sábado, 10 de novembro de 2018

Anatomia do Estado

MURRAY N. ROTHBARD -



1. O que o estado não é.

Alguns teóricos veneram o estado como a apoteose da sociedade, outros consideram-no uma organização afável, embora ineficiente. Quase todos o consideram um meio necessário para atingir os objetivos da humanidade, um meio a ser usado contra o “setor privado”. Com a democracia, a identificação do estado deu início à nova violação dos princípios da razão e do senso comum, tais como: “nós somos o governo” ou “nós somos o estado”

O termo coletivo “nós” camufla ideologicamente a realidade. Se “nós somos o estado”, então qualquer coisa que o estado faça a um indivíduo é não somente justo e não tirânico, como também “voluntário” da parte do indivíduo. Se o estado incorre numa dívida pública que tem de ser paga através da cobrança de impostos sobre um grupo para benefício de outro, a realidade deste fardo é obscurecida (“a nossa dívida tem de ser paga”). Se o estado põe um homem na prisão por opinião dissidente, então ele está “fazendo isso a si mesmo” — e, como tal, não ocorreu nada de lamentável.

Enfatizamos, “nós” não somos o estado, o governo não somos “nós”. O estado não “representa”, de nenhuma forma concreta, a maioria das pessoas. Não se permite que nenhuma metáfora organicista, nenhuma banalidade irrelevante, obscureça este fato essencial. O estado é a organização social que visa a manter o monopólio do uso da força e da violência em uma determinada área territorial, e é a única organização da sociedade que obtém sua receita não pela contribuição voluntária, nem pelo pagamento de serviços fornecidos, mas pela coerção.

Enquanto os indivíduos ou instituições obtêm seu rendimento pela produção de bens e serviços e da venda voluntária e pacífica desses bens e serviços ao próximo, o estado obtém o seu rendimento através do uso da coerção, pelo uso e pela ameaça de prisão e pelo uso das armas. Depois de usar a força e a violência para obter sua receita, o estado passa a regular e a ditar as outras ações dos seus súditos. Todos os estados ao longo da história provam estas afirmações.

2. O que o estado é.



A única forma por meio da qual o ser humano pode satisfazer suas necessidades é através do uso da sua mente e da sua energia para transformar os recursos (“produção”), e da troca destes produtos por produtos criados pelos outros. Por meio do processo de troca mútua e voluntária (comércio), a produtividade — e, logo, o padrão de vida de todos os participantes desta troca —aumenta significativamente. O caminho “natural” para o ser humano é encontrar recursos naturais, segundo, transformando-os (“misturando seu trabalho a eles”, como disse John Locke), fazendo deles sua propriedade individual, e depois trocando esta propriedade pela propriedade de outros obtida de forma semelhante. O caminho social ditado pelas exigências da natureza humana é o caminho dos “direitos de propriedade” e do “livre mercado” de doações ou trocas de tais direitos. O ser humano aprendeu a evitar os métodos “selvagens” da luta pelos recursos escassos — de forma que A pudesse adquiri-los à custa de B —, e multiplicou esses recursos por meio do processo harmonioso e pacífico da produção e troca.

O sociólogo alemão Franz Oppenheimer apontou existir duas formas mutuamente excludentes de adquirir riqueza. A primeira, de produção e troca, ele chamou de “meio econômico”. A outra forma, na medida em que não requer produtividade, confisca os bens e serviços do outro através do uso da força e da violência. É o método do confisco unilateral, do roubo da propriedade dos outros. A este método Oppenheimer rotulou de “o meio político” de aquisição de riqueza. Enquanto o uso pacífico da razão e da energia na produção é o caminho “natural” para o homem, são os meios para a sua sobrevivência e prosperidade nesta terra, o meio coercitivo, explorador, é contrário à lei natural, é parasítico. Em vez de adicionar à produção, apenas subtrai.

O “meio político” desvia a produção para um indivíduo — ou grupo de indivíduos — parasita e destrutivo, desvio que subtrai a quantidade produzida, como também reduz o incentivo do produtor para produzir além de sua própria subsistência. No longo prazo, o ladrão destrói sua própria subsistência ao diminuir ou eliminar a fonte do seu próprio suprimento. Mesmo no curto prazo, o predador age contrariamente à sua natureza como ser humano. Nas palavras de Oppenheimer, o estado é “a organização dos meios políticos”, é a sistematização do processo predatório sobre um determinado território. O crime é, no máximo, esporádico e incerto, já o parasitismo é efêmero e a coercitiva ligação parasítica pode ser cortada a qualquer momento por meio da resistência das vítimas. O estado, no entanto, providencia um meio legal e sistemático para a depredação da propriedade privada, e torna certa, segura e relativamente “pacífica” a vida da casta parasita na sociedade.

Dado que a produção sempre precede qualquer depredação, conclui-se que o livre mercado é anterior ao estado. O estado nunca foi criado por um “contrato social”, e sempre nasceu da conquista e da exploração. O paradigma clássico é o da tribo conquistadora que faz pausa no seu método — testado e aprovado pelo tempo — de pilhagem e assassinato das tribos conquistadas ao perceber que a duração do saque seria mais longa e segura — e a situação mais agradável — se permitisse que a tribo conquistada continuasse vivendo e produzindo, com a única condição que os conquistadores agora assumiriam a condição de governantes, exigindo um tributo anual constante. Para Oppenheimer (The State, p. 15): O estado, na sua verdadeira gênese, é uma instituição social forçada por um grupo de homens vitoriosos sobre um grupo vencido, com o propósito singular de domínio do grupo vencido pelo grupo de homens que os venceram, assegurando-se contra a revolta interna e de ataques externos. Teleologicamente, este domínio não possuía qualquer outro propósito senão o da exploração econômica dos vencidos pelos vencedores. E Jouvenel: “o estado é na sua essência o resultado dos sucessos alcançados por um grupo de bandidos que se impôs a uma sociedade gentil e pacífica” (Bertrand de Jouvenel, On Power, New York: Viking Press, 1949, p.100-101).

3. Como o estado se eterniza.
Uma vez estabelecido o estado, o problema do grupo ou “casta” dominante passa a ser como manter seu domínio. Embora seu modus operandi seja o da força, o problema básico e de longo prazo é ideológico. Para continuar no poder, qualquer governo (não simplesmente um governo “democrático”) tem de ter o apoio da maioria dos súditos, que não precisa ser um entusiasmo ativo, pode bem ser uma resignação passiva, como se se tratasse de uma lei inevitável da natureza, mas tem de haver apoio no sentido de aceitação. Caso contrário, a minoria formada pelos governantes estatais seria em última instância sobrepujada pela resistência ativa da maioria.

Uma vez que a depredação tem de ser mantida por um excedente da produção, a classe que constitui o estado — a burocracia estabelecida — tem de ser uma pequena fração minoritária no território, embora possa comprar aliados entre os grupos importantes da população. A principal tarefa dos governantes é sempre a de assegurar a aceitação ativa ou resignada da maioria dos cidadãos. O apoio é assegurado pela criação de interesses econômicos legalmente garantidos. O presidente sozinho não governa, ele precisa de um grupo de seguidores que desfrutem os privilégios do domínio, por exemplo, os membros do aparato estatal, como a burocracia em tempo integral ou a nobreza estabelecida, mas, ainda assim, isto assegura apenas uma minoria de apoiadores fervorosos, e a compra de apoio por meio de subsídios e outras concessões de privilégios não é suficiente para obter o consentimento da maioria. Para produzir esta aceitação crucial, a maioria tem de ser persuadida pela ideologia que o governo é bom, sábio, inevitável e certamente melhor do que outras possíveis alternativas. A promoção desta ideologia entre o povo é a tarefa social dos “intelectuais”, pois as massas não criam suas próprias ideias, ou sequer pensam de maneira independente sobre estas ideias, elas seguem passivamente as ideias adotadas e disseminadas pelo grupo de intelectuais, os “formadores de opinião”. A modelagem da opinião é o que o estado desesperadamente precisa, e é a razão da milenar aliança entre o estado e os intelectuais. O estado precisa de intelectuais, mas não é algo tão evidente o porquê intelectuais precisam do estado. Posto de forma simples, o sustento do intelectual no livre mercado nunca é algo garantido, pois depende dos valores e das escolhas de seus concidadãos, e é uma característica indelével das massas o fato de serem geralmente desinteressadas de assuntos intelectuais. O estado, por outro lado, oferece aos intelectuais um nicho seguro e permanente no seio do aparato estatal, e, consequentemente, um rendimento certo e um arsenal de prestígio. E os intelectuais são generosamente recompensados pela função que executam para os governantes do estado, grupo ao qual eles agora pertencem. A aliança entre o estado e os intelectuais ficou simbolizada, no século XIX, no desejo dos professores da Universidade de Berlim em dar “apoio intelectual da Casa de Hohenzollern”. No século XX, um acadêmico marxista sobre o estudo crítico do antigo despotismo Oriental realizado pelo Professor Wittfogel: “A civilização que o Professor Wittfogel ataca tão veemente foi uma civilização que colocou poetas e eruditos no funcionalismo público” (Joseph Needham).

Os argumentos por meio dos quais o estado e seus intelectuais induzem os súditos a apoiar seu domínio podem ser resumidos em: (a) os governantes estatais são homens sábios e grandiosos (governam por “decreto divino”, são a “aristocracia” dos homens, são “cientistas especialistas”), muito melhores e mais sábios do que os seus bons, porém simplórios, súditos, e (b) a subjugação pelo governo é inevitável, absolutamente necessária e de longe melhor que os males indescritíveis que sucederiam à sua queda.

Vários foram os métodos utilizados pelo estado. Um mecanismo bem sucedido foi o deinstaurar o medo sobre os sistemas alternativos de governo ou não governo. Os governantes, alega-se, fornecem aos cidadãos um serviço essencial pelo qual devem estar muito gratos: a proteção contra criminosos e saqueadores esporádicos. O estado preserva seu monopólio predatório ao garantir que o crime privado e não sistemático seja mantido num grau mínimo.

Outro mecanismo foi usar o patriotismo. Uma vez que a maioria das pessoas tende a amar sua terra natal, a identificação dessa terra e seu povo com o estado beneficiou-o. Nos séculos mais recentes, tem sido especialmente bem sucedido fomentar o medo sobre outros governantes estatais. Dado que a área territorial do globo foi parcelada entre estados, uma de suas doutrinas foi a de se identificar com o território que domina. Uma guerra entre governantes é transformada numa guerra entre povos, em que a massa dos indivíduos age em defesa dos seus governantes sob a falsa crença que os governantes estariam agindo em defesa de seus indivíduos. O apelo ao “nacionalismo” tem sido útil, no Ocidente, apenas em séculos mais recentes. Não há muito tempo, a massa de súditos olhava para as guerras como batalhas irrelevantes entre diversos grupos de nobres.

Outro mecanismo tem sido a tradição. Quanto mais tempo se preserva o domínio de um estado, mais poderosa é esta arma. A adoração aos antepassados é um modo não muito sutil de adoração aos antigos governantes. O maior perigo para o estado é a crítica intelectual independente, não há melhor forma de abafar essa crítica que atacar qualquer voz isolada, qualquer um que levante novas dúvidas, como um profano violador da sabedoria dos ancestrais.

Outro mecanismo, desaprovar e rebaixar o indivíduo e exaltar a coletividade da sociedade. Uma vez que qualquer tipo de domínio implica uma aceitação da maioria, qualquer perigo ideológico para o domínio começa a partir de um ou de poucos indivíduos que demonstrem pensar independentemente. A ideia nova e, principalmente, a ideia nova e crítica, tem início como pequena opinião minoritária. O estado tem de cortar a ideia pela raiz, ridicularizando qualquer ponto de vista que desafie a opinião das massas.

É importante que o estado faça parecer seu domínio é inevitável. Mesmo que seu reinado seja detestado, ele será visto com resignação passiva, tal como o dito sobre a “inevitabilidade da morte e dos impostos”. É a indução do determinismo historiográfico, em oposição ao livre arbítrio individual. Se qualquer tirania imposta pelo estado, ou corrupção, ou agressão militar, foi causada não pelos governantes estatais, mas por “forças sociais” misteriosas e ocultas, ou pelo arranjo imperfeito do mundo, ou, se de alguma forma, todos foram responsáveis, então não há qualquer razão para as pessoas ficarem indignadas ou se insurgirem contra tais delitos. E um ataque às “teorias da conspiração” tem como objetivo fazer com que os súditos se tornem mais crédulos em relação às razões de “bem-estar geral”, apresentadas pelo estado como justificativa para os seus atos despóticos.

Outro método para curvar os súditos à vontade do estado é a indução da culpa. Qualquer aumento do bem-estar privado pode ser atacado como “ganância inaceitável”, “materialismo” ou “riqueza excessiva”, o lucro pode ser atacado como “exploração” e “agiotagem”. As trocas mutuamente benéficas são denunciadas como “egoístas”, chegando-se à conclusão que mais recursos devem ser retirados do setor privado e desviados para o “setor público”. A culpa induzida torna o público suscetível a aceitar esta transferência. Isso para tornar a depredação parasítica uma atitude aparentemente mais elevada, estética e moralmente, que o trabalho pacífico e produtivo.

A ininterrupta determinação dos seus ataques ao senso comum não é acidental, como afirmou H. L. Mencken (Chrestomathy, New York: Knopf, 1949, p. 146-47): O homem comum, quaisquer que sejam as suas falhas, pelo menos vê claramente que o governo é algo que existe à parte de si e à parte da maioria dos seus concidadãos — que o governo é um poder separado, independente e hostil, apenas parcialmente sob o seu controle e capaz de prejudicá-lo seriamente. Não é por acaso que roubar o governo é visto em geral como um crime de menor magnitude do que roubar um indivíduo, ou até mesmo uma empresa. O que está por trás desta visão, creio eu, é a profunda noção que há um antagonismo fundamental entre o governo e as pessoas que ele governa. O governo é tido não como um comitê de cidadãos eleitos para resolver os problemas comuns de toda população, mas sim como uma corporação autônoma e separada, dedicada principalmente à exploração da população para benefício dos seus próprios membros . Quando um cidadão é roubado, uma pessoa digna foi privada dos frutos do seu esforço e poupança, quando o governo é roubado, o pior que acontece é que uns patifes ociosos ficam com menos dinheiro para brincar do que tinham antes. A noção que mereceram ganhar esse dinheiro não passa pela cabeça de ninguém, afina, para qualquer pessoa sensata, esta ideia é ridícula.

4. Como o estado transcende seus limites.

Ao longo dos séculos os homens formam conceitos com intuito de refrear e limitar o domínio estatal e o estado que, recorrendo a seus aliados intelectuais, transformam estes conceitos em carimbos de legitimidade e virtude, anexando-os aos seus decretos e ações. Na Europa Ocidental, o conceito de soberania divina afirmava que os reis podiam governar apenas de acordo com a lei divina. Os reis perverteram esse conceito e o transformaram em um carimbo de aprovação divina para qualquer ato real. O conceito de democracia parlamentar começou com restrição popular ao domínio monárquico absoluto e terminou com o parlamento não apenas se tornando parte essencial do estado, como também a manifestação da plena soberania deste. Muitos escritores debruçaram-se sobre estes mecanismos restritivos da soberania, mas cada uma destas teorias perdeu seu propósito original e funcionou como um trampolim para o poder. O mesmo aconteceu com doutrinas como “direitos naturais” do indivíduo, consagrados por John Locke e pela Carta dos Direitos (Bill of Rights). Ambas converteram-se no estatista “direito a um emprego”. O utilitarismo abandonou seus argumentos em prol da liberdade e se concentrou em argumentos contra a resistência aos ataques do estado à liberdade etc.

A mais ambiciosa tentativa de impor limites ao estado foi a Carta dos Direitos e outras restrições da Constituição Americana, na qual foram escritos limites explícitos os quais deveriam servir como lei fundamental a ser interpretada por um sistema judicial supostamente independente dos outros ramos do governo. E deu-se um processo de alargamento de limites na Constituição americana no século XX. Se um decreto judicial de “inconstitucionalidade” é um entrave ao poder do governo, uma decisão de “constitucionalidade” é uma arma para promover a aceitação pública de um crescente poder governamental. Segundo Charles Black (The People and the Court, New York: Macmillan, 1960): A ameaça suprema [para o governo] é a ampla disseminação de um sentimento de ultraje e desafeição entre a população, e a consequente perda de autoridade moral por parte do governo, independentemente de quanto tempo ele consiga mantê-la pela força ou pela inércia ou pela simples falta de uma alternativa atraente e imediatamente disponível. Quase todas as pessoas que vivem sob um governo com poderes limitados serão, cedo ou tarde, sujeitados a alguma ação governamental que, em sua opinião, consideram estar além do poder do governo ou mesmo totalmente proibida ao governo. Ameaça afastada pelo estado pela propaganda doutrinal que uma agência terá de ter a decisão final da constitucionalidade. O poder judicial é uma parte essencial do aparato governamental, o que significa que o estado se coloca no papel de juiz de suas próprias causa,s violando o princípio jurídico básico de se procurar chegar a decisões justas.

Black considera que, dado o fato que o estado perpetuamente julga em sua própria defesa, conseguir chegar a decisões justas e legítimas seria “algo milagroso”. A Suprema Corte foi capaz de silenciar a grande massa de americanos que demonstrava fortes objeções constitucionais ao New Deal. CHARLES BLACK: Claro que nem todos ficaram satisfeitos. O mito do laissez-faire constitucionalmente ordenado ainda acalenta o coração de alguns sonhadores na terra da irrealidade raivosa. Mas já não há qualquer dúvida no público, perigosa ou significativa, quanto ao poder constitucional do Congresso para lidar como lida com a economia nacional ….. Não havia qualquer outro meio, senão a Suprema Corte, para conceder legitimidade ao New Deal.

John C. Calhoun, no “Disquisition”, demonstrou a tendência inerente do estado a ultrapassar os limites de uma constituição (The Growth and Decadence of Constitutional Government, New York: Henry Holt, 1930, p. 88): Será um jogo de interpretação contra interpretação — uma para contrair e a outra para alargar ao máximo o domínio do governo. Mas qual o benefício da visão rigorosa do partido minoritário face à visão permissiva do partido majoritário quando este tem todo o poder do governo para colocar em prática a sua visão ao passo que o primeiro se encontra privado de qualquer meio para concretizar a sua visão? Em uma disputa tão desigual, o resultado não será difícil de prever. O partido a favor das restrições será derrotado. …. O final da disputa será a subversão da constituição. …. as restrições serão por fim anuladas e o governo será convertido em um governo com poderes ilimitados. A solução proposta por Calhoun foi a doutrina da “maioria concomitante”. Se qualquer interesse minoritário substancial, especificamente um governo estadual, acreditasse que o Governo Federal excedia seus poderes sobrepondo-se a esta minoria, a minoria teria o direito de veto deste exercício de poder baseando-se na sua inconstitucionalidade.

O estado demonstra um exímio talento para a expansão dos seus poderes para além de quaisquer limites que possam lhe ser impostos. Uma vez que o estado sobrevive necessariamente do confisco compulsório do capital privado, e uma vez que a sua expansão envolve necessariamente uma incursão cada vez maior sobre indivíduos e empresas privadas, é imperativo afirmar que o estado é uma instituição profunda e inerentemente anticapitalista. O estado — a organização dos meios políticos — é constituído pela — e é a fonte da — “classe dominante” (ou melhor, casta dominante) e está em permanente oposição ao capital genuinamente privado.


5. O que o estado teme.




O que o estado teme qualquer ameaça fundamental ao seu próprio poder e à sua existência. Sua morte pode ocorrer de duas formas: (a) por meio da sua conquista por outro estado, ou (b) por um golpe revolucionário feito pelos seus próprios súditos. Ou seja, por meio da guerra ou da revolução. Por isso, as pessoas são mobilizadas a defender o estado na crença que defendem a si mesmas. A fraude subjacente a esta ideia evidencia-se quando o recrutamento compulsório é utilizado contra aqueles que se recusam a “defender-se”, e que são forçados a juntar-se ao aparato militar do estado, e não lhes é permitida qualquer “defesa” contra este ato cometido pelo “seu próprio” estado. Em uma guerra, o poder do estado é levado ao extremo, e sob os slogans da “defesa” e da “emergência”, impõe uma tirania ao público que, em tempos de paz, enfrentaria franca e aberta resistência.

O estado está majoritariamente interessado em proteger a si mesmo, e não os seus súditos. Qual categoria de crimes que o estado persegue e pune mais intensamente,aqueles cometidos contra os cidadãos ou aqueles cometidos contra ele próprio? No vocabulário do estado, os crimes mais graves quase invariavelmente não são agressões contra indivíduos ou contra a propriedade privada, mas sim ataques contra o bem-estar do estado. Por exemplo, traição, deserção de um soldado para o lado inimigo, fugir do alistamento militar compulsório, subversão e conspiração subversiva, assassinato de governantes, e crimes econômicos contra o estado, como falsificação da sua moeda ou evasão fiscal. Compare a intensidade dedicada à perseguição de um homem que tenha atacado um policial com a atenção que o estado concede ao ataque a um cidadão comum.
6. Como os estados se relacionam.

A guerra é uma tendência perene entre os estados, com períodos pontuais de paz e de alterações de alianças e coalizões entre estados. As tentativas “internas” ou “domésticas” para limitar o estado, entre o século XVII e o século XIX, alcançaram sua forma mais notável no constitucionalismo. Sua contrapartida “externa”, ou das “relações internacionais”, foi o desenvolvimento do “direito internacional”, suas “leis de guerra” e “neutralidade em guerra”, mas até as regras governamentais surgiram voluntariamente sem nunca terem sido impostas por qualquer superestado. O objetivo das “leis de guerra” era limitar a destruição interestatal do aparato do estado, preservando o público “civil” da matança e devastação da guerra. O objetivo do desenvolvimento do direito à neutralidade era o de preservar o comércio internacional civil privado, mesmo entre países “inimigos”. O objetivo mais abrangente era limitar a âmbito de qualquer guerra e o de limitar o seu impacto destrutivo sobre os cidadãos dos países neutros e até dos países em guerra.

Houve separação entre o indivíduo civil e as guerras do estado na Europa do século XVIII (Nef, War an Human Progress, p. 162): Nem as comunicações postais eram devidamente cortadas por muito tempo em períodos de guerra. As cartas circulavam sem censura, com uma liberdade que surpreendente para a mentalidade do século XX. …. Os cidadãos de duas nações em guerra conversavam entre si quando se encontravam e, quando não se encontravam, correspondiam-se, não como inimigos mas como amigos. A noção moderna que os súditos de um país inimigo são parcialmente responsáveis pelos atos beligerantes dos seus governantes era praticamente inexistente. Nem os governantes em conflito tinham qualquer intenção real de cortar as comunicações com os súditos do inimigo. As antigas práticas inquisitoriais de espionagem relacionadas ao culto religioso e à fé estavam desaparecendo, e não se imaginava sequer qualquer prática comparável de inquisição em relação a comunicações políticas ou econômicas. O passaporte foi originalmente criado para prover uma imunidade oficial em tempo de guerra. Durante a maior parte do século XVIII, raramente um Europeu desistia das suas viagens a um país estrangeiro contra o qual o seu próprio estava em guerra. E sendo o comércio crescentemente reconhecido como benéfico para ambas as partes, os períodos de guerra no século XVIII incluíam também uma considerável quantidade de “comércio com o inimigo”.

Os estados transcenderam as regras da guerra civilizada no século XX. Na era moderna da guerra total, combinada com a tecnologia de destruição total, a ideia de manter a guerra limitada ao aparato estatal parece ainda mais antiquada e obsoleta do que a Constituição original dos Estados Unidos.

Quando os estados não estão em guerra, acordos são frequentemente necessários para manter as desavenças ao mínimo. Uma doutrina que curiosamente ganhou uma grande aceitação é a suposta “santidade dos tratados”. Este conceito é visto como a contrapartida da “santidade do contrato”, mas um tratado nada tem em comum com um contrato genuíno. Um contrato transfere títulos sobre a propriedade privada. Uma vez que um governo não “é o proprietário”, em nenhum sentido legítimo, da sua área territorial, nenhum acordo que ele faça confere títulos de propriedade.
7. A história como uma batalha entre o poder estatal e o poder social.

Assim como as duas inter-relações humanas básicas e mutuamente exclusivas são a cooperação pacífica ou a exploração coercitiva — produção ou depredação —, a história da humanidade, em particular a sua história econômica, pode ser considerada uma disputa entre estes dois princípios. De um lado, existe a produtividade criativa, as trocas pacíficas e a cooperação, de outro, o despotismo coercivo e a depredação das relações sociais.

Albert Jay Nock apelidou estas duas forças concorrentes “poder social” e “poder estatal”. O poder social é o poder do homem sobre a natureza — sua transformação cooperativa dos recursos naturais e a compreensão racional das leis da natureza — para o benefício de todos os indivíduos participantes. O poder social é o poder sobre a natureza, e alcançar de um melhor padrão de vida por meio da troca mútua entre os homens. Já o poder estatal, como vimos, é a apropriação coercitiva e parasítica desta produção — uma drenagem dos frutos da sociedade para benefício de indivíduos não produtivos (na verdade, anti-produtivos), os governantes.

O poder social é exercido sobre a natureza, o poder estatal é o poder exercido sobre o homem. Ao longo da história, as forças criativas e produtivas do homem têm, repetidamente, aberto caminho a novas formas de transformar a natureza para seu benefício. Isto ocorreu nos momentos em que o poder social manteve-se à frente do poder estatal, momentos em que a invasão do estado sobre a sociedade foi consideravelmente diminuída. Sem exceção, após alguns intervalos, o estado sempre se move em direção a essas novas áreas, para confiscar e debilitar o poder social. Se o período entre o século XVII e o século XIX foi, para muitos dos países ocidentais, uma época de crescimento dopoder social com um aumento da liberdade, da paz e do bem-estar material, o século XX foi principalmente uma era em que o poder estatal foi recuperando o poder que havia perdido — com uma consequente reversão rumo à escravidão, à guerra e à destruição. No século XX, a espécie humana enfrenta, novamente, o reinado virulento do estado — do estado armado com os frutos dos poderes criativos da humanidade, confiscados e adulterados para os seus próprios fins. Nos últimos séculos os homens tentaram colocar limites constitucionais ao estado, apenas para concluir, mais tarde, que tais limites fracassaram. Dentre todas as numerosas formas que os governos assumiram ao longo dos séculos, dentre todos os conceitos e instituições que foram experimentados, nenhum conseguiu manter o estado sob controle. O problema do estado evidentemente nunca esteve tão longe de ser resolvido. Novos caminhos devem ser explorados em busca de soluções se realmente quisermos algum dia resolver de uma vez por todas a questão do estado.

Congresso já armou bomba fiscal de R$ 259 bilhões para Bolsonaro

© REUTERS Congresso já armou bomba fiscal de R$ 259 bilhões para Bolsonaro

No último ano do atual mandato, deputados e senadores armaram para o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), uma bomba fiscal de ao menos R$ 259 bilhões, mostra levantamento da Folha de S.Paulo.

O valor refere-se ao impacto nas contas públicas, nos próximos quatro anos, causado por dez projetos aprovados ou que avançaram no Congresso em 2018.

Apesar de o Orçamento estar sob regência de um teto que barra a expansão de gastos, os parlamentares aceleraram propostas que vão na direção contrária, seja com matérias de autoria do Legislativo, pressão por concessões em projetos editados pelo governo ou derrubada de vetos presidenciais.


As eleições deste ano, que vão deixar a maior parte dos atuais parlamentares sem vaga no Congresso a partir do ano que vem, não impediram a aprovação da chamada bomba fiscal. O resultado das urnas vai promover uma renovação de 51% da Câmara e de 85% das vagas disputadas no Senado.

Nesta semana, os senadores aprovaram aumento de 16% nos salários dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). O reajuste provoca um efeito em cascata que leva a aumentos salariais em todas as esferas do serviço público.

O impacto anual da medida chegou a ser estimado em R$ 4 bilhões, mas novo cálculo da consultoria de Orçamento do Senado diz que o custo será de R$ 5,3 bilhões ao ano.

Aplicada aos quatro anos de mandato de Bolsonaro, essa conta somará R$ 21,2 bilhões. Utilizando a mesma lógica aos outros projetos analisados que geram impactos anuais diversos, essa fatura chega a R$ 259 bilhões.

Também nesta semana, os parlamentares aprovaram a medida provisória do Rota 2030, que estabelece incentivos fiscais a montadoras de veículos. O projeto contraria as ideias da equipe de Bolsonaro, que critica a concessão de benefícios setoriais.

O custo anual será de R$ 2,1 bilhões, mas o texto foi alterado para incluir penduricalhos que vão elevar o impacto.

Benefícios do Reintegra, regime que dá crédito tributário a exportadores, foram ampliados e novos setores foram desonerados. Não há estimativa de custo dessas alterações.

Também foi incluída a prorrogação do regime que concede benefícios a montadoras instaladas no Nordeste. O programa tem custo anual de R$ 4,6 bilhões e terminaria em 2020. Agora, irá até 2025.

Após a aprovação, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), negou que o Congresso esteja produzindo bombas para estourar no governo Bolsonaro.

"Para evitar manchetes de jornal de que estamos produzindo pautas-bombas, quero evitar esse discurso fácil de pauta-bomba. Ao mesmo tempo que se prorroga o prazo [dos benefícios], faz uma redução dos incentivos hoje existentes em 40%", disse na quinta-feira (8).

Entre as medidas aprovadas pelos parlamentares neste ano, está o refinanciamento de dívidas para pequenos produtores rurais. Na tramitação, houve ampliação dos benefícios e do número de agricultores aptos a aderir ao programa, elevando o custo ao Orçamento de R$ 1,6 bilhão para R$ 5,3 bilhões. O texto foi parcialmente vetado e será novamente analisado pelo Legislativo.

O Congresso também entrou em Confronto com o governo depois que Temer editou um decreto que reduziu a alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de concentrado de refrigerantes de 20% para 4%. Quanto menor a alíquota, menos créditos fiscais são gerados pelo setor.

Primeiro, o Senado aprovou uma medida para derrubar o decreto. O texto aguarda análise da Câmara. Depois, com pressão do setor e de parlamentares, o governo editou novo decreto restabelecendo parte do benefício. O recuo vai custar cerca de R$ 700 milhões aos cofres púbicos em 2019.

A lista da pautas-bomba tem a liberação da venda direta de etanol das usinas aos postos de combustível (custo R$ 2,4 bilhões ao ano), benefícios para transportado- ras (R$ 9 bilhões ao ano) e a derrubada de vetos para autorizar o refinanciamento de dívidas de pequenas empresas (R$ 7,8 bilhões em dez anos) e reajuste salarial a agentes comunitários de saúde (R$ 4,8 bilhões).

O governo ainda tenta adiar reajustes de servidores de 2019 para 2020, o que poderia gerar uma economia de R$ 4,7 bilhões. Apresentada em setembro, a medida que trata do tema nem sequer teve comissão instalada pelo Congresso. O texto precisa ser aprovado até 10 de fevereiro de 2019, ou perderá a validade.

Parlamentares pressionam também pela compensação da União aos estados pela desoneração de ICMS na exportação. Projeto sobre o tema, com custo anual de R$ 39 bilhões, foi aprovado em comissão mista e precisa ser votado nos plenários da Câmara e do Senado. 
Com informações da Folhapress.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

De onde veio o Bolsonaro?

by Gustavo Bertoche,
Professor de filosofiao Twitter
Jair Bolsonaro no domingo passado, após a votação: ele conseguiu uma clara vantagem no primeiro turno
 das eleições presidenciais brasileiras (AFP)
Desculpe, amigos, mas não é um "machismo", uma "homofobia" ou um "racismo" do brasileiro. A grande maioria dos eleitores do candidato do PSL não é sexista, racista, homofóbico ou defende a tortura. A maioria deles nem sequer é bolsonarista .

Bolsonaro veio daqui mesmo, do campo da esquerda. Surgiu da nossa incapacidade de fazer a necessária autocrítica . Surgiu da recusa em conversar com o outro lado. Surgiu da insistência na ação estratégica em detrimento da ação comunicativa, que nos levou a demonizar, sem tentar entender, aqueles que pensam e sentem de maneira diferente.

É, até mesmo, o que estamos fazendo agora. Meu Facebook e WhatsApp estão cheios de ataques a "fascistas", aqueles que têm "mãos cheias de sangue", que são "chauvinistas", "homofóbicos", "racistas". Apenas o eleitor médio de Bolsonaro não é nada disso ou se identifica com esses defeitos. As mulheres votaram em Bolsonaro mais que em Haddad. Os negros votaram em Bolsonaro mais do que em Haddad. Um grande número de gays votou em Bolsonaro.

Amigos, estamos errando o alvo. O problema não é o eleitor de Bolsonaro. Somos nós, do grande campo da esquerda .

O eleitor não votou em Bolsonaro porque disse coisas detestáveis. Ele votou em Bolsonaro apesar disso.

A votação para Bolsonaro, não fomos enganados, não foi o voto para a direita: foi o voto anti-esquerda, foi o voto anti-sistema, foi o voto anti-corrupção . Nas mentes de muitas pessoas (aqui e nos Estados Unidos, nas últimas eleições), o sistema, a corrupção e a esquerda estão ligados. Seu voto aqui foi o mesmo voto que elegeu Trump lá. E os pecados da esquerda são os pecados da esquerda aqui.

Bolsonaro tinha os votos que tinha porque evitamos, a todo custo, encarar nossos erros e mudar a maneira como fazemos política. Nós estávamos presos em nomes intocáveis, mesmo quando eles provavam sua falibilidade. Adotamos o método mais podre de conquistar a maioria no congresso e nas assembléias legislativas, por ter preferido o poder à virtude. Nós corrompemos a mídia com anúncios de empresas estatais ao ponto em que a mídia se tornou dependente do estado. E nós expulsamos, ou ostracizam, todas as vozes críticas dentro da esquerda.

O que fizemos com o Cristóvão Buarque?

O que fizemos com o Gabeira?

O que fizemos com a Marina?

O que fizemos com o Hélio Bicudo?

O que fizemos com tantos outros menores?


Aqueles que não concordaram com nossa vaca sagrada, aqueles que criticaram os métodos das cúpulas partidárias, ficaram em silêncio ou tiveram que deixar a esquerda para continuar tendo voz.

Enquanto isso, nos enganamos com os sucessos eleitorais e nos tornamos um movimento da elite política. Perdemos a capacidade de nos comunicar com as pessoas, com as classes médias, com o cidadão que trabalha 10 horas por dia, e nos enganamos com a crença na idéia de que toda mobilização popular deve ser estruturada de cima para baixo.

A própria decisão de lançar Lula e Haddad como candidatos mostra que não aprendemos nada com nossos erros - ou, o que é pior, que não percebemos que estamos cometendo um erro e colocamos a culpa nos outros. Onde estão as fofas convenções de festas dos anos 80? Onde estão as correntes e tendências lançando contra pré-candidatos? Onde estão os debates internos? Quando a festa aconteceu ter um dono?

Em suma: a esquerda ficou mais velha, enriquecida e esqueceu suas origens .

O que nos restou foi a criação de slogans que repetimos e repetimos até acreditarmos neles. Só esses slogans não entendem na cidade, porque eles não correspondem ao que as pessoas vivem. Não basta chamar o eleitor de Bolsonaro de "racista", quando esse eleitor é negro e decidiu que nunca mais vota o PT. Não basta dizer que a mulher não vota em Bolsonaro pela mulher que decidiu não votar no PT de forma alguma.

Não, amigos, o Brasil não possui 47% de machistas, homofóbicos e racistas. Qualificando os eleitores de Bolsonaro de tudo o que não vai resolver nada, porque o engano não vai pegar. O eleitor médio do tipo não é nada disso. Ele simplesmente não quer que o país seja governado por uma parte que tenha um dono .

E não, não há uma disputa entre a barbárie e a civilização. O bárbaro não disputa eleições . (Ah Hitler jogado, etc. Você já leu Mein Kampf? Eu. Ele é tudo lá, já em 1925. Desculpe, amigo, mas engana piadas e frases NO Mein Kampf. Onde está a sua capacidade hermenêutica?) .

Há uma onda de Bolsonaro, mas pode ser uma onda de qualquer outro candidato anti-PT. Eu suspeito que Bolsonaro surfa nessa onda apenas porque ele é o mais antipático de todos.

E a falha do surgimento dessa onda é nossa, exclusivamente nossa. Não é apenas nossa, como continuará sendo até que alcancemos uma verdadeira autocrítica e levemos de volta ao nosso campo (e para nossos partidos) uma prática verdadeiramente democrática, algo que perdemos há mais de vinte anos.

Nós falamos muito em defesa da democracia, mas não praticamos a democracia em nossa própria casa . Será que esquecemos seu significado e também transformamos a democracia em um mero lema político, em que o que é nosso é automaticamente democrático e o que é do outro é automaticamente fascista? É hora de usar menos vísceras e mais o cérebro, amigos. E slogans falam para bílis, não para razão.

domingo, 30 de setembro de 2018

Casal de pinguins dão um passeio romântico numa praia e tornam-se virais






Um vídeo absolutamente fofo e adorável de dois pinguins viralizou nas redes sociais. E não é pra menos, né? Os dois foram filmados passeando de “mãos dadas” em uma praia. É MUITA FOFURA!

A princípio pode até parecer estranho ver um pinguim em uma praia, né? Porém, na Africa do Sul, esses animais preferem ambientes mais quentes e acolhedores, por isso é normal encontra-los em praias.



Justamente por isso, o vídeo em questão foi filmado numa praia localizada a cerca de 40km do centro da Cidade do Cabo, na Boulders Beach, ou “Praia dos Rocheados”, que é muito conhecida por abrigar uma colonia de pinguins africanos.


No vídeo em questão é possível ver dois pinguins caminhando um ao lado do outro ao longo das areias da praia, até o momento em que eles juntam suas barbatanas, dando a entender que são um belo e feliz casal de pinguins a andar de “mãos dadas” pela praia.

Sinceramente, não há palavras que possam descrever tal cena, então segue abaixo o vídeo para vocês se encantarem:
Não atoa, dizem que os pinguins só possuem um único amor em toda sua vida. 
Lindo, né?
By gostariadeir.com.br

sábado, 29 de setembro de 2018

Luiz Inácio, transformou a sala-cela em Curitiba no QG da candidatura de Fernando Haddad ao Planalto. De lá, o petista articula a cooptação de caciques regionais e até entregas de dinheiro por meio de jatinhos


Como Lula opera a campanha da cadeia

Gemano Oliveira

Preso há seis meses numa sala-cela da PF em Curitiba, o ex-presidente Lula está apenas no início do cumprimento de uma pena de 12 anos e 1 mês de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Teoricamente, o cárcere deveria servir para o réu se regenerar dos crimes cometidos, não voltar a delinqüir e deixar o presídio após o final da pena apto a se reintegrar à sociedade, devidamente recuperado. Mas Lula parece não se emendar. Ao exercer sem qualquer cerimônia ou pudor o papel de coordenador da candidatura do presidenciável Fernando Haddad (PT), o petista transformou a sala-cela num QG da campanha, onde acontecem manobras pouco ortodoxas no vale-tudo para eleger o petista. Sob as barbas das autoridades, Lula vale-se da estrutura carcerária para operar a estratégia eleitoral petista, colocando em prática métodos nada republicanos no esforço para cooptar apoios de partidos como MDB, PR, PP e PDT para o “projeto Haddad”. Conforme apurou ISTOÉ, além de promessas de cargos no futuro governo do PT, Lula articula vantagens financeiras destinadas a irrigar as campanhas dos que se dispõem a serem convertidos a novos aliados. A máquina eleitoral é comandada por meio de bilhetinhos, à la Jânio Quadros, só que de dentro da cadeia, os quais o petista faz chegar às mãos de assessores de altíssima confiança. Integram o time de pombos-correios de Lula o ex-chefe de gabinete Gilberto Carvalho, o advogado Cristiano Zanin, o deputado José Guimarães (PT-CE) e do próprio Haddad, que o tem visitado na condição de advogado. O teor das mensagens é repassado pelos assessores aos políticos aos quais se destinam as determinações.

Nas últimas semanas, o objetivo do ex-presidente tem sido ampliar a vantagem de Haddad no Norte-Nordeste do País. Não à toa, intensificaram-se as mensagens remetidas para caciques da região e velhos parceiros dos tempos da era petista no poder, caso dos senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Eunício Oliveira (MDB-CE), Fernando Collor (PTC-AL) e o ex-senador José Sarney (MDB-MA), que até então marchavam ao lado de Henrique Meirelles (PMDB) ou de Ciro Gomes (PDT). Para que mudassem de lado na atual corrida presidencial, robustecendo o palanque de Haddad, Lula prometeu-lhes participação no novo governo e até compensações financeiras. Outro destinatário preferencial dos bilhetinhos de Lula é o também presidiário Valdemar Costa Neto, que por determinação judicial dorme no Presídio da Papuda, em Brasília, mas está autorizado a sair durante o dia para trabalhar. Apesar de não ser mais o presidente do PR, Valdemar ainda manda e desmanda no partido, que desde o governo Lula transformou o Ministério dos Transportes no seu latifúndio, digamos, mais produtivo. O operador financeiro de Valdemar é o ex-ministro Maurício Quintella, atualmente candidato ao Senado pelo PR de Alagoas. Como Lula sabe que o caixa do PR é poderoso, por comandar grandes obras em rodovias no País, o petista tem acionado Valdemar quando precisa fazer chegar recursos 
às mãos de algum neo-aliado.

O VELHO FISIOLOGISMO Lula prometeu cargos para raposas
 do MDB num futuro governo (Crédito:Fernando Bizerra Jr)

Foi o que aconteceu no Maranhão. Lula havia recebido informações de que a candidatura de Ciro Gomes ganhava corpo no Estado. Afinal, o governador Flávio Dino (PCdoB), apesar de integrar a base aliada do PT, trabalhava com afinco para empinar a candidatura de Ciro. Até que Dino foi procurado pelo deputado José Guimarães, a quem coube repassar-lhe a orientação de Lula: que ele passasse a se dedicar a Haddad. “Dino tem que deixar de apoiar Ciro”, ordenou o petista da cadeia. Não parou por aí. Ao descobrir que um dos motores da candidatura de Ciro no Maranhão era o deputado Weverton Rocha (PDT-MA), candidato ao Senado, Lula, por meio de Gilberto Carvalho, destinou uma importante mensagem a Valdemar Costa Neto. “Faça chegar dinheiro à campanha de Weverton Rocha”. O deputado, conforme informações colhidas por Lula da prisão, precisava de R$ 6 milhões para deslanchar sua campanha. Com o apoio de Quintella, Valdemar deflagrou a operação para o envio do dinheiro ao Maranhão.


Avião com R$ 6 milhões a bordo caiu em Boa Viagem (CE). Mas os recursos chegaram no destino: a campanha de Weverton Rocha, PDT

Conforme apurou ISTOÉ, um avião experimental Cirrus, da Vokan Seguros, a serviço da empreiteira CLC (Construtora Luiz Carlos), foi quem cuidou do transporte do dinheiro do Ceará com destino a São Luis. A CLC faz um trecho da BR-222, na região de Sobral (CE), uma obra do Ministério dos Transportes. No trajeto, percorrido no dia 14 de setembro, uma quase-tragédia: o avião acabou caindo com o dinheiro a bordo na cidade de Boa Viagem. Os recursos eram escoltados por um policial. Com o acidente, outros agentes foram ao local imaginando que a aeronave pudesse transportar drogas. Coube ao policial a bordo do Cirrus a tarefa de tranquilizar os colegas, dizendo-lhes que não se preocupassem com a ocorrência, pois ninguém havia ficado ferido. O dinheiro, contudo, chegou ao destinatário final, cumprindo os desígnios de Lula: a campanha do pedetista Weverton – convertido a empedernido cabo eleitoral de Haddad.

Mas ainda havia uma ponta solta no novelo da costura feita por Lula no Maranhão. Era preciso atrair para seu arco de alianças o ex-senador José Sarney e sua filha Roseana, candidata do MDB ao governo do Estado contra Flávio Dino. A família Sarney vinha trabalhando pela eleição do presidenciável do partido, Henrique Meirelles, mas a conduta mudou quando Sarney recebeu o recado de Lula, transmitido por meio de Gilberto Carvalho: “Quero a família Sarney na campanha do Haddad”, determinou Lula da cadeia. Os Sarneys fecharam também com Lula. Resultado: Haddad cresceu no Maranhão de 4% para 36% e Ciro estagnou nos 13%.





Em contrapartida, o cacique maranhense conta com a ajuda de eventual governo petista para sacramentar um negócio que envolve a TV Mirante, pertencente à família. Sarney deseja vender a emissora para o grupo Integração, de Minas Gerais.
Lula montou uma estratégia para beneficiar Haddad também em Alagoas. Para isso, contou com os préstimos do senador Renan Calheiros (MDB-AL). Em mensagens transmitidas por Gilberto Carvalho a Renan, candidato à reeleição, Lula pediu para que o senador convencesse o também senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL) a desistir da disputa ao governo de Alagoas contra Renan Filho (MDB), candidato à reeleição. Àquela altura, Renanzinho ostentava 46% das intenções de voto e Collor 22%. Os dois rumavam para o segundo turno. A idéia acalentada por Lula era que Renanzinho fosse eleito no primeiro turno, reservando o segundo turno para se dedicar de corpo e alma a Haddad. Em troca, o filho de Renan se comprometeria a aumentar as verbas da mídia do governo dos atuais R$ 300 mil por mês para R$ 800 mil mensais para a TV de Collor em Maceió. O acerto, pelo visto, foi bem azeitado. Collor renunciou, Renanzinho saltou para 65% e deve ser reeleito na primeira etapa das eleições alagoanas.

Quem sabe, faz a hora. Agora, o PT espera que Renan Filho cristianize Meirelles em favor de Haddad. Há, no Estado, quem diga que isso já aconteceu. Na última semana, Haddad subiu de 2% para 28% em Alagoas. Avalista do acerto, Renan sonha em voltar a comandar o Senado, a partir de 2019, com o apoio de Lula.


    FANTOCHE Haddad, ao lado de Manuela D`Ávila, faz campanha  pelo país, mas quem dá as              cartas é Lula (Crédito:Mauro Pimentel)

No mapa eleitoral que estende sobre a solitária mesinha de sua cela na PF, Lula vislumbra que Haddad reúne chance de se eleger presidente se obtiver uma ampla vantagem no Nordeste, onde detém o apoio de quase 35% do colégio eleitoral brasileiro (mais de 50 milhões de eleitores). Foi graças à expressiva votação no Norte/Nordeste que Dilma Rousseff conseguiu superar Aécio Neves (PSDB) na disputadíssima corrida eleitoral de 2014. Lula espera repetir a dose. Desde que ativou o QG eleitoral na cadeia, há um mês, os resultados já se fizeram sentir. Haddad ascendeu nas pesquisas de intenção de voto de 4% para 22%, índices impulsionados pelo duplo twist carpado empreendido pelo petista na região, onde atingiu 34% – o dobro de Jair Bolsonaro. O avanço vermelho no Nordeste, operado por Lula da cadeia, acabou por minar a candidatura de Ciro Gomes. O pedetista chegou a ter mais de 20% na região, com tendência de alta, mas recuou.

Valdemar teria oferecido R$ 2,4 milhões para que candidatos a deputado pelo PR apoiem Haddad

O esforço de Lula no sentido de solapar, da sala-cela em Curitiba, candidaturas adversárias de seu poste ousou beliscar o ninho tucano no Piauí. Lá, o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, que apoiava oficialmente a candidatura do tucano Geraldo Alckmin, virou casaca depois de receber um bilhete de Lula levado pelo deputado José Guimarães. “Ciro Nogueira tem que trocar Alckmin por Haddad”, determinou Lula. A intervenção do petista fez com que Haddad subisse de 6% para 38% no Piauí e Alckmin estacionasse no Estado. Até o Ceará, dominado pelo ex-governador Ciro Gomes, sentiu a mão pesada de Lula. O emissário também neste caso foi José Guimarães, um de seus maiores interlocutores no Nordeste. Por meio do aliado, Lula mandou um recado furioso ao governador Camilo Santana (PT), que fez coligação com o PDT no Estado. Camilo pedia votos também para Ciro no Ceará. Lula determinou, então, que se bandeasse para Haddad. Paralelamente, articulou com o senador Eunício Oliveira (MDB-CE), seu desembarque da candidatura de Meirelles, em prol do candidato do PT ao Planalto. Não para a surpresa de quem lê, a estratégia montada por Lula no Estado também envolve muito dinheiro – e , nesses casos, quem se apresenta para jogo é Valdemar Costa Neto. Para fazer Haddad decolar no Ceará, Valdemar estaria oferecendo R$ 2,4 milhões, recurso do fundo partidário do PR, para cada candidato da legenda a deputado federal. No meio penitenciário, policiais costumam dizer que os presos, por não trabalharem, utilizam o tempo ocioso para arquitetar novos crimes. Costumam repetir a velha máxima: “mente vazia, oficina do diabo”. E é o que parece que Lula está fazendo na cadeia: articulando estratégias suspeitas de novos ilícitos eleitorais. Para dizer o mínimo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Fraude eleitoral: partes da máfia, STF e PGR fazem confissão ao mentirem para negar impressão do voto



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Da Redação do Duplo Expresso
  • É certo que a fraude nas urnas eletrônicas não é feita de forma amadora e displicente. As fraudes nas urnas eletrônicas brasileiras acontecem principalmente no voto proporcional, o voto para deputados e vereadores. Como não há pesquisas, em especial pesquisas de boca de urna para voto proporcional, os fraudadores deitam e rolam.
  • Mas isso não significa que não haja fraude em eleição majoritária. Apenas, nessa hipótese, ela não pode afrontar em demasia as pesquisas de boca de urna, indo muito além das suas margens de erro. Caso contrário, levantar-se-iam suspeitas gravíssimas, conduzindo necessariamente à impressão do voto.
  • Nesse caso, um salto muito maior do que as pernas poderia colocar em risco o multimilionário mercado de compra e venda – pela Justiça Eleitoral – de cadeiras nas Câmaras e Assembleias Legislativas Brasil afora.

É assim que um ator que representava um vendedor paraguaio em uma propaganda da saudosa Gradiente respondia quando o freguês brasileiro perguntava qual era a garantia do aparelho de som que ele tinha acabado de comprar.
É exatamente assim que o TSE – Tribunal Superior Eleitoral, cujo atual presidente é Luiz Fux e que foi Gilmar Mendes até outro dia, explica as razões pelos quais devemos confiar nas atuais urnas eletrônicas e porque não é necessário nenhum tipo de papelzinho que registre o voto fisicamente para que seja possível uma auditoria. Eles sempre reafirmam, “não precisa de auditoria, eu garanto”.
A Carminha do Supremo é um exemplo. Segundo ela, “é preciso que a gente aprenda a confiar nas instituições brasileiras, especialmente nas que dão certo, e a Justiça Eleitoral tem dado certo. O processo de voto eletrônico e da urna eletrônica tem dado certo”.
Isso me lembra um amigo comerciante de sapatos que dizia que o maior segredo de um empresário é não matar a “galinha de ovos de ouro” que é a credibilidade perante o cliente. Mesmo quando sabia que a sola do sapato descolaria na próxima esquina, é claro…
Enfim, por mais inverossímil que seja sua garantia, o comerciante tem que fazer cara de sério e afirmar sua credibilidade para manter viva a “galinha dos ovos de ouro”.
É verdade que, se há fraudes nas urnas eletrônicas, ela não é feita de forma amadora e displicente. As fraudes nas urnas eletrônicas brasileiras acontecem principalmente no voto proporcional, o voto para deputados e vereadores. Como não há pesquisas, em especial pesquisas de boca de urna para voto proporcional, os fraudadores deitam e rolam.
Mas não respire aliviado: para o Executivo também tem fraude. Mas nesse caso eles precisam respeitar a “margem de erro” das pesquisas nas fraudes para não destruir o que resta da credibilidade do órgão gestor das eleições no Brasil. Mas quando não tem pesquisa eleitoral ou ela é feita só por uma empresa que seja manipulável, a fraude no Executivo não teria muitos limites.
Porém, normalmente, a fraude precisa respeitar a “margem de erro” das pesquisas no voto para o executivo. Por exemplo, é óbvio que se as pesquisas de boca de urna dão a vitória para determinado candidato, eles não vão inverter e colocar outro, porque aí o sistema perderia complemente a credibilidade e o Congresso aprovaria uma lei para obrigar que as urnas fossem passíveis de auditoria física, como em todos os outros países do mundo.
Opa! Peraí!
Na verdade, o Congresso já aprovou – pelo menos 2 vezes – o voto impresso e ele foi derrubado ilegalmente pelo STF e pelo TSE. Sim, o STF, responsável em dizer o que é constitucional, toma decisões contrárias à Constituição. Não vamos entrar nesse assunto, que daria muito pano para manga e não é nosso objetivo, mas sobre o assunto, sugerimos que assistam as incríveis entrevistas do jurista Luiz Moreira neste blog.
Se tem uma palavra que explica ontem, hoje e sempre a PGR – Procuradoria Geral da República é desfaçatez.
No governo FHC havia um engavetador geral da República. A política da PGR na época era não investigar nada. A menos que fosse do interesse de FHC a investigação: seus inimigos ou seus “bodes expiatórios” perfeitos. Mas na prática mesmo até isso era difícil. Era um órgão ocioso. Não se fazia quase nada.
O PT se aliou aos supostos “jovens turcos” moderninhos da PGR que queriam substituir a turma do engavetador geral da República. Eles eram chamados de os “tuiuiús” do Ministério Público Federal.
Leitor, se você nunca ouviu falar dos “tuiuiús” do Ministério Público Federal então busque estudar o assunto urgentemente, porque sem saber o que são eles e o que eles fizeram e fazem não será impossível entender nada do que aconteceu no Brasil nos últimos 10 anos. Mas se prepare para ouvir toda tática de desinformação e todos os tipos de “opiniões” e informações contraditórias sobre o assunto, a começar pelo nome. Segundo alguns os “tuiuiús” do Ministério Público Federal têm esse nome porque começou com um grupo de procuradores do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Outros dizem que o nome é atribuído aos procuradores que queriam achar denúncias contra os tucanos no governo FHC (como se os tuiuiús fossem verdadeiros inimigos dos tucanos…).
Fizemos uma rápida seleção de alguns textos sobre o assunto com perspectivas políticas totalmente diferentes pela esquerda e, principalmente, pela direita: ConjurEstadão247Carta Capitalcongresso em fococongresso em foco 2defesaneto GloboG1conteúdo jurídicopoliticareal.
Entre as muitas alucinações dos tuiuius está a “obrigação” – válida só para Presidentes da República petistas – de engolir como Procurador Geral da República o chefe do sindicato dos procuradores do MPF.
Outra é criar seu próprio serviço secreto de inteligência. Obviamente gerido exclusivamente pelo chefe do sindicato dos procuradores.
De aliados de petistas a caçadores de petistas, esse é o resumo da louca história dos tuiuiús. Talvez algum dia alguém investigue e escreva um livro sobre isso. Obviamente não é só uma história de concurseiros que se descobriram “deuses”, tem muita geopolítica nessa história… Mas esse não é o nosso assunto aqui. Queremos falar de fraude eleitoral.
Esse parêntese sobre a PGR foi só para lembrar que “de onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo”[1]. Ninguém no Brasil espera mais nada de bom da PGR. Exceto talvez a turma do ex-Ministro Zé Cardozo. Eles não desistem nunca!
Recentemente a PGR – Raquel Dodge, aquela do marido americano sem fotos na internet, se projetou como um Titanic contra a enésima decisão do Congresso de escolher em nome do povo brasileiro que as urnas eletrônicas sejam auditáveis com verificação em papel, como em todos os outros países do mundo.
Segunda ela, os mecanismos de segurança para viabilizar auditoria nas eleições atentam contra a constituição e o voto secreto. Segundo a esposa do Dodge, a urna auditável seria o caminho mais rápido para a volta do “voto de cabresto”, já que voltaria a “identificação do eleitor”.
Eu não me lembro de uma proposição tão estúpida e lunaticamente cínica feita oficialmente por um funcionário público.
Se ela falasse a partir de um hospício, eu entenderia…
Mas pensando bem, será que não é isso? Afinal, um lugar onde todo mundo se acha um “deus” é o quê? Um lugar onde o pastor Dalagnol[2] e aquele seu amigo feioso cujo nome ninguém lembra (mas todos lembram o quão feio[3], cínico e prepotente ele é) são levados a sério e são até chefes é o quê?
Como alguém pode ter o cinismo de dizer que o registro físico do voto, guardado em urnas lacradas para fins de auditagem, pode ser inconstitucional ou violar o segredo do voto?
Os cínicos da PGR querem dizer então que em TODOS os países do mundo e no Brasil até 18 anos atrás quando se guardava o voto em papel (registrado à caneta) em urnas lacradas o voto não é secreto?
Sim. É exatamente isso que a PGR está dizendo. Mas não só ela. A Carminha, sempre ela, também disse o  mesmo: “O segredo do voto foi conquista impossível de retroação. (…) A quebra desse direito fundamental – posto no sistema constitucional a partir da liberdade de escolha feita pelo cidadão, a partir do artigo 14 – configura afronta à Constituição, e a impressão do voto fere, exatamente, esse direito”.
Para o bem do país, alguém tem que dar liberdade para Carminha dar suas tesouradas em paz
Já que o assessor da Carminha e o assessor da Raquel, cujo marido é o misterioso Dodge gringo que ninguém nunca fotografou, não gostam de pesquisar na internet, vamos fazer um pequeno resumo de como funcionam as urnas eletrônicas:
(1) A maioria dos países desenvolvidos ainda tem votação em papel, porque eles têm serviços secretos e sabem muito bem que nada exclusivamente eletrônico é plenamente confiável e não vulnerável a fraudes. Países “pouco avançados” tecnologicamente como Japão, Canadá, Suíça e EUA na maioria dos estados não querem nem ouvir falar dessas caixinhas mágicas do TSE. Afinal eles já ouviram falar de NSA, Wikileaks e maquininha de cartão de crédito…
(2) Urna eletrônica é adotada em muitos países do mundo, especialmente naqueles em desenvolvimento. O problema é nossa urna ainda ser de 1° geração. Todos os outros já estão na 2ª, 3ª e discutindo 4ª geração de urnas eletrônicas. A diferença entre a 1ª geração, paraguaia do TSE, e a de outros países, é que nas outras há crescentes possibilidades de auditoria e segurança.
(3) 2ª Geração – Na tese, foi proposta a possibilidade de auditoria contábil da apuração por meio de uma segunda via de registro do voto em papel, além do registro eletrônico usual. Este novo registro deveria ser gravado em meio independente que não pudesse ser modificado pelo equipamento de votação e deveria poder ser visto e conferido pelo eleitor antes de completar sua votação.
(4) 3ª Geração – E2E. A partir de 2008, várias iniciativas começam a apresentar sistemas eleitorais independentes do software, que aprimoravam e/ou facilitavam os procedimentos de auditoria, tanto do registro do voto como de sua apuração e totalização. Na Argentina (2010) foi apresentada uma cédula eleitoral com um chip de radio-frequência (RFID) embutido, onde, num só documento, estão presentes o registro digital e o registro impresso do voto. Nas urnas de 3ª geração não é permitido que a votação seja totalizada pelo órgão gestor das eleições, mas pela sociedade civil, imprensa e partidos. No Brasil esse órgão gestor é a aberração absolutista do TSE, o único órgão eleitoral do mundo que legisla, planeja, administra, executa, fiscaliza, totaliza e julga as eleições e si próprio, afinal é composto por membros do STF e STJ. Quem inventou essa loucura só poderia estar pensando em criar um monstro antidemocrático e que pudesse fraudar à vontade, se quisesse, é claro…
(5) 4ª geração. As urnas de quarta geração, que ainda estão só em projeto, além de todos os mecanismos de segurança anteriores são equipadas com sistemas de blockchain para evitar que os códigos e resultados sejam manipulados. Mas a Carminha e a esposa do Dodge só querem saber de dizer que “La garantía soy yo”.
(6) Os tecnologicamente “atrasados” Japão, Canadá, Suíça e EUA, ao invés de toda essa complicação, preferem mesmo é a simplicidade do voto manual. Para eles, esse negócio de endeusar aparelhos eletrônicos como “bezerros de ouro” é coisa de vira-latas.
Para que ninguém pense que essas informações sejam de esquerdistas lunáticos, podem conferir na própria “Veja”.
E antes que algum defensor de “Plano B”, mal-intencionado, diga que agora a gente cita até a Veja, vou citar abaixo alguns bons artigos sobre o assunto que estão no Blog do Nassif. Sim, Nassif é aquele que aluga sua pena, inclusive para publicar um dossiê fake “sobre” um dos editores do Duplo Expresso, a partir de mera consulta ao LinkedIn (!) e muita… hmmm… “criatividade”, digamos. Citamos seus artigos porque partem de informações relevantes levantadas por terceiros verdadeiramente engajados na luta pela transparência nas eleições – a quem o Duplo Expresso também tem acesso e em quem confia. Esses, no passado, as repassaram ao GGN para publicação, de forma que nos poupamos de ter de reescrever o relato de tais fontes:
“Pedro Rezende, um dos maiores especialistas em urnas eletrônicas, PHD em Matemática Aplicada, professor do Departamento de Ciência da Computação da UNB e que integrou o CMind (Comitê Multidisciplinar Independente) que investigou o voto eletrônico em 2014, nos ajudou a entender a complexidade e fragilidade do sistem de segurança e computação dos votos.
Concluiu que se tratava de “um sistema excessivamente vulnerável a falhas ou erros – involuntários ou não – de programação” e, ainda, que a própria apuração em caso de fraudes seria manipulável: “As possíveis provas materiais podem ser blindadas pelo dono do sistema, contando com a virtualização completa do registro individual de votos, e se os meios possíveis para a fraude forem descobertos, eles podem ser rearranjados como se fossem meros erros ingênuos de programação”.
Á época, destacava que para combater ou prevenir tal situação não tinha como obstáculo a falta de ferramentas “disponíveis a especialistas em segurança computacional, para detectar contaminações em programas capazes de produzir fraudes automáticas durante o funcionamento da urna ou outros componentes do sistema”.
Mas que “o problema é a concentração de poderes no dono do sistema, que até hoje impediu, e poderá continuar impedindo, qualquer investigação que seja independente o suficiente para ter ao mesmo tempo eficácia e legalidade” [Leia o artigo, a entrevista completa e comentário adicional de Pedro Rezende].
A menção do especialista dizia respeito a reportagens publicadas em uma série especial preparada pelo GGN, que revelou o histórico de favorecimento e irregularidades nas licitações das urnas eletrônicas. Levanamos o histórico de licitações e contratos com o TSE e descobrimos que os serviços de manutenção e segurança das urnas estavam, há pelo menos 14 anos, nas mãos de dois únicos consórcios.
Uma delas, a Módulo Security Solutions S/A prestava serviços de informática ao Tribunal Superior Eleitoral desde 1996, quando o sistema eletrônico foi implantado no Brasil, e que por treze anos (de 2000 a 2013) um único contrato foi firmado com infindáveis prorrogações. Diversas irregularidades relacionadas à empresa foram divulgadas pelo GGN [relembre aqui].
No quadro de sócios da Módulo Security, o empresário Sergio Thompson-Flores, que chegou a comprar oito usinas entre 2006 e 2007, fechando parcerias com Henri Phillipe Reichstul, então fundador da Brenco e ex-presidente da Petrobras durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Outra empresas que teve contratos intermináveis com o TSE foi a Probank, que de 2006 a 2011 teve prorrogações sucessivas em contratos, sem direito a concorrência por outras empresas. Um dos donos da Probank, Paulo Camarão era, até um ano antes, Secretário de Informática do TSE. Ele criou o serviço de totalização dos votos (E-VOTE) e ampliou a influência em acordos comerciais.
O último proprietário da Probank, antes que a empresa foi decretada falência em 2013, foi Wilson Nélio Brumer, que atuou como secretário de Aécio Neves, na pasta de Desenvolvimento Econômico nos dois mandatos do tucano, e trabalhava no Comitê tucano e como cabo eleitoral, arrecadando recursos de empresários para a então candidatura de Aécio em 2014.
Uma terceira empresa assumiu as contratações do TSE desde então, a Engetec, que foi caracterizada pela Justiça como parte de um mesmo grupo econômico da Probank. No ramo, a Engetec integra o Consórcio ESF, com a parceria de outras empresas favorecidas em contratos e licitações, como a Smartmatic Brasil Ltda.
Pedro Rezende, o mesmo especialista que nos concedeu entrevista auxiliou o Congresso no ano seguinte, em 2015, com artigos publicados, para defender a impressão do voto, em conjunto com a urna eletrônica e, assim, garantir mais transparências nas eleições.
A partir dessas constatações, o GGN tentou entender como se poderia manipular os resultados eleitorais de urnas eletrônicas. Para isso, conversamos com a advogada Maria Aparecida Cortiz, outra integrante do CMind (Comitê Multidisciplinar Independente), formado por especialistas em tecnologia.
O grupo passou a investigar o caso com a ajuda de um jovem hacker da UNB recém formado que, em menos de três meses, conseguiu acessar o sistema de urnas do TSE e descobriu um arquivo que possibilita a instação de programas fraudados, o “Inserator CPT” [relembre aqui].
Além disso, o Comitê também identificou que o programa de segurança então comandado pela empresa Módulo Security S/A era transmitido de Brasília a outros estados por meio da insegura rede de Internet. As conclusões do CMindo foram enviadas ao TSE na forma de petição, que foi arquivada por um juiz da Secretaria de Informática.”
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Também se registra o descaso do TSE com o dinheiro público:
Em março, a assessoria jurídica do Tribunal Eleitoral pediu a anulação da medida imposta pelo minirreforma eleitoral, ainda que já tenha dado início à implantação gradual das impressoras em algumas seções eleitorais, que contariam com o equipamento.
Para este ano, a Justiça Eleitoral já está providenciando 30 mil impressoras que serão acopladas às urnas, em uma compra já autorizada no valor de R$ 57,4 milhões. Mesmo assim, a assessoria jurídica do TSE encaminhou um parecer à ação direta de inconstitucionalidade, defendendo o fim da medida e classificando-a como “inegável retrocesso no processo de apuração das eleições”.
“A reunião de todas as escolhas do eleitor em um único documento impresso facilita a identificação e quebra do segredo constitucional do voto”, diz o texto, que segue a mesma linha sustentada pela PGR, Raquel Dodge.
Não é verdade. O voto impresso não é para ser escrutinado, mas para garantir a recontagem nos casos de dúvidas e de indícios de fraude. Bastará o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) garantir o sigilo dos votos e eles permitirem a recontagem apenas em casos de dúvida ou por amostragem.
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Também é registrado o cinismo do TSE ,que finge fazer avaliações periódicas sobre as ameaças de fraudes externas ao sistema, quando até as pedras sabem que em todo sistema eleitoral as verdadeiras ameaças de fraudem provém de dentro do próprio órgão gestor:
Periodicamente, há testes para conferir a solidez do sistema contra ameaças externas. Em  dezembro passado, testes apontaram três falhas no sistema, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não viu riscos (clique aqui).
Ora, os testes apenas apontam riscos externos ao sistema. E os riscos internos?
Não há dificuldades maiores em manipular sistemas eleitorais. Bastam duas condições:
  1. A participação dos desenvolvedores do sistema.
  2. O cuidado em montar algoritmos que não afrontem as pesquisas de opinião, distribuindo a manipulação de forma imperceptível, dentro da margem de erro.
Já se tem um caso histórico, da manipulação das eleições e 1982 pela Globo em auxilio ao regime militar. A Proconsult, empresa que desenvolveu os sistemas para apuração paralela das eleições, incluiu um algoritmo – chamado na época de fator X – que desviava votos dos demais partidos para a Arena.
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Há ainda o relato de uma série de inconsistências verificadas pelos especialistas no assunto, que mostram claramente que as fraudes não devem vir de fora, mas de dentro do órgão gestor das eleições, como em todos os outros países e momentos históricos:
Desde que passou a ser implantado em massa, nas eleições de 2.000, as urnas eletrônicas foram objeto de vários relatórios sobre suas vulnerabilidades.
O mais relevante deles foi o Relatório Brisa (clique aqui), cujos resultados foram mantidos em sigilo por muitos anos. O Relatório concluiu que o principal engenheiro, desenvolvedor do software, não atendia aos parâmetros internacionais de transparência.
A essas mesmas conclusões chegou o Relatório CMIND e o Relatório UNB (clique aqui) que atestou a possibilidade de quebra de sigilo e uma possível adulteração dos votos.
  • Formulação equivocada do modelo de atacante: há ênfase demasiada no projeto de mecanismos resistentes apenas a atacantes externos, quando agentes internos representam risco muito maior;
  • Processo de desenvolvimento defeituoso: práticas inseguras permitem a inserção acidental ou maliciosa de vulnerabilidades de software, claramente atestando que o processo de desenvolvimento adotado pelo TSE é imaturo do ponto de vista de segurança.
Recentemente, pesquisadores indianos e norte-americanos analisaram a segurança das votações eletrônicas. E chegaram à conclusão de que o único controle efetivo é o voto impresso, permitindo recontagens em casos de dúvida (clique aqui).
Juntando todas as peças, chega-se ao seguinte quadro:
  1. Sistema suscetível às manipulações internas.
  2. Facilidade em inserir códigos maliciosos.
  3. Falta total de transparência do engenheiro responsável pelo sistema.
  4. Informações de que um jovem hacker, em uma ação planejada pelo CMIN (Comitê Multidisciplinar Independente), formado por especialistas em tecnologia, descobriu, entre 90 mil arquivos do sistema, um software que possibilitava a instalação de programas fraudados, o “Inserator CPT” (clique aqui).
Em 2014, um dos maiores especialistas no tema, o engenheiro Pedro Rezende, escreveu um artigo especial para o GGN (clique aqui).
Segundo ele, o TSE impôs uma blindagem tão pesada ao sistema que “as possíveis provas materiais podem ser blindadas pelo dono do sistema, contando com a virtualização completa do registro individual de votos, e se os meios possíveis para a fraude forem descobertos, eles podem ser rearranjados como se fossem meros erros ingênuos de programação”.
Continua ele:
O problema não é a falta de ferramentas, disponíveis a especialistas em segurança computacional, para detectar contaminações em programas capazes de produzir fraudes automáticas durante o funcionamento da urna ou outros componentes do sistema. Essas ferramentas e especialistas existem, inclusive no CMInd. O problema é a concentração de poderes no dono do sistema, que até hoje impediu, e poderá continuar impedindo, qualquer investigação que seja independente o suficiente para ter ao mesmo tempo eficácia e legalidade.
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Há também a demonstração de que empresas que fazem a programação e gestão das urnas não parecem nada idôneas:
Toda a segurança do sistema, então, passa a depender do aval técnico da empresa responsável por seu desenvolvimento e de seus engenheiros.
Trata-se da Modulo Security Solutions S/A.
Uma auditoria realizada em janeiro de 2013, assinada pela advogada especialista em processo eletrônico eleitoral, Maria Aparecida Rocha Cortiz, mostrou que a empresa Módulo prestava serviços de informática ao Tribunal Superior Eleitoral desde 1996, quando o sistema eletrônico foi implantado no Brasil, e que por treze anos (de 2000 a 2013) um único contrato foi firmado com infindáveis prorrogações (clique aqui). Os contratos são fechados na modalidade “inexigibilidade de licitação”.
A Módulo foi adquirida por Sérgio Thompson Flores, um aventureiro que enriqueceu nos processos de privatização de Fernando Henrique Cardoso. Sempre foi ligado ao sistema PSDB. Depois, se meteu em inúmeras aventuras pesadas, tentando assumir o controle da Gazeta Mercantil. Finalmente, montou na Bolsa de Londres um fundo para investimentos em bioenergia no Brasil, o Infinity. Era um fundo aventureiro, que fez aquisições sem pé nem cabeça, de usinas sem nenhuma viabilidade econômica. E depois quebrou.
Sérgio reapareceu como controlador da Módulo. Note-se que é a mesma empresa contratada por Eduardo Paes para processar as passagens de ônibus no Rio de Janeiro e calcular o valor dos subsídios devidos pela Prefeitura às empresas. Quando estourou a operação contra a associação os ônibus, seu nome apareceu de relance.
Antes da módulo, uma das empresas que fabricava urnas foi adquirida por Wilson Brummer, ex-presidente da Usiminas e tesoureiro das campanhas de Aécio Neves.
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Para mostrar como a situação da justiça e gestão eleitoral no Brasil é surreal, também é exposto que o TSE não faz questão de esconder que não é um tribunal imparcial em relação aos diferentes lados da disputa política:
Os desenvolvedores de sistemas são antigos técnicos egressos da SEI, a Secretaria Especial de Informática do regime militar e há anos ocupam cargos de assessoria tecnológica no STF e no TSE.
Coincidentemente, os dois tribunais padecem das mesmas suspeitas em relação aos algoritmos que distribuem os processos entre os Ministros.
O TSE tornou-se um tribunal partidário. Ficou nítido no julgamento das contas do PT e de Dilma Roussef nas eleições de 2014. Houve uma pressão pesada do relator Gilmar Mendes sobre os técnicos do TSE, visando criminalizar até classificação de equipamentos.
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Fontes na política levantam hipótese, relatada por Nassif, com a qual também concordamos aqui no Duplo Expresso:
Tenho para mim que Aécio Neves perdeu as eleições de 2014 por erros finais de cálculo na manipulação
[Duplo Expresso: na totalização]
Tanto que foi informado antecipadamente da sua vitória e ensaiou a comemoração
[Duplo Expresso: não foi à toa, que até seu inimigo Serra pegou o avião e para abraçar o quase futuro presidente Aécio em Belo Horizonte junto com Luciano Huck, Accioly e demais amiguxos caipiras ou bicho grilo de Aécio que ele, Serra, certamente do alto de sua soberba intelectual paulistana abomina.
Nassif esqueceu de dizer, ademais, que os resultados das eleições de 2014 no primeiro turno foram muito estranhas, e, principalmente, que o segundo turno das eleições presidenciais de 2014 foi a primeira vez em muito tempo que nem Data Folha e nem IBOPE fizeram pesquisas de boca de urna, por isso no último minuto a Vox Populi foi chamada para fazer a pesquisa de boca de urna e acabou apurando que estava Dilma em primeiro lugar no dia das eleições. A publicação desse fato provavelmente prejudicou o planejamento da fraude e para não matar a “galinha dos ovos de ouro” o TSE acabou não mexendo nos números]
Todas essas suspeitas foram levantadas na ocasião. Mas Dilma Rousseff e o PT eram tão ingênuos  no trato com o poder, que se passasse um leão faminto na sua porta, seriam capazes de convidá-lo para entrar e tomar um cafezinho.
[Duplo Expresso: a suposta “ingenuidade” começa com Zé Cardozo, responsável pelo assunto]
De qualquer modo, se a PGR pretender dar uma contribuição para a democracia…
[Duplo Expresso: piada?]
… mais eficaz do que impedir a posse em Ministérios de deputados do baixo clero, faria bem em estudar melhor esse tema. Principalmente porque o novo presidente do TSE, Ministro Luiz Fux, tem lado político.
[Duplo Expresso: nada disso. Fux é, na verdade, um malandro. E, assim como Carminha, vítima de chantagem. Quem bem conhece o que Fux esconde embaixo da sua peruca é o “primo” Messer…]
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(De nariz tapado) foram citados trechos dos seguintes artigos do GGN:
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[1] O autor dessa frase é o Barão de Itararé.
[2] Não sei se está escrito certo, porque nunca me lembro do nome de remédio para prisão de ventre.
[3] Tão feio que até a mulher dele, que abria contas CC5 do Banestado, que ele “investigou” (aspas!) em família, se separou dele!

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