sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Raúl Castro exige fim do bloqueio dos EUA a Cuba sem concessões



Presidente de Cuba fez declarações durante a 3ª Cúpula da Celac, que acontece entre quarta e quinta na Costa Rica

O presidente de Cuba, Raúl Castro, exigiu nesta quarta-feira (28/01) que os Estados Unidos acabem com seu bloqueio econômico à ilha e advertiu que Havana não vai fazer concessão política alguma no processo de normalização de relações com Washington.

"Os EUA admitiram o fracasso de sua política em relação a Cuba" e a decisão de seu presidente, Barack Obama, de normalizar as relações com Havana, é um "triunfo" do povo cubano, assegurou Castro na 3ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada em Costa Rica.

Efe

Fotografia concedida pela Presidência da Costa Rica de Raúl Castro 


"Estas mudanças são o resultado de quase um século e meio de luta do povo cubano", disse Castro, assegurando que "a revolução cubana seguirá sendo fiel a seus princípios". "O bloqueio deve cessar", declarou contundentemente o presidente cubano, ao mesmo tempo em que defendeu "o princípio de não ingerência nos assuntos internos de um país e o direito inalienável de cada povo de escolher seu próprio sistema político".

Em nome desse mesmo princípio, Castro expressou sua solidariedade e apoio à Venezuela e ao governo de Nicolás Maduro e manifestou "uma condenação" à "contínua intervenção externa" que, segundo disse, sofre esse país.

Além de reiterar seu "respaldo à revolução bolivariana" na Venezuela, repudiou "os ataques dos fundos especulativos" contra o governo de Cristina Kirchner na Argentina, cuja reivindicação de soberania sobre as Ilhas Malvinas também respaldou.

O presidente cubano também teve palavras de apoio para o governo de Rafael Correa e seu processo contra a companhia petrolífera Chevron pelos danos causados por essa multinacional à "anatomia ambiental" do Equador.

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Além disso, o governante cubano atacou duramente "o armamentismo" dos Estados Unidos e seus aliados da Otan, a quem acusou de querer levar seus domínios à fronteira com a Rússia, país que defendeu das "injustas" sanções internacionais que é alvo.

Em discurso de aproximadamente uma hora, Castro agradeceu ao presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, sua decisão de convidar Cuba à próxima Cúpula das Américas, feito com o qual constituiu a ante -sala da decisão dos Estados Unidos de normalizar suas relações com Havana.

Nesse processo de normalização de relações, o governante cubano considerou que, além do fim do bloqueio, Cuba deve ser retirada da lista elaborada por Washington de países que patrocinam o terrorismo.

Por fim, Castro denunciou que a América Latina e o Caribe constituem a região do mundo com maior desigualdade social e instou seus parceiros da Celac a superar essa situação, "com segurança social para todos" e "respeito aos direitos humanos".

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Em represália a ataques, Anonymous hackeia site jihadista francês> Grupo hacker lançou campanha na sexta-feira denunciando e derrubando conteúdos de organizações extremistas


Hacker do Anonymous em ação: grupo se junta a esforços internacionais contra o jihadismo - Jean-Philippe Ksiazek / AFP



RIO - Em plena mobilização contra a ação jihadista pelo mundo, hackers ligados ao grupo Anonymous derrubaram um site jihadista. Sediado na França, o ansar-alhaqq.net foi hackeado e agora é redirecionado a um provedor de buscas. Na sexta-feira, o Anonymous havia anunciado formalmente uma campanha na internet contra extremistas.

Um dos vários perfis utilizados por indivíduos ligados ao grupo divulgaram o sucesso da operação.

Entre outras medidas, hackers divulgaram contas em redes sociais ligadas a extremistas. Em esforço conjunto, eles e ciberativistas trabalham para denunciar e derrubar perfis que estimulem conteúdo de violência e ódio. O Anonymous usa a hashtag “#OpCharlieHebdo” (Operação Charlie Hebdo) em represália a grupos jihadistas — em especial a al-Qaeda e o Estado Islâmico, segundo vídeo divulgado por eles na sexta-feira.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/em-represalia-ataques-anonymous-hackeia-site-jihadista-frances-15027274#ixzz3OcO5zh00 
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domingo, 11 de janeiro de 2015

"O mundo imaginário do PT", editorial do Estadão


O discurso da ministra Tereza Campello, na cerimônia de posse como titular do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - cargo que já ocupava no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff -, é um exemplo claro da tendência do Partido dos Trabalhadores (PT), desde que assumiu o poder, de escapar da realidade e viver num mundo imaginário.

Para a ministra, "foi muito mais fácil acabar com a miséria do que acabar com o preconceito contra os pobres". E para que não pairasse dúvida de que não era um pensamento mal formulado, ela explicou que não se trata de uma ideia nova, mas de algo que ela expressa com frequência. "Eu sempre digo uma frase que eu acho que tem que nortear a nossa agenda no próximo período", e aí soltou a bendita frase, para concluir que o desafio prioritário a ser enfrentado pela sua gestão no segundo mandato de Dilma será acabar com o "preconceito contra os pobres".
É, no mínimo, assustador ouvir da pessoa que, desde o primeiro dia de 2011, é a titular do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - era de esperar que quatro anos no cargo a tivessem ajudado a conhecer ao menos um pouco da realidade brasileira -, e que continuará a chefiar a pasta, que já não existe miséria no País e bastaria agora enfrentar o "preconceito contra os pobres". Em que mundo vive alguém que formula um pensamento desse teor? Por quais cidades brasileiras a ministra tem andado?
Por ocasião da campanha eleitoral do ano passado, a candidata à reeleição Dilma Rousseff já havia dito semelhante disparate. Nas linhas gerais do programa de governo que ela apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral, dizia-se que "a tarefa de combater a extrema pobreza (...) foi superada", para daí afirmar que a batalha atual é "assegurar a perenidade da erradicação da miséria e da pobreza". E, diante desse admirável mundo novo, o lema da campanha era que "o fim da miséria é só um começo".
Dizer que acabou a miséria no País é fechar os olhos à realidade. Por uma opção ideológica - que atende muito bem aos interesses marqueteiros do governo e muito mal às necessidades reais do País -, as prioridades do Brasil ficam invertidas. Já não é preciso melhorar as condições materiais; bastaria agora difundir uma campanha contra o preconceito.
Esse discurso - que infelizmente não é apenas retórica, pois vai deformando a ação governamental - é contraditório com o que o próprio PT sempre defendeu. Se houve 500 anos de graves injustiças no País - como eles gostam tanto de afirmar -, serão meros 12 anos que corrigirão os rumos? Quisera que os problemas sociais do País fossem assim tão fáceis de ser resolvidos. Tal raciocínio - que agora repete a ministra - é de uma superficialidade que faz temer as suas consequências, pois quem o formula faz parte do grupo que tem as rédeas do País.
Troca-se a realidade pelo pensamento imaginário. Já não há fome, já não há miséria, já não há pobreza - há apenas o preconceito. Essa opção não é, infelizmente, indolor. É uma bofetada de desprezo em tantos brasileiros e brasileiras que ainda vivem em condições subumanas.
Logicamente, o preconceito - seja de qual espécie for: por raça, cor, sexo, língua, condição social, orientação política, etc. - é prejudicial e deve ser fortemente combatido. Mas trocar a busca do desenvolvimento social e econômico real - que deveria ser a missão da ministra - por um discurso ideologicamente enviesado afronta as necessidades de tantos brasileiros que ainda vivem em situação de pobreza.
Ninguém nega que, nos últimos anos, houve redução significativa da parcela da população que vive em estado de pobreza. Segundo estudo do Banco Mundial, em 1999, 35% dos brasileiros eram pobres. Em 2011, eram 17% da população. Isso, no entanto, nada tem a ver com fechar os olhos à realidade e construir um mundo imaginário. Um governo que faz vista grossa a 17% da população é um governo muito distante das reais necessidades do País - e muito apegado aos seus interesses ideológicos.

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JBS: Poder & Dinheiro inimagináveis.

 

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