segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Celso Amorim: como distorcer a realidade e influenciar (algumas, cada vez menos) pessoas…

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou, no início da tarde desta segunda-feira que o resultado das eleições legislativas na Venezuela é “bom para a democracia na nossa região”. “Foi uma eleição democrática, livre, e o presidente Chávez, que aparentemente usa muito o Twitter, já disse que vai respeitar o resultado. Eu acho que isso é bom para a democracia na nossa região, é um avanço”, disse Amorim à imprensa em Nova York, onde participa da 65ª Assembléia Geral da ONU.

O chanceler disse ainda achar “muito bom que a oposição tenha decidido participar desta vez, porque isso leva a um diálogo. Quando houve essa atitude anterior, do boicote – é claro que não temos que dar palpite no que eles decidem -, mas não é positivo para a democracia”. Para o ministro, a América do Sul está “caminhando na direção certa. Os países todos têm presidentes eleitos e parlamentos funcionando”. De acordo com os últimos dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, os eleitores de Caracas deram mais votos às legendas da oposição, representadas pela coligação Mesa da Unidade Democrática (MUD), do que aos partidários de Hugo Chávez.

Segundo o jornal ‘El Universal’ a diferença é apertada, com apenas 741 votos a mais para os opositores, mas, mesmo assim, envia um sinal a Hugo Chávez de que a ‘solidez’ do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) já enfrenta mais obstáculos do que antes. O último balanço das urnas publicado pelo CNE dá 95 assentos ao PSUV, 61 aos opositores e 2 a outros partidos. Apesar de ter conquistado mais cadeiras no Parlamento do que a oposição, os chavistas perderam a maioria qualificada, o que deve dificultar a aprovação de leis e reformas propostas pela revolução bolivariana.

No Estado de Zulia, onde a oposição venceu 12 dos 15 assentos disponíveis, o governador Pablo Perez atribuiu a vitória à decisão da MUD de apresentar somente um candidato à cada uma das 165 vagas disputadas no Parlamento. ‘Nós mostramos à Venezuela que podemos vencer se estivermos unidos’, disse.
(…)

ComentoA eleição não foi nem “democrática” nem “livre”, uma vez que a oposição teve de enfrentar severas restrições impostas por Hugo Chávez, que detém hoje, na prática, o monopólio da televisão, onde fala imodestas quatro horas por dia. Quando Amorim afirma que Chávez “vai respeitar o resultado”, deixa claro que, se quisesse, poderia não respeitar. Esse gênio da raça deve acreditar que isso depõe a favor do espírito democrático do tiranete… Tenha paciência!

Amorim diz ainda que a América Latina está no caminho certo, uma vez que “os países todos têm presidentes eleitos e parlamentos funcionando”. Uma ova! Não são condições suficientes para atestar apreço pela democracia. A imprensa, por exemplo, enfrenta formas variadas de censura na Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina e Nicarágua — para não falar, obviamente, da tirania Cubana, onde o presidente não é eleito por ninguém.


O resultado da eleição parlamentar na Venezuela é, sim, auspicioso. Representa um ganho importante para os democratas daquele país, opositores de Chávez e, dados os alinhamentos da América Latina, adversários de… Celso Amorim!

Por Reinaldo Azevedo

Perfil dos candidatos à presidência da Venezuela, Hugo Chávez e Henrique Capriles:.


Eleições na Venezuela

Início do conteúdo


Luiz Raatz

Chávez é reeleito para o 4º mandato e pode ficar 20 anos no poder


Eleições na Venezuela

Início do conteúdo

                                                                                                                       by Roberto Lameirinhas / ENVIADO ESPECIAL



CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi reeleito neste domingo,7, para seu quarto mandato como presidente do país. Aos 58 anos, e recuperando-se de um câncer pélvico, o líder bolivariano teve 54,42% dos votos, indica parcial divulgada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com 90% dos votos apurados. O candidato da oposição, Henrique Capriles, teve 44,97% da preferência popular. A participação foi de 80%.
Militantes chavistas celebram em Caracas - Rodrigo Abd/AP
Rodrigo Abd/AP
Militantes chavistas celebram em Caracas
Os dados foram divulgados na noite deste domingo pela presidente do CNE, Tibisay Lucena. Chávez tem 4, 4 milhões de votos até agora. Capriles, 3,1 milhões de votos. O presidente ficará mais seis anos no poder. Seu novo mandato acaba em 2019, quando completará 20 anos no Palácio de Miraflores.
Por meio de sua conta no Twitter, Chávez agradeceu aos eleitores. "Obrigado, meu povo amado. Viva a Venezuela. Viva Bolívar", escreveu. "Obrigado, meu Deus. Obrigado a todos e a todas."
Capriles, por sua vez,  reconheceu a derrota e cumprimentou Chávez pela vitória. "Espero que um projeto de poder que está no poder há 14 anos compreenda que quase metade do poder não está de acordo com ele", disse. "Sinto-me orgulhoso do que construí. Continuarei trabalhando pela Venezuela."
Polarização. A  eleição marcada pela polarização entre os dois candidatos e ameaças de violência por parte de grupos ligados ao governo acabou transcorrendo de forma tranquila, exceto por poucos incidentes isolados – a maior parte por casos de falhas nas urnas eletrônicas, substituídas pela votação manual. Três mortes por assassinato, uma em Caracas e duas em Miranda, inicialmente atribuídas à disputa eleitoral, foram depois classificadas como crimes comuns.
Logo depois de votar, Chávez concedeu uma rápida entrevista coletiva na qual, pela primeira vez sem fazer rodeios, afirmou que o resultado das urnas seria respeitado. "Que ninguém tenha dúvida, a voz dos venezuelanos será reconhecida pelo governo seja ela qual for", ressaltou Chávez, afirmando ainda que a velocidade da votação, na qual a maior parte dos eleitores votou pela manhã, poderia permitir que o CNE divulgasse o resultado antes do horário previsto.
Acompanhado de um séquito que incluía personalidades como a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, a Prêmio Nobel da Paz guatemalteca, Rigoberta Menchú, o escritor Ignacio Ramonet e o ator americano Danny Glover, o tenente-coronel da reserva que liderou uma frustrada tentativa de golpe em 1992 e sofreu outra em 2002 citou o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva como testemunha de sua vocação democrática.
O Lula diz que a Venezuela é tão democrática, que tem eleição toda hora e, quando não tem, o Chávez arruma uma", afirmou. "Pois eu digo que, se alguém quiser ver como funciona uma democracia, que venha à Venezuela."

Chávez é reeleito para o 4º mandato e pode ficar 20 anos no poderTomas Bravo/Reut

Em Alta

O Caso Banco Master: Fraudes Bilionárias, Daniel Vorcaro e o Polêmico Envolvimento do STF

by Deise Brandão O escândalo do Banco Master é considerado pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério da Fazenda a maior fraude bancária da...

Mais Lidas