terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Operação busca integrantes de facções criminosas em 15 unidades da federação


Grupos de combate ao crime organizado do Ministério Público cumprem 266 mandados de prisão e 203 de busca e apreensão.


Por G1 SP
04.12.2018



               
                Operação busca integrantes de facções criminosas em 15 unidades da federal


O Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNOC), criado para combater o crime organizado no país, coordena uma megaoperação contra integrantes de facções criminosas em 15 unidades da federação nesta terça-feira (4). Dez Grupos de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECOs) do Ministério Público participam da operação.

A ação cumpre 266 mandados de prisão e 203 de busca e apreensão no Acre, Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. Até as 9h40, não haviam divulgado o número de pessoas presas.

Os alvos são integrantes das facções criminosas: Primeiro Comando da Capital (PCC), de origem paulista, das cariocas Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e Amigo dos Amigos (ADA), da capixaba Primeiro Comando de Vitória (PCV) e da paraibana OKAIDA RB, uma dissidência da OKAIDA.

Em São Paulo, são 59 mandados de prisão e 10 de busca e apreensão contra integrantes do PCC. A ação ocorre em Americana, Arujá, Cerquilho, Guarulhos, Hortolândia, Jaboticabal, Limeira, Moji das Cruzes, Piracicaba, Ribeirão Preto, Rio das Pedras e Santa Bárbara D’Oeste, e contam com o apoio das Polícias Militar e Civil.

De acordo com o subprocurador-geral de Justiça de São Paulo, Mário Luiz Sarrubbo, os mandados de prisão e de busca e apreensão estão sendo cumpridos em imóveis e comércios onde pessoas ligadas ao PCC atuam criminosamente.

“Os detidos serão indiciados por lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e organização criminosa”, falou Sarrubbo. “Eles serão levados depois para unidades prisionais”.

De acordo com o Ministério Público (MP) de São Paulo, a ação desta quarta visa combater a organização criminosa, a lavagem de dinheiro e a corrupção de agentes públicos.

“Nossa visão é de combate a tríplice vertente. Combater a organização criminosa prendendo líderes e diretores, desestruturando a empresa do crime. Combater a lavagem de dinheiro indo para cima das atividades comerciais, como postos de combustíveis e transporte de pessoas. E combater a corrupção de agentes públicos, como funcionários do município e do estado”, disse o subprocurador.

Segundo Sarrubbo, como o PCC atua principalmente com o tráfico de drogas e por isso, um dos objetivos da ação é desarticular as finanças da facção. “Objetivo é desarticular a fação principalmente no aspecto financeiro”, falou o subprocurador. “É importante destacar que o Ministério Público, a Polícia Civil e a Polícia Militar [PM] estão organizados nessa guerra contra facções criminosas”.

No Tocantins, ainda é feita inspeção na Casa de Prisão Provisória de Palmas, com o objetivo apreender armas, drogas, explosivos, aparelhos de comunicação móvel e cadastros de faccionados.

Em Alagoas, são cumpridos 13 mandados de prisão e 14 de busca. Segundo o MP, os investigados têm ligação com o PCC, e atuavam principalmente em São Miguel dos Milagres, município localizado no Litoral Norte alagoano.

Durante as buscas em Brasília e em Santo Antônio do Descoberto (GO), foram apreendidos telefones celulares, anotações e cadastros ligados à facção paulista PCC.

Veja lista dos mandados em 10 estados:

Acre e Roraima
Mandados de prisão: 19
Mandados de busca: 2

Alagoas
Mandados de prisão: 13
Mandados de busca: 14

Distrito Federal e Goiás
Mandados de prisão: 7
Mandados de busca: 5

Mandados de prisão: 13
Mandados de busca: 20

Paraíba
Mandados de prisão: 33
Mandados de busca: 3

Rio de Janeiro
Mandados de prisão: 44
Mandados de busca: 85

Mato Grosso do Sul e Paraná

Mandados de prisão: 66
Mandados de busca: 64

São Paulo
Mandados de prisão: 59
Mandados de busca: 10

Tocantins
Mandados de prisão: 12
Mandados de busca: 0

Drogas encontradas em presídio durante operação




Ação em Piracicaba. Operação cumpre 266 mandados de prisão e 203 de busca e apreensão no país — Foto: GAECO/Divulgação



LSD encontrado durante operação em Ribeirão Preto — Foto: GAECO/Divulgação


Suspeitos são presos pela polícia durante operação em Alagoas, nesta terça-feira (4) — Foto: MP-AL

sábado, 10 de novembro de 2018

Anatomia do Estado

MURRAY N. ROTHBARD -



1. O que o estado não é.

Alguns teóricos veneram o estado como a apoteose da sociedade, outros consideram-no uma organização afável, embora ineficiente. Quase todos o consideram um meio necessário para atingir os objetivos da humanidade, um meio a ser usado contra o “setor privado”. Com a democracia, a identificação do estado deu início à nova violação dos princípios da razão e do senso comum, tais como: “nós somos o governo” ou “nós somos o estado”

O termo coletivo “nós” camufla ideologicamente a realidade. Se “nós somos o estado”, então qualquer coisa que o estado faça a um indivíduo é não somente justo e não tirânico, como também “voluntário” da parte do indivíduo. Se o estado incorre numa dívida pública que tem de ser paga através da cobrança de impostos sobre um grupo para benefício de outro, a realidade deste fardo é obscurecida (“a nossa dívida tem de ser paga”). Se o estado põe um homem na prisão por opinião dissidente, então ele está “fazendo isso a si mesmo” — e, como tal, não ocorreu nada de lamentável.

Enfatizamos, “nós” não somos o estado, o governo não somos “nós”. O estado não “representa”, de nenhuma forma concreta, a maioria das pessoas. Não se permite que nenhuma metáfora organicista, nenhuma banalidade irrelevante, obscureça este fato essencial. O estado é a organização social que visa a manter o monopólio do uso da força e da violência em uma determinada área territorial, e é a única organização da sociedade que obtém sua receita não pela contribuição voluntária, nem pelo pagamento de serviços fornecidos, mas pela coerção.

Enquanto os indivíduos ou instituições obtêm seu rendimento pela produção de bens e serviços e da venda voluntária e pacífica desses bens e serviços ao próximo, o estado obtém o seu rendimento através do uso da coerção, pelo uso e pela ameaça de prisão e pelo uso das armas. Depois de usar a força e a violência para obter sua receita, o estado passa a regular e a ditar as outras ações dos seus súditos. Todos os estados ao longo da história provam estas afirmações.

2. O que o estado é.



A única forma por meio da qual o ser humano pode satisfazer suas necessidades é através do uso da sua mente e da sua energia para transformar os recursos (“produção”), e da troca destes produtos por produtos criados pelos outros. Por meio do processo de troca mútua e voluntária (comércio), a produtividade — e, logo, o padrão de vida de todos os participantes desta troca —aumenta significativamente. O caminho “natural” para o ser humano é encontrar recursos naturais, segundo, transformando-os (“misturando seu trabalho a eles”, como disse John Locke), fazendo deles sua propriedade individual, e depois trocando esta propriedade pela propriedade de outros obtida de forma semelhante. O caminho social ditado pelas exigências da natureza humana é o caminho dos “direitos de propriedade” e do “livre mercado” de doações ou trocas de tais direitos. O ser humano aprendeu a evitar os métodos “selvagens” da luta pelos recursos escassos — de forma que A pudesse adquiri-los à custa de B —, e multiplicou esses recursos por meio do processo harmonioso e pacífico da produção e troca.

O sociólogo alemão Franz Oppenheimer apontou existir duas formas mutuamente excludentes de adquirir riqueza. A primeira, de produção e troca, ele chamou de “meio econômico”. A outra forma, na medida em que não requer produtividade, confisca os bens e serviços do outro através do uso da força e da violência. É o método do confisco unilateral, do roubo da propriedade dos outros. A este método Oppenheimer rotulou de “o meio político” de aquisição de riqueza. Enquanto o uso pacífico da razão e da energia na produção é o caminho “natural” para o homem, são os meios para a sua sobrevivência e prosperidade nesta terra, o meio coercitivo, explorador, é contrário à lei natural, é parasítico. Em vez de adicionar à produção, apenas subtrai.

O “meio político” desvia a produção para um indivíduo — ou grupo de indivíduos — parasita e destrutivo, desvio que subtrai a quantidade produzida, como também reduz o incentivo do produtor para produzir além de sua própria subsistência. No longo prazo, o ladrão destrói sua própria subsistência ao diminuir ou eliminar a fonte do seu próprio suprimento. Mesmo no curto prazo, o predador age contrariamente à sua natureza como ser humano. Nas palavras de Oppenheimer, o estado é “a organização dos meios políticos”, é a sistematização do processo predatório sobre um determinado território. O crime é, no máximo, esporádico e incerto, já o parasitismo é efêmero e a coercitiva ligação parasítica pode ser cortada a qualquer momento por meio da resistência das vítimas. O estado, no entanto, providencia um meio legal e sistemático para a depredação da propriedade privada, e torna certa, segura e relativamente “pacífica” a vida da casta parasita na sociedade.

Dado que a produção sempre precede qualquer depredação, conclui-se que o livre mercado é anterior ao estado. O estado nunca foi criado por um “contrato social”, e sempre nasceu da conquista e da exploração. O paradigma clássico é o da tribo conquistadora que faz pausa no seu método — testado e aprovado pelo tempo — de pilhagem e assassinato das tribos conquistadas ao perceber que a duração do saque seria mais longa e segura — e a situação mais agradável — se permitisse que a tribo conquistada continuasse vivendo e produzindo, com a única condição que os conquistadores agora assumiriam a condição de governantes, exigindo um tributo anual constante. Para Oppenheimer (The State, p. 15): O estado, na sua verdadeira gênese, é uma instituição social forçada por um grupo de homens vitoriosos sobre um grupo vencido, com o propósito singular de domínio do grupo vencido pelo grupo de homens que os venceram, assegurando-se contra a revolta interna e de ataques externos. Teleologicamente, este domínio não possuía qualquer outro propósito senão o da exploração econômica dos vencidos pelos vencedores. E Jouvenel: “o estado é na sua essência o resultado dos sucessos alcançados por um grupo de bandidos que se impôs a uma sociedade gentil e pacífica” (Bertrand de Jouvenel, On Power, New York: Viking Press, 1949, p.100-101).

3. Como o estado se eterniza.
Uma vez estabelecido o estado, o problema do grupo ou “casta” dominante passa a ser como manter seu domínio. Embora seu modus operandi seja o da força, o problema básico e de longo prazo é ideológico. Para continuar no poder, qualquer governo (não simplesmente um governo “democrático”) tem de ter o apoio da maioria dos súditos, que não precisa ser um entusiasmo ativo, pode bem ser uma resignação passiva, como se se tratasse de uma lei inevitável da natureza, mas tem de haver apoio no sentido de aceitação. Caso contrário, a minoria formada pelos governantes estatais seria em última instância sobrepujada pela resistência ativa da maioria.

Uma vez que a depredação tem de ser mantida por um excedente da produção, a classe que constitui o estado — a burocracia estabelecida — tem de ser uma pequena fração minoritária no território, embora possa comprar aliados entre os grupos importantes da população. A principal tarefa dos governantes é sempre a de assegurar a aceitação ativa ou resignada da maioria dos cidadãos. O apoio é assegurado pela criação de interesses econômicos legalmente garantidos. O presidente sozinho não governa, ele precisa de um grupo de seguidores que desfrutem os privilégios do domínio, por exemplo, os membros do aparato estatal, como a burocracia em tempo integral ou a nobreza estabelecida, mas, ainda assim, isto assegura apenas uma minoria de apoiadores fervorosos, e a compra de apoio por meio de subsídios e outras concessões de privilégios não é suficiente para obter o consentimento da maioria. Para produzir esta aceitação crucial, a maioria tem de ser persuadida pela ideologia que o governo é bom, sábio, inevitável e certamente melhor do que outras possíveis alternativas. A promoção desta ideologia entre o povo é a tarefa social dos “intelectuais”, pois as massas não criam suas próprias ideias, ou sequer pensam de maneira independente sobre estas ideias, elas seguem passivamente as ideias adotadas e disseminadas pelo grupo de intelectuais, os “formadores de opinião”. A modelagem da opinião é o que o estado desesperadamente precisa, e é a razão da milenar aliança entre o estado e os intelectuais. O estado precisa de intelectuais, mas não é algo tão evidente o porquê intelectuais precisam do estado. Posto de forma simples, o sustento do intelectual no livre mercado nunca é algo garantido, pois depende dos valores e das escolhas de seus concidadãos, e é uma característica indelével das massas o fato de serem geralmente desinteressadas de assuntos intelectuais. O estado, por outro lado, oferece aos intelectuais um nicho seguro e permanente no seio do aparato estatal, e, consequentemente, um rendimento certo e um arsenal de prestígio. E os intelectuais são generosamente recompensados pela função que executam para os governantes do estado, grupo ao qual eles agora pertencem. A aliança entre o estado e os intelectuais ficou simbolizada, no século XIX, no desejo dos professores da Universidade de Berlim em dar “apoio intelectual da Casa de Hohenzollern”. No século XX, um acadêmico marxista sobre o estudo crítico do antigo despotismo Oriental realizado pelo Professor Wittfogel: “A civilização que o Professor Wittfogel ataca tão veemente foi uma civilização que colocou poetas e eruditos no funcionalismo público” (Joseph Needham).

Os argumentos por meio dos quais o estado e seus intelectuais induzem os súditos a apoiar seu domínio podem ser resumidos em: (a) os governantes estatais são homens sábios e grandiosos (governam por “decreto divino”, são a “aristocracia” dos homens, são “cientistas especialistas”), muito melhores e mais sábios do que os seus bons, porém simplórios, súditos, e (b) a subjugação pelo governo é inevitável, absolutamente necessária e de longe melhor que os males indescritíveis que sucederiam à sua queda.

Vários foram os métodos utilizados pelo estado. Um mecanismo bem sucedido foi o deinstaurar o medo sobre os sistemas alternativos de governo ou não governo. Os governantes, alega-se, fornecem aos cidadãos um serviço essencial pelo qual devem estar muito gratos: a proteção contra criminosos e saqueadores esporádicos. O estado preserva seu monopólio predatório ao garantir que o crime privado e não sistemático seja mantido num grau mínimo.

Outro mecanismo foi usar o patriotismo. Uma vez que a maioria das pessoas tende a amar sua terra natal, a identificação dessa terra e seu povo com o estado beneficiou-o. Nos séculos mais recentes, tem sido especialmente bem sucedido fomentar o medo sobre outros governantes estatais. Dado que a área territorial do globo foi parcelada entre estados, uma de suas doutrinas foi a de se identificar com o território que domina. Uma guerra entre governantes é transformada numa guerra entre povos, em que a massa dos indivíduos age em defesa dos seus governantes sob a falsa crença que os governantes estariam agindo em defesa de seus indivíduos. O apelo ao “nacionalismo” tem sido útil, no Ocidente, apenas em séculos mais recentes. Não há muito tempo, a massa de súditos olhava para as guerras como batalhas irrelevantes entre diversos grupos de nobres.

Outro mecanismo tem sido a tradição. Quanto mais tempo se preserva o domínio de um estado, mais poderosa é esta arma. A adoração aos antepassados é um modo não muito sutil de adoração aos antigos governantes. O maior perigo para o estado é a crítica intelectual independente, não há melhor forma de abafar essa crítica que atacar qualquer voz isolada, qualquer um que levante novas dúvidas, como um profano violador da sabedoria dos ancestrais.

Outro mecanismo, desaprovar e rebaixar o indivíduo e exaltar a coletividade da sociedade. Uma vez que qualquer tipo de domínio implica uma aceitação da maioria, qualquer perigo ideológico para o domínio começa a partir de um ou de poucos indivíduos que demonstrem pensar independentemente. A ideia nova e, principalmente, a ideia nova e crítica, tem início como pequena opinião minoritária. O estado tem de cortar a ideia pela raiz, ridicularizando qualquer ponto de vista que desafie a opinião das massas.

É importante que o estado faça parecer seu domínio é inevitável. Mesmo que seu reinado seja detestado, ele será visto com resignação passiva, tal como o dito sobre a “inevitabilidade da morte e dos impostos”. É a indução do determinismo historiográfico, em oposição ao livre arbítrio individual. Se qualquer tirania imposta pelo estado, ou corrupção, ou agressão militar, foi causada não pelos governantes estatais, mas por “forças sociais” misteriosas e ocultas, ou pelo arranjo imperfeito do mundo, ou, se de alguma forma, todos foram responsáveis, então não há qualquer razão para as pessoas ficarem indignadas ou se insurgirem contra tais delitos. E um ataque às “teorias da conspiração” tem como objetivo fazer com que os súditos se tornem mais crédulos em relação às razões de “bem-estar geral”, apresentadas pelo estado como justificativa para os seus atos despóticos.

Outro método para curvar os súditos à vontade do estado é a indução da culpa. Qualquer aumento do bem-estar privado pode ser atacado como “ganância inaceitável”, “materialismo” ou “riqueza excessiva”, o lucro pode ser atacado como “exploração” e “agiotagem”. As trocas mutuamente benéficas são denunciadas como “egoístas”, chegando-se à conclusão que mais recursos devem ser retirados do setor privado e desviados para o “setor público”. A culpa induzida torna o público suscetível a aceitar esta transferência. Isso para tornar a depredação parasítica uma atitude aparentemente mais elevada, estética e moralmente, que o trabalho pacífico e produtivo.

A ininterrupta determinação dos seus ataques ao senso comum não é acidental, como afirmou H. L. Mencken (Chrestomathy, New York: Knopf, 1949, p. 146-47): O homem comum, quaisquer que sejam as suas falhas, pelo menos vê claramente que o governo é algo que existe à parte de si e à parte da maioria dos seus concidadãos — que o governo é um poder separado, independente e hostil, apenas parcialmente sob o seu controle e capaz de prejudicá-lo seriamente. Não é por acaso que roubar o governo é visto em geral como um crime de menor magnitude do que roubar um indivíduo, ou até mesmo uma empresa. O que está por trás desta visão, creio eu, é a profunda noção que há um antagonismo fundamental entre o governo e as pessoas que ele governa. O governo é tido não como um comitê de cidadãos eleitos para resolver os problemas comuns de toda população, mas sim como uma corporação autônoma e separada, dedicada principalmente à exploração da população para benefício dos seus próprios membros . Quando um cidadão é roubado, uma pessoa digna foi privada dos frutos do seu esforço e poupança, quando o governo é roubado, o pior que acontece é que uns patifes ociosos ficam com menos dinheiro para brincar do que tinham antes. A noção que mereceram ganhar esse dinheiro não passa pela cabeça de ninguém, afina, para qualquer pessoa sensata, esta ideia é ridícula.

4. Como o estado transcende seus limites.

Ao longo dos séculos os homens formam conceitos com intuito de refrear e limitar o domínio estatal e o estado que, recorrendo a seus aliados intelectuais, transformam estes conceitos em carimbos de legitimidade e virtude, anexando-os aos seus decretos e ações. Na Europa Ocidental, o conceito de soberania divina afirmava que os reis podiam governar apenas de acordo com a lei divina. Os reis perverteram esse conceito e o transformaram em um carimbo de aprovação divina para qualquer ato real. O conceito de democracia parlamentar começou com restrição popular ao domínio monárquico absoluto e terminou com o parlamento não apenas se tornando parte essencial do estado, como também a manifestação da plena soberania deste. Muitos escritores debruçaram-se sobre estes mecanismos restritivos da soberania, mas cada uma destas teorias perdeu seu propósito original e funcionou como um trampolim para o poder. O mesmo aconteceu com doutrinas como “direitos naturais” do indivíduo, consagrados por John Locke e pela Carta dos Direitos (Bill of Rights). Ambas converteram-se no estatista “direito a um emprego”. O utilitarismo abandonou seus argumentos em prol da liberdade e se concentrou em argumentos contra a resistência aos ataques do estado à liberdade etc.

A mais ambiciosa tentativa de impor limites ao estado foi a Carta dos Direitos e outras restrições da Constituição Americana, na qual foram escritos limites explícitos os quais deveriam servir como lei fundamental a ser interpretada por um sistema judicial supostamente independente dos outros ramos do governo. E deu-se um processo de alargamento de limites na Constituição americana no século XX. Se um decreto judicial de “inconstitucionalidade” é um entrave ao poder do governo, uma decisão de “constitucionalidade” é uma arma para promover a aceitação pública de um crescente poder governamental. Segundo Charles Black (The People and the Court, New York: Macmillan, 1960): A ameaça suprema [para o governo] é a ampla disseminação de um sentimento de ultraje e desafeição entre a população, e a consequente perda de autoridade moral por parte do governo, independentemente de quanto tempo ele consiga mantê-la pela força ou pela inércia ou pela simples falta de uma alternativa atraente e imediatamente disponível. Quase todas as pessoas que vivem sob um governo com poderes limitados serão, cedo ou tarde, sujeitados a alguma ação governamental que, em sua opinião, consideram estar além do poder do governo ou mesmo totalmente proibida ao governo. Ameaça afastada pelo estado pela propaganda doutrinal que uma agência terá de ter a decisão final da constitucionalidade. O poder judicial é uma parte essencial do aparato governamental, o que significa que o estado se coloca no papel de juiz de suas próprias causa,s violando o princípio jurídico básico de se procurar chegar a decisões justas.

Black considera que, dado o fato que o estado perpetuamente julga em sua própria defesa, conseguir chegar a decisões justas e legítimas seria “algo milagroso”. A Suprema Corte foi capaz de silenciar a grande massa de americanos que demonstrava fortes objeções constitucionais ao New Deal. CHARLES BLACK: Claro que nem todos ficaram satisfeitos. O mito do laissez-faire constitucionalmente ordenado ainda acalenta o coração de alguns sonhadores na terra da irrealidade raivosa. Mas já não há qualquer dúvida no público, perigosa ou significativa, quanto ao poder constitucional do Congresso para lidar como lida com a economia nacional ….. Não havia qualquer outro meio, senão a Suprema Corte, para conceder legitimidade ao New Deal.

John C. Calhoun, no “Disquisition”, demonstrou a tendência inerente do estado a ultrapassar os limites de uma constituição (The Growth and Decadence of Constitutional Government, New York: Henry Holt, 1930, p. 88): Será um jogo de interpretação contra interpretação — uma para contrair e a outra para alargar ao máximo o domínio do governo. Mas qual o benefício da visão rigorosa do partido minoritário face à visão permissiva do partido majoritário quando este tem todo o poder do governo para colocar em prática a sua visão ao passo que o primeiro se encontra privado de qualquer meio para concretizar a sua visão? Em uma disputa tão desigual, o resultado não será difícil de prever. O partido a favor das restrições será derrotado. …. O final da disputa será a subversão da constituição. …. as restrições serão por fim anuladas e o governo será convertido em um governo com poderes ilimitados. A solução proposta por Calhoun foi a doutrina da “maioria concomitante”. Se qualquer interesse minoritário substancial, especificamente um governo estadual, acreditasse que o Governo Federal excedia seus poderes sobrepondo-se a esta minoria, a minoria teria o direito de veto deste exercício de poder baseando-se na sua inconstitucionalidade.

O estado demonstra um exímio talento para a expansão dos seus poderes para além de quaisquer limites que possam lhe ser impostos. Uma vez que o estado sobrevive necessariamente do confisco compulsório do capital privado, e uma vez que a sua expansão envolve necessariamente uma incursão cada vez maior sobre indivíduos e empresas privadas, é imperativo afirmar que o estado é uma instituição profunda e inerentemente anticapitalista. O estado — a organização dos meios políticos — é constituído pela — e é a fonte da — “classe dominante” (ou melhor, casta dominante) e está em permanente oposição ao capital genuinamente privado.


5. O que o estado teme.




O que o estado teme qualquer ameaça fundamental ao seu próprio poder e à sua existência. Sua morte pode ocorrer de duas formas: (a) por meio da sua conquista por outro estado, ou (b) por um golpe revolucionário feito pelos seus próprios súditos. Ou seja, por meio da guerra ou da revolução. Por isso, as pessoas são mobilizadas a defender o estado na crença que defendem a si mesmas. A fraude subjacente a esta ideia evidencia-se quando o recrutamento compulsório é utilizado contra aqueles que se recusam a “defender-se”, e que são forçados a juntar-se ao aparato militar do estado, e não lhes é permitida qualquer “defesa” contra este ato cometido pelo “seu próprio” estado. Em uma guerra, o poder do estado é levado ao extremo, e sob os slogans da “defesa” e da “emergência”, impõe uma tirania ao público que, em tempos de paz, enfrentaria franca e aberta resistência.

O estado está majoritariamente interessado em proteger a si mesmo, e não os seus súditos. Qual categoria de crimes que o estado persegue e pune mais intensamente,aqueles cometidos contra os cidadãos ou aqueles cometidos contra ele próprio? No vocabulário do estado, os crimes mais graves quase invariavelmente não são agressões contra indivíduos ou contra a propriedade privada, mas sim ataques contra o bem-estar do estado. Por exemplo, traição, deserção de um soldado para o lado inimigo, fugir do alistamento militar compulsório, subversão e conspiração subversiva, assassinato de governantes, e crimes econômicos contra o estado, como falsificação da sua moeda ou evasão fiscal. Compare a intensidade dedicada à perseguição de um homem que tenha atacado um policial com a atenção que o estado concede ao ataque a um cidadão comum.
6. Como os estados se relacionam.

A guerra é uma tendência perene entre os estados, com períodos pontuais de paz e de alterações de alianças e coalizões entre estados. As tentativas “internas” ou “domésticas” para limitar o estado, entre o século XVII e o século XIX, alcançaram sua forma mais notável no constitucionalismo. Sua contrapartida “externa”, ou das “relações internacionais”, foi o desenvolvimento do “direito internacional”, suas “leis de guerra” e “neutralidade em guerra”, mas até as regras governamentais surgiram voluntariamente sem nunca terem sido impostas por qualquer superestado. O objetivo das “leis de guerra” era limitar a destruição interestatal do aparato do estado, preservando o público “civil” da matança e devastação da guerra. O objetivo do desenvolvimento do direito à neutralidade era o de preservar o comércio internacional civil privado, mesmo entre países “inimigos”. O objetivo mais abrangente era limitar a âmbito de qualquer guerra e o de limitar o seu impacto destrutivo sobre os cidadãos dos países neutros e até dos países em guerra.

Houve separação entre o indivíduo civil e as guerras do estado na Europa do século XVIII (Nef, War an Human Progress, p. 162): Nem as comunicações postais eram devidamente cortadas por muito tempo em períodos de guerra. As cartas circulavam sem censura, com uma liberdade que surpreendente para a mentalidade do século XX. …. Os cidadãos de duas nações em guerra conversavam entre si quando se encontravam e, quando não se encontravam, correspondiam-se, não como inimigos mas como amigos. A noção moderna que os súditos de um país inimigo são parcialmente responsáveis pelos atos beligerantes dos seus governantes era praticamente inexistente. Nem os governantes em conflito tinham qualquer intenção real de cortar as comunicações com os súditos do inimigo. As antigas práticas inquisitoriais de espionagem relacionadas ao culto religioso e à fé estavam desaparecendo, e não se imaginava sequer qualquer prática comparável de inquisição em relação a comunicações políticas ou econômicas. O passaporte foi originalmente criado para prover uma imunidade oficial em tempo de guerra. Durante a maior parte do século XVIII, raramente um Europeu desistia das suas viagens a um país estrangeiro contra o qual o seu próprio estava em guerra. E sendo o comércio crescentemente reconhecido como benéfico para ambas as partes, os períodos de guerra no século XVIII incluíam também uma considerável quantidade de “comércio com o inimigo”.

Os estados transcenderam as regras da guerra civilizada no século XX. Na era moderna da guerra total, combinada com a tecnologia de destruição total, a ideia de manter a guerra limitada ao aparato estatal parece ainda mais antiquada e obsoleta do que a Constituição original dos Estados Unidos.

Quando os estados não estão em guerra, acordos são frequentemente necessários para manter as desavenças ao mínimo. Uma doutrina que curiosamente ganhou uma grande aceitação é a suposta “santidade dos tratados”. Este conceito é visto como a contrapartida da “santidade do contrato”, mas um tratado nada tem em comum com um contrato genuíno. Um contrato transfere títulos sobre a propriedade privada. Uma vez que um governo não “é o proprietário”, em nenhum sentido legítimo, da sua área territorial, nenhum acordo que ele faça confere títulos de propriedade.
7. A história como uma batalha entre o poder estatal e o poder social.

Assim como as duas inter-relações humanas básicas e mutuamente exclusivas são a cooperação pacífica ou a exploração coercitiva — produção ou depredação —, a história da humanidade, em particular a sua história econômica, pode ser considerada uma disputa entre estes dois princípios. De um lado, existe a produtividade criativa, as trocas pacíficas e a cooperação, de outro, o despotismo coercivo e a depredação das relações sociais.

Albert Jay Nock apelidou estas duas forças concorrentes “poder social” e “poder estatal”. O poder social é o poder do homem sobre a natureza — sua transformação cooperativa dos recursos naturais e a compreensão racional das leis da natureza — para o benefício de todos os indivíduos participantes. O poder social é o poder sobre a natureza, e alcançar de um melhor padrão de vida por meio da troca mútua entre os homens. Já o poder estatal, como vimos, é a apropriação coercitiva e parasítica desta produção — uma drenagem dos frutos da sociedade para benefício de indivíduos não produtivos (na verdade, anti-produtivos), os governantes.

O poder social é exercido sobre a natureza, o poder estatal é o poder exercido sobre o homem. Ao longo da história, as forças criativas e produtivas do homem têm, repetidamente, aberto caminho a novas formas de transformar a natureza para seu benefício. Isto ocorreu nos momentos em que o poder social manteve-se à frente do poder estatal, momentos em que a invasão do estado sobre a sociedade foi consideravelmente diminuída. Sem exceção, após alguns intervalos, o estado sempre se move em direção a essas novas áreas, para confiscar e debilitar o poder social. Se o período entre o século XVII e o século XIX foi, para muitos dos países ocidentais, uma época de crescimento dopoder social com um aumento da liberdade, da paz e do bem-estar material, o século XX foi principalmente uma era em que o poder estatal foi recuperando o poder que havia perdido — com uma consequente reversão rumo à escravidão, à guerra e à destruição. No século XX, a espécie humana enfrenta, novamente, o reinado virulento do estado — do estado armado com os frutos dos poderes criativos da humanidade, confiscados e adulterados para os seus próprios fins. Nos últimos séculos os homens tentaram colocar limites constitucionais ao estado, apenas para concluir, mais tarde, que tais limites fracassaram. Dentre todas as numerosas formas que os governos assumiram ao longo dos séculos, dentre todos os conceitos e instituições que foram experimentados, nenhum conseguiu manter o estado sob controle. O problema do estado evidentemente nunca esteve tão longe de ser resolvido. Novos caminhos devem ser explorados em busca de soluções se realmente quisermos algum dia resolver de uma vez por todas a questão do estado.

Congresso já armou bomba fiscal de R$ 259 bilhões para Bolsonaro

© REUTERS Congresso já armou bomba fiscal de R$ 259 bilhões para Bolsonaro

No último ano do atual mandato, deputados e senadores armaram para o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), uma bomba fiscal de ao menos R$ 259 bilhões, mostra levantamento da Folha de S.Paulo.

O valor refere-se ao impacto nas contas públicas, nos próximos quatro anos, causado por dez projetos aprovados ou que avançaram no Congresso em 2018.

Apesar de o Orçamento estar sob regência de um teto que barra a expansão de gastos, os parlamentares aceleraram propostas que vão na direção contrária, seja com matérias de autoria do Legislativo, pressão por concessões em projetos editados pelo governo ou derrubada de vetos presidenciais.


As eleições deste ano, que vão deixar a maior parte dos atuais parlamentares sem vaga no Congresso a partir do ano que vem, não impediram a aprovação da chamada bomba fiscal. O resultado das urnas vai promover uma renovação de 51% da Câmara e de 85% das vagas disputadas no Senado.

Nesta semana, os senadores aprovaram aumento de 16% nos salários dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). O reajuste provoca um efeito em cascata que leva a aumentos salariais em todas as esferas do serviço público.

O impacto anual da medida chegou a ser estimado em R$ 4 bilhões, mas novo cálculo da consultoria de Orçamento do Senado diz que o custo será de R$ 5,3 bilhões ao ano.

Aplicada aos quatro anos de mandato de Bolsonaro, essa conta somará R$ 21,2 bilhões. Utilizando a mesma lógica aos outros projetos analisados que geram impactos anuais diversos, essa fatura chega a R$ 259 bilhões.

Também nesta semana, os parlamentares aprovaram a medida provisória do Rota 2030, que estabelece incentivos fiscais a montadoras de veículos. O projeto contraria as ideias da equipe de Bolsonaro, que critica a concessão de benefícios setoriais.

O custo anual será de R$ 2,1 bilhões, mas o texto foi alterado para incluir penduricalhos que vão elevar o impacto.

Benefícios do Reintegra, regime que dá crédito tributário a exportadores, foram ampliados e novos setores foram desonerados. Não há estimativa de custo dessas alterações.

Também foi incluída a prorrogação do regime que concede benefícios a montadoras instaladas no Nordeste. O programa tem custo anual de R$ 4,6 bilhões e terminaria em 2020. Agora, irá até 2025.

Após a aprovação, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), negou que o Congresso esteja produzindo bombas para estourar no governo Bolsonaro.

"Para evitar manchetes de jornal de que estamos produzindo pautas-bombas, quero evitar esse discurso fácil de pauta-bomba. Ao mesmo tempo que se prorroga o prazo [dos benefícios], faz uma redução dos incentivos hoje existentes em 40%", disse na quinta-feira (8).

Entre as medidas aprovadas pelos parlamentares neste ano, está o refinanciamento de dívidas para pequenos produtores rurais. Na tramitação, houve ampliação dos benefícios e do número de agricultores aptos a aderir ao programa, elevando o custo ao Orçamento de R$ 1,6 bilhão para R$ 5,3 bilhões. O texto foi parcialmente vetado e será novamente analisado pelo Legislativo.

O Congresso também entrou em Confronto com o governo depois que Temer editou um decreto que reduziu a alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de concentrado de refrigerantes de 20% para 4%. Quanto menor a alíquota, menos créditos fiscais são gerados pelo setor.

Primeiro, o Senado aprovou uma medida para derrubar o decreto. O texto aguarda análise da Câmara. Depois, com pressão do setor e de parlamentares, o governo editou novo decreto restabelecendo parte do benefício. O recuo vai custar cerca de R$ 700 milhões aos cofres púbicos em 2019.

A lista da pautas-bomba tem a liberação da venda direta de etanol das usinas aos postos de combustível (custo R$ 2,4 bilhões ao ano), benefícios para transportado- ras (R$ 9 bilhões ao ano) e a derrubada de vetos para autorizar o refinanciamento de dívidas de pequenas empresas (R$ 7,8 bilhões em dez anos) e reajuste salarial a agentes comunitários de saúde (R$ 4,8 bilhões).

O governo ainda tenta adiar reajustes de servidores de 2019 para 2020, o que poderia gerar uma economia de R$ 4,7 bilhões. Apresentada em setembro, a medida que trata do tema nem sequer teve comissão instalada pelo Congresso. O texto precisa ser aprovado até 10 de fevereiro de 2019, ou perderá a validade.

Parlamentares pressionam também pela compensação da União aos estados pela desoneração de ICMS na exportação. Projeto sobre o tema, com custo anual de R$ 39 bilhões, foi aprovado em comissão mista e precisa ser votado nos plenários da Câmara e do Senado. 
Com informações da Folhapress.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

De onde veio o Bolsonaro?

by Gustavo Bertoche,
Professor de filosofiao Twitter
Jair Bolsonaro no domingo passado, após a votação: ele conseguiu uma clara vantagem no primeiro turno
 das eleições presidenciais brasileiras (AFP)
Desculpe, amigos, mas não é um "machismo", uma "homofobia" ou um "racismo" do brasileiro. A grande maioria dos eleitores do candidato do PSL não é sexista, racista, homofóbico ou defende a tortura. A maioria deles nem sequer é bolsonarista .

Bolsonaro veio daqui mesmo, do campo da esquerda. Surgiu da nossa incapacidade de fazer a necessária autocrítica . Surgiu da recusa em conversar com o outro lado. Surgiu da insistência na ação estratégica em detrimento da ação comunicativa, que nos levou a demonizar, sem tentar entender, aqueles que pensam e sentem de maneira diferente.

É, até mesmo, o que estamos fazendo agora. Meu Facebook e WhatsApp estão cheios de ataques a "fascistas", aqueles que têm "mãos cheias de sangue", que são "chauvinistas", "homofóbicos", "racistas". Apenas o eleitor médio de Bolsonaro não é nada disso ou se identifica com esses defeitos. As mulheres votaram em Bolsonaro mais que em Haddad. Os negros votaram em Bolsonaro mais do que em Haddad. Um grande número de gays votou em Bolsonaro.

Amigos, estamos errando o alvo. O problema não é o eleitor de Bolsonaro. Somos nós, do grande campo da esquerda .

O eleitor não votou em Bolsonaro porque disse coisas detestáveis. Ele votou em Bolsonaro apesar disso.

A votação para Bolsonaro, não fomos enganados, não foi o voto para a direita: foi o voto anti-esquerda, foi o voto anti-sistema, foi o voto anti-corrupção . Nas mentes de muitas pessoas (aqui e nos Estados Unidos, nas últimas eleições), o sistema, a corrupção e a esquerda estão ligados. Seu voto aqui foi o mesmo voto que elegeu Trump lá. E os pecados da esquerda são os pecados da esquerda aqui.

Bolsonaro tinha os votos que tinha porque evitamos, a todo custo, encarar nossos erros e mudar a maneira como fazemos política. Nós estávamos presos em nomes intocáveis, mesmo quando eles provavam sua falibilidade. Adotamos o método mais podre de conquistar a maioria no congresso e nas assembléias legislativas, por ter preferido o poder à virtude. Nós corrompemos a mídia com anúncios de empresas estatais ao ponto em que a mídia se tornou dependente do estado. E nós expulsamos, ou ostracizam, todas as vozes críticas dentro da esquerda.

O que fizemos com o Cristóvão Buarque?

O que fizemos com o Gabeira?

O que fizemos com a Marina?

O que fizemos com o Hélio Bicudo?

O que fizemos com tantos outros menores?


Aqueles que não concordaram com nossa vaca sagrada, aqueles que criticaram os métodos das cúpulas partidárias, ficaram em silêncio ou tiveram que deixar a esquerda para continuar tendo voz.

Enquanto isso, nos enganamos com os sucessos eleitorais e nos tornamos um movimento da elite política. Perdemos a capacidade de nos comunicar com as pessoas, com as classes médias, com o cidadão que trabalha 10 horas por dia, e nos enganamos com a crença na idéia de que toda mobilização popular deve ser estruturada de cima para baixo.

A própria decisão de lançar Lula e Haddad como candidatos mostra que não aprendemos nada com nossos erros - ou, o que é pior, que não percebemos que estamos cometendo um erro e colocamos a culpa nos outros. Onde estão as fofas convenções de festas dos anos 80? Onde estão as correntes e tendências lançando contra pré-candidatos? Onde estão os debates internos? Quando a festa aconteceu ter um dono?

Em suma: a esquerda ficou mais velha, enriquecida e esqueceu suas origens .

O que nos restou foi a criação de slogans que repetimos e repetimos até acreditarmos neles. Só esses slogans não entendem na cidade, porque eles não correspondem ao que as pessoas vivem. Não basta chamar o eleitor de Bolsonaro de "racista", quando esse eleitor é negro e decidiu que nunca mais vota o PT. Não basta dizer que a mulher não vota em Bolsonaro pela mulher que decidiu não votar no PT de forma alguma.

Não, amigos, o Brasil não possui 47% de machistas, homofóbicos e racistas. Qualificando os eleitores de Bolsonaro de tudo o que não vai resolver nada, porque o engano não vai pegar. O eleitor médio do tipo não é nada disso. Ele simplesmente não quer que o país seja governado por uma parte que tenha um dono .

E não, não há uma disputa entre a barbárie e a civilização. O bárbaro não disputa eleições . (Ah Hitler jogado, etc. Você já leu Mein Kampf? Eu. Ele é tudo lá, já em 1925. Desculpe, amigo, mas engana piadas e frases NO Mein Kampf. Onde está a sua capacidade hermenêutica?) .

Há uma onda de Bolsonaro, mas pode ser uma onda de qualquer outro candidato anti-PT. Eu suspeito que Bolsonaro surfa nessa onda apenas porque ele é o mais antipático de todos.

E a falha do surgimento dessa onda é nossa, exclusivamente nossa. Não é apenas nossa, como continuará sendo até que alcancemos uma verdadeira autocrítica e levemos de volta ao nosso campo (e para nossos partidos) uma prática verdadeiramente democrática, algo que perdemos há mais de vinte anos.

Nós falamos muito em defesa da democracia, mas não praticamos a democracia em nossa própria casa . Será que esquecemos seu significado e também transformamos a democracia em um mero lema político, em que o que é nosso é automaticamente democrático e o que é do outro é automaticamente fascista? É hora de usar menos vísceras e mais o cérebro, amigos. E slogans falam para bílis, não para razão.

domingo, 30 de setembro de 2018

Casal de pinguins dão um passeio romântico numa praia e tornam-se virais






Um vídeo absolutamente fofo e adorável de dois pinguins viralizou nas redes sociais. E não é pra menos, né? Os dois foram filmados passeando de “mãos dadas” em uma praia. É MUITA FOFURA!

A princípio pode até parecer estranho ver um pinguim em uma praia, né? Porém, na Africa do Sul, esses animais preferem ambientes mais quentes e acolhedores, por isso é normal encontra-los em praias.



Justamente por isso, o vídeo em questão foi filmado numa praia localizada a cerca de 40km do centro da Cidade do Cabo, na Boulders Beach, ou “Praia dos Rocheados”, que é muito conhecida por abrigar uma colonia de pinguins africanos.


No vídeo em questão é possível ver dois pinguins caminhando um ao lado do outro ao longo das areias da praia, até o momento em que eles juntam suas barbatanas, dando a entender que são um belo e feliz casal de pinguins a andar de “mãos dadas” pela praia.

Sinceramente, não há palavras que possam descrever tal cena, então segue abaixo o vídeo para vocês se encantarem:
Não atoa, dizem que os pinguins só possuem um único amor em toda sua vida. 
Lindo, né?
By gostariadeir.com.br

sábado, 29 de setembro de 2018

Luiz Inácio, transformou a sala-cela em Curitiba no QG da candidatura de Fernando Haddad ao Planalto. De lá, o petista articula a cooptação de caciques regionais e até entregas de dinheiro por meio de jatinhos


Como Lula opera a campanha da cadeia

Gemano Oliveira

Preso há seis meses numa sala-cela da PF em Curitiba, o ex-presidente Lula está apenas no início do cumprimento de uma pena de 12 anos e 1 mês de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Teoricamente, o cárcere deveria servir para o réu se regenerar dos crimes cometidos, não voltar a delinqüir e deixar o presídio após o final da pena apto a se reintegrar à sociedade, devidamente recuperado. Mas Lula parece não se emendar. Ao exercer sem qualquer cerimônia ou pudor o papel de coordenador da candidatura do presidenciável Fernando Haddad (PT), o petista transformou a sala-cela num QG da campanha, onde acontecem manobras pouco ortodoxas no vale-tudo para eleger o petista. Sob as barbas das autoridades, Lula vale-se da estrutura carcerária para operar a estratégia eleitoral petista, colocando em prática métodos nada republicanos no esforço para cooptar apoios de partidos como MDB, PR, PP e PDT para o “projeto Haddad”. Conforme apurou ISTOÉ, além de promessas de cargos no futuro governo do PT, Lula articula vantagens financeiras destinadas a irrigar as campanhas dos que se dispõem a serem convertidos a novos aliados. A máquina eleitoral é comandada por meio de bilhetinhos, à la Jânio Quadros, só que de dentro da cadeia, os quais o petista faz chegar às mãos de assessores de altíssima confiança. Integram o time de pombos-correios de Lula o ex-chefe de gabinete Gilberto Carvalho, o advogado Cristiano Zanin, o deputado José Guimarães (PT-CE) e do próprio Haddad, que o tem visitado na condição de advogado. O teor das mensagens é repassado pelos assessores aos políticos aos quais se destinam as determinações.

Nas últimas semanas, o objetivo do ex-presidente tem sido ampliar a vantagem de Haddad no Norte-Nordeste do País. Não à toa, intensificaram-se as mensagens remetidas para caciques da região e velhos parceiros dos tempos da era petista no poder, caso dos senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Eunício Oliveira (MDB-CE), Fernando Collor (PTC-AL) e o ex-senador José Sarney (MDB-MA), que até então marchavam ao lado de Henrique Meirelles (PMDB) ou de Ciro Gomes (PDT). Para que mudassem de lado na atual corrida presidencial, robustecendo o palanque de Haddad, Lula prometeu-lhes participação no novo governo e até compensações financeiras. Outro destinatário preferencial dos bilhetinhos de Lula é o também presidiário Valdemar Costa Neto, que por determinação judicial dorme no Presídio da Papuda, em Brasília, mas está autorizado a sair durante o dia para trabalhar. Apesar de não ser mais o presidente do PR, Valdemar ainda manda e desmanda no partido, que desde o governo Lula transformou o Ministério dos Transportes no seu latifúndio, digamos, mais produtivo. O operador financeiro de Valdemar é o ex-ministro Maurício Quintella, atualmente candidato ao Senado pelo PR de Alagoas. Como Lula sabe que o caixa do PR é poderoso, por comandar grandes obras em rodovias no País, o petista tem acionado Valdemar quando precisa fazer chegar recursos 
às mãos de algum neo-aliado.

O VELHO FISIOLOGISMO Lula prometeu cargos para raposas
 do MDB num futuro governo (Crédito:Fernando Bizerra Jr)

Foi o que aconteceu no Maranhão. Lula havia recebido informações de que a candidatura de Ciro Gomes ganhava corpo no Estado. Afinal, o governador Flávio Dino (PCdoB), apesar de integrar a base aliada do PT, trabalhava com afinco para empinar a candidatura de Ciro. Até que Dino foi procurado pelo deputado José Guimarães, a quem coube repassar-lhe a orientação de Lula: que ele passasse a se dedicar a Haddad. “Dino tem que deixar de apoiar Ciro”, ordenou o petista da cadeia. Não parou por aí. Ao descobrir que um dos motores da candidatura de Ciro no Maranhão era o deputado Weverton Rocha (PDT-MA), candidato ao Senado, Lula, por meio de Gilberto Carvalho, destinou uma importante mensagem a Valdemar Costa Neto. “Faça chegar dinheiro à campanha de Weverton Rocha”. O deputado, conforme informações colhidas por Lula da prisão, precisava de R$ 6 milhões para deslanchar sua campanha. Com o apoio de Quintella, Valdemar deflagrou a operação para o envio do dinheiro ao Maranhão.


Avião com R$ 6 milhões a bordo caiu em Boa Viagem (CE). Mas os recursos chegaram no destino: a campanha de Weverton Rocha, PDT

Conforme apurou ISTOÉ, um avião experimental Cirrus, da Vokan Seguros, a serviço da empreiteira CLC (Construtora Luiz Carlos), foi quem cuidou do transporte do dinheiro do Ceará com destino a São Luis. A CLC faz um trecho da BR-222, na região de Sobral (CE), uma obra do Ministério dos Transportes. No trajeto, percorrido no dia 14 de setembro, uma quase-tragédia: o avião acabou caindo com o dinheiro a bordo na cidade de Boa Viagem. Os recursos eram escoltados por um policial. Com o acidente, outros agentes foram ao local imaginando que a aeronave pudesse transportar drogas. Coube ao policial a bordo do Cirrus a tarefa de tranquilizar os colegas, dizendo-lhes que não se preocupassem com a ocorrência, pois ninguém havia ficado ferido. O dinheiro, contudo, chegou ao destinatário final, cumprindo os desígnios de Lula: a campanha do pedetista Weverton – convertido a empedernido cabo eleitoral de Haddad.

Mas ainda havia uma ponta solta no novelo da costura feita por Lula no Maranhão. Era preciso atrair para seu arco de alianças o ex-senador José Sarney e sua filha Roseana, candidata do MDB ao governo do Estado contra Flávio Dino. A família Sarney vinha trabalhando pela eleição do presidenciável do partido, Henrique Meirelles, mas a conduta mudou quando Sarney recebeu o recado de Lula, transmitido por meio de Gilberto Carvalho: “Quero a família Sarney na campanha do Haddad”, determinou Lula da cadeia. Os Sarneys fecharam também com Lula. Resultado: Haddad cresceu no Maranhão de 4% para 36% e Ciro estagnou nos 13%.





Em contrapartida, o cacique maranhense conta com a ajuda de eventual governo petista para sacramentar um negócio que envolve a TV Mirante, pertencente à família. Sarney deseja vender a emissora para o grupo Integração, de Minas Gerais.
Lula montou uma estratégia para beneficiar Haddad também em Alagoas. Para isso, contou com os préstimos do senador Renan Calheiros (MDB-AL). Em mensagens transmitidas por Gilberto Carvalho a Renan, candidato à reeleição, Lula pediu para que o senador convencesse o também senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL) a desistir da disputa ao governo de Alagoas contra Renan Filho (MDB), candidato à reeleição. Àquela altura, Renanzinho ostentava 46% das intenções de voto e Collor 22%. Os dois rumavam para o segundo turno. A idéia acalentada por Lula era que Renanzinho fosse eleito no primeiro turno, reservando o segundo turno para se dedicar de corpo e alma a Haddad. Em troca, o filho de Renan se comprometeria a aumentar as verbas da mídia do governo dos atuais R$ 300 mil por mês para R$ 800 mil mensais para a TV de Collor em Maceió. O acerto, pelo visto, foi bem azeitado. Collor renunciou, Renanzinho saltou para 65% e deve ser reeleito na primeira etapa das eleições alagoanas.

Quem sabe, faz a hora. Agora, o PT espera que Renan Filho cristianize Meirelles em favor de Haddad. Há, no Estado, quem diga que isso já aconteceu. Na última semana, Haddad subiu de 2% para 28% em Alagoas. Avalista do acerto, Renan sonha em voltar a comandar o Senado, a partir de 2019, com o apoio de Lula.


    FANTOCHE Haddad, ao lado de Manuela D`Ávila, faz campanha  pelo país, mas quem dá as              cartas é Lula (Crédito:Mauro Pimentel)

No mapa eleitoral que estende sobre a solitária mesinha de sua cela na PF, Lula vislumbra que Haddad reúne chance de se eleger presidente se obtiver uma ampla vantagem no Nordeste, onde detém o apoio de quase 35% do colégio eleitoral brasileiro (mais de 50 milhões de eleitores). Foi graças à expressiva votação no Norte/Nordeste que Dilma Rousseff conseguiu superar Aécio Neves (PSDB) na disputadíssima corrida eleitoral de 2014. Lula espera repetir a dose. Desde que ativou o QG eleitoral na cadeia, há um mês, os resultados já se fizeram sentir. Haddad ascendeu nas pesquisas de intenção de voto de 4% para 22%, índices impulsionados pelo duplo twist carpado empreendido pelo petista na região, onde atingiu 34% – o dobro de Jair Bolsonaro. O avanço vermelho no Nordeste, operado por Lula da cadeia, acabou por minar a candidatura de Ciro Gomes. O pedetista chegou a ter mais de 20% na região, com tendência de alta, mas recuou.

Valdemar teria oferecido R$ 2,4 milhões para que candidatos a deputado pelo PR apoiem Haddad

O esforço de Lula no sentido de solapar, da sala-cela em Curitiba, candidaturas adversárias de seu poste ousou beliscar o ninho tucano no Piauí. Lá, o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, que apoiava oficialmente a candidatura do tucano Geraldo Alckmin, virou casaca depois de receber um bilhete de Lula levado pelo deputado José Guimarães. “Ciro Nogueira tem que trocar Alckmin por Haddad”, determinou Lula. A intervenção do petista fez com que Haddad subisse de 6% para 38% no Piauí e Alckmin estacionasse no Estado. Até o Ceará, dominado pelo ex-governador Ciro Gomes, sentiu a mão pesada de Lula. O emissário também neste caso foi José Guimarães, um de seus maiores interlocutores no Nordeste. Por meio do aliado, Lula mandou um recado furioso ao governador Camilo Santana (PT), que fez coligação com o PDT no Estado. Camilo pedia votos também para Ciro no Ceará. Lula determinou, então, que se bandeasse para Haddad. Paralelamente, articulou com o senador Eunício Oliveira (MDB-CE), seu desembarque da candidatura de Meirelles, em prol do candidato do PT ao Planalto. Não para a surpresa de quem lê, a estratégia montada por Lula no Estado também envolve muito dinheiro – e , nesses casos, quem se apresenta para jogo é Valdemar Costa Neto. Para fazer Haddad decolar no Ceará, Valdemar estaria oferecendo R$ 2,4 milhões, recurso do fundo partidário do PR, para cada candidato da legenda a deputado federal. No meio penitenciário, policiais costumam dizer que os presos, por não trabalharem, utilizam o tempo ocioso para arquitetar novos crimes. Costumam repetir a velha máxima: “mente vazia, oficina do diabo”. E é o que parece que Lula está fazendo na cadeia: articulando estratégias suspeitas de novos ilícitos eleitorais. Para dizer o mínimo.

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