sábado, 2 de abril de 2022

Desistência de Doria é xeque mate em tucanos pró-Leite


Ao deixar também o PSDB, governador abre crise moral no ninho tucano. Ala adversária comemora e espera lançar Leite
31/03/2022 |
Christina Lemos / R7
Desistência de Doria é cheque mate em tucanos pró-Leite | Foto: Governo de SP / Divulgação / CP

Descrença e comemoração – a decisão do governador de São Paulo, João Doria, de desistir de concorrer à eleição espalhou reações contraditórias no meio tucano. Mas o efeito moral o governador obteve com o gesto mais duro: pretende deixar o partido, conforme declarou a auxiliares e a aliados. Com a atitude, Doria expõe o PSDB à contradição interna: o partido o escolheu em convenção e indica apoio a outro: Eduardo Leite.

Desde a tarde desta quarta-feira, é intenso o movimento de avaliação da decisão do governador e também do “deixa-disso”, como os políticos batizam o esforço para demovê-lo. No entanto, até mesmo os auxiliares mais próximos estão perplexos com a convicção de Doria, que pretende anunciar a guinada política na tarde de hoje.

Entre os apoiadores de Eduardo Leite estão os integrantes das alas comandadas pelo senador Tasso Jereissati (PSDB/CE) e pelo deputado Aécio Neves (PSDB/MG). O gaúcho reúne a maior parte dos tucanos históricos e estaria disposto a abrir a divergência, mesmo tendo perdido a convenção que escolheu o candidato. O gesto de Doria, no entanto, coloca a todos diante do desgaste moral de romper com as regras.

“A construção (da candidatura) vai entrar em campo agora”, declara apoiador de Leite. “Ele vai assumir o natural protagonismo dentro do partido e construir com o centro uma candidatura”, festeja. Para o grupo, a iniciativa de Doria equivale a uma ruptura, já que o governador declara a saída do partido, “após chamar de golpe” o apoio informal a Leite - que vai se licenciar do governo do Rio Grande do Sul. O prazo estabelecido pela legislação eleitoral para a desincompatibilização é 2 de abril.

A reviravolta também afeta diretamente Rodrigo Garcia, vice de Doria e candidato a sua sucessão. Garcia migrou do DEM para o PSDB e esperava assumir a cadeira de governador como forma de turbinar a própria campanha. A frustração deste plano instaura um complicador adicional à cena política paulista e pode ter reflexos favoráveis para os demais concorrentes ao Palácio dos Bandeirantes. Fernando Haddad, do PT, está na dianteira nas pesquisas, e Tarcísio Freitas, candidato de Bolsonaro, aparece com desempenho surpreendente.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Para sempre, Bebel: reclusa, Djenane Machado, atriz, morreu aos 70 anos


Atriz que deu vida a Bebel de A grande família, Djenane Machado criou carreira forte nos anos de 1970

Ricardo Daehn
postado em 30/03/2022 

(crédito: Reproducao)

Dividida entre o mundo das vedetes e explosões de sucesso na televisão dos anos de 1970, a atriz Djenane Machado teve a notícia da morte, aos 70 anos, divulgada ontem (29/03). Ela não teve filhos e tinha por companhia uma cuidadora, numa rotina pacata no Bairro Peixoto (Rio de Janeiro). No currículo, a atriz teve por destaque a participação no seriado A grande família, no qual viveu Bebel, na primeira temporada da atração da Rede Globo. Desde a morte do famoso pai, o produtor de teatro de revista Carlos Machado, em 1992, Djenane estava afastada dos palcos. Ela não teve a causa da morte confirmada.

Filha da figurinista Gisela Machado, a atriz colheu grandes parcerias cômicas, como em O primeiro amor (1972), novela na qual foi afirmada a parceria entre Paulo José e Flávio Migliaccio, que, respectivamente, viveram Shazam e Xerife. Outro ponto alto de Djenane foi ao lado do personagem de Lima Duarte, em Espelho mágico (1977). Um dos marcos nos palco veio em 1974, com Hip hip Rio. O pai, Carlos Machado, por vezes, intercedeu na carreira da filha que, pela vida, teve muitos episódios de altos e baixos gerados por dependência química. Quem tentou ajudá-la foi a amiga e estrela de cinema Odete Lara. O cinema trouxe relativa estabilidade, quando ela despontou em A penúltima donzela (1969), comédia feita ao lado de Adriana Prieto. Outros momentos de brilho vieram com Já não se faz amor como antigamente (1976) e dois títulos sob direção dos artistas renomados Paulo Thiago (Águia na cabeça, 1984) e Ruy Guerra (Ópera do malandro, adaptada em 1985). No filme ela viveu a prostituta Shirley Paquete.

Até o último sucesso na Rede Globo, com Ciranda de pedra (1981), baseada em texto de Lygia Fagundes Telles, e estrelada por Eva Wilma, Djenane seguia lembrada pela personagem, criada em 1973, Bebel, que, futuramente, seria encarnada por Guta Stresser. Curiosamente, para justificar a troca de atriz do papel (foi substituída por Maria Cristina Nunes), o seriado em torno do subúrbio nacional colocou o personagem de Agostinho (o marido) acreditando, firmemente, na versão de que a mulher teria feito uma plástica.

No terreno das novelas, Djenane coletou sucessos com Véu de noiva (1969), sob direção de Daniel Filho, ao lado da estrela do folhetim de Janete Clair, Regina Duarte. Djenane esteve presente na novela de estreia de Dias Gomes, A ponte dos suspiros, em que viveu a personagem Branca, na trama estrelada por Carlos Alberto. Com o mesmo ator, que dividiu o sucesso em Passo dos ventos (1968), obra de Janete Clair, Djenane estaria, ao lado de Renée de Vielmond, na novela Novo amor (1986), da extinta Rede Manchete. Na mesma emissora, a atriz deu fim à carreira na novela Tudo ou nada (1986), junto com Eizângela e Othon Bastos.

Antes de participar de Assim na Terra como no céu, atração da Rede Globo assinada por Dias Gomes, em 1970, Djenane acompanhou a relação de amor dos personagens de Glória Menezes e Tarcísio Meira, na dramática Rosa rebelde (1969), em que deu vida à Conchita. Entre os pontos altos de Djenane Machado estão a novela das dez O cafona (1971) e ainda o estrondo de Mário Prata, com a novela das sete Estúpido cupido (1976). Na primeira, de Bráulio Pedroso, Djenane eternizou a hippie Lucinha Esparadrapo, em núcleo que trazia Marco Nanini e Ary Fontoura. Ela dava vida a uma escritora escalada por escrever um roteiro radical para uma atração de cinema nacional. Já na novela estrelada por Françoise Forton, e que ficou marcada pela transição do mundo preto e branco para as produções coloridas da Globo, Djenane era a paixão do tímido Caniço (João Carlos Barroso). A personagem Glorinha era filha do delegado (Mauro Mendonça), e escrevia um diário, mantido em segredo.

quinta-feira, 31 de março de 2022

A cruel história da menina que não pôde ser resgatada


Por: Thobias Furtado
Postado em: março 17, 2022


Em 1985, na Colômbia, a erupção do vulcão Nevado del Ruiz causou uma grande tragédia, enterrando na lama uma pequena localidade de Armero, de 50 mil habitantes, localizada aproximadamente quatro horas da capital do país Bogotá.

As consequências desse grande desastre foram enormes e estima-se que mais de 25 mil pessoas morreram na tragédia. No entanto, a nível mundial, uma história marcou aquele acontecimento: uma menina de 13 anos foi, quase, completamente soterrada pelos rejeitos da erupção, deixando de fora apenas a cabeça e os braços. O fotógrafo francês, Frank Fournier foi responsável pela fotografia da menina que correu o mundo.
A cruel história da menina que não pôde ser resgatada, veja suas últimas palavras 9

A mais marcante vítima desta tragédia foi a menina Omayra Sánchez, que vivia naquela localidade junto com seus pais e uma tia. No meio da madrugada, a família foi surpreendida por toda aquela lama e os dejetos invadiram sua casa, o pai e a tia não resistiram e faleceram na hora. A menina acabou encontrando uma fenda onde ela pode respirar, sendo encontrada horas depois por uma equipe voluntária de resgate. Quando eles chegaram ela estava apenas com o nariz de fora, mas os voluntários conseguiram libertar a pequena da cintura para cima.

Porém a agonia de Omayra estava apenas começando e a equipe constatou que não era possível resgatar ela dali, pois uma quantidade grande de concreto havia esmagado suas duas pernas. A equipe de salvamento também descartou a possibilidade de uma amputação já que ela estava muito debilitada e não iria resistir ao procedimento.A cruel história da menina que não pôde ser resgatada, veja suas últimas palavras 10

As equipes de jornalismo ficaram sabendo do que estava acontecendo e rapidamente foram até o local, onde registraram as quase 60 horas de agonia da menina Omayra, que aparentemente estava calma e esperançosa em ser resgatada. Depois de 3 dias de sofrimento, a menina começou a pedir doces e refrigerante, parecendo que estava se despedindo de sua vida.

As últimas palavras de menina foram: uma despedida da mãe e um sussurro de adeus. A morte de Omayra comoveu o mundo todo e até hoje é recordada em vários eventos, como a tragédia recente em Petrópolis. As causas da morte dela foram em decorrência de gangrena, hipotermia e um colapso pulmonar. A menina morreu 3 horas após ter sido fotografada.

Em Alta

A República Não Tem Amigos: quando a proximidade entre autoridades e poder local ameaça a impessoalidade do Estado

by Deise Brandao Vivemos uma época em que se tornou comum chamar de “aproximação com a comunidade” aquilo que muitas vezes representa a diss...

Mais Lidas