sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Por que a Ucrânia abriu mão de 3º maior arsenal atômico após o fim da URSS?

 Talita Marchao

24/02/2022 

Criança brinca em parque diante de prédios atingidos por ataque em KievREUTERS/Umit Bektas

Área residencial nos arredores de Kiev atingida durante ataque russoREUTERS/Umit Bektas

A Rússia iniciou ofensiva contra a Ucrânia nesta quinta-feira (24)REUTERS

A Ucrânia era parte da extinta União Soviética até declarar independência em agosto de 1991. Como um novo Estado, Kiev transformou-se num país com o 3º maior arsenal atômico do mundo, embora não tivesse o controle operacional das armas nucleares. Um acordo chamado Memorando de Budapeste assegurou a devolução das ogivas nucleares para a Rússia.

Quando a URSS foi dissolvida, havia armas nucleares espalhadas nas ex-repúblicas soviéticas. Garantir que o número de Estados com armas nucleares não aumentasse significava que, na prática, apenas a Rússia manteria e controlaria as armas nucleares soviéticas. Foi com este objetivo que EUA, Rússia e Reino Unido trabalharam para desnuclearizar a Ucrânia.




A Ucrânia era parte estratégica da URSS –era a segunda mais populosa das 15 repúblicas soviéticas. Ela concentrava grande parte da produção agrícola, industrial e dos aparatos militares da região, incluindo a Frota do Mar Negro e parte do arsenal nuclear soviético.

Kiev abriu mão de suas ogivas nucleares com garantias de que a Ucrânia não seria atacada e suas fronteiras seriam respeitadas. Este acordo é o chamado Memorando de Budapeste, que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tentou invocar para evitar uma invasão russa –que ocorreu na quinta-feira (24).

Com o documento, outras ex-repúblicas soviéticas como Belarus e o Cazaquistão também devolveram as ogivas nucleares. As mesmas obrigações de respeito às fronteiras valem para os territórios dos dois países.

O Memorando de Budapeste marcou a adesão da Ucrânia ao Tratado de Não-proliferação de Armas Nucleares. Ao assinar este documento com a Ucrânia, o Reino Unido, Estados Unidos e a Rússia declararam suas obrigações de respeitar a independência, a soberania e integridade territorial ucraniana. A França e a China forneceram garantias semelhantes em cartas separadas, segundo a Ucrânia.

No Memorando de Budapeste de 1994, os Estados Unidos, a Rússia e o Reino Unido se comprometeram ainda a “abster-se da ameaça ou do uso da força” contra o país.

Ucranianos tentam deixar o país após ataques da Rússia

REUTERS/Bryan Woolston


“Essas garantias desempenharam um papel fundamental para persuadir o governo ucraniano em Kiev a desistir do que equivalia ao terceiro maior arsenal nuclear do mundo, composto por cerca de 1.900 ogivas nucleares estratégicas”, explica o ex-embaixador dos EUA na Ucrânia, Steven Pifer, em artigo publicado em 2019 no think thank Brookings.

Antes de concordar em desistir desse arsenal nuclear, Kiev conseguiu ainda uma compensação financeira pelo valor do urânio altamente enriquecido nas ogivas nucleares, que poderia ser misturado para uso como combustível para reatores nucleares --a Rússia concordou em fornecer isso.

“O que nós temos hoje é claramente uma situação que era originalmente uma tentativa de colocar a Ucrânia sob o controle russo, que extrapolou para uma campanha [militar] muito mais ampla", explicou o ex-embaixador do Brasil em Kiev, Renato Marques, em entrevista ao BandNews TV.

Jamil Chade: Brasil ainda avalia se irá condenar invasão à Ucrânia

"Ao mesmo tempo, há uma espécie de amnésia coletiva relacionada ao memorando de Budapeste, quando a Ucrânia devolveu os mísseis nucleares que tinha da época soviética e EUA, Rússia e Reino Unido se comprometeram a preservar a integridade territorial da Ucrânia e manter a paz”, explicou o diplomata brasileiro.

Kiev já tinha invocado o cumprimento do Memorando de Budapeste em 2014, quando protestos derrubaram o presidente ucraniano aliado de Moscou Viktor Yanukovych. Rapidamente, a Rússia invadiu e anexou a Crimeia, região da Ucrânia onde fica a base naval russa de Sevastopol e a Frota do Mar Negro.

Na ocasião, o Kremlin também fomentou as rebeliões separatistas de grupos pró-Russia em parte da região de Donbas (Donetsk e Luhansk), na fronteira entre Rússia e Ucrânia –conflito que já matou quase 15 mil pessoas. Este já é o conflito mais sangrento desde as guerras dos Balcãs, nos anos 1990.

Assim como a Crimeia, Luhansk e Donetsk são duas regiões ucranianas cuja maioria da população é etnicamente russa –em algumas áreas, o russo é o idioma predominante. Além disso, a intervenção da Rússia na Ucrânia em 2014 provou ser imensamente popular entre a população, elevando os índices de aprovação de Putin acima de 80%.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Rússia ataca a Ucrânia; explosões são ouvidas em várias cidades

Biden, União Europeia e países aliados reagem; Departamento de Defesa dos EUA rastreia incursão de tropas da Belarus por território ucraniano
Explosão é vista na capital ucraniana de Kiev nesta quinta-feira, 24 de fevereiroGabinete do Presidente da Ucrânia


São Paulo
24/02/2022 às 03:11 | Atualizado 24/02/2022 às 07:08
Após dias de escalada de tensão e ameaças, a Rússia de Vladimir Putin atacou a Ucrânia nas primeiras horas desta quinta-feira (24) – acompanhe a repercussão ao vivo na CNN.

Pouco depois de Putin ter autorizado, em pronunciamento pela TV, uma operação militar nas regiões separatistas do leste da Ucrânia, explosões e sirenes foram ouvidas em várias cidades do país, segundo relatos de repórteres da CNN. A Ucrânia informou que pelo menos 50 pessoas morreram.

Em seu pronunciamento, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou que impôs a lei marcial no país e pediu que a população permaneça calma.

“Caros cidadãos ucranianos, esta manhã o presidente Putin anunciou uma operação militar especial em Donbas. A Rússia realizou ataques contra nossa infraestrutura militar e nossos guardas de fronteira. Ouviram-se explosões em muitas cidades da Ucrânia. Estamos introduzindo a lei marcial em todo o território do nosso país”, declarou.

O ministro ucraninano de Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, afirmou que Putin ordenou invasão de larga escala. “Cidades pacíficas da Ucrânia estão sob ataque. Esta é uma guerra de agressão”, escreveu.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia descreveu a ação militar da Rússia como um “ato de guerra”, em um comunicado publicado nas redes sociais.

A reação da comunidade internacional foi imediata. Em declaração divulgada pela Casa Branca na madrugada desta quinta, o presidente americano Joe Biden disse que a “Rússia sozinha é responsável pela morte e destruição que esse ataque trará”.

“Me reunirei (nesta quinta) com os líderes do G7, e os Estados Unidos e nossos aliados e parceiros imporão severas sanções à Rússia”, afirmou Biden logo após falar ao telefone com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

A União Europeia também criticou os ataques. Segundo a chefe da Comissão Executiva do bloco, Ursula von der Leyen, a União Europeia responsabilizará Moscou pelo ataque “injustificado” à Ucrânia.

Em pronunciamento na manhã desta quinta, von der Leyen prometeu “sanções massivas e estratégicas” contra a Rússia.

Ursula von der Leyen em pronunciamento nesta quinta-feira (24) / Reprodução/Twitter

“Nestas horas sombrias, nossos pensamentos estão com a Ucrânia e as mulheres, homens e crianças inocentes que enfrentam esse ataque não provocado e temem por suas vidas”, disse von der Leyen no Twitter.

Os líderes da UE devem realizar uma cúpula de emergência em Bruxelas nesta quinta-feira, depois que uma primeira rodada de sanções da UE à Rússia entrou em vigor na quarta-feira (23). Embaixadores da Otan também marcaram uma reunião de emergência para esta quinta.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que “o Reino Unido e nossos aliados responderão de forma decisiva”. Já o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, disse nesta quinta que a situação na Ucrânia é “tensa” e que trabalhará com os países do G7 sobre o assunto.

Emmanuel Macron, presidente francês, disse que a França “condena fortemente a decisão da Rússia de iniciar guerra com a Ucrânia”. “A Rússia deve encerrar suas operações militares imediatamente”, escreveu Macron nas redes sociais.

A China manteve a cautela. O embaixador da China nas Nações Unidas, Zhang Jun, pediu a todas as partes envolvidas na crise Ucrânia-Rússia que “mantenham a cabeça fria e racional”.

“É especialmente importante no momento evitar o aumento das tensões”, disse Zhang em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU na noite de quarta-feira. “Todas as partes envolvidas devem exercer moderação e evitar uma maior escalada de tensões”, disse ele, acrescentando que a China acredita que a “porta para uma solução pacífica para a questão da Ucrânia não está totalmente fechada”.

A Embaixada da China na Ucrânia pediu que os cidadãos chineses fiquem dentro de casa e coloquem bandeiras chinesas em seus carros “por segurança”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que pare de “atacar a Ucrânia” e dê uma chance à paz.

Em meio às explosões relatadas pelos repórteres da CNN, militares russos negavam que as cidades ucranianas estavam sendo alvo de ataques. “As Forças Armadas russas não estão lançando mísseis ou ataques de artilharia nas cidades da Ucrânia. Armas de alta precisão destroem a infraestrutura militar: aeródromos militares, aviação, instalações de defesa aérea das Forças Armadas da Ucrânia”, afirma comunicado russo. “A população civil não está em risco.”

Separatistas apoiados pela Rússia também entraram em ação e disseram nesta quinta-feira terem lançado uma ofensiva na cidade de Shchastia, controlada pela Ucrânia, na província de Luhansk.


Um soldado ucraniano caminha por uma trincheira em Svitlodarsk, na Ucrânia, no dia 11 de fevereiroCrédito: Wolfgang Schwan/Anadolu Agency via Getty Images

Duas militares ucranianas fazem uma pausa em um refeitório na trincheira em Pisky, UcrâniaCrédito: Gaelle Girbes/Getty Images

Voluntários paramilitares da Legião Nacional da Geórgia dão instruções a dois meninos (à dir.) sobre técnicas de tiro em Kiev, Ucrânia. A Legião Nacional da Geórgia viu um aumento nos pedidos de adesão e no número de participantes em seus cursos de treinamento no mês passadoCrédito: Chris McGrath/Getty Images

As forças armadas russas e bielorrussas participam do exercício militar "Allied Determination 2022", na Bielorrússia, em 11 de fevereiro de 2022. A segunda fase dos exercícios está prevista para durar até 20 de fevereiroCrédito: BELARUSÂ DEFENSE MINISTRY/Anadolu Agency via Getty Images


Navio de desembarque da Marinha russa cruza o estreito de Bósforo a caminho do Mar Negro, no dia 9 de fevereiro, em Istambul, Turquia. O Ministério da Defesa da Rússia disse que seis grandes navios estão se movendo do Mediterrâneo para o Mar Negro, onde participarão dos exercícios já em andamentoCrédito: Burak Kara/Getty Images




Sistemas de mísseis de defesa aérea S-400 Triumf durante os exercícios militares conjuntos "Allied Determination 2022" realizados por tropas bielorrussas e russasCrédito: Russian Defence Ministry/TASS
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Soldados russos e bielorussos em exercícios militares na fronteiraCrédito: BELARUS DEFENSE MINISTRY/Anadolu Agency via Getty Images

Imagens de satélite mostram militares no aeródromo de Oktyabrskoye e Novoozernoye, na Crimeia, no aeródromo de Zyabrovka perto de Gomel, em Belarus, e em área de treinamento de Kursk, no oeste da RússiaCrédito: Maxar Technologies

Soldados dos EUA chegam à base militar de Mihail Kogalniceanu, na Romênia, em 11 de fevereiroCrédito: Alexandra Stanescu /Anadolu Agency via Getty Images

Equipamento militar do Exército dos EUA, que está sendo transportado da Alemanha para a Romênia, é visto dentro de uma base militar, no dia 10 de fevereiro, na Romênia. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ordenou o envio de 3.000 soldados adicionais para reforçar os contingentes militares de países membros da OTANCrédito: Andreea Campeanu/Getty Images


Veículos militares do Exército dos EUA circulam na área de treinamento militar de Grafenwoehr. O Exército dos EUA está transferindo cerca de 1.000 soldados, incluindo tanques e veículos militares, de sua base em Vilseck, no Alto Palatinado, para a RomêniaCrédito: Armin Weigel/picture alliance via Getty Images


Soldado ucraniano é visto saindo de Svitlodarsk, na Ucrânia, em 11 de fevereiro de 2022Crédito: Wolfgang Schwan/Agência Anadolu/Getty Images


Biden diz a Putin que EUA vão reagir com “consequências severas” se Rússia invadir UcrâniaCrédito: Wolfgang Schwan/Agência Anadolu/Getty Images


Equipamentos militares e soldados do exército dos EUA em base temporária em Mielec, Polônia, em 12 de fevereiro de 2022Crédito: Anadolu Agency/Getty Images

O Departamento de Defesa dos EUA está rastreando a incursão de tropas da Belarus na Ucrânia. Vídeos obtidos pela CNN mostraram tanques russos cruzando a fronteira e entrando na cidade ucraniana de Senkivka.

Nas últimas semanas, a Rússia acumulou um número significativo de tropas, veículos e tanques em Belarus, perto da fronteira com a Ucrânia. Durante esse período, os dois países realizaram exercícios militares conjuntos em todos os países e perto da fronteira Bielorrússia-Ucrânia.

A Rússia suspendeu voos domésticos de e para vários aeroportos perto de sua fronteira com a Ucrânia, segundo a agência federal de aviação Rosaviatsiya.
Bolsas na Ásia caem

Os mercados asiáticos já reagem à ação da Rússia na Ucrânia. O índice Hang Seng de Hong Kong abriu em queda de 3,2%. O Kospi da Coreia caiu 2,7%. O Nikkei 225 do Japão perdeu 2,4% depois de voltar de um feriado. O Shanghai Composite da China caiu 0,9%.

Os futuros de ações dos EUA também caíram. Os futuros da Dow caíram até 780 pontos, ou 2,4%. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq caíram 2,3% e 2,8%, respectivamente.

As perdas amplas seguiram um declínio acentuado em Wall Street na quarta-feira. O Dow fechou mais de 464 pontos, ou 1,4%, registrando seu quinto dia consecutivo de perdas. O S&P 500 e o Nasdaq caíram 1,8% e 2,6%, respectivamente.

(Com informações de Mathias Brotero, enviado especial da CNN a Kiev, da CNN Internacional e da Reuters)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

22/02/2022: último palíndromo da década ocorre nesta terça


Por Redação GMC Online22/02/2022 10h22 -Atualizado em 22/02/2022 10:41

Foto: TNOnloine

22/02/2022. Esta é a data que define o último palíndromo da década do formato adotado no Brasil: dia, mês, ano. Ou seja, quando os algarismos que marcam esta terça-feira, 22, são vistos em um calendário gregoriano, eles podem ser lidos de trás pra frente e de frente para trás da mesma forma: 22022022. As informações são do TN Online.

O último evento deste tipo foi registrado no dia 2 de fevereiro de 2020 (02022020). O próximo só acontece na próxima década, no dia 3 de fevereiro de 2030 (03022030).

Origem

O termo palíndromo vem do grego: palin (de novo, com repetição, em sentido inverso) + dromo (caminho, curso, pista), explica o professor Sérgio Nogueira para o g1. Alguns dicionários, como o Houaiss, consideram que a palavra diz respeito somente a uma “frase ou palavra que se pode ler, indiferentemente, da esquerda para direita ou vice-versa”.

Nesse caso, as seguintes palavras e expressões são exemplos na língua portuguesa: osso, Jesus, SUS, Mussum, Ana, radar, Roma é amor, socorram-me subi no ônibus em Marrocos, entre outras várias.

Para algarismos que podem ser lidos na ordem direta ou inversa, o Houaiss adota outro termo: capicua. Uma curiosidade: o último evento do tipo neste século será num ano bissexto, no dia 29 de fevereiro.

Veja a lista das próximas datas abaixo, todas no mês de fevereiro:

3 de fevereiro de 2030 (03022030)

13 de fevereiro de 2031 (13022031)

23 de fevereiro de 2032 (23022032)

4 de fevereiro de 2040 (04022040)

14 de fevereiro de 2041 (14022041)

24 de fevereiro de 2042 (24022042)

5 de fevereiro de 2050 (05022050)

15 de fevereiro de 2051 (15022051)

25 de fevereiro de 2052 (25022052)

6 de fevereiro de 2060 (06022060)


16 de fevereiro de 2061 (16022061)

26 de fevereiro de 2062 (26022062)

7 de fevereiro de 2070 (07022070)

17 de fevereiro de 2071 (17022071)

27 de fevereiro de 2072 (27022072)

8 de fevereiro de 2080 (08022080)

18 de fevereiro de 2081 (18022081)

28 de fevereiro de 2082 (28022082)

9 de fevereiro de 2090 (09022090)

19 de fevereiro de 2091 (19022091)

29 de fevereiro de 2092 (29022092) – ano bissexto

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