sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O fim da miséria?



J. R. GUZZO
O governo divulgou no início de fevereiro vitórias importantes contra a miséria e prometeu que a partir do mês que vem não existirá mais pobreza extrema no Brasil. Isso quer dizer que não haverá ninguém, já agora em março, com renda inferior a 70 reais por mês em todo o território nacional. Segundo os critérios oficiais em vigor, geralmente avalizados por organismos internacionais, essa quantia é a marca que define quem é quem na escala social brasileira. O cidadão que tem uma renda mensal de 70 reais, ou menos, é um miserável oficial; quem consegue passar esse limite já não é mais. “Tiramos, entre 2011 e 2012, mais de 19,5 milhões de pessoas da pobreza extrema”, afirmou a presidente Dilma Rousseff. “Até o mês de março vamos zerar o cadastro”. Segundo o governo, há no momento 600.000 famílias nesse registro; não haverá mais ninguém dentro de um mês, salvo um número incerto de cidadãos que estão na miséria, mas não no cadastro. Esses ainda terão de ser encontrados para receber do Tesouro Nacional, a cada mês, os reais que vão salvá-los.
Pode haver erros nessas contas, é claro, mas não se trata de números argentinos: basicamente, retratam a realidade aproximada da fossa social brasileira. A dimensão numérica, portanto, está certa. O problema é que ela também está errada ─ pois leva o governo a concluir que a miséria está acabando no Brasil, quando é mais do que óbvio que ela continua existindo, e existindo à toda. A primeira dificuldade com a postura oficial está na pessoa verbal utilizada pela presidente. “Tiramos” da miséria, disse ela ─ uma apropriação indébita da realidade, pois quem tirou aqueles milhões de brasileiros da linha inferior aos 70 reais não foi ela nem seu governo, e sim o contribuinte brasileiro. Foi ele, e só ele, quem sacou o dinheiro de seu bolso, através dos impostos que paga até para comprar um palito de fósforo, e o entregou às coletorias fiscais; se não fosse assim, não haveria um único tostão a distribuir para pobre nenhum.
Trata-se de um vício incurável nos circuitos neurológicos dos governantes brasileiros. Acreditam na existência de uma coisa que não existe: “dinheiro do governo”. É como acreditar em disco voador. A diferença é que tiram proveito de sua crença; é o que lhes permite dizer “eu fiz” tantas escolas, tantos quilômetros de estrada e por aí afora, como se o dinheiro gasto em tudo isso tivesse saído de sua própria conta no banco.
O problema essencial, porém, está na lógica. Como nos ensina Mark Twain, que elevou o bom senso à categoria de arte em quase tudo o que escreveu, existem três tipos de mentira: a mentira, a desgraçada da mentira e as estatísticas. Esse anúncio do fim da pobreza extrema é um clássico do gênero. A estatística precisa, obrigatoriamente, de um número fixo para definir qualquer coisa que pretende medir, assim como um metro precisa ter 100 centímetros. No caso, o número escolhido, e aceito por organizações imparciais mundo afora, foi 70 reais ─ mas não faz absolutamente nenhum nexo afirmar que uma pessoa que ganhe 71 reais por mês, ou 100, ou 150, tenha saído da miséria. O resumo dessa ópera é claro. Daqui a alguns dias, não haverá mais miseráveis nas estatísticas do Brasil; só haverá miseráveis na vida real. Além disso, seremos provavelmente o único país do mundo em que a miséria teve uma data certa para desaparecer. O governo poderá dizer: “O Brasil acabou com a miséria no dia 15 de março de 2013, às 18 horas, ao fim do expediente na administração federal”.
Praticamente nenhum cidadão brasileiro, ao sair todo dia de casa, leva mais do que 15 minutos para dar de cara com alguma prova física de miséria. Mas, do mês de março em diante, terá de achar que não viu nada. Se procurar alguma autoridade para relatar o fato, ouvirá o seguinte: “O senhor deve estar enganado. Não há mais nenhum miserável no Brasil”. É assim, no fim das contas, que funciona o sistema cerebral do governo. A realidade não é o que se vê. É o que está no cadastro.


PUBLICADO NA REVISTA EXAME


As famílias prejudicadas pela lei de cotas sociais

Famílias de baixa renda suaram para pagar escolas privadas para seus filhos. Agora, eles terão mais dificuldades para entrar em universidades públicas


ESFORÇO O casal Alexandre e Márcia (em pé), com as filhas Drielly e Isabele (no colo). Sem direito a cotas (Foto: Camila Fontana/ÉPOCA)
ESFORÇO
O casal Alexandre e Márcia (em pé), com as filhas Drielly e Isabele (no colo). Sem direito a cotas (Foto: Camila Fontana/ÉPOCA)
 taxista Alexandre de Oliveira, de 41 anos, e a dona de casa Márcia da Luz Oliveira, de 46, tentaram colocar as filhas Drielly, de 17, e Isabele, de 10, numa escola da rede pública perto do bairro onde moram, em Guarulhos, São Paulo. Mudaram de ideia quando, num dia de chuva, foram chamados à escola para buscar a filha mais velha, na época com 6 anos. “A sala de aula estava inundando, e ela estava em cima da mesa, fugindo da água”, diz Márcia. “Depois disso, resolvemos que nos sacrificaríamos para dar condições melhores para nossas filhas estudarem e garantirem uma vaga numa universidade pública.” Para pagar o colégio particular e o curso de inglês das duas filhas, Alexandre trabalha 15 horas por dia. A longa jornada é mantida há dez anos e, segundo ele, afeta sua saúde. Alexandre tem dores crônicas nas pernas e está acima do peso. A casa onde a família mora é alugada, e os momentos de lazer são poucos. “A prioridade sempre foi a educação das meninas, e, para isso, abrimos mão de muita coisa”, diz Márcia.


O esforço de Alexandre e Márcia para garantir a suas filhas o acesso a uma boa universidade pode ter sido em vão. Com a entrada em vigor da lei de cotas sociais, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em agosto do ano passado, os alunos que fizeram o ensino médio na rede pública têm agora mais chances de conseguir uma vaga em universidades públicas federais. A lei também deve afetar as universidades estaduais mais concorridas do país – a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) – com uma notável diferença: com a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os candidatos cotistas ingressarão num curso preparatório de dois anos. Se, ao final do período, tirarem mais que 7 numa prova, irão direto para a universidade. Em termos de vagas, a lei federal de cotas obriga as universidades federais a reservar pelo menos 12,5% das vagas para alunos de escolas públicas. Até o vestibular de 2016, o total de vagas reservadas crescerá gradualmente até atingir 50% do total. Dessas, a metade se destinará a estudantes cuja renda mensal familiar é menor ou igual a um salário mínimo e meio por pessoa. Nos dois casos, será dada prioridade aos candidatos negros egressos da escola pública. Desde que obedeçam ao mínimo estabelecido pela lei, as universidades federais podem criar sua própria política de cotas. A Universidade de Brasília (UnB) reserva 20% de suas vagas para estudantes negros desde 2004. Com a nova lei, a UnB dará mais 14,5% das vagas para estudantes de escola pública. Em 2016, 70% de suas vagas serão destinadas ao sistema de cotas.

767 a mensagem cotas (Foto: reprodução/Revista ÉPOCA)
Ao mesmo tempo que ajudam estudantes de escolas públicas a conseguir uma vaga em boas universidades, as cotas para estudantes de escolas públicas criam um problema para milhares de famílias que se empenharam em pagar um colégio particular para os filhos, muitas vezes fazendo sacrifícios para isso. As mensalidades que cabem no orçamento de famílias como a de Alexandre não são de colégios particulares renomados. São escolas menores e mais baratas, que servem como alternativa à baixa qualidade da educação da rede pública. A notícia das cotas desanimou a família. “As vagas para estudantes da rede privada serão ocupadas por quem estudou nos melhores colégios, os mais caros. Não é o caso delas”, diz Alexandre. “Minhas filhas não entram em nenhuma cota.” O taxista faz planos, caso Drielly não consiga uma vaga pública para o curso de engenharia civil: ela terá de estudar numa faculdade particular de nível médio e provavelmente terá de arranjar um emprego para ajudar a pagar as mensalidades. “Criar um sistema que ajude pessoas menos favorecidas a estudar é uma coisa boa. Mas cotas talvez não sejam a melhor saída. 


Enquanto beneficiam uma parcela da população, também prejudicam outra”, diz Maria Márcia Malavazi, diretora do curso de pedagogia da Unicamp. Outros acadêmicos acreditam que a função de pensar na inclusão não é exclusiva das universidades públicas. “Acho justo que as pessoas com menos oportunidades tenham ajuda na hora de conseguir uma vaga nas universidades públicas por meio das cotas”, diz Célia Forghieri, membro da pró-reitoria comunitária da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Mas também não podemos deixar de lado as pessoas humildes que se esforçaram para dar uma educação básica melhor aos filhos. Uma boa saída seria ampliar o número de bolsas em boas faculdades particulares.”

DESVANTAGEM Ariane entre a mãe, Marisa, e o pai, Lenaldo. Ela tem menos chance  de entrar na universidade (Foto: Camila Fontana/ÉPOCA)
DESVANTAGEM
Ariane entre a mãe, Marisa, e o pai, Lenaldo.
Ela tem menos chance de entrar
na universidade (Foto: Camila Fontana/ÉPOCA)
Qualquer que seja o formato do sistema de cotas, está claro que os 7 milhões de alunos matriculados na rede privada de ensino do Brasil terão de batalhar mais que os colegas da rede pública se quiserem uma vaga numa universidade estadual ou federal. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2011 o total de matrículas nas universidades brasileiras foi de 6,7 milhões. Destas, 77% foram em instituições privadas, e o restante em universidades públicas. Neste ano, os alunos de escolas privadas que tentam uma vaga pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) já sentiram a pressão. O Sisu é um sistema do governo, acessado pela internet, que seleciona os melhores candidatos do Enem para as vagas das universidades federais. O candidato se inscreve no programa, informa sua nota do Enem e em que curso e universidade quer estudar. O computador distribui os candidatos, de acordo com as notas, pelas vagas disponíveis. De mais de 1,8 milhão de candidatos que se inscreveram em 2013, 44% pleitearam uma vaga pelo sistema de cotas.


A possibilidade de conseguir uma vaga diminuiu para a filha do técnico em mecânica Lenaldo dos Santos Filho, de 47 anos. Ele e sua mulher, Marisa Franco Santos, de 55, balconista, trabalham até 12 horas por dia. O dinheiro não é usado para passeios, viagens, nem para finalizar a obra da casa onde moram, em Guarulhos, São Paulo. Todo o esforço é voltado para a educação da única filha do casal, Ariane, de 17 anos. Ela está no 3o ano do ensino médio e sonha em estudar Direito numa universidade pública. “Com as cotas, sei que minhas chances diminuíram”, diz. Mesmo podendo concorrer por meio das cotas para negros, Ariane seria excluída do benefício das cotas sociais, por ter estudado em escola particular. Com isso, concorre a menos vagas que estudantes negros de escola pública. “Meu marido e eu não tivemos a oportunidade de estudar. Apenas terminei o ensino médio, e ele o supletivo. Queríamos dar a Ariane a chance que não tivemos”, diz Marisa. Lenaldo não se arrepende do esforço. “A única herança dela será a educação. Isso eu faço questão de deixar para minha filha”, diz. by - Época

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A briga de Xuxa contra o relançamento de seu filme pornô




DA SÉRIE: ‘AMOR ESTRANHO AMOR’ Por Cláudio Teran


O produtor Aníbal Massaini Neto luta na Justiça há anos contra a apresentadora Xuxa para reaver os direitos de exibição do filme "Amor, Estranho Amor", de 1982. Ele teve um recurso negado pela Justiça em segunda instância terça-feira (05.02), mas não vai desistir. Pretende continuar brigando para relançar o longa nos cinemas e em DVD. O filme dirigido por Walter Hugo Khoury é um típico produto do cinema nacional. Foi integralmente financiado com dinheiro público e é de uma ruindade constrangedora. 



O que chama atenção é que no enredo a personagem de Xuxa Meneghel mantém relações sexuais com um garoto de 12 anos. Naquele tempo ninguém falava em pedofilia. Pior. Xuxa não passava de uma periguete que topava tudo por dinheiro em busca da tal da fama. Nem ela nem ninguém imaginavam que ela viraria três ou quatro anos mais tarde a ‘Rainha dos Baixinhos’. E agora? Xuxa renega as fotos que fez para a Playboy em 1984 e execra o filme. Nem se lembra mais de seu ‘estranho amor’ com o Rei Pelé no comecinho dos anos oitenta onde o objetivo (também) era aparecer. 

"É no mínimo um grande equívoco e mostra uma vontade da Justiça de buscar um resultado para favorecer alguém muito famoso", reclama Anibal Massaini. Walter Hugo Khoury já morreu. Vi o filme na época, no Cine 7 lá em Bagé numa noite chuvosa e fria. Todos os garotos daquele tempo foram ao cinema para ver Xuxa nua, mas saíram achando Kate Lyra (que não aparece sem roupa) muito melhor que a futura Rainha dos Baixinhos... 


FOTOS: Xuxa no tempo em que achava o filme em que transa com um garoto de 12 anos a coisa mais normal do mundo. E com sua 'escada' para a fama num baile de carnaval em 1983...A briga de Xuxa contra o relançamento de seu filme pornô.

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