domingo, 20 de julho de 2014

A executiva que dita as regras de privacidade do Facebook

VP global fala sobre teste realizado pela rede que alterou conteúdos exibidos na linha do tempo de 689.000 usuários para analisar o comportamente deles

Rafael Sbarai
Erin Egan
Erin Egan, vice-presidente global de privacidade do Facebook: "Trato meu perfil como um diário e guardo lembranças que só eu quero ver" (Divulgação)
Aos 40 anos, a executiva Erin Egan pode se considerar uma das pessoas mais poderosas da internet. Há três anos, a americana é vice-presidente global de privacidade do Facebook, responsável por dar forma final aos termos de uso da rede social, que hoje abriga 1,28 bilhão de pessoas — metade dos usuários de internet do planeta. Na semana passada, Erin visitou pela primeira vez o Brasil. O objetivo era ouvir sugestões e queixas de integrantes de governos, acadêmicos e políticos sobre a mundialmente delicada questão da proteção de dados privados na internet. Em entrevista a VEJA, realizada no QG da rede social, em São Paulo, ela falou pela primeira vez sobre a mais recente controvérsia que bateu às portas da empresa. Trata-se de um teste realizado pelo Facebook que deliberadamente alterou os conteúdos exibidos na linha do tempo de 689.000 usuários de maneira que um grupo só recebesse postagens consideradas positivas e outro, negativas. O objetivo era medir as reações dos usuários — estes, contudo, não foram avisados sobre a "experiência" a que eram submetidos. O teste ocorreu em 2012, mas só foi revelado há poucas semanas, com a publicação de um artigo a respeito na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, assinado por profissionais do Facebook e das universidades da Califórnia e de Cornell. Erin comenta as críticas ao artigo, mas não a natureza da "experiência". "A linguagem que utilizamos (no artigo) não foi adequada", diz. Confira a entrevista a seguir.
O experimento que deliberadamente alterou os conteúdos exibidos ao usuários não apresenta um problema ético? Nós fizemos esse estudo para entender o nosso produto. É importante frisar: não houve nenhuma informação pessoal utilizada na pesquisa, apenas dados agregados. A linguagem que utilizamos no artigo publicado não foi adequada. Havia ali algumas palavras fortes (o termo "manipulação" aparece no texto) e isso pode ter dado margem a algumas discussões. Como resultado, porém, estamos revisando os nossos processos internos para a realização de pesquisas acadêmicas.
De que forma a questão da privacidade é levada em conta a cada vez que o Facebook desenvolve um novo recurso? Pensamos sempre no usuário e em como ele será impactado por uma nova funcionalidade. Durante esse processo, trabalhamos em estreita colaboração com outros setores da companhia para analisar todos os pontos relacionados à privacidade. Um comitê de profissionais de diversas áreas, como engenharia, relações institucionais, jurídica e marketing, se reúne semanalmente para rever os serviços já concebidos e os que estão em desenvolvimento. Além disso, fornecemos treinamentos sobre conceitos de privacidade aos funcionários e introduzimos questões relativas à defesa do consumidor para que todos saibam construir produtos que não firam direitos dos usuários.
Há menos de um ano, o Facebook introduziu uma ferramenta que sugere a marcação de amigos em fotos usando a tecnologia de reconhecimento facial. O recurso foi criticado. O que o Facebook quer com esse recurso? Queremos diminuir as tarefas que o usuário executa na rede. Aos poucos, descobrimos que as pessoas queriam receber mais sugestões de tagueamento, inclusive para mostrar sua importância dentro de um círculo social. Aquelas que não estão confortáveis com a tecnologia podem desabilitar a função no campo de "Configurações da conta".
Outra reclamação de usuários é relativa aos anúncios exibidos na Linha do Tempo. Como manter a publicidade em destaque sem prejudicar a experiência do usuário? Há menos de um mês, lançamos o Ads Preference (Preferência de anúncios, em português). Disponível apenas nos Estados Unidos (ele será lançado no Brasil nos próximos meses), o recurso permite que os usuários compreendam por que um determinado conteúdo patrocinado é exibido em sua timeline: esta pessoa pode ter curtido um publicação similar, por exemplo. Nas peças patrocinadas em destaque, há um ícone no canto superior direito da postagem que permite escolher quais tipos de anúncios podem ser exibidos em sua página. Eu posso, por exemplo, não querer mais ver anúncios sobre produtos esportivos. Todos terão a condição de escolher quais ações serão exibidas.
A rede mantém uma equipe de mais de 200 profissionais dedicados à análise de problemas e tendências. Como vocês lidam com o popular teste A/B, pelo qual são comparados os comportamentos do usuário diante de duas versões de um mesmo recurso? Logo após a ideia ter sido trabalhada entre as equipes internamente, passamos por debates que envolvem convites endereçados a profissionais que não trabalham no Facebook — é o caso de professores, membros da sociedade civil e especialistas em privacidade. Eles testam os produtos e retornam com críticas e sugestões. Isso vale para o ciclo de criação de qualquer ferramenta que o Facebook pretenda lançar.
Facebook, Twitter, Amazon, Apple e Google, entre outros, armazenam uma infinidade de dados pessoais de usuários. Não é hora de discutir como essas informações são processadas, armazenadas e interpretadas? Sim, vale a pena ampliarmos a discussão sobre a importância de um assunto recorrente, o Big Data. Ele pode trazer malefícios, mas também muitos benefícios. Seria possível solucionar alguns problemas do mundo a partir do uso correto dele, por exemplo. A única questão que deve ser analisada é o uso que se faz desses dados.
Como a senhora compartilha seus conteúdos no Facebook? (Risos). Tenho três filhos e amo documentar a história da minha família a partir do Facebook. Em meu perfil, os conteúdos são exibidos apenas aos parentes — e, em algumas oportunidades, compartilho informações que possam ser visualizadas apenas por mim. Trato meu perfil como um diário, um mural de recados e guardo lembranças que só eu quero ver.
Ao abrir os cofres e pagar 19 bilhões de dólares pelo WhatsApp, o Facebook voltou a mais uma questão relativa aos dados dos usuários: qual é a garantia que a rede social não vai unificar a política de privacidade e os termos de uso dos dois serviços? Não podemos comentar o assunto porque a compra ainda não foi concluída.

Momentos decisivos da história do Facebook
A origem: comparar garotas da universidade (2003)

Em outubro de 2003, quatro estudantes (Mark Zuckerberg, Dustin Moskovitz, Chris Hughes e o brasileiro Eduardo Saverin) da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, desenvolvem uma rede dedicada à quase pueril tarefa de comparar garotas da faculdade, escolhendo as mais atraentes. O Facemash é um sucesso: em quatro horas, atrai 450 visitas e exibe fotos das estudantes 22.000 vezes. A empreitada incentiva Zuckerberg a criar o Thefacebook.com.

Prefeitura no PI alega negligência de cubanas e desiste do Mais Médicos


Prefeito alega que médicas cubanas abandonaram posto de trabalho.
Comissão estadual do programa confirma desistência, mas nega negligência.



Do G1 PI

A prefeitura da cidade de Caridade do Piauí, Sul do estado, foi a primeira do estado a pedir ao Ministério da Saúde o desligamento do Programa Mais Médico do Governo Federal. Segundo prefeito da cidade, José Lopes Filho, o motivo alegado para a desistência é o abandono do posto de trabalho e falta de comprometimento com o serviço apresentado pelas médicas cubanas que foram enviadas ao município.

Populares esperam por atendimento na comunidade de Santo Hilário, em Cocal (Foto: Gilcilene Araújo/G1)Populares esperam por atendimento de cubano
(Foto: Gilcilene Araújo/G1)
Distante 457 km da capital, Teresina, a cidade tem população de 4.826 habitantes segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que conta com três equipes do Programa Saúde da Família. Cada equipe tem além de vários profissionais da área da saúde, um médico, sendo que na cidade duas das equipes eram compostas pelas médicas cubanas.

“Elas vieram para a cidade para suprir a demanda e acabar com o problema de falta de médicos para a população, mas não foi isso o que aconteceu. Desde o princípio, elas já chegaram botando empecilhos para trabalhar na cidade. Reclamaram da hospedagem nos hotéis, por isso as abriguei em minha casa até acharmos uma casa do contento delas, para alugarmos”, conta o prefeito José Lopes.

Ainda segundo o prefeito, mesmo depois de hospedadas como desejavam, as médicas faltavam constantemente ao trabalho e não avisavam. “Era um problema, porque a população precisa do atendimento e as vezes não tinha. Elas também se recusavam a atender as pessoas que não fossem pré-agendadas. Se tivéssemos um caso de uma criança que ficou doente há poucos dias, elas não o atendiam”, descreve José Lopes.

Médicos estrangeiros participam de oficina de acolhimento em Teresina (Foto: Catarina Costa/G1)Médicos estrangeiros participam de oficina de
acolhimento em Teresina (Foto: Catarina Costa/G1)
Para o prefeito, as profissionais cubanas não supriam as necessidades do município. “Se por acaso, em um dia tivesse uma fila maior, e os atendimentos passassem um minuto do horário de trabalho delas, elas largavam os pacientes no consultório e saiam. Deveria prevalecer pelo menos uma ética profissional, agir com bom sendo e terminar o atendimento. Por isso, a população acabou ficando descontente com elas”, afirma o prefeito.

O gestor declara ainda que foi um dos primeiros do estado a aderir ao programa. “A primeira médica chegou a cidade em dezembro de 2013 e a outra em janeiro de 2014. Pensávamos que tudo ia melhorar e não sobrecarregaríamos mais o único médico do município, mas não foi o que aconteceu. Não sou contra o programa, acredito que, apenas, não tivemos sorte com as profissionais que vieram para cá”, revela José Filho.

José Filho diz que no mês de julho, as médicas abonaram os postos de trabalho. “Elas simplesmente saíram da cidade, recebemos um comunicado que uma estaria tratando de uma alergia que adquiriu na cidade e a outra veio para a capital (Teresina) para acompanhá-la. O detalhe é que essa outra médica, apenas abandou o posto de trabalho e não comunicou nada para Prefeitura”, reclama.

Não sou contra o programa, acredito que, apenas, não tivemos sorte com as profissionais que vieram para cá"
prefeito José Lopes
Comissão do Programa

Segundo a Comissão Estadual do Programa Mais Médicos o pedido de desligamento da Prefeitura de Caridade foi solicitado no dia 5 de junho deste ano. O pedido já foi enviado ao Ministério da Saúde, em Brasília, e aguarda apenas ser protocolado, para que a cidade seja oficialmente desligada do programa.
Ainda segundo a Comissão, as médicas cubanas que atuavam no município estão em Teresina. A comissão confirmou que uma das profissionais está fazendo um tratamento contra uma alergia e a outra está como acompanhante.

Sobre os problemas relatados pelo prefeito, a Comissão informou que as médicas relataram que desde o início tiveram problemas com a administração municipal e negaram ter abandonado ou faltado ao posto de trabalho. Após a desistência do programa pela cidade de Caridade, as médicas cubanas serão remanejadas para outros municípios.

Vigilante morre sem atendimento em frente a hospital particular de SP

19/07/2014 13h40 - Atualizado em 19/07/2014 13h45

Durante mais de uma hora o vigilante agonizou e pediu socorro. 

Polícia abriu inquérito para investigar a denúncia de omissão de socorro.

Renata CafardoSão Paulo, SP
A polícia abriu inquérito para investigar uma denúncia de omissão de socorro a um homem que morreu sem atendimento na frente de um hospital particular, em São Paulo, mas imagens foram gravadas por pessoas que estavam no local.
O homem deitado no chão é o vigilante Nelson França, de 48 anos.  As testemunhas disseram que Nelson estava numa lotação quando passou mal e foi deixado em frente ao hospital Santo Expedito - hospital particular da Zona Leste de São Paulo.
Durante uma hora o vigilante agonizou a poucos metros da entrada do pronto-socorro. A pedagoga Daniela Gomes estava no hospital acompanhando a mãe e viu tudo.  “O rapaz falou assim: ‘aqui só atende particular e quem tem convênio’”, conta.
Segundo ela, um enfermeiro impediu que o vigilante fosse socorrido do lado de fora. As testemunhas se ofereceram para levar o vigilante para dentro, mas os enfermeiros também não deixaram. Daniela então pediu ajuda num posto policial.  Foi a Polícia Militar que chamou os bombeiros.
Segundo ela, só quando os bombeiros chegaram é que um enfermeiro e o médico se aproximaram do vigilante.  Mas aí, já era tarde.
“Um enfermeiro ele foi até lá com o médico. Aí o médico pôs a mão do lado no pescoço dele e falou: ó, ele tá em óbito. Aí foi onde começamos a discutir”, conta Daniela.
Os bombeiros disseram que o vigilante chegou a ser reanimado, mas morreu quando estava sendo levado para um hospital público.
Para a polícia, um dos enfermeiros que estava de plantão, Leonardo Bambrila Santos, disse que chamou o médico e que foram feitos os procedimentos de praxe.
A administração do Hospital Santo Expedito não quis gravar entrevista, mas, por telefone o diretor Mauricio Gerdelli, disse que vai abrir sindicância para saber o que de fato aconteceu no caso.
Ele disse que apesar de ser particular, o hospital costuma fazer os chamados atendimentos sociais a pessoas de baixa renda e que não é procedimento dos funcionários recusar atendimento mesmo que o paciente seja deixado do lado de fora. A família do vigilante está indignada.
“Um pai de família ser tratado como um verme, um lixo na porta do hospital sem eles prestarem atendimento. Estamos muito tristes mesmo”, fala a cunhada da vítima, Roseli Ribeiro Santos Souza.
A cunhada de Nelson disse que ele não tinha nenhum problema de saúde. O enfermeiro Leonardo Brambila Santos não foi encontrado pelas nossas equipes.

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