sábado, 4 de fevereiro de 2017

Quem chora por Marisa ?



por Dirceu Pio

A morte de dona Marisa Letícia nos oferece um ótimo momento para reflexão: o poder não produz a eternidade, como muitos imaginam; pode produzir tragédias e fatalidades, como nos demonstra a ascensão e queda da Família Collor de Mello, que isto fique de alerta para os gananciosos…

A morte de Marisa Letícia lembrou-me outra morte feminina, a de dona Leda Collor de Mello, mãe de Fernando, de Pedro, de Leopoldo, de Ana Luiza…Dona Leda morreu em circunstâncias mais tristes, abandonada que fora por 19 meses em vida vegetativa num quarto do Albert Einstein, em São Paulo…

Não viveu para ver a renúncia humilhante de seu filho-presidente, nem a morte de seu outro filho, Pedro, com um tumor maligno na cabeça; não viveu para assistir ao enterro de mais dois filhos,  Ana Luisa, de insuficiência respiratória, e Leopoldo, de câncer… Mesmo abandonada, o destino lhe poupou de muitos outros dissabores, portanto…

Dona Leda não teve tempo de desarmar a bomba que implodiu a permanência do filho no Palácio da Alvorada; como chefe do clã, ela poderia impedir que PC Farias entrasse na posse de um quinhão acionário das empresas de comunicação em Alagoas, o quinhão que pertencia ao Filho Leopoldo Collor…bastaria uma canetada sua para que a armação do filho-presidente fosse desfeita, mas ela adoeceu severamente antes…

Essa história é pouco conhecida mas tem suprema relevância para entender o que de fato se passou. O irmão Fernando disparara na corrida presidencial e Leopoldo achou que poderia ter o sua fatia da dinheirama que entrava para financiar a campanha…Comprou à prazo um apartamento luxuoso de PC Farias, em São Paulo, comprometendo-se com prestações acima de 200 mil reais por mês. Começou a atrasar as prestações, e PC Farias,  certamente instruído pelo irmão-presidente, começou a apertar… sem dinheiro, Leopoldo ofereceu suas ações na empresa da família em pagamento da dívida—era tudo o que  Collor e PC Farias desejavam…

O que os dois  certamente não ponderaram é que Pedro Collor ficaria enfurecido com a ideia de ter um sócio em Alagoas com o perfil de PC Farias, “um desclassificado”, segundo proclamou de megafone em punho.

Fernando não recuou e Pedro recrudesceu…aí vieram as denúncias pesadas contra o irmão, veio o processo do impeatchment, veio a renúncia, o assassinato de PC Farias…A mãe Leda poderia ter evitado tudo, mas…

Dona Leda era altiva, elegante, arrogante…Marisa fez o papel de mulher subserviente e de certo modo conivente com as bandalheiras dos filhos,  do marido e de seu sobrinho,  Taiguara, golpista na África; a história, por certo, não lhe prestará homenagens…muita gente detona Marisa pelas redes sociais e várias outras clamam por respeito à morta… Cá no meu canto, sinceramente, acho que todas as pessoas que querem respeito na vida ou na morte, precisam se dar ao respeito…não choro por Marisa e fiquei penalizado pelo fim silencioso e triste de dona Leda…

Vida que segue…

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Marisa Leticia, mulher de Luiz Inácio (Lula), morre em SP



Marisa Letícia morreu aos 66 anos Foto: Ricardo Stuckert

Morreu na noite desta sexta-feira a ex-primeira dama Marisa Letícia, de 66 anos, mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela estava internada na Unidade de Tratamento Intensivo, do Hospital Sírio-Libanês, desde o dia 24, e seu quadro se agravou nos últimos dias. O protocolo de morte encefálica foi concluído após dois exames confirmarem a perda definitiva e irreversível das funções cerebrais

O velório de Dona Marisa acontece neste sábado pela manhã na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, em São Bernardo do Campo. Em seguida haverá no Cemitério Jardim da Colina uma cerimônia de cremação reservada à família.

Os médicos do Hospital Sírio-Libanês, que haviam retirado os sedativos de dona Marisa na última terça-feira, resolveram voltar a aplicar os medicamentos que deixam a ex-primeira-dama em coma induzido. Na quarta-feira houve uma piora em seu estado de saúde e exames apontaram que ela não tinha mais fluxo cerebral, e a família autorizou a doação de órgãos.

Dona Marisa foi internada no último dia 24 após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico no apartamento onde morava com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campo, no ABC. Ela foi atendida em um hospital da cidade e levada de ambulância até o Sírio, onde chegou consciente.

Mais cedo, o padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, fez o rito de extrema unção da ex-primeira-dama. Lula está no Sírio Libanês, e na manhã desta sexta recebeu a visita de vários amigos. O teólogo Leonardo Boff contou como o ex-presidente enfrenta este momento de dor.

- Ele está muito triste. São 40 anos de casado. É difícil para qualquer um. Mas ele mantém a serenidade. Conversa com as pessoas, mas se emociona. É comovedor ver a resistência dele e o profundo amor que tem por ela.

A ex-presidente Dilma Rousseff fez uma visita a Lula. Discreta, ela deu entrada na unidade pela garagem, sem ser notada pela imprensa. A petista estava em viagem pela Europa e antecipou sua volta ao Brasil para dar apoio à família Lula.





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Em encontro em SP, Lula e Temer acertam retomada de diálogo Ex-presidente disse que é hora de união para ajudar o país, segundo relatos


O Presidente Michel Temer cumprimenta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
 - Beto Barata/Presidência


BRASÍLIA —
A noite de quinta-feira, no Hospital Sírio-Libanês, quando políticos foram prestar condolências ao ex-presidente Lula pela morte de dona Marisa Letícia, não foi só de gestos de solidariedade. Lá se iniciou um novo processo de diálogo entre o líder petista e o presidente Michel Temer.

Depois de contar a Temer e ao grupo que acompanhava a visita sobre os últimos momentos da "galega", como chamava a esposa, Lula, abatido, com olhos vermelhos, quis conversar um pouco sobre o governo do peemedebista. Segundo relatos, o petista fez comentários sobre a política econômica liderada pelo ministro Henrique Meirelles (Fazenda) e emendou: é hora de todos os ex-presidentes se unirem para ajudar o país, inclusive ele.

— Estou pronto e à disposição para esse diálogo — disse Lula a Temer, ressaltando que os ex-presidentes têm muito a contribuir neste momento pela experiência e crises que já atravessaram, segundo relatou um participante da conversa.

Deste encontro, participava o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Horas antes, Lula havia recebido a visita do ex-presidente Fernando Henrique, com quem teve conversa no mesmo sentido, o que quebrou o gelo para a abordagem feita à noite com o atual presidente.

A Temer e aos peemedebistas que acompanharam a visita, em uma sala reservada do hospital, Lula contou que havia considerado um "gesto importante" de Fernando Henrique a iniciativa de abraçá-lo num momento de dor. E, neste momento da conversa, é que propôs a retomada do diálogo. Lembrou que em 2013, quando ele, Fernando Henrique, Sarney, Dilma Rousseff e Fernando Collor de Mello viajaram juntos para a África do Sul para acompanhar o funeral de Nelson Mandela, haviam discutido essa ideia. Observou que, até então, não foi colocada em prática e que este seria o momento ideal.

Apesar das vaias recebidas por Temer na porta do Sírio-Libanês, sua ida foi cuidadosamente planejada. O peemedebista conversou ao telefone com a direção do hospital para fazer saber se não seria inconveniente fazer a visita. Foi então que Lula deu sinal verde para o encontro
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/em-encontro-em-sp-lula-temer-acertam-retomada-de-dialogo-20870449#ixzz4XfRENkrU 
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