segunda-feira, 23 de abril de 2012

Corrupção: CGU abre processo para investigar idoneidade da Delta

                                                                      by Gabriel Castro

Construtora atuava em conjunto com grupo do contraventor
 Carlinhos Cachoeira. Obras em andamento podem continuar



SOCIEDADE - A investigação sobre um esquema ilegal de jogos comandado por Cachoeira (à esq.) revelaram que a Delta, do empresário Fernando Cavendish (à dir.), usa políticos e dinheiro sujo para expandir seus negócios (Fotos Dida Sampaio/AE; Eduardo Knapp/Folhapress)
A Controladoria-Geral da União abrirá um processo que pode declarar inidônea a empresa Delta Construções, ligada à máfia do contraventor Carlinhos Cachoeira. A CGU formou uma comissão com três integrantes para analisar a empresa. A decisão deve ser publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da União.
Se for confirmada a inidoneidade, a empresa ficará impedida de firmar novos contratos com a administração pública. Mas as obras em andamento podem continuar. Cada caso será analisado individualmente pelo órgão responsável pela licitação. A suspensão das obras é o último recurso adotado: segundo orientação da CGU, a prioridade deve ser o cidadão beneficiado pelo empreendimento.
De acordo com a CGU, a criação da comissão se deu por causa das recentes denúncias mostrando a atuação conjunta da construtora com a máfia de Cachoeira. Na investigação, também serão levados em conta episódios da operação Mão Dupla, da Polícia Federal, que flagrou em 2010 fraudes em licitações e desvios de recursos envolvendo a construtora no Ceará. Representantes da Delta chegaram a ser presos.
Na edição desta semana, VEJA mostra como a construtora Delta ascendeu rapidamente graças aos contratos com o governo federal, do qual é a maior fornecedora de serviços. Em uma década, o salto nas verbas que a empresa recebeu da União foi de 1.653%.

PMs acusados de estupro têm prisão decretada no Rio

by Veja

                                          Casas localizadas no alto da Rocinha (Cecília Ritto)


Vítima afirma que, ao invés de ser levada à delegacia
 pelo furto de uma bolsa, foi espancada e violentada
A Justiça decretou a prisão temporária de três dos quatro policiais militares acusados de estuprarem uma moradora da Rocinha, detida por furto na quarta-feira. A prisão foi pedida ao plantão judiciário pelo delegado Gilberto Ribeiro, titular da 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), na noite de sexta-feira.
Os PMs, lotados no Batalhão de Choque, unidade responsável pela ocupação na Rocinha desde novembro, se apresentaram ontem pela manhã na delegacia do Leblon e foram ouvidos informalmente. O teor do depoimento não foi divulgado. Eles foram levados para o Batalhão Especial Prisional (BEP).
Leia também: Comando da PM afasta policiais suspeitos de estupro
A mulher, de 36 anos, foi presa por furtar a bolsa de uma moradora da Rocinha. Reconhecida por sua vítima, foi abordada pelos PMs, que a obrigaram a levá-los até sua casa. Lá, os policiais encontraram a bolsa da moradora, que reconheceu seus pertences e deixou o local. A mulher contou que, em vez de levá-la à delegacia, os policiais a algemaram e passaram a espancá-la com chutes, socos e golpes de toalha molhada. Em seguida, sofreu abuso sexual.
Laudo do Instituto Médico Legal (IML) atestou que a mulher sofreu "lesão corporal e ato libidinoso diverso de conjunção carnal". A Secretaria de Estado de Segurança informou, na noite de sexta-feira, que o secretário José Mariano Beltrame determinou à Corregedoria Geral Unificada "o máximo de rigor nas investigações".

(Com Agência Estado)

No Rio, mais 900 assinaturas pelo julgamento do mensalão


by Veja

Poucos se animam a ouvir os discursos, mas muitos fazem questão de participar do abaixo-assinado que será entregue ao ministro Ricardo Lewandowski, na próxima quarta-feira
Rafael Lemos, do Rio de Janeiro

 Missão ampulheta: Henriette Krutman, do 'Queremos Ética na Política', entregará uma ampulheta ao ministro do STF Ricardo Lewandowski (Rafael Lemos)

 Em frente a um hotel de luxo e ao badalado posto 9, em Ipanema, um carro de som reunia pouco mais de 50 pessoas, na manhã deste sábado, na manifestação 'SOS STF - Julgamento do Mensalão Já'. Se poucos se entusiasmaram a ponto de abandonarem a caminhada no calçadão ou a cervejinha na areia, o apoio à causa se fez visível por meio das mais de 900 assinaturas recolhidas em apenas duas horas de evento. O tempo nublado e o feriado prolongado contribuíram para que a praia tivesse um movimento menor do que o habitual para um fim de semana.

Leia também: Protestos em cidades brasileiras pedem o julgamento do mensalão

"Somos poucos por muitos", resumiu o economista Onyr Jr., de 51 anos.

Um abaixo-assinado, que já acumula pelo menos 17 mil adesões, em papel e na internet, será entregue ao revisor do processo do mensalão no Superior Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, numa audiência marcada para o dia 25 de abril, em Brasília. Participarão do encontro Claudio Abramo, da ONG Transparência Brasil, e Henriette Krutman, do movimento Queremos Ética na Política, representando 22 grupos anticorrupção, que reúnem 57 mil integrantes nas redes sociais.

Na ocasião, também serão entregues ao ministro um manifesto e uma ampulheta, num sinal de que o tempo está passando e beneficiando os mensaleiros. No ato deste sábado, Henriette exibiu a ampulheta, que ainda ganhará uma placa com a inscrição: "Ação penal 470", vulgo processo do mensalão.

"Vamos levar o clamor da sociedade para que esse julgamento se inicie o quanto antes. É preciso evitar a prescrição do crime para alguns dos réus e impedir que escapem da Lei da Ficha Limpa nas eleições municipais desse ano. A sociedade já está frustrada com esses sete anos de demora", afirmou Henriette.

"Não estamos fazendo uma pressão pela a condenação de ninguém, mas sim pelo julgamento. Porque a impunidade não pode continuar", discursou Marcelo Medeiros, do Movimento 31 de julho.

Morador de São Paulo, o nova-iorquino Melton Magidson, 76 anos, aproximou-se para saber do que se tratava a manifestação. Ele nunca tinha ouvido a palavra mensalão e ficou surpreso ao saber que parlamentares são acusados de terem recebido dinheiro em troca de seus votos no Congresso.

"Acho que corruptos deveriam ser presos e não saírem nunca mais. Assim, acho que acabaria a corrupção", opinou Magidson, que decidiu comprar uma camisa do movimento com a inscrição 'Pega ladrão', como forma de apoio.

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