terça-feira, 19 de março de 2013

Cirurgia de redução do estômago: Menos gordura, mais neurose A cirurgia de redução do estômago pode levar a depressão, bulimia, anorexia e alcoolismo, entre outras doenças psiquiátricas



Alessandra Cucatti Sarilho,21 anos, produtora
Cirurgia feita em julho de 2001
Peso antes: 145 quilos
Peso hoje: 55 quilos

DA OBESIDADE À BULIMIA

"Sempre culpei a gordura por minha tristeza. Apesar de ter muitos amigos homens, nunca fui vista como mulher. Era sempre aquela amigona com quem eles podiam contar. Isso me incomodava. Para acabar com o sofrimento, fiz todos os tipos de dieta. Eu emagrecia, mas sempre recuperava o peso. Cheguei ao ponto de pesar 145 quilos, e olha que só tenho 1,65 metro de altura. Foi quando decidi fazer a cirurgia. Os primeiros dois anos foram maravilhosos. Redescobri a vida. Os rapazes passaram a me ver como mulher. Há pouco mais de um ano, meu corpo magro não era mais uma novidade. Aquela tristeza que sentia quando era gorda voltou e eu novamente passei a comer compulsivamente. Culpada e com dores por causa do excesso de comida, eu vomitava. Tornei-me bulímica. Cheguei a vomitar vinte vezes em um único dia. Em um ano, perdi mais de quinze quilos. Procurei tratamento psicológico e hoje tomo antidepressivo. Sinto-me melhor. Vomito cada vez menos e tenho certeza de que vou me curar." 

Ao longo dos últimos dez anos, quadruplicou o número de obesos mórbidos no Brasil. Com 45 quilos ou mais além do limite recomendável para o seu biotipo, 2 milhões de homens e mulheres estão naquele estágio em que a gordura pode causar complicações que levam à morte. Nesses casos, emagrecer é urgente e o método mais rápido e eficaz para eliminar quantidades tão grandes de tecido adiposo é a cirurgia bariátrica – a fim de limitar a ingestão e a absorção de alimentos pelo organismo do paciente, os médicos reduzem drasticamente o tamanho do estômago. Trazida para o Brasil no fim da década de 70, a cirurgia bariátrica começou a ser realizada em maior escala a partir de 2000, quando alguns seguros particulares e a rede pública de saúde passaram a pagar os custos do procedimento. Hoje, o país só perde para os Estados Unidos em número de procedimentos desse tipo. Todos os anos, 15.000 brasileiros têm o estômago diminuído. O efeito costuma ser impressionante. Passado um ano da operação, perdem-se, em média, 40% do peso inicial. Muitos pacientes continuam gordos, mas todos saem do patamar da obesidade mórbida. A redução do estômago é uma cirurgia de alta complexidade e, como tal, implica perigos. Um deles é a obstrução do intestino dias depois do procedimento. Há, porém, um tipo de complicação pós-operatória que não se relaciona ao ato cirúrgico em si – e sobre o qual pouco se fala. São os transtornos psiquiátricos. Para cerca de 20% dos operados, a conquista da magreza leva a depressão, bulimia, anorexia, alcoolismo, dependência de drogas ou compulsão por jogo, compras ou sexo.

Poucas intervenções são tão radicais quanto as cirurgias de emagrecimento. O estômago reduzido perde até 90% de sua capacidade de absorção. O paciente, antes habituado a consumir até 1 quilo de comida por refeição, vê-se obrigado a satisfazer-se com 100, no máximo 200, gramas, e a voracidade precisa ser substituída pela paciência de mastigar dezenas de vezes uma única garfada. Comer em excesso ou demasiadamente rápido causa um tremendo mal-estar, cujos sintomas vão de náuseas e vômito a taquicardia, engasgos e fraqueza. Um estômago menor requer, assim, disciplina física e reorientação psicológica. O operado tem de aprender a viver e pensar como magro, o que não é fácil. Por esse motivo, diferentemente do que muita gente imagina, o tratamento cirúrgico da obesidade não se encerra com a alta hospitalar. "Esses pacientes requerem acompanhamento para o resto da vida", diz o cirurgião Arthur Garrido, professor da Universidade de São Paulo e pioneiro no Brasil das operações bariátricas. Sem o monitoramento de uma equipe de especialistas, aumentam os riscos de manifestação de transtornos psiquiátricos.

Grande parte dos obesos sofre de compulsão por comida. Submetidos à cirurgia bariátrica, eles não podem mais comer como antes, mas continuam compulsivos – o que faz com que desenvolvam outros distúrbios afins, num processo de compensação. A substituição de uma compulsão por outra é resultado da conjunção de dois fatores. O primeiro deles é de ordem orgânica. Nesses pacientes, a resposta do estômago à ação do hormônio da saciedade é tímida. Além disso, eles são mais suscetíveis ao hormônio da fome (veja quadro). Ou seja, naturalmente sentem mais apetite e têm mais dificuldade para se fartar do que os magros. Os obesos compulsivos por comida sofrem ainda de outro descompasso na química cerebral. Eles produzem poucas quantidades de dopamina e serotonina, substâncias associadas à sensação de bem-estar, determinantes na cadeia de comando cerebral que estabelece o momento de parar de ingerir alimentos por prazer. O resultado disso é que, por mais que comam, nunca estão satisfeitos. Somam-se a esse desequilíbrio neuroquímico fatores psicológicos que fazem com que a comida sirva como válvula de escape para a falta de auto-estima que acomete os obesos. Instala-se, então, um círculo vicioso. "Quando essas pessoas são privadas da comida, por causa da cirurgia, elas buscam novas formas para satisfazer suas carências psicológicas", diz Marlene Monteiro da Silva, psicóloga do Hospital das Clínicas de São Paulo. A dona-de-casa Ana Lúcia Reis dos Santos, de 42 anos, trocou a comida pelas compras. Em 2002, com 115 quilos em 1,62 metro, ela submeteu-se à operação de redução do estômago. Um ano depois, 50 quilos mais leve, quando começou a refazer o seu guarda-roupa, Ana Lúcia se deu conta de que, apesar da silhueta alinhada, continuava doente. "Eu fazia compras com a mesma voracidade e aflição com que comia", lembra. Com psicoterapia e antidepressivos, Ana Lúcia acredita que, em breve, será uma mulher magra com uma conta bancária mais gorda.

As mudanças de hábitos impostas pela redução do estômago podem ser tão penosas que alguns pacientes pedem que a cirurgia seja desfeita – o que nem sempre é possível. Outros criam estratégias para driblar as limitações impostas pelo estômago reduzido e saciar a vontade de comer. A maioria escolhe o leite condensado – que é pastoso, calórico, sacia rapidamente e pode ser digerido com facilidade. Os compulsivos, evidentemente, tomam litros por dia. O comerciante J.S., de 42 anos, enveredou por um caminho mais perigoso. Submetido à cirurgia bariátrica em 1997, um ano depois ele começou a beber. Em pouco tempo, transformou-se num alcoólatra e praticamente parou de comer. Com 1,92 metro de altura, chegou a pesar 78 quilos – 112 menos do que quando foi para a mesa de operação. Com problemas hepáticos e conflitos no casamento por causa da bebida, há um mês ele decidiu finalmente procurar ajuda. Está em tratamento com um psicólogo e um psiquiatra. "Ainda não sei o que é pior: se a obesidade ou o alcoolismo", diz, com a voz embargada. Os arquivos dos principais hospitais e clínicas especializadas em cirurgia bariátrica guardam dramas ainda piores. Há vários casos de pacientes que, em profunda depressão, cometeram suicídio.

Os transtornos psiquiátricos costumam se manifestar entre o primeiro e o terceiro ano subseqüentes à redução do estômago. É quando, passado o entusiasmo com a nova silhueta, os ex-obesos têm de confrontar as limitações que serão para toda a vida. Nesse momento é que, na falta de apoio, o compulsivo volta a manifestar sua doença. A produtora Alessandra Cucatti Sarilho, hoje com 21 anos, tinha 145 quilos acumulados em 1,65 metro de altura quando fez a redução do estômago, em 2001. A euforia com o novo corpo durou dois anos. Depois disso, Alessandra desabou. "Passei a sentir aquela tristeza dos tempos em que eu era gorda", diz. Ela, então, voltou a comer vorazmente, o que lhe causava mal-estar e culpa. A trilha estava aberta para que se tornasse uma bulímica.

Alguns psiquiatras defendem a tese de que as operações bariátricas podem favorecer o surgimento de transtornos alimentares que merecem ser estudados com mais cuidado, apesar de sua semelhança com distúrbios conhecidos. Na anorexia clássica, o doente não come porque se vê mais gordo do que realmente é. Na bulimia tradicional, ele come, mas procura se livrar da comida induzindo o vômito ou tomando laxantes. "Há, entretanto, uma diferença crucial entre esses transtornos e os que se manifestam nas pessoas que passam pela cirurgia: a motivação para tais comportamentos", diz Adriano Segal, psiquiatra da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso). "Esses pacientes desenvolvem um tipo de anorexia e de bulimia que ainda não foram descritos na literatura médica. Eles deixam de se alimentar não por uma percepção distorcida do próprio corpo, mas porque têm medo de voltar a engordar." Apesar de sutil, essa distinção é essencial para que se criem métodos de tratamento específicos – tanto remédios como terapias – para os ex-obesos que sofrem de tais males.









Claudio Rossi


Ana Lúcia Reis dos Santos,
42 anos, dona-de-casa
Cirurgia feita em 2002Peso antes: 115 quilos
Peso hoje: 65 quilos

MAGRA, MAS ENDIVIDADA

"Desde criança fui gordinha. Aos 13 anos, tomei escondido o primeiro remédio para emagrecer. Quando minha mãe descobriu, ela me levou ao médico. Desde então, não parei mais de fazer dieta. Emagrecia e voltava a engordar. Eu me empanturrava de comida num dia porque jurava que no dia seguinte começaria mais uma daquelas dietas milagrosas. O tal do "dia seguinte", porém, nunca chegava. Optei pela operação. Quando tive de comprar roupas novas, comecei a consumir compulsivamente. Fazia compras com a mesma voracidade com que comia. Eu sabia que não tinha dinheiro para pagar tudo aquilo, mas, mesmo assim, não conseguia me controlar. Depois de seis meses, fui em busca de tratamento psiquiátrico. Hoje, faço terapia, tomo remédio e tento me livrar das dívidas."

Harmonia entre mente e estômago

Antonio Milena

Raphael Falavigna


Adas, antes e depois da cirurgia: compulsão sob controle

O empresário paulista William Adas, de 36 anos, pesava 163 quilos em 2002. Com sérias limitações por causa da obesidade mórbida, ele foi submetido à cirurgia bariátrica em novembro daquele ano. Num período que se estendeu por dezesseis meses, VEJA acompanhou o início de sua transformação. Hoje, 61 quilos mais magro, Adas lembra que os dois meses subseqüentes à operação foram muito difíceis. Antes da cirurgia, ele ingeria 1 quilo de comida a cada refeição. Depois, não agüentava mais do que 200 gramas. "A luta contra a vontade de comer era muito penosa", diz ele. "Meu estômago não conseguia acompanhar a minha gula." Graças às visitas periódicas a especialistas das mais diversas áreas, Adas aprendeu a controlar a compulsão. "Hoje eu como um bife pequeno no almoço e me sinto plenamente satisfeito", afirma. O trabalho de adaptação ao novo estômago começa geralmente um mês antes da cirurgia. Médicos, psicólogos e nutricionistas têm a missão de preparar o paciente para as privações que virão. Realizada a operação, o paciente é monitorado de três em três meses durante um ano. Se até esse momento tudo tiver corrido bem, as avaliações passam a ser semestrais pelos próximos três anos. Só então elas se tornam anuais (pelo resto da vida). Infelizmente, muitos pacientes deixam de fazer esse acompanhamento e se tornam presas fáceis para as compulsões.

by Veja

Redução de estômago: prós e contras


Redução de estômago: prós e contras
A cirurgia é uma medida mais extrema
Quem sofre de obesidade em grau muito elevado, mas já tentou várias dietas, tomou remédios e não consegue emagrecer tem sido aconselhado por muitos médicos a recorrer a uma medida extrema: a redução de estômago.
Essa alternativa apenas é indicada sobretudo para pessoas que correm o risco de adoecer por causa do excesso de gordura no corpo. ”Esses pacientes podem apresentar doenças como hipertensão arterial, diabetes, apnéia do sono e artrose”, explica Arthur Garrido, professor da Faculdade de Medicina da USP e vice-presidente da Federação Internacional para a Cirurgia da Obesidade.
Confira, quatro diferentes métodos de redução de estômago. Entenda cada procedimento e saiba o quanto eles emagrecem
Atenção
Antes de ser operada, consulte um psicólogo. Lembre-se que é importantíssimo seguir à risca as recomendações médicas em relação ao procedimento escolhido. Assim, o paciente diminui muito o risco de complicações e tem muito mais chances de vencer de vez a obesidade mórbida.

Balão intragástrico

O que é: 
Um balão de silicone vazio é colocado no estômago por endoscopia e preenchido com soro fisiológico e corante azul. Se estourar, a cor aparece na urina. O balão ocupa cerca de 60% do estômago.
Perda de peso: 
de 10% a 15%, em seis meses.
Contra-indicação: 
Não deve ser feita por quem tem úlcera, azia, inflamação do esôfago, gastrite e insuficiência renal.
Alimentação: 
Quantidade bem reduzida para não causar mal-estar.
Vantagens: 
Dispensa corte e internação. O balão é implantado em consultório médico, em meia hora.
Desvantagens: 
Embora seja o procedimento menos invasivo, é temporário: o balão deve ser retirado ou substituído em até seis meses, que é o limite de segurança do material. Pode provocar náuseas e vômitos intensos, principalmente nas primeiras semanas após a colocação.

Banda gástrica ajustável

O que é: 
o médico coloca uma cinta de silicone na entrada do estômago, por cirurgia. Depois, injeta nela água destilada, fazendo-a apertar mais o órgão. Assim, os alimentos demoram para passar, e a pessoa sente-se saciada rapidamente.
Perda de peso: 
20% em 1 ano.
Contra-indicação: 
Não deve ser feita por dependentes de álcool ou drogas nem por quem tem cirrose.
Alimentação: 
Durante um mês, só líquidos. Após esse período pode-se ingerir alimentos sólidos, mas em pequenas quantidades.
Vantagens: 
Leva rapidamente à sensação de saciedade. Como não corta o estômago, oferece baixo risco de complicações graves. A cirurgia dura 1 hora.
Desvantagem: 
Nos primeiros meses, as consultas são freqüentes, pois é preciso fazer o ajuste da pressão da cinta por meio do aumento ou diminuição da quantidade de água destilada.

Gastroplastia convencional (método Fobi-Capella)

O que é: 
O estômago é dividido em duas partes. A maior é isolada e perde sua função. A menor é ligada diretamente ao intestino por um desvio, além de receber um anel que deixa a passagem do alimento mais lenta. É a técnica mais usada no Brasil e nos Estados Unidos.
Perda de peso: 
40% em 18 meses.
Contra-indicação: 
Não é recomendada para dependentes de drogas, álcool e quem tem cirrose.
Alimentação: 
Dieta líquida, com porções bem reduzidas, nos primeiros 30 dias. A partir daí, os alimentos devem ser consumidos em pequenas porções e muito bem mastigados.
Vantagem: 
O índice de sucesso é altíssimo.
Desvantagens: 
Há perda de absorção dos nutrientes dos alimentos. Por isso, é preciso tomar vitaminas por um longo período. Como o estômago é cortado, o risco de complicações leves ou severas chega a 5%.

Cirurgia radical (método Scopinaro)

O que é: 
Retirada de mais da metade do estômago e de uma boa parte do intestino, para reduzir a absorção dos alimentos. Por ser muito radical, costuma ser indicada apenas para quem tem IMC acima de 50.
Perda de peso: 
40% a 50% em 1 ano.
Contra-indicação: 
Não é recomendada para quem sofre de diarréia freqüentemente, dependentes de álcool ou droga ou quem tem cirrose.
Alimentação: 
Até 30 dias, só líquidos. É o tempo que o estômago leva para cicatrizar.
Vantagem: 
A pessoa perde muito peso sem ter que restringir demais a alimentação.
Desvantagens: 
Causa diarréia, é o único método irreversível e exige suplementação de vitaminas constante.

Calcular o IMC

A redução de estômago é indicada para quem tem índice de massa corporal (IMC) acima de 40 ou de 35, mas sofre de doenças como diabetes e hipertensão.
Saber o próprio IMC é simples: basta dividir o peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado. Exemplo: 120 kg ÷ (1,60 m x 1,60 m) = 46,8.
FONTE: M de Mulher

Com mais três corpos encontrados, Petrópolis tem 27 mortes após chuva


19/03/2013

Mais cedo, corpos de 2 meninos e 1 menina foram achados em córrego.
Dezesseis mortos foram identificados no IML; veja a lista parcial.


Isabela Marinho e Tássia Thum
Do G1 Rio, em Petrópolis
José Ventura (à esquerda) ajuda bombeiros a resgatar o corpo  do sobrinho Nicolas em Petrópolis (Foto: Marcos de Paula/Estadão Conteúdo)José Ventura (à esquerda) ajuda bombeiros a resgatar o corpo do sobrinho Nicolas em Petrópolis (Foto: Marcos de Paula/Estadão Conteúdo)
Mais três corpos foram encontrados no fim da tarde desta terça-feira (19) e o número de mortos em consequência da chuva em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, subiu para 27. A informação foi confirmada pelo coronel Sérgio Simões, comandante do Corpo de Bombeiros, em entrevista à GloboNews, às 18h15. Pelo menos 10 pessoas estão desaparecidas.
Dezesseis corpos haviam sido identificados no Instituto Médico Legal (IML) até as 17h, segundo segundo o delegado titular da 105ª DP (Petrópolis), Alexandre Ziehe (veja lista no fim da reportagem). Sete continuam sem identificação.
No início da tarde, três corpos – de dois meninos e uma menina – foram encontrados em um córrego na altura do km 82 da BR-040, no bairro Bingen. Segundo os bombeiros, os corpos percorreram cerca de um quilômetro desde o local do deslizamento que atingiu as crianças.
A chuva que atinge a região desde a noite de domingo (17) e que se intensificou na madrugada de segunda (18) já deixou outras 18 pessoas feridas e 1.466 desalojadas e desabrigadas.
A Prefeitura de Petrópolis contratou mais 100 pessoas para ajudar no trabalho de limpeza e recuperação da cidade.
Ao todo, 18 abrigos recebem pessoas que tiveram que deixar suas casas. Os locais precisam, de acordo com a administração municipal, de material de limpeza e higiene, como sabonete, papel higiênico, desinfetante, sabão em pó, além de colchonetes. O local para a entrega de doações é na rua Doutor Sá Earp, no Centro da cidade.
Por volta das 6h desta terça, os bombeiros retomaram as buscas pelos desaparecidos nos pontos mais críticos atingidos pelo temporal. Durante a madrugada, 18 sirenes foram acionadas nas comunidades como alerta.
Durante as 24 horas anteriores de chuva, o índice pluviométrico do bairro Quitandinha, o mais atingido pelo temporal, chegou a 428 milímetros, quase o dobro do esperado para todo o mês de março. Pelo menos quatro pessoas morreram nessa área. No bairro Independência foram confirmadas três mortes.
"Desde o início da operação, fizemos 37 ações de busca e resgate. Resgatamos 39 feridos e, lamentavelmente, na noite de ontem, computamos a décima sétima vítima fatal", informou o secretário estadual de Defesa Civil, Sérgio Simões, no início da manhã, antes da confirmação do aumento do número de mortos.
Presidente Dilma Rousseff dá entrevista em Roma, depois de participar da missa de inauguração do Papa (Foto: Juliana Cardilli)Presidente Dilma Rousseff dá entrevista em Roma
e fala sobre as chuvas no RJ (Foto: Juliana Cardilli)
Não deixar construir. Não pode deixar construir. Em uma questão de emergência, a pessoa tem que sair. Tem que ter essa consciência"
Dilma Rousseff

Dilma havia afirmado ontem que "vão ter de ser tomadas medidas um pouco mais drásticas para que as pessoas não fiquem nas regiões que não podem ficar, porque aí não tem prevenção que dê conta".'Não pode deixar construir'
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (19), ao ser perguntada por jornalistas sobre quais seriam as medidas "um pouco mais drásticas", defendidas por ela na segunda, para evitar desastres causados pela chuva, que não se pode "deixar construir" em áreas de risco.
Nesta terça, ela voltou a comentar sobre o assunto, pouco antes de participar de uma reunião com o presidente da Eslovênia, Borut Pahor, em Roma. "Não deixar construir. Não pode deixar construir. Em uma questão de emergência, a pessoa tem que sair. Tem que ter essa consciência", afirmou a presidente.
Na manhã desta segunda, Dilma ligou para o governador Sérgio Cabral oferecendo ajuda. No Brasil, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, foi mobilizada para, segundo a presidente, prover "todos os recursos necessários para que não haja mais vítimas".
Na tarde de segunda, o prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo, recebeu o governador Sergio Cabral, parte do secretariado estadual (Defesa Civil, Obras, Assistência Social, Educação, Cultura, Agricultura, Transportes e Governo) e mais a presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos, com três representantes do órgão, para dar início às ações conjuntas.
Junto com os R$ 200 mil liberados por Bomtempo para a realização de compras emergenciais de colchões, cobertores, alimentos, água potável e produtos de higiene pessoal, por meio do Fundo de Assistência Social, o governo do Estado afirmou que vai destinar mais R$ 3 milhões para dar continuidade às ações.
Chuva matou mais de 900 em 2011
Em janeiro de 2011, as chuvas fortes que atingiram a Região Serrana do Rio de Janeiro a partir da noite do dia 11 provocaram deslizamentos de morros e enxurradas com velocidade de até 180 km/h, de acordo com especialistas. Estradas e pontes foram destruídas, e bairros inteiros ficaram isolados.
Mais de 900 pessoas morreram, e cerca de 400 mil moradores ficaram desabrigados. Nova Friburgo teve mais de 420 vítimas, e Teresópolis registrou mais de 380 mortos. Em Petrópolis, mais de 70 corpos foram encontrados.
Moradora Maria do Rosário observa no quintal alagado; água quase entrou pela janela durante temporal (Foto: Alba Valéria Mendonça / G1)Moradora de Duque de Caxias teve casa inundada
durante temporal (Foto: Alba Valéria Mendonça / G1)
Bairros alagados em Duque de Caxias
Sem chuva desde a madrugada desta terça-feira (19), moradores das áreas mais atingidas do município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, começam a tentar limpar suas casas e contabilizar os prejuízos. A forte chuva que caiu no final da noite de domingo (17) até a noite de segunda-feira (18), deixou até as 9h da manhã desta terça-feira 115 pessoas de 32  famílias desalojadas no município. As informações são do major Vilson Santos, da Defesa Civil municipal.
Embora o nível da água nas ruas já tenha baixado bastante, ainda havia inúmeras áreas alagadas e trechos onde o Corpo de Bombeiros utiliza até um barco para chegar aos moradores. Segundo a Defesa Civil, a situação ainda é crítica em bairros como Parque Paulista, Jardim Anhangá, Santa Cruz da Serra, Bossa Nova, Chácara do Arcano e Parada Morabi. Em Xerém, segundo o major, a situação é bem mais tranquila, mas os rios Roncador e Capivari ainda estão em alerta máximo, quando há risco de transbordamento.
A União aprovou a destinação de R$ 12 milhões para os trabalhos da Defesa Civil de Duque de Caxias, para as obras de reconstrução e recuperação da cidade. O dinheiro será usado para a recuperação de algumas ruas e de uma ponte.
Veja a lista dos 16 mortos identificados:
Adalto Rodrigues de Araújo
Antônio Celio Teixeira
Diego Oliveira Vale
Fernando Fernandes Lima
Jade Barbosa de Oliveira
Lidia Antonia de Paula Sá
Lucas Ladislau Santos de Barros
Maria da Conceição Rufino
Monique Pereira da Silva
Nilton Pereira da Fonseca
Paulo Roberto Alves Freitas
Paulo Roberto Filgueiras
Raíssa Vitória Carvalho Araújo
Stefanie Pereira da Silva

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