá-lo, amá-lo e transformar o que acontece da melhor forma possível é a maneira de viver uma boa vida, plena e feliz!
"Devemos saber suportar com espírito forte tudo o que por lei universal nos é dado a enfrentar. É nossa obrigação suportar as condições da vida mortal e não nos perturbarmos com o que não está em nosso poder evitar" - Sêneca, Da felicidade, XV
Como seguir o Amor Fati?

Devemos seguir dois passos:

1º passo:
Aceitemos que não controlamos nada do que acontece. Tudo o que vier a ocorrer é indiferente. Chover ou fazer sol, estar frio ou calor, não tem nada a ver com a nossa vontade. Portanto, só resta aceitar estes acontecimentos.

2º passo:
Devemos ir além da simples aceitação e temos que amar profundamente o que acontecer conosco. Se o dia começa frio, nós saímos com nossa roupa mais quente e confortável. Se esquenta no meio da tarde, tiramos o casaco e aproveitamos o vento no rosto. Se está chovendo, aproveitamos que o ar está melhor para respirar. Se está muito ensolarado, aproveitamos para produzir vitamina D. Ou seja: não importa o clima em si. Nós sempre podemos aproveitar o melhor do dia.
5 citações sobre Amor Fati

Aceitar os acontecimentos de forma integral. Amar o destino. Transformar as dificuldades em combustível para o seu desenvolvimento. São esses os ensinamentos da expressão em latim AMOR FATI.

"Devemos saber suportar com espírito forte tudo o que por lei universal nos é dado a enfrentar. É nossa obrigação suportar as condições da vida mortal e não nos perturbarmos com o que não está em nosso poder evitar" - Sêneca

"As circunstâncias não ocorrem para atender às nossas expectativas. Os fatos acontecem como têm que acontecer. As pessoas comportam-se de acordo com o que são. Acolha as coisas que de fato conseguir" - Epicteto

"O que é exclusivo do homem bom? Acolher com afeto o que é enviado pelo destino" - Marco Aurélio

"Quantas vezes o inesperado aconteceu! Quantas vezes o esperado nunca chegou a passar! E mesmo que seja destinado a ser, o que é que vale correr para encontrar seu sofrimento? Você sofrerá em breve, quando chegar a hora; então, enquanto isso, olhe para a frente, para coisas melhores" - Sêneca

"Quando algo acontece, a única coisa que está em seu poder é sua atitude com relação ao fato. Suas alternativas são a aceitação ou o ressentimento" - Epicteto


Sociedade Interna cional de Psicanálise de São Paulo


"Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende." Leonardo da Vinci


A vida confabulada do narcisista

Confabulações são uma parte importante da vida. Eles servem para curar feridas emocionais ou para evitar que elas sejam infligidas em primeiro lugar. Eles sustentam a autoestima do confabulador, regulam seu senso de autoestima e reforçam sua autoimagem. Eles servem como princípios organizadores nas interações sociais.

Confabulações são uma parte importante da vida. Eles servem para curar feridas emocionais ou para evitar que elas sejam infligidas em primeiro lugar. Eles sustentam a autoestima do confabulador, regulam seu senso de autoestima e reforçam sua autoimagem. Eles servem como princípios organizadores nas interações sociais.

O heroísmo do pai em tempos de guerra, a boa aparência jovem da mãe, as façanhas contadas com frequência, o brilhantismo outrora alegado e a suposta irresistibilidade sexual do passado – são exemplos típicos de mentiras brancas, confusas e comoventes envoltas em um núcleo murcho de verdade.

Mas a distinção entre realidade e fantasia raramente se perde completamente. No fundo, o confabulador saudável sabe onde os fatos terminam e o desejo toma conta. O pai reconhece que não foi um herói de guerra, embora tenha lutado. Mamãe entende que ela não era uma beleza arrebatadora, embora pudesse ser atraente. O confabulador percebe que suas façanhas relatadas são exageradas, seu brilho exagerado e sua irresistibilidade sexual um mito.

Tais distinções nunca vêm à tona porque todos – tanto o confabulador quanto seu público – têm um interesse comum em manter a confabulação. Desafiar a integridade do confabulador ou a veracidade de suas confabulações é ameaçar o próprio tecido da família e da sociedade. As relações humanas são construídas em torno desses divertidos desvios da verdade.

 É aqui que o narcisista difere dos outros (das pessoas “normais”).

Seu próprio eu é uma peça de ficção inventada para afastar a mágoa e nutrir a grandiosidade do narcisista. Ele falha em seu “teste de realidade” – a capacidade de distinguir o real do imaginado. O narcisista acredita fervorosamente em sua própria infalibilidade, brilho, onipotência, heroísmo e perfeição. Ele não ousa confrontar a verdade e admiti-la nem para si mesmo.

Além disso, ele impõe sua mitologia pessoal aos seus mais próximos e queridos. Cônjuge, filhos, colegas, amigos, vizinhos – às vezes até mesmo perfeitos estranhos – devem obedecer à narrativa do narcisista ou enfrentar sua ira. O narcisista não aceita desacordo, pontos de vista alternativos ou críticas. Para ele, confabulação é realidade.

A coerência da personalidade disfuncional e precariamente equilibrada do narcisista depende da plausibilidade de suas histórias e de sua aceitação por suas Fontes de Suprimento Narcisista. O narcisista investe um tempo excessivo em fundamentar seus contos, coletando “evidências”, defendendo sua versão dos eventos e reinterpretando a realidade para se adequar ao seu cenário. Como resultado, a maioria dos narcisistas são auto iludidos, obstinados, opinativos e argumentativos.

As mentiras do narcisista não são orientadas para objetivos. É isso que torna sua desonestidade constante desconcertante e incompreensível. O narcisista está na gota de um chapéu, desnecessariamente, e quase incessantemente. Ele mente para evitar a Grandiosidade Gap – quando o abismo entre o fato e a ficção (narcisista) se torna muito escancarado para ser ignorado.

O narcisista mente para preservar as aparências, sustentar as fantasias, apoiar as histórias altas (e impossíveis) de seu falso eu e extrair o suprimento narcisista de fontes insuspeitas, que ainda não o conhecem. Para o narcisista, a confabulação não é apenas um modo de vida – mas a própria vida.

Estamos todos condicionados a deixar os outros se entregarem a ilusões de estimação e se safarem com mentiras brancas, não muito flagrantes. O narcisista faz uso de nossa socialização. Não ousamos confrontá-lo ou expô-lo, apesar da estranheza de suas afirmações, da improbabilidade de suas histórias, da implausibilidade de suas supostas realizações e conquistas. Simplesmente damos a outra face, ou desviamos os olhos docilmente, muitas vezes envergonhados.

Além disso, o narcisista deixa claro, desde o início, que é o seu caminho ou a estrada. Sua agressividade – mesmo raia violenta – está perto da superfície. Ele pode ser encantador em um primeiro encontro – mas mesmo assim há sinais reveladores de abuso reprimido. Seus interlocutores percebem essa ameaça iminente e evitam o conflito concordando com os contos de fadas do narcisista. Assim, ele impõe seu universo privado e realidade virtual em seu meio – às vezes com consequências desastrosas.

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