sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Desesperado, Bolsonaro descobre só agora ligação de Moro com doleiro Alberto Youssef


Se fazendo de vítima, Bolsonaro revela só agora a relação de seu ex-ministro com o doleiro. Presidente ainda diz que Dallagnol teria tentado chantageá-lo para ser o PGR.

Jair Bolsonaro (Reprodução/Facebook Jair Bolsonaro)

Escrito en POLÍTICA el 12/12/2021 · 11:39 hs

Desesperado com o desempenho nas pesquisas, vendo a aproximação de Sergio Moro (Podemos) e a possibilidade cada dia maior de Lula (PT) vencer a disputa presidencial no primeiro turno, Jair Bolsonaro (PL) atacou Deltan Dallagnol, recém filiado ao Podemos, em suas redes sociais e indicou um vídeo em que um youtuber aliado mostra só agora a relação entre o ex-juiz da Lava Jato e o doleiro Alberto Youssef.


Fazendo-se de vítima, Bolsonaro faz um apelo aos apoiadores para assistirem ao vídeo, que mostra algo que é conhecido e divulgado - inclusive pela defesa do ex-presidente Lula - desde 2015 como se fosse uma grande novidade.

"Você tem que assistir e repassar para você entender de vez o que eu passo, a minha função e o que querem para o nosso Brasil", diz.

Bolsonaro ainda sinaliza que teria sido vítima de uma tentativa de chantagem de Deltan Dallagnol que, segundo ele, buscava ser alçado à Procuradoria-Geral da República (PGR).

"Uma das passagens que não está ali [no vídeo]. Estava em 2019, há poucas semanas para eu indicar o PGR para o Senado e um ajudante de ordem trouxe o telefone e falou: 'Deltan Dallagnol quer falar contigo'. Eu falei: 'eu não vou falar com ele'. Por que eu não queria falar com ele? Nunca tinha falado antes… Por um motivo muito simples. Ele queria uma audiência comigo porque ele era, no momento, cotado nas mídias sociais como ir para o PGR, né? (SIC) A pessoa certa para o PGR, como naquele momento também a pessoa certa para o Supremo seria Sergio Moro. E se eu tivesse audiência com ele, com toda a certeza, eu não iria indicá-lo para a PGR, mas iria sair uma história pronta, como eles faziam por ocasião de alguns depoimentos da Lava Jato: escreviam o depoimento e chamavam o cara para assinar. E ia falar que eu fiz uma proposta indecorosa para ele, para salvar um amigo, um parente. Como ele não aceitou, Deltan Dallagnol iria me acusar de parcial", acusa.

No início do vídeo, no entanto, Bolsonaro diz que "em grande parte sabia tudo aquilo que eu vivia como presidente", mas ressalta que "obviamente não tinha como agir".
Yousseff, Moro, Álvaro Dias e o conluio na Lava Jato

O vídeo do youtuber bolsonarista, que está sendo turbinado nas redes de apoio pelo próprio presidente, conta uma história que já é conhecida desde 2015 e em grande parte foi confirmada pelo advogado Tacla Duran e pelo próprio Alberto Youssef até mesmo em depoimento na Câmara dos Deputados

Anunciado pelo presidente como novidade, o conluio que, entre outros blindou o senador Álvaro Dias (Podemos), já foi amplamente divulgado.

Embora soubesse de tudo - já que era deputado - antes mesmo das revelações da Vaza Jato, Bolsonaro calou até o momento pois sabe que se beneficiou diretamente da omissão do fato pela mídia liberal em sua eleição à Presidência.

A divulgação acontece no momento em que o seu ex-super ministro da Justiça se apropria de parte do eleitorado ultraconservador que o elegeu e que se mostra decepcionado com seu governo.

Entenda na série de reportagens da Fórum sobre o caso

Bolsonaro diz não saber se recebeu dinheiro de Youssef


Às vésperas de o procurador-geral da República revelar lista de parlamentares envolvidos com o doleiro Alberto Youssef, deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) declara que não sabe se ele recebeu dinheiro sujo
Por Helena Sthephanowitiz

Publicado 18/02/2015 - 17h10
Arquivo ABr

Bolsonaro é defensor de financiamento privado de campanhas

“O Alberto Youssef já disse que no meu partido (PP) só sobrariam dois que não receberam. Eu não sei quem são os dois, mas, se eu recebi algum dinheiro, o partido não levou meu voto para o Executivo”, diz Bolsonaro à coluna Poder Online, do Portal IG. Deputado dizer que não sabe o que os outros fizeram pode ser verdade, afinal quem participa de esquemas mantém segredo entre os participantes. Agora, dizer que não sabe se ele próprio fez uso do dinheiro que ele mesmo tem falado que é de corrupção, já é um pouco demais.

A declaração de Bolsonaro mostra que, para financiar campanhas e se eleger, o deputado conviveu bem melhor do que se imaginava com o dinheiro da corrupção. Na melhor das hipóteses, fechando os olhos para a real origem do dinheiro que financiava suas campanhas.

Desde 1993, Bolsonaro é filiado ao PP (a sigla já mudou de nome algumas vezes), com um intervalo entre 2003 e 2005, quando integrou o PTB de Roberto Jefferson, e de uma brevíssima passagem pelo PFL, retornando ao PP ainda em 2005.

Durante todo esse tempo, Bolsonaro conviveu muito bem com Paulo Maluf, José Janene, entre outros nomes de seu partido envolvidos em escândalos. Só se manifesta contra a corrupção, ou a suspeita de, quando atinge seus adversários políticos.

Sua dissidência dentro do PP se limita a atacar o governo petista em discursos e os partidos de esquerda cujos parlamentares são engajados em causas dos direitos humanos e das minorias. Mas não se vê Bolsonaro atacando casos suspeitos de aliados que o ajudaram a se eleger deputado pela sétima vez. Também sempre ficou na zona de conforto de manter-se no PP durante todo o tempo em que este partido participou de governos que ele criticava. Curioso que em 2003 ele migrou para o PTB quando este partido já compunha a base governista e estava em crescimento recebendo muitos adesistas fisiológicos que não queriam ficar na oposição.

Esse benefício de se aproveitar de uma estrutura partidária incoerente com seu discurso se estendeu a quatro parentes. Sua ex-mulher já foi vereadora no Rio de Janeiro, quando ainda eram casados. Seus filhos, Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, são deputado estadual e vereador no Rio de Janeiro, ambos pelo PP. Outro filho residente em São Paulo, Eduardo Bolsonaro – aquele que apareceu com uma pistola na cintura sobre um caminhão de som em manifestação pedindo golpe militar, em novembro –, se elegeu deputado federal, este pelo PSC.

Só agora Jair Bolsonaro diz defender que seu partido expulse os envolvidos na Lava jato. Isso quando lideranças de seu partido se perguntam se o próprio partido sobreviverá. Parece mais o que se chama “jogar para a plateia”, além de instinto de sobrevivência política para salvar a própria pele.

Em seu blog, em 2012, Bolsonaro também defendeu o financiamento privado de campanhas, a raiz da corrupção. Alega que “quanto menos o governo gastar com o financiamento público, melhor ficará junto à opinião pública”, como se o povo não pudesse mudar de opinião quando esclarecido através de um debate amplo. Diz que o caixa 2 continuaria existindo (um argumento estúpido, como se leis não pudessem ser feitas porque alguém não iria cumpri-la), mas se esquece de dizer que a corrupção também continuará correndo solta enquanto empreiteiras, bancos, planos de saúde, fabricantes de armas, empresas de comunicação patrocinarem bancadas corruptíveis no Congresso.




Vamos aguardar agora o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ajudar o deputado Jair Bolsonaro a descobrir o que ele próprio fez na eleição passada.

Denunciado.

O mais recente arroubo autoritário de Bolsonaro, para quem não lembra, levou a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, a denunciá-lo por incitar publicamente a prática de crime de estupro. A denúncia foi protocolada em 15 de dezembro, no Supremo Tribunal Federal (STF), e será analisada pelo ministro Luiz Fux.

Em entrevista ao jornal gaúcho Zero Hora, ao ser questionado sobre a declaração de que não iria estuprar a deputada federal Maria do Rosário porque ela não mereceria, ele reiterou a afirmação. De acordo com Ela Wiecko, “ao dizer que não estupraria a deputada porque ela não ‘merece’, o denunciado instigou, com suas palavras, que um homem pode estuprar uma mulher que escolha e que ele entenda ser merecedora do estupro”.

Em vídeo, Youssef diz que 6 políticos do RS recebiam dinheiro da Petrobras


Imagens obtidas pelo Grupo RBS mostram trecho de depoimento do doleiro.
Ele isenta Ana Amélia, Maluf e Bolsonaro de envolvimento em esquema.

Rodrigo SacconeDa RBS TV



Imagens mostram o momento em que o doleiro Alberto Youssef afirma, em depoimento da Operação Lava-Jato, que seis políticos do Rio Grande do Sul recebiam valores desviados da Petrobras. Nos vídeos cedidos pelo Supremo Tribunal Federal ao Grupo RBS, Youssef também fala que cada líder de bancada recebia mensalmente um valor entre R$ 250 mil e R$ 500 mil, conforme o que foi arrecadado pelo esquema, e isenta de envolvimento a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), além dos deputados Paulo Maluf (PP-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ).

No último dia 6, o Supremo Tribunal Federal (STF) acolheu um pedido de abertura de inquérito para investigar 47 políticos por suposto envolvimento com o esquema na Petrobras. Entre eles estão os deputados federais Afonso Hamm, Renato Molling, Luiz Carlos Heinze, Jerônimo Goergen e José Otávio Germano, e o ex-deputado Vilson Covatti, todos do PP gaúcho.

"As entregas eram feitas mensalmente, semanalmente. Aqueles líderes do partido recebiam valores maiores, em média por mês, vou dizer, entre R$ 250 mil e R$ 500 mil cada um", explica o doleiro. "Em média, para a bancada, que ia para o líder fazer a divisão entre os que faziam parte dessa bancada, era uma média de R$ 1,2 milhões a R$ 1,5 milhões por mês", acrescenta.

No primeiro trecho do vídeo, Youssef é questionado sobre seis deputados gaúchos do PP que tiveram o inquérito autorizado, e responde afirmativamente. 

No segundo trecho, ele fala que Maluf e Bolsonaro e "aquela gaúcha que agora é senadora" não participaram do esquema. Questionado se trata-se de Ana Amélia, responde afirmativamente. 

O presidente do PP no Rio Grande do Sul, Celso Bernardi, afirma que o diretório estadual ingressará na Justiça com um pedido de interpelação a Youssef e ao ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. "[Queremos saber] se eles tinham certeza de que este dinheiro chegava aos deputados, e quem informou isso", explica.

Segundo Bernardi, as imagens mostram Youssef afirmando que o dinheiro desviado da estatal era repassado por lideranças do partido, para dividir com correligionários, sem aparentar estar certo de que esta divisão realmente acontecia. "Qual é a certeza que ele tinha de que efetivamente essa divisão era feita e todos aqueles realmente foram beneficiados? E de qual forma chegava este dinheiro?", questiona o progressista.

Bernardi ainda destacou que, se for comprovado que algum dos seis integrantes do PP gaúcho tinha envolvimento com o esquema, o partido buscará uma punição por meio do Conselho de Ética. "Não daremos guarida a desvios de conduta", destacou.


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