terça-feira, 20 de abril de 2021

Braga Netto: ‘Brasil precisa estar unido contra qualquer tipo de iniciativa de desestabilização institucional que altere o equilíbrio entre os podere

Gazeta Brasil

20 de abril de 2021

Foto: divulgação

Nesta terça-feira (20), o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, afirmou que o Brasil “precisa estar unido contra qualquer iniciativa de desestabilização institucional” e que “é preciso respeitar” o “projeto escolhido pela maioria dos brasileiros” para governar o país.

“O momento requer um maior esforço de união nacional, com foco no combate à pandemia e no apoio à vacinação. Hoje, o país precisa estar unido contra qualquer tipo de iniciativa de desestabilização institucional, que altere o equilíbrio entre os poderes e prejudique a prosperidade do Brasil”, disse o ministro.

A fala do general ocorreu durante solenidade de transmissão do comando do Exército, em Brasília. O general Edson Pujol passou o posto para Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

“Enganam-se aqueles que acreditam estarmos sobre um terreno fértil para iniciativas que possam colocar em risco a liberdade conquistada por nossa nação. É preciso respeitar o rito democrático e o projeto escolhido pela maioria dos brasileiros para conduzir os destinos do país. A sociedade, atenta a essas ações, tenha a certeza que suas forças armadas estão prontas a servir aos interesses nacionais”, continuou o general.

“Neste período de intensa comoção e incertezas, que colocam à prova a maturidade e a independência das instituições democráticas brasileiras, o Exército, a Marinha e Força Aérea mantêm o foco em suas missões constitucionais, permanecendo sempre atentas à conjuntura nacional”, concluiu o ministro”, finalizou.


Não é CPI, nem pizza. É outra coisa... by Percival Puggina


Fotomontagem reprodução: Omar Aziz, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues

Ao longo de minha vida acompanhei o trabalho de inúmeras CPIs. Onde havia cobertura jornalística, havia teatro, gritaria, disputa por protagonismo e holofotes. Os exemplos de trabalho produtivo são raros. Estes, que me lembre, não tinham objetivos que afetassem os hormônios da política. Atinham-se a questões de interesse do setor privado.
Haverá, agora, uma CPI de grande motivação política e, supostamente ao menos, de impacto eleitoral. Haverá mais jornalistas do que senadores. Ela é, na prática, uma criação da mídia militante. Há mais de ano essa mídia atribui ao governo cada morte de brasileiro acometido pela covid-19. Em sua estreita perspectiva, o grande vilão é o governo federal. Não é o vírus e não são as comorbidades. É o governo. Seu alvo é o presidente.

Trata-se de um sarcasmo fúnebre, sem paralelo, até agora, nas democracias ocidentais. Contudo, é uma acusação insistente e continuada, obediente às regras do nazista Goebbels, o repetitivo propagandaminister, colhendo os resultados previstos. Mesmo países com mais óbitos devidos à covid-19 por milhão de habitantes reproduzem em seus noticiários essa imagem danosa do nosso país. Todos estão mal, mas o Brasil é o problema...

As dificuldades para lidar com o vírus são globais. Cientistas continuam aprendendo sobre ele e suas mutações. Em toda parte, os surtos da pandemia se sucedem após rápidos recuos. Há países que já estão se havendo com a quarta onda. Tratamentos precoces, isolamentos (ou lockdowns) são adotados por uns e desaconselhados por outros. Idem em relação a certas vacinas que, depois de aplicadas, ora têm as bulas alteradas para apontar novas contraindicações, ora são aceitas ali e rejeitadas acolá. Só não falta vacina nos quatro países que as fabricam em grandes laboratórios. O Brasil é o quinto que mais vacina. A demanda por insumos é mundial e há escassez.

Apesar de tudo e de tanto, genocídio, mesmo, só no vocabulário ardiloso de demagogos brasileiros de tribuna, teclado e microfone. Muitos deles, aliás, defensores de formas de governo e de governantes efetivamente genocidas, que já fizeram mais de cem milhões de vítimas ao longo da história.

É assim que nasce uma CPI e se instala uma crise. Não por que houvesse necessidade dela para resolver problemas concretos, mas por ser considerado politicamente indispensável criá-la. “Por quê?”, perguntará o leitor. Porque após um ano sendo repetida ao modo nazista, sem produzir o efeito desejado, é preciso autenticar essa narrativa que põe a culpa no governo federal. Afinal, não foi essa, também, a finalidade da Comissão da Verdade? Não foi criada entre os perdedores para carimbar sua versão política dos acontecimentos?

Como haverá mais jornalistas do que senadores a cada sessão da comissão, vai ter holofote para todo mundo. Veremos teatro e pastelão, como atos preparatórios do ambicionado golpe. Punto e basta.

CPI é sinônimo de farsa de terceira categoria


A comissão inventada, agora, para 'apurar responsabilidades' na administração da covid-19 promete ser um exagero em matéria de hipocrisia, desonestidade e mentira pura e simples

20 ABR 2021 - 08:00
A única coisa que realmente deveria ser apurada: a roubalheira desesperada à qual Estados e municípios
A única coisa que realmente deveria ser apurada: a roubalheira desesperada à qual Estados e municípios | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

(J.R. Guzzo, publicado no jornal Gazeta do Povo em 19 de abril de 2021)

Comissões parlamentares de inquérito, de qualquer nível e para qualquer finalidade, são possivelmente o maior clássico em matéria de fraude que a vida pública brasileira criou nos últimos 500 anos. Ao contrário do boi, nada se aproveita de uma CPI.

Jamais as investigações de deputados e senadores investigam realmente alguma coisa e, com certeza, jamais descobrem o que os seus criadores e participantes prometem descobrir. Na melhor das hipóteses, são pura perda de tempo e desperdício acintoso de dinheiro público. Na pior, e mais frequente, são apenas uma ferramenta para se fazer chantagem. Em qualquer dos casos, CPI é sinônimo de farsa, e farsa de terceira categoria. Um drama de circo teria vergonha de oferecer ao distinto público algo tão ruim.

Mesmo com esse histórico, a CPI inventada, agora, para “apurar responsabilidades” na administração da covid-19 promete ser um exagero em matéria de hipocrisia, desonestidade e mentira pura e simples. Não há absolutamente nada de concreto e objetivo a apurar — salvo, é óbvio, a única coisa que realmente deveria ser apurada: a roubalheira desesperada à qual Estados e municípios se dedicam há mais de um ano, desde que receberam do STF a autonomia total para cuidar da epidemia e, por força da situação de emergência, ganharam o direito de fazer compras sem licitação.

Mas essa investigação, justamente, os parlamentares que agem no submundo do Congresso não querem fazer. Ladroagem e incompetência, só se for federal; a corrupção que de fato existe, a estadual e municipal, tem de continuar protegida.

Nada representa tão bem o espírito da coisa quanto as ameaças feitas por um dos pretendentes mais agitados à presidência da CPI. É uma obra-prima. O homem, representante do Amazonas, afirmou em público — e foi levado altamente a sério por muito jornalista — que o governo federal “não fez nada para evitar a entrada do vírus no Brasil”. Acredite se quiser: foi isso mesmo o que ele disse, e é em cima dessa razão que ele quer processar o governo, certamente por genocídio.

Como assim, “não impediu”? E qual dos 200 países do mundo conseguiu impedir? Estados Unidos? Inglaterra? Austrália? A Europa supercivilizada? A África? O que ele sugere como explicação para os 3 milhões de mortes que a covid-19 causou no mundo até agora?

A estupidez, como se sabe desde sempre na política brasileira, é livre. O curioso é a ligeireza que os colegas do deputado e o resto do “Brasil que pensa” dedicam a surtos como esse — hoje em dia está valendo tudo, decididamente. Para coroar o seu desempenho, o candidato a chefe dessa nova farsa disse que não cederia a “pressões” para incluir os Estados e municípios na CPI. É claro que não: seu Estado, o Amazonas, é um daqueles em que mais se roubou por conta da epidemia.

Manaus descobriu-se de repente sem balões de oxigênio — pela simples razão de que os governos locais, que têm a responsabilidade direta pelo sistema hospitalar público, só foram se lembrar do problema quando as pessoas estavam morrendo por falta de ar. Mas o deputado não aceita “pressões”. CPI, só nos outros.

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