sábado, 22 de outubro de 2016

The seven sin



1 - A Gula


Gula é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida.

Segundo tal visão, esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem, uma forma de cobiça. Ela seria controlada pelo uso da virtude da temperança. Do latim gula

2 - A Avareza


É o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano. É considerado o pecado mais tolo por se firmar em possibilidades.

Na concepção cristã, a avareza é considerada um dos sete pecados capitais, pois o avarento prefere os bens materiais ao convívio com Deus. Neste sentido, o pecado da avareza conduz à idolatria, que significa tratar algo, que não é Deus, como se fosse deus.

3 - A Luxúria


A luxúria (do latim luxuriae) é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material. Também pode ser entendido em seu sentido original: “deixar-se dominar pelas paixões”.

Consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes; sexualidade extrema, lascívia e sensualidade. Do latim luxuria

4 - A Ira


A Ira é o intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor que pode ou não gerar sentimento de vingança. É um sentimento mental que conflita o agente causador da ira e o irado.

A ira torna a pessoa furiosa e descontrolada com o desejo de destruir aquilo que provocou sua ira, que é algo que provoca a pessoa. A ira não atenta apenas contra os outros, mas pode voltar-se contra aquele que deixa o ódio plantar sementes em seu coração. Seguindo esta linha de raciocínio, o castigo e a execução do causador pertencem a Deus. Do latim ira

5 - A Inveja
A inveja é considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual.

É o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo.

A inveja é freqüentemente confundida com o pecado capital da Avareza, um desejo por riqueza material, a qual pode ou não pertencer a outros. A inveja na forma de ciúme é proibida nos Dez Mandamentos da Bíblia. Do latim invidia, que quer dizer olhar com malícia.

6 - A Preguiça


A Igreja Católica apresenta a preguiça como um dos sete pecados capitais, caracterizado pela pessoa que vive em estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inatividade acentuada. Aversão ao trabalho, frequentemente associada ao ócio, vadiagem. Do latim prigritia

7 - A Orgulho ou Vaidade

Conhecida como soberba, é associada à orgulho excessivo, arrogância e vaidade.

Em paralelo, segundo o filósofo Santo Tomás de Aquino, a soberba era um pecado tão grandioso que era fora de série, devendo ser tratado em separado do resto e merecendo uma atenção especial. Aquino tratava em separado a questão da vaidade, como sendo também um pecado, mas a Igreja Católica decidiu unir a vaidade à soberba, acreditando que neles havia um mesmo componente de vanglória, devendo ser então estudados e tratados conjuntamente. Do latim superbia, vanitas

domingo, 16 de outubro de 2016

A PEC 241 explicada didaticamente





Crise! O Brasil está em crise. O visível da crise é o desemprego. Mas, o que mais significa “crise”, além do visível? Ou seja, no que consiste a crise?
Trata-se antes de tudo de crise fiscal. Nosso governo gasta mais que arrecada. Cria-se aí a chamada dívida pública. Como a dívida está grande, os que emprestam dinheiro – os bancos – tomam dois tipos de decisão: por temer um calote, uns param de emprestar, causando estagnação do setor público, outros emprestam com juros mais altos, criando aí o aumento da dívida de modo exponencial.
Bem, mas como criamos essa situação? Há a necessidade de lembrar aqui o que ocorreu nos governos Lula e Dilma.
Desde o governo Lula e mais acentuadamente no governo Dilma, os gastos do governo foram se ampliando e o PIB não conseguiu crescer o necessário para compensar. O que se fez para contornar essa situação? O aumento de impostos. No começo, esses aumentos foram suportáveis, mas de uns tempos mais recentes para cá, eles cresceram a ponto de tornarem as atividades produtivas não mais vantajosas. O governo notou isso e diminuiu impostos relativamente, mas continuou gastando demais. Ampliou o desequilíbrio da balança financeira. O terrível disso é que esse aumento de gastos não foi para o que deveria ir, ou seja, os programas sociais, os setores da saúde e da educação e para a infra-estrutura. Caso fosse assim, as coisas não seriam tão ruins, ao menos se se pensar em alguma situação no médio prazo, pois tal medida ampliaria a capacidade produtiva do país. O que ocorreu foi que uma parcela nada pequena do gasto foi injetada no BNDS, e este passou a financiar empresas escolhidas a dedo, e com juros subsidiados.
O resultado dessa situação, que é o que temos agora com o investimento tendo fugido, e que vai continuar ainda por algum tempo, é uma renda menor para cada pessoa no Brasil e, portanto, uma ainda maior queda na arrecadação. Ou seja, isso é a crise. Pode piorar? Sim, e muito. Pois no limite pode ocorrer o necessário calote, com quebradeira de bancos e, então, perda generalizada de dinheiro por muitos e a parada mesmo, de tudo, no país. Claro que algo assim desencadearia uma revolta social e política enorme, e um descaminho completo da democracia e, num horizonte ainda pior, a chance de termos milhares de pessoas nas ruas em estado deplorável. Ambiente de Guerra. Ninguém sadio quer algo assim para o Brasil.
A saída do governo para tal coisa, ao invés da PEC 241, que limita gastos, seria apostar na emissão de dinheiro. No entanto, como já no passado pegamos esse caminho e geramos uma espiral inflacionária terrível. Ou seja: se se emite dinheiro as pessoas ficam momentaneamente com mais dinheiro na mão, querem consumir mais, e com isso jogam os preços para cima. Não cabe agora, após anos de lição aprendida, cometer o mesmo erro. Então, de fato, a PEC 241 é o remédio. Um remédio que, tomado agora, não é tão amargo como alguns menos avisados estão dizendo.
A proposta da PEC 241 é, em essência, bem simples. Trata-se de segurar os gastos do governo. Por qual critério? Este: o que se gasta em um ano, tirando o pagamento dos juros da dívida, não pode ultrapassar a inflação do ano anterior. Assim, o que o governo deverá pagar não deve crescer para além do que ele poderá pagar. Uma tal regra está prevista, na PEC 241, por duas décadas, mas já com um elemento otimista adrede embutido: uma revisão entre a primeira a  segunda década. Há a confiança de que as próprias medidas já mostrarão aos investidores a seriedade do governo e, então, um aumento de credibilidade, necessário para que a economia receba de novo quem queira produzir e financiar produção.
Isso vai prejudicar educação e saúde? Não! E nesse ponto os que estão contra a PEC 241 ou calculam errado ou agem de má intenção. Pois é o montante que está restrito, não o que se vai gastar com saúde ou educação. A PEC 241 permite que se possa deixar de gastar num lugar para se gastar noutro. Fará sentido dessa maneira se falar em “prioridade para educação e saúde”, como todo mundo diz, e não cumpre. Governar finalmente será, então, eleger prioridades, ser responsável e promover transparência. Nesse regime de contenção, ficará mais difícil setores corporativos (empresariais ou políticos) buscarem recursos na surdina. O país todo estará mais vigilante. Quando há um bolo determinado para se dividir pela mãe, todos os filhos ficam atentos sobre para onde vai cada pedaço.
Poderíamos ter feito isso antes, mas não fizemos. Temos de fazer agora. Está-se fazendo. Vai ser feito, pois “o bom senso é a coisa mais bem distribuída entre os homens”, ao menos quando a água gelada bate no traseiro.
Paulo Ghiraldelli Jr., 59, filósofo. São Paulo 

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O SUL NÃO É O MEU PAÍS: BRASÍLIA SABE E ABUSA DISSO



Por Ricardo Bordin, publicado pelo Instituto Liberal
Semana passada, enquanto os brasileiros escolhiam seus prefeitos e vereadores, ocorria, paralelamente, uma votação que já virou lugar-comum na região Sul: um plebiscito propondo a separação dos três estadosmeridionais do restante do país. Mais importante do que repercutir o resultado – 95,74% dos 616.917 votantes optaram pelo “sim” – é debater por que, volta e meia, alguém levanta essa possibilidade que contraria o texto constitucional. Seria preconceito com as demais regiões? Arrogância? Suicídio (especialmente tratando-se do Rio Grande do Sul e suas finanças combalidas por Tarso Genro)? Não creio. A resposta, a meu ver, passa pela excessivamente restrita autonomia de estados e municípios em relação à União Federal, seja no que tange à desarrazoada destinação da riqueza por eles criada, seja no tocante à limitada prerrogativa dos governos locais para instituir leis.
O Brasil adota o princípio federativo, em decorrência do qual não se admite o direito de secessão, isto é, o vínculo entre as entidades componentes da Federação é indissolúvel. Vale observar ainda que, sendo a forma federativa de Estado cláusula pétrea, conforme o art. 60, §4º, da CF/88, não é possível que emenda constitucional institua a possibilidade de secessão.
Por outro lado, como já explicado neste artigo, muito da riqueza gerada pelos cidadãos é endereçada a Brasília, o que provoca as rotineiras romarias de prefeitos e governadores ao Planalto com o pires na mão, implorando por recursos – os famigerados “grupos de pressão” descritos por Hayek, em outra de suas facetas. Alguns chegam a decretar estado de calamidade pública “fake” para fazerem jus a maiores fatias. Pior: dentro deste contexto, e cientes de que o Banco Central é detentor da faculdade de “imprimir dinheiro” do nada, especialmente endividando-se por meio da oferta de títulos (provocando inflação e alta dos juros), muitos administradores locais, confiantes em um futuro resgate financeiro, gastam de forma totalmente irresponsável, e depois correm até o Ministro da Fazenda implorando por socorro.
Além disso, pouquíssimos aspectos de nossas vidas podem ser normatizados pelas administrações municipais e estaduais, uma vez que a competência legislativa para criar leis sobre quase tudo é exclusiva do Congresso Nacional – um grande problema, visto que as pessoas envolvidas nas questões locais seriam as mais indicadas para elaborar os regramentos pertinentes. Para não mencionar que editar leis que devem ser cumpridas de forma homogênea por todo o país é desconsiderar a heterogeneidade de nossa nação.
Tal conjuntura pode ser comparada à seguinte situação hipotética: um grupo de empregados de uma empresa de pequeno porte acredita que os recursos do empreendimento onde laboram deveriam ser alocados de forma totalmente diversa do que costuma fazer seu empregador; eles creem, inclusive, que determinados colegas de trabalho são remunerados com valores acima do valor que geram, e que a falência, portanto, será inevitável no médio prazo. Eles resolvem, então, pedir demissão e abrir o próprio negócio, pois acreditam que, gerindo um estabelecimento do gênero da forma como planejam, os resultados serão bem mais positivos – neste exemplo, pouco importa se eles têm razão.
Todavia, defrontam-se com uma lei qualquer que os impede de desligar-se da empresa. Diante do impasse, não restará muita opção aos empregados senão seguirem tentando cada um obter o maior salário possível junto ao empregador, cada qual a sua forma (por meio de métodos desonestos e antiéticos, se preciso). Ou, caso não se resignem com as circunstâncias, podem tentar obter via judicial a rescisão contratual, como jogadores de futebol costumam proceder em litígios contra seus clubes.
Esse anseio pela rescisão nada mais é do que o sentimento que exorta uma parcela de gaúchos, catarinenses e paranaenses a concordarem com a separação do restante do Brasil. Não é que eles não gostem do empregador e demais colegas: eles apenas acham que podem se sair melhor por conta própria. E convenhamos que tal iniciativa costuma fazer parte do prólogo da história de sucesso de muitos empreendedores que construíram grandes companhias.
De se ressaltar aqui que a amostra é pouco representativa, pois somente dirigem-se às urnas dos separatistas, em larga maioria, aqueles que possuem opinião formada sobre o tema ou endossam a proposta – o que resulta em um percentual de “sim” tão alto. Os adeptos do “não”, bem como aqueles que nunca pararam para refletir sobre o assunto (esses predominam), preferem não perder tempo com uma consulta de caráter extraoficial e seguir seus caminhos normalmente. Se assim não fosse, o escore seria diferente, sem dúvida. Eis o que acontece quando o voto não é obrigatório, prática adotada em diversos países desenvolvidos: manifestam-se somente aqueles interessados no resultado do escrutínio; quem não faz ideia do que está acontecendo ou subestima a relevância do resultado, prefere não emitir julgamento – quadro este bastante salutar, a meu ver.
De qualquer forma, o que motiva estes plebiscitos sui generis tem muito mais a ver, portanto, com a frustração por não poder tomar os próprios rumos do que com qualquer outro fator. Em um país com tanta extensão territorial, é normal que diferenças culturais entre os habitantes das cinco regiões surjam e demandem tratamentos diversos para aspectos idênticos de nossas vidas – esse, aliás, é um dos motivos porque os Estados Unidos da América tiveram tanto êxito em sua trajetória, na medida em que a soberania do povo de cada estado americano é muito maior se comparada com o que ocorre no Brasil.
Será que estados com estatísticas alarmantes de violência não gostariam de estatuir leis penais mais rigorosas? Ou que regiões com muito desemprego não gostariam de elaborar as próprias leis trabalhistas e tributárias (em relação às últimas, 70% dos tributos no Brasil são federais), a fim de combater essa mazela social? Enfim, não seria coerente permitir que as decisões que irão nortear uma determinada parcela da sociedade partam dela mesma?
Olhar com desdém para esta pretensão em nada ajuda na busca por um entendimento entre as partes. Assim como a Europa não conseguiu digerir o Brexit (muito embora os índices da economia da Inglaterra tenham evoluído após o plebiscito), os brasileiros que não residem na região Sul normalmente não compreendem que, em vez de fazer piadas e considerar esta ambição uma insanidade, todos deveriam, unidos, clamar pela chance de andarem com as próprias pernas, sem precisar pedir carimbo toda hora para Brasília.


Tal relação entre União Federal e demais entes federativos assemelha-se em muito com o vínculo que se forma entre governantes e governados no Brasil: pagamos quase metade do valor gerado por nosso trabalho para que o Estado nos devolva na forma de serviços públicos, sendo que a alternativa – reter uma significativa parte deste capital e aplicá-lo sem intermediários – sequer é considerada pela população. Estados e municípios, em um arranjo similar, destinam ao Distrito Federal muito da riqueza produzida, e precisam esperar que esta retorne, eventualmente, na forma dos PACs da vida e demais programas. Claro que alguns “afortunados” receberão uma contrapartida maior que os demais, e não é necessário muito esforço de elucubração para saber quais métodos serão empregados com este propósito.
O Globalismo guarda uma conexão ainda mais estreita com essa nossa cultura de delegar a uma estrutura centralizada a condição de deliberar sobre nossos conflitos locais. Em 2015, uma corte arbitral da União Europeia decidiu que as empresas de todos os países membros deveriam remunerar, como tempo efetivamente trabalhado, o deslocamento para o trabalho dos empregados que não laboram em local fixo. Aqui não cabe argumentar a favor ou contra o teor da diretriz, mas sim o caráter arbitrário e invasivo de uma ordem emitida por burocratas não eleitos e que sequer são conhecidos pelos afetados por suas prescrições. Isso em um continente com costumes de tal sorte díspares que jamais justificariam tal organização administrativa concentrada em meia dúzia de políticos instalados em hotéis cinco estrelas de Bruxelas.
Rasgar este “contrato” nefasto é o que os adeptos do movimento “O sul é o meu país” pretendem, mas acredito que alterar suas cláusulas seja mais do que suficiente para serenar os ânimos dissidentes. A emancipação não é garantia de melhorias, levando em conta o elevado número de municípios que foram criados no Brasil após 1988, e o fato de que a maioria deles sobrevive tão somente do Fundo de Participação dos Municípios. Não podemos, todavia, desconsiderar que centros administrativos menores e mais independentes renderam bons dividendos em muitas experiências mundo afora (a Suíça e seus “cantões” não me deixam mentir). Não importa se um eventual desmembramento seria benéfico ou prejudicial para o povo envolvido no caso em tela; o que interessa é que há uma solução muito mais elementar e menos traumática para todos: rever o pacto federativo, tirando dos corredores dos prédios públicos da capital federal as deliberações sobre o nosso porvir.
O Sul não é o nosso país, mas é a nossa casa, e nela queremos ter mais poder decisório. E chega de viver de mesada: que tal uma experiência administrando nossa própria conta corrente? Mais liberdade, mais responsabilidade. Básico, mas esquecido há tempos. Desde o descobrimento, salvo engano. E eu duvido que os demais brasileiros também não aspirem por viver desta forma. Assim eu intuo, ao menos. E a boa notícia: com um pouco de pressão popular, é possível atingir este objetivo sem lançar mão de revoluções ou inconfidências.
Quem sabe até não sobre um Nobel da Paz para o político que apaziguar os sulistas, hein. Não está nada difícil recebê-lo nas últimas décadas…
Sobre o autor: Atua como Auditor-Fiscal do Trabalho, e no exercício da profissão constatou que, ao contrário do que poderia imaginar o senso comum, os verdadeiros exploradores da população humilde NÃO são os empreendedores. Formado na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) como Profissional do Tráfego Aéreo e Bacharel em Letras Português/Inglês pela UFPR. Também publica artigos em seu site: https://bordinburke.wordpress.com/ 

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