quinta-feira, 4 de agosto de 2022

A Rainha da Inglaterra e o STF



Em 1977, quando a Rainha Elizabeth II, do Reino Unido, celebrava seu Jubileu de Prata, os 25 anos de seu reinado, a então novata banda inglesa Sex Pistols lançava seu segundo single, chamado "God Save the Queen".

A música já no segundo verso chama a monarquia britânica de "regime fascista". E segue dizendo que os súditos se tornaram idiotas, que a Rainha não é um ser humano e que não haveria futuro, para a Rainha ou para a monarquia.

E o que aconteceu? Nada.

Para ser mais preciso, a BBC se recusou a tocar a música. Mas, além disso, nada. A música alcançou o segundo lugar nas paradas de sucesso britânicas, foi tocada e ouvida por quem assim quisesse, e não recebeu nenhuma censura, senão aquela natural e legítima, advinda de quem não quisesse compartilhar daquela mensagem.

A Coroa, aliás, manteve a mais completa inércia a respeito da canção, como se ela nunca tivesse existido.

Já no Brasil, nesta semana um advogado foi preso em um voo de carreira em que estava presente o Ministro do STF, Ricardo Lewandowski.

Lewandowski pediu a presença da polícia para conduzir o homem porque esse, dirigindo-se àquele, afirmou: "o STF é uma vergonha".

O ministro ainda "se defendeu" em uma entrevista posterior, dizendo que poderia relevar uma ofensa pessoal, mas não uma ofensa ao STF.

Com toda evidência, Lewandowski deu voz de prisão a um homem que não cometeu crime algum. Dizer que há uma ofensa à "honra" do STF é mais ou menos como o quadrado redondo, pois somente pessoas naturais podem ser vítimas de crimes como injúria, calúnia ou difamação.

Faltando aptidão da suposta vítima para sofrer crime, estamos diante de "crime impossível", por ser inviável a consumação da conduta tida por criminosa.

O crime, ao revés, pode ter apontado contra o próprio Ministro, que obviamente abusou da autoridade, e da autoridade que o obedeceu, por ter obedecido ordem manifestamente ilegal.

Mais ainda, mesmo que a fala do advogado preso fosse dirigida a uma pessoa, talvez não se encontrasse nessa conduta crime algum.

Quem viu o vídeo que contém todo o evento com toda certeza percebeu a arrogância de Lewandowski, ameaçando desde logo com prisão o interlocutor.

A falta de autoridade natural que existe no país (já que falávamos do Sex Pistols, talvez seja uma espécie de "Anarchy in the Brazil?) só faz tornar mais evidente o autoritarismo que lhe pretende substituir.

Mas, como não poderia deixar de ser, a presidência do STF pediu mais investigações sobre o caso, envolvendo, agora a Procuradoria Geral da República.

Diversas organizações de puxa sacos formadas por juízes, advogados e outros atores dos processos já manifestaram apoio a Lewandowski. Mesmo assim, as notas foram em tom de lamento pelo fato. Nenhum teve coragem de dizer que a conduta do ministro foi correta, nem mesmo confirmou ter entendido que ocorreu crime.

Ou seja, as notas acabaram dizendo, nas entrelinhas, que a conduta do ministro foi pior do que a do sujeito que disse que o STF era uma vergonha.

Fato é que parece que houve uma confusão sobre o significado do vocábulo" Supremo ", quando se fala em Supremo Tribunal Federal.

Olhando as definições do Michaelis a esse respeito, a primeira parece ser a mais adequada. Supremo é" Que está no ponto mais alto ou elevado, acima de qualquer coisa. ". Como é o tribunal mais elevado do país, parece estar de acordo.

O problema é que muitos já estão confundindo com o segundo significado do dicionário para o vocábulo:"Relativo a ou pertencente a Deus; divino.".

O injustiçado advogado, afinal, estava errado. O STF não é uma vergonha. É apenas parte de uma outra vergonha muito maior, alicerçada, em grande parte, pelas diversas instituições ligadas intimamente à administração da justiça no Brasil.

Por Bruno Barchi Muniz
Advogado
há 4 anos
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Nova moda: jovens fervem camisinhas, bebem o líquido e ficam drogados

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Foto: Shutterstock

Ser estúpido é parte do processo que faz o jovem chegar à vida adulta. Mas, a cada nova geração, a gente sempre fica com uma sensação de que o nível de estupidez está ficando ainda mais alto. Quer um exemplo? Supostamente, a juventude da Índia está cozinhando preservativos com sabor e tomando a água como se fosse chá, tudo isso para se entorpecer.

De acordo com o Gizmodo, o caso foi contado pela CNN-News 18, um canal de notícias indiano. Segundo a emissora, desde a metade de julho, as vendas de camisinhas saborizadas dispararam na cidade de Durgapur. Ainda de acordo com o canal, um cliente questionou os motivos disso e recebeu a bizarra prática como resposta de um vendedor: os jovens estavam buscando essa nova forma de ficarem “doidões”.

Para conseguir tal proeza, eles estariam fervendo as camisinhas e bebendo a água. Ainda que a gente recomende muito que você NÃO tente isso em casa, há sim um tanto de verdade na experiência.

Os efeitos do chá
Pesquisador de polímeros entrevistado pela revista Vice, Udayan Basak afirmou à publicação que, sim, teoricamente dá para ficar “chapado” bebendo o chá de camisinhas. Basak afirma que esses produtos contém resinas de poliuretano, usados para garantir que eles durem muito e estiquem mais ainda. A glicerina também é componente, garantindo o sabor.

“Acredita-se que o etilenoglicol, um tipo de álcool, é produzido quando o poliuretano se decompõe após ferver os preservativos com sabor em água por seis a oito horas”, disse Basak, conforme relatado pela Vice.

Uma comparação feita por especialistas ouvidos pela CNN-News18 é de que a sensação causada seria como cheirar cola, criando uma sensação eufórica e alucinógena que dura alguns minutos. Claro, há efeitos adversos, como intoxicação e mesmo o vício.

Ainda que a história contada pelo canal indiano tenha surgido de um vendedor afirmando que ouviu isso de um adolescente, é possível que os jovens que colocavam vodka nos olhos possam, também, achar que tomar chá de camisinha é algo que mereça uma chance.

Metrópoles

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Em prisão domiciliar, Roberto Jefferson é lançado pelo PTB como candidato ao Planalto

Ex-deputado, Jefferson foi preso no inquérito que apura atuação de milícia digital contra democracia. Candidato já apoiou Lula, foi condenado no mensalão e se diz 'fã' de Bolsonaro.
Por Marcela Mattos, g1 — Brasília
01/08/2022 13h51



Ex-deputado Roberto Jefferson aparece em vídeo exibido na convenção do PTB nesta segunda (1º) — Foto: Reprodução

O PTB fez nesta segunda-feira (1º) em Brasília a convenção nacional do partido e lançou o ex-deputado Roberto Jefferson como candidato a presidente da República nas eleições deste ano.

A convenção foi feita um hotel na cidade, e Roberto Jefferson não compareceu porque cumpre prisão domiciliar desde janeiro deste ano. O candidato a presidente enviou um vídeo ao evento (leia detalhes mais abaixo).

Ex-apoiador de Lula (PT) e condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão, Roberto Jefferson se diz "fã" das ideias do presidente Jair Bolsonaro (PL) e foi preso no ano passado no inquérito que apura a atuação de uma milícia digital contra a democracia.

A Polícia Federal apura indícios e provas que apontam para a existência de uma organização criminosa que teria agido com a finalidade de atentar contra o Estado democrático de direito.

Essa organização, segundo as investigações, se dividiria em núcleos: de produção, de publicação, de financiamento e político. Outra suspeita é de que o grupo tenha sido abastecido com verba pública.

>>> Relembre no vídeo abaixo quando Roberto Jefferson passou a cumprir prisão domiciliar:

Roberto Jefferson deixa presídio no Rio para cumprir prisão domiciliar no interior do estado


Foco no 'eleitorado direitista'

Como Jefferson não participou presencialmente do evento, foi exibido um vídeo no qual o candidato leu um carta.
No vídeo, Roberto Jefferson afirmou que a candidatura dele não se opõe à do presidente Jair Bolsonaro, mas, sim, "confronta a abstenção" e preenche "alguns nichos de opções ao eleitorado direitista"
No documento, ele acrescenta que Bolsonaro se candidata à reeleição "sozinho", enquanto a esquerda "se apresenta como um polvo com vários tentáculos".
Jefferson diz, ainda, que é "fã" das ideias de Bolsonaro e que o presidente tem um "eleitorado inibido
"Não se reconecta com os descontentes, os famosos 'isentões', e gera uma gigantesca abstenção, que termina por eleger um candidato de esquerda pela minoria do eleitorado. É uma luta injusta. Um leão solitário contra uma alcateia de hienas. Argentina, Chile, Colômbia, França são exemplos recentes de vitórias eleitorais da esquerda que repetiu esse modelo", afirma Jefferson no documento.
"Temos que participar desse processo. Ofereço meu nome, Roberto Jefferson, para disputar a eleição presidencial. Não quero inibir ninguém que deseja disputar a indicação. Não desejo inibir nenhum companheiro que deseja apoiar, no partido, o presidente à sua reeleição. Apoie. Ao final, estaremos juntos", acrescentou.

Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada mostrou Lula em primeiro lugar, com 47% das intenções de voto; em seguida, aparecem Bolsonaro, com 29%; Ciro Gomes (PDT), com 8%; e Simone Tebet (MDB), com 2%..

Visibilidade para a prisão


Ao g1, Honésio Ferreira, presidente da Fundação Ivete Vargas (FIV), vinculada ao PTB, afirmou que caberá aos aliados de Jefferson fazer a campanha presidencial. Segundo ele, a candidatura será um meio de chamar a atenção para a prisão de Jefferson e tentar pressionar pela liberdade dele.
"A gente vai fazer a campanha para ele. É como a gente fala: 'Você não precisa ter o candidato para fazer a campanha'. O candidato está preso. Na verdade, o fato de ele estar preso já é um primeiro fato de notoriedade da campanha", disse Ferreira.
Ele acrescenta que a candidatura de Jefferson é um "fato relevante" para que seja concedida a liberdade ao petebista, preso há quase um ano.
"Traz, pelo menos, a discussão de volta. Se ele não pode, nós vamos falar as coisas que ele acredita. Faz um vídeo, um desenho animado, bota a imagem dele, o texto como locutor. Já estão sendo produzidas algumas peças", acrescentou Honésio Ferreira.
Segundo o presidente da FIV, caberá ao próprio Roberto Jefferson indicar o nome do candidato a vice-presidente na chapa.

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