quinta-feira, 31 de julho de 2014

Saiba como é a vida na Faixa de Gaza

31/07/2014 15h49 - Atualizado em 31/07/2014 16h27

Região é uma das áreas mais densamente povoadas do mundo.

Com praia e vasta área de favela, 70% de Gaza depende de ajuda externa.

Do G1, em São Paulo

mapa a vida em gaza (Foto: Arte/G1)
Uma das regiões mais densamente povoadas do mundo, com 1,7 milhões de pessoas vivendo em um território de 360km² -- um pouco menor que a Ilha de Santa Catarina --, a Faixa de Gaza é palco de mais uma guerra com Israel. Desde 8 de julho, uma ofensiva israelense, que objetiva fechar túneis ilegais e impedir que o grupo islâmico Hamas lance foguetes, matou mais de mil pessoas - a maioria do lado palestino.
Tomada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e entregue aos palestinos em 2005, a região vive há sete anos sob bloqueio de bens e serviços imposto por seus vizinhos de fronteira. O cerco começou após a vitória do Hamas nas eleições palestinas de 2007 e tenta impedir que o movimento se arme e ameace a existência do Estado de Israel.
Desde a tomada do poder pelo Hamas, Israel controla a passagem por terra no norte e leste, e pelo mar a oeste, bloqueando também as viagens aéreas. O Egito completa o cerco com um controle pesado das fronteiras com a Faixa de Gaza no sul.
Saiba como é a vida na pequena e turbulenta Faixa de Gaza:
Moradia
Cidade de Gaza, no norte da Faixa de Gaza, em 28 de julho de 2014 (Foto: Adel Hana/AP)Cidade de Gaza, no norte da Faixa de Gaza, em 28 de julho de 2014 (Foto: Adel Hana/AP)
Devido ao bloqueio israelense, o setor de construção sofre para se manter em Gaza. Segundo a organização internacional Human Rights Watch, Israel liberou em 2013 menos da metade da quantidade de bens que entraram em Gaza em 2006, época pré-bloqueio. Segundo a ONU, mais de 12 mil pessoas estavam desabrigadas em 2013 devido à impossibilidade de reconstruir suas casas.
Em junho de 2010, Israel relaxou parcialmente o cerco em resposta à pressão internacional, permitindo a entrada de mais bens, mas continuou a banir cimento e ferro - ambos usados para reconstruir casas após a ofensiva de 2008/2009. Israel argumenta que tais materiais, exceto para projetos financiados por ajuda internacional, podem ser usados para a construção de bunkers e armas.
 
Trânsito e fronteiras
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Ajuda médica é levada para Gaza pela passagem de Rafah, no Sinai, no dia 25 de julho (Foto: AFP)Ajuda médica é levada para Gaza pela passagem de Rafah, no Sinai, no dia 25 de julho (Foto: AFP)
Israel controla o registro das pessoas que vivem em Gaza e proíbe o livre trânsito, incluindo viagens à Cisjordânia, exceto em alguns casos específicos. Segundo a ONU, menos de 200 pessoas foram autorizadas por dia a sair de Gaza via Israel na primeira metade de 2013 - comparado com 26 mil no início de 2000, antes da Segunda Intifada.
 
Saúde
Pacientes de hospital da Cidade de Gaza, em setembro de 2013 (Foto: Mahmud Hams/AFP)Pacientes de hospital da Cidade de Gaza, em setembro de 2013 (Foto: Mahmud Hams/AFP)
O sistema de saúde de Gaza sofre com o bloqueio, mas também com a falta de cooperação entre a Autoridade Palestina e o Hamas. A média de espera para algum tipo de cirurgia no maior hospital de Gaza, o Al-Shifa, é de mais de um ano, segundo a Organização Mundial da Saúde. Na metade de 2013, 180 pacientes de 1.165 que pediram para viajar por razões médicas perderam suas consultas por não terem recebido resposta a tempo das autoridades israelenses.
Mais da metade das casas estão em situação de risco alimentar. Mais de 80% dos moradores de Gaza dependem de ajuda humanitária. Só um quarto das casas recebem água diariamente. Quase toda a água dos aquíferos da região não é apropriada para beber, segundo a ONU - e os aquíferos são as únicas fontes naturais de água de Gaza.
Economia
A úncia central elétrica da Cidade de Gaza, que fechou em março deste ano por falta de combustível vindo de Israel (Foto: Mohammed Abed/AFP)A úncia central elétrica da Cidade de Gaza, que fechou em março deste ano por falta de combustível vindo de Israel (Foto: Mohammed Abed/AFP)
Um terço das pessoas de Gaza está desempregada, segundo o Banco Mundial. Um quarto dos palestinos vive na pobreza - sendo que as taxas de Gaza são duas vezes mais altas do que as da Cisjordânia. Israel é o principal fornecedor de energia para Gaza, que também compra do Egito e usa uma pequena produção própria em uma usina. O volume das exportações caiu 97% desde o início do bloqueio, de acordo com a organização internacional Oxafam.
Desde então, túneis entre Gaza e o Egito se tornaram meios importantes de transporte de bens na região, incluindo materiais de construção, gasolina e comida. Mas o Egito fechou mais de 1.200 túneis em 2013, temendo que eles estivessem sendo usados para abastecer militarmente combatentes na península do Sinai, e a atual ofensiva de Israel busca destruir os que restam.
Educação e cultura
Palestinas mostram mãos pintadas com hena na Cidade de Gaza, em março de 2014 (Foto: Mohammed Abed/AFP)Palestinas mostram mãos pintadas com hena na Cidade de Gaza, em março de 2014 (Foto: Mohammed Abed/AFP)
Segundo dados do governo palestino, Gaza tem 694 escolas. A taxa de alfabetização é de 96,4% (maior que a do Brasil). Ainda segundo dados do governo, até 2011 a região tinha uma emissora de TV, quatro museus, 822 mesquitas (99% dos habitantes são muçulmanos), 14 rádios e 66 centros culturais.

Exército vai monitorar grupos que lideram protestos

De black blocs a sem-teto, órgão vai captar informações sobre movimentos para, caso os militares sejam acionados pelos Estados, atuar com eficiência

Black Blocs montam barricada na Marginal Pinheiros, em São Paulo
Black Blocs montam barricada na Marginal Pinheiros, em São Paulo (Felipe Cotrim/VEJA.com/VEJA)
Cada vez mais acionado para apoiar ações de segurança pública, o Exército criou um órgão para captar informações e monitorar movimentos sociais com potencial para prejudicar o deslocamento e atuação de tropas federais convocadas para conter distúrbios e que atuam na vigilância de áreas pacificadas. A nova 4.ª subchefia do Comando de Operações Terrestres (Coter) receberá dados de todos os órgãos que integram o Sistema de Inteligência do país (Sisbin). Todo o trabalho, de acordo com o Exército, é preventivo e permite que a Força chegue ao local para atuar, munida de dados que permitam ter completo "levantamento de consciência situacional". Nos bastidores, oficiais dizem que não haverá infiltração de agentes militares nos movimentos.
Qualquer movimento, de black blocs a sem-teto, pode ser objeto de acompanhamento pelo Exército, caso seja enquadrado entre os segmentos que podem prejudicar a execução de uma missão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Os métodos de atuação de vários desses movimentos usam táticas similares a guerrilhas urbanas e rurais e há suspeitas de que alguns deles tenham ligação com organizações criminosas das grandes capitais.
A subchefia do Comando de Operações Terrestres será abastecida pelos diversos órgãos de inteligência, como o Centro de Inteligência do Exército (CIE), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Polícia Federal, além dos órgãos de informações dos Estados, entre outros. Até o final do ano passado, este trabalho era realizado por um órgão de assessoramento ligado diretamente ao Comandante do Exército. Com as seguidas e crescentes convocações das Forças Armadas para atuar em áreas urbanas em todo o país, o Exército resolveu criar este órgão que, além de juntar e destacar as informações de inteligência de interesse da operação em curso, reúne dados de guerra eletrônica, defesa cibernética, comunicação social e operações psicológicas.
Hoje, as Forças Armadas patrulham o Complexo da Maré, no Rio, a pedido do governo do Estado. Havia possibilidade de os militares do Exército serem empregados também para conter distúrbios que poderiam ocorrer durante a final da Copa, mas a operação foi abortada graças ao trabalho de inteligência e prisão preventiva dos integrantes dos movimentos.
Prevenção - Para as Forças Armadas, segundo informações obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, não foi surpresa o grande número de manifestações na Copa das Confederações, no ano passado. O que os militares não tinham dimensão era do tamanho do movimento e o quão violento seria.
O Exército defende a necessidade de se prevenir com informações sobre os movimentos. Um dos objetivos é evitar que, caso a Força seja acionada, possa atuar proporcionalmente ao que encontrará, para evitar qualquer tipo de dano colateral contra seus homens. Por exemplo, em caso de ação ante um movimento, o Exército precisa conhecer o seu líder, para isolá-lo, e precisa conhecer o material que está sendo usado com as táticas de atuação.
(Com Estadão Conteúdo)


Serra Leoa decreta estado de emergência por ebola

Epidemia

País registrou 233 mortes pela infecção desde março. Oeste da África enfrenta a pior epidemia da doença desde a descoberta do vírus, em 1976

Equipe do 'Médicos Sem Fronteiras' entregam comida para os pacientes mantidos em uma área de isolamento no centro de tratamento do Ebola, Serra Leoa. O país registra agora o maior número de casos da doença - 454, superando vizinho Guiné, onde o surto teve origem em fevereiro deste ano
Equipe do Médicos Sem Fronteiras entrega comida para os pacientes mantidos em uma área de isolamento do centro de tratamento do Ebola, em Serra Leoa (Tommy Trenchard/Reuters/VEJA)
O presidente de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, decretou nesta quinta-feira estado de emergência diante da epidemia do vírus ebola que atinge o oeste da África. O país registrou, neste ano, 233 mortes pela doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O surto, o maior da história, também afeta Guiné, Libéria e Nigéria. Juntos, os quatro países já notificaram mais de 1.300 infecções e 729 óbitos por ebola desde março.

Em um discurso transmitido pela televisão, Koroma disse ter decretado estado de emergência para permitir que o governo tome "medidas mais firmes contra a epidemia do ebola". O presidente anunciou que colocará em quarentena as áreas afetadas pelo surto, mobilizará forças de segurança para proteger equipes médicas e proibirá reuniões públicas. Além disso, ele pretende lançar uma busca por possíveis infectados em casas localizadas em regiões endêmicas.

Koroma também anunciou ter cancelado sua viagem na próxima semana à cúpula entre África e Estados Unidos em Washington. Por outro lado, indicou que participará de uma cúpula regional na Guiné para analisar a situação da epidemia junto a representantes de outros países africanos. O presidente ainda declarou que ministros e outros representantes governamentais de Serra Leoa não poderão sair do país, exceto para "compromissos absolutamente essenciais". Segundo Koroma, as medidas anunciadas nesta quinta devem ter duração de 60 a 90 dias.

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África — O governo da Libéria, que já registrou 159 mortes por ebola neste ano, também vem anunciando medidas para conter a epidemia. Nesta quarta, as escolas do país foram fechadas e os servidores governamentais foram obrigados a tirar licença para diminuir o risco de contaminação. No domingo, a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, já havia anunciado o fechamento da maior parte das fronteiras terrestres do país.

O Corpo da Paz dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira a retirada de centenas de voluntários da Guiné, Libéria e Serra Leoa devido ao surto. Uma porta-voz do órgão informou que dois voluntários contraíram o vírus após entrar em contato com uma vítima da infecção. Segundo ele, porém, os americanos não apresentam os sintomas da doença e estão em isolamento sob observação médica. "Quando receberem alta para regressar aos Estados Unidos, trabalharemos com eles para que retornem de forma segura".

Doença — Não existe cura ou vacina para o Ebola. A doença é conhecida por ser altamente transmissível e mortal: a taxa de óbitos entre infectados pode chegar a 90%. O vírus foi descoberto em 1976, ano em que houve 431 mortes pela infecção. Desde então, os principais surtos aconteceram em 1995 (254 óbitos), 2000 (224) e 2007 (224), todos na África. 

Entenda o surto de Ebola na África

O que é o Ebola?

O vírus Ebola foi descoberto em 1976 a partir de diagnósticos simultâneos na República Democrática do Congo e no Sudão, na África. Ele provoca uma grave doença conhecida como febre hemorrágica Ebola, que pode afetar seres humanos e primatas, como macacos e chipanzés. O surto de Ebola pode chegar a provocar a morte de 90% das pessoas infectadas. Atualmente, não existe vacina e nem cura para a doença.


Como a doença é transmitida?

O Ebola é transmitido de pessoa para pessoa principalmente a partir do contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas. A transmissão também pode acontecer a partir do contato com ambientes e objetivos contaminados por esses fluidos, como roupas. Segundo a OMS, não há risco de contágio no período de incubação do vírus — ou seja, entre a infecção e os primeiros sintomas. No caso do Ebola, esse tempo pode variar de 2 a 21 dias.

Quais são os sintomas da infecção?

A doença costuma aparecer com quadros de febre, fraqueza e dores musculares, de cabeça e de garganta. Em seguida, surgem sinais como náusea, diarreia, feridas na pele, problemas hepáticos e hemorragia interna e externa. O tempo entre a infecção pelo vírus e o os primeiros sintomas variam de 2 a 21 dias.

Como é o tratamento da doença?

Não existe um tratamento específico para a febre hemorrágica Ebola. Pacientes graves recebem cuidados intensivos, que incluem reidratação oral e intravenosa, e devem ser isolados e receber a visita apenas de profissionais de saúde que seguem todas as medidas de prevenção contra a infecção.

Quem corre maior risco de contrair o vírus?

Segundo a OMS, as pessoas com maior risco de contágio são profissionais de saúde e familiares de pacientes contaminados. A organização considera que as probabilidades de infecção entre turistas que visitam uma área endêmica são baixas.

by Veja

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