terça-feira, 19 de agosto de 2014

PSB escolhe Beto Albuquerque para vice de Marina

Deputado é apontado como um nome orgânico do partido e mantém boa interlocução com Marina Silva; reunião da Executiva será nesta quarta-feira

Talita Fernandes e Marcela Mattos
Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara dos Deputados
O deputado Beto Albuquerque, futuro vice de Marina Silva (Zanone Fraissat/Folhapress)
O comando do PSB decidiu indicar o deputado gaúcho Beto Albuquerque, de 51 anos, para a vice na chapa que será encabeçada pela ex-senadora Marina Silva à Presidência da República. A decisão será oficializada na reunião da Executiva Nacional da sigla, agendada para esta quarta-feira, em Brasília. No encontro, o PSB também formalizará a indicação de Marina como substituta de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na semana passada.

O nome de Beto Albuquerque era apontado como favorito desde as primeiras conversas – ele só não seria escolhido se Renata Campos, viúva do ex-governador, aceitasse o posto. Para a cúpula do PSB, o deputado preenche os principais requisitos para a vaga: era braço-direito de Campos, tem boa relação com a ex-senadora e é apontado como um nome orgânico do partido –  está filiado ao PSB desde 1986.

Renata Campos chegou a ser procurada pelos socialistas, mas recusou a proposta porque quer priorizar sua família neste momento – o filho mais novo, Miguel, tem seis meses.
Albuquerque se aproximou de Marina Silva em outubro do ano passado, quando o quase partido da ex-senadora, a Rede Sustentabilidade, teve o registro negado pela Justiça Eleitoral. O deputado acompanhou as primeiras negociações ao lado de Campos e concordou que a aliança com a ex-senadora daria maior respaldo ao projeto do pernambucano.
Gaúcho de Passo Fundo, Albuquerque está em seu quarto mandato na Câmara e tentaria, neste ano, uma vaga ao Senado. A candidatura, entretanto, não havia decolado até agora – ele aparece em terceiro lugar nas pesquisas –, o que facilitou para que ele abrisse mão da disputa.
Assim como Campos e Marina, Beto Albuquerque orbitou os governos petistas. Na Câmara, foi vice-líder do ex-presidente Lula. À época, Beto era porta-voz de Lula sobre temas espinhosos, como o mensalão e a CPI dos Correios. Também foi o socialista quem anunciou a assinatura da medida provisória que autorizaria o plantio de soja transgênica na safra 2004/2005. À época, ministra do Meio Ambiente Marina Silva foi uma das principais oponentes ao projeto. Agora, uma de suas tarefas será justamente ser mediador de temas sensíveis, como os conflitos entre os ambientalistas "marineiros" e setores ligados ao agronegócio aos quais Campos se aproximou para fazer alianças nos estados. 
No desembarque do governo petista, Beto Albuquerque assumiu a linha de frente do partido dentro e fora do Congresso Nacional, tornando-se um dos principais articuladores da campanha de Eduardo Campos. Na campanha, também assumiu posição mais combativa, principalmente em relação ao PT. Quando representantes do partido chamaram o pernambucano de “tolo” e “playboy mimado”, coube ao parlamentar gaúcho assumir a contraofensiva: anunciou que o partido, até então em posição de independência, passaria a ser oposição no Congresso Nacional.   

QUEM FURAR CERCO AO #EBOLA SERÁ BALEADO NA LIBÉRIA E OMS VAI ABASTECER COM COMIDA 1 MILHÃO DE PESSOAS



Para manter cordão sanitário com Serra Leoa, soldados recebem ordens para atingir nas pernas os imigrantes ilegais

MONRÓVIA - As Forças Armadas da Libéria receberam ordem para atirar em quem tentar furar o cordão sanitário criado há cinco dias para tentar conter o vírus Ebola. A informação foi dada pelo jornal Daily Observer. O medo do surto ainda fez Camarões anunciar o fechamento da fronteira com a Nigéria. O mesmo será feito nesta terça pelo Quênia em relação à Guiné.

A ordem de atirar em quem tentar furar a barreira sanitária foi dada para os soldados nos Condados de Bomi e Grand Cape Mount, na fronteira noroeste do país com Serra Leoa. Segundo o jornal, a ordem de atirar em quem tentar atravessar a fronteira ilegalmente foi dada pelo subchefe do Estado-Maior, o coronel Eric W. Dennis, atendendo a determinações da presidente, Ellen Johnson-Sirleaf.

O diretor do Escritório de Imigração e Naturalização, o coronel Samuel Mulbah, informou que foram registradas entradas ilegais na área de Bo Watersidade. À noite, “alguns indivíduos sem escrúpulos” estariam aproveitando para oferecer a travessia da fronteira em canoas caseiras.

Mulbah destacou nos informes oficiais, segundo o Daily Observer, que “não sabemos o estado de saúde das pessoas que utilizam essas embarcações”. Até agora, o surto já matou 1.145 pessoas, a maioria na região da tríplice fronteira entre Libéria, Serra Leoa e Guiné. 

Em uma ordem militar direta, Dennis ordenou aos soldados na área que não hesitem em atirar nas pernas de qualquer indivíduo que entre de forma ilegal na Libéria, vindo de Serra Leoa. “Dessa forma, ao ser atingido, ele se dará conta de que está violando a lei de outro país”, ressaltou o subchefe.

Medo. O receio em relação ao avanço do vírus cresce a cada dia. Apesar de a Organização Mundial de Saúde (OMS) reenviar um informe oficial aos países que não registraram casos da doença até agora, solicitando que mantenham o livre trânsito de pessoas, alimentos e comércio em geral, Camarões anunciou nesta segunda o fechamento da fronteira com a Nigéria - país que confirmou dez infecções na última semana. 

“Nossa lógica é de que é preferível prevenir a curar”, disse o ministro camaronês da Comunicação, Issa Chiroma Bakary. Segundo a rádio estatal CRTV, houve forte pressão dos governos regionais na decisão - são 250 quilômetros de fronteira com a Nigéria. Outra justificativa, envolvendo esse grande território, é de que a OMS já admitiu a necessidade de controlar o trânsito de pessoas doentes. 

A partir desta terça, o Quênia também fechará as fronteiras com a Guiné. A alegação é de que a medida é “temporária”. Não há, por enquanto, nenhuma restrição em relação à Nigéria.

Cúpula. Já Burkina Faso, que também não registrou nenhum caso de Ebola até agora, suspendeu o Encontro de Cúpula da União Africana sobre Pobreza, previsto para setembro, por causa do “desafio” da doença. 

Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anuncia que terá de abastecer com comida 1 milhão de pessoas mantidas em zonas de quarentena nos países africanos afetados pelo vírus do Ebola. Dados divulgados nesta terça-feira, 19, em Genebra apontam que os números de mortos e pessoas afetadas continuam aumentando e, para a OMS, o estabelecimento dessas zonas de quarentena são "fundamentais". 

"É importante conter a doença. Se isso acontecer, ganhamos a guerra", declarou a porta-voz da entidade, Fadela Chaib. Ela admite, porém, que a ONU jamais foi obrigada a alimentar 1 milhão de pessoas por conta de um surto de doença.

Pelo menos quatro áreas foram isoladas na Serra Leoa, na Libéria e na Guiné. No caso liberiano, as Forças Armadas foram instruídas a atirar em quem tentar escapar. Cordões sanitários foram estabelecidos em Guéckédou, na Guiné, Kenema e Kailahun, na Serra Leoa, e Foya, na Libéria.

A OMS insiste em defender a medida e garante que a restrição não é uma contradição em relação ao fato de que não recomenda que viagens sejam banidas para esses países. Mas insiste que as pessoas mantidas nessas regiões precisam ser alimentadas e o abastecimento de água deve ser garantido.

Segundo a OMS, as mortes por Ebola na África Ocidental subiram para 1.229. O número representa mais de 50% do total de casos detectados. Ao todo, 2.240 pessoas foram infectadas na Guiné, na Libéria, na Nigéria e na Serra Leoa. Os números incluem 84 mortes entre 113 novos casos reportados entre 14 e 16 de agosto.

Imagens: 
1) Liberiano observa o corpo de um homem suspeito de ter morrido por causa do Ebola

2) Forças Armadas da Libéria receberam ordem para atirar em quem tentar furar o cordão sanitário

Fonte: Estadão

Roger Abdelmassih, estuprador de 56 mulheres, é preso no Paraguai

Condenado a 178 anos de prisão e foragido desde 2011, médico foi preso em Assunção, no Paraguai. Ele era um dos 160 brasileiros na lista da Interpol

Laryssa Borges e Gabriel Castro, de Brasília




Roger Abdelmassih é preso no Paraguai - Divulgação/Secretaria Nacional De Antidrogas do Paraguai/VEJA

O médico Roger Abdelmassih, de 70 anos, um dos fugitivos mais procurados do país, foi preso na tarde desta terça-feira na cidade de Assunção, capital do Paraguai. Segundo o Ministério da Justiça, o médico foi detido em uma operação conjunta da Polícia Federal e a Secretaria Nacional Antidrogras paraguaia.

Abdelmassih será deportado imediatamente pelas autoridades paraguaias por estar na lista da Interpol. Ele chegará às 17h na cidade fronteiriça de Foz do Iguaçu (PR) e, provavelmente, será transferido para São Paulo.

Foragido da Justiça desde 2011, o médico foi condenado a 278 anos de prisão – foram 52 estupros e 4 tentativas contra 39 mulheres, pacientes de sua clínica especializada em reprodução assistida. De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), os crimes foram cometidos entre 1995 e 2008, nas dependências da clínica, localizada em um bairro nobre da capital paulista.

Abdelmassih chegou a ficar preso por quatro meses em 2009, mas foi solto por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). O então presidente da corte, ministro Gilmar Mendes, havia concedido habeas corpus em favor do médico por considerar que não havia risco à ordem pública. Na avaliação do magistrado, como o registro profissional de Abdelmassih havia sido cassado, não haveria a possibilidade de reiteração dos abusos sobre as pacientes e não seria necessário manter o profissional preso. “A prisão preventiva releva, na verdade, mero intento de antecipação de pena, repudiado em nosso ordenamento jurídico”, disse Mendes na ocasião.

Em 2011, porém, a 2ª Turma do STF reformulou a decisão e cassou a liminar que permitia ao médico responder aos processos em liberdade. Na época, Roger Abdelmassih já era considerado foragido.

O caso – Na decisão de 194 páginas que o condenou, a juíza Kenarik Felippe, da da 16.ª Vara Criminal de São Paulo, narra em detalhes o ocorrido com cada uma das 39 vítimas do médico. Ao longo do processo judicial foram colhidos os depoimentos de 250 testemunhas vindas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná , Rio Grande do Norte, Piauí e Rio de Janeiro. O processo tem 37 volumes e 10.000 páginas.

As vítimas de Abdelmassih relataram à Justiça agressões sofridas na sala de consulta e de recuperação da clínica, especialmente após a coleta de óvulos, procedimento inicial para a reprodução assistida. Em muitos casos, as mulheres estavam saindo da sedação quando se viam envoltas pelo médico, que as beijava a boca, o pescoço e os seios, avançando, em mais de 50 casos, para relações sexuais forçadas.

As mulheres contaram ter escondido os episódios em um primeiro momento até mesmo de seus maridos, por vergonha ou medo que eles resolvessem fazer justiça com as próprias mãos. Elas se disseram intimidadas pela fama e o prestígio do médico. Muitas só decidiram denunciar os abusos após os primeiros casos serem divulgados pela imprensa.

A investigação contra Abdelmassih começou em maio de 2008 e veio a público em janeiro de 2009, provocando uma onda de novas denúncias de mulheres contra o médico. De agosto a dezembro do ano passado, ele ficou preso preventivamente, mas foi solto por decisão do Supremo.

A clínica do médico era a mais conceituada em reprodução assistida do país. Abdelmassih foi o responsável pela inseminação artificial de filhos de famosos como Pelé, Tom Cavalcante, Gugu Liberato e Carlos Alberto de Nóbrega.

Leia também: Associação de vítimas caça Roger Abdelmassih pelo mundo
Como Roger Abdelmassih financia há três anos sua fuga da polícia








Em Alta

Os números do PT

by Deise Brandão Existe a narrativa de que o PT é um partido gigante, mas, quando se observam os números institucionais, o cenário é mais m...

Mais Lidas