Assassinato que detonou Primeira Guerra Mundial completa 100 anos





28/06/2014

Há 100 anos, tiro disparado por um jovem radical matou o arquiduque Francisco Ferdinando. O mundo foi separado em dois blocos e as nações começaram a Primeira Grande Guerra

ATHOS MOURA
Rio - Dois concertos em duas cidades bósnias marcam hoje o centésimo aniversário do assassinato em Sarajevo que serviu de estopim à Primeira Guerra Mundial. Um tiro disparado por um jovem membro de um grupo radical na manhã do dia 28 de junho de 1914 matou o arquiduque Francisco Ferdinando e mudou o rumo da História, mergulhando o mundo em sua primeira grande conflagração armada entre as nações. Alguns historiadores afirmam que o conflito iniciado com a morte do príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro ocasionou uma série de crises diplomáticas que se arrastaram até 1991, com o fim da Guerra Fria.
O assassino foi o sérvio Gavrilo Princip, de 19 anos, integrante do Mão Negra, grupo radical que queria a independência dos países da região dos Balcãs, que era dominada pelo Império Austro-Húngaro. De acordo com o professor de História Contemporânea da Universidade do Rio de Janeiro (UniRio), Carlo Romani, os grandes impérios estavam ruindo e dentro deles estavam se construindo estados-nações com base étnica, nacional e também linguística.
Após a morte de Francisco Ferdinando, o Império elaborou o Ultimato de Julho, uma lista de dez exigências ao governo sérvio. Durante todo o mês de julho houve movimentações diplomáticas entre impérios e nações, que durante o mês de agosto acabaram declarando guerra umas as outras.
Durante a Guerra, que durou até 1918, o mundo ficou separado em dois grupos. De um lado, apoiando a Sérvia, estavam França, Inglaterra e Rússia, que formaram a Tríplice Entente. Ao Império Austro-Húngaro se aliaram a Alemanha e a Itália, configurando a Tríplice Aliança.
Os conflitos se concentraram basicamente na Europa, mas também se estenderam para a África, onde muitas dessas nações possuíam colônias. Segundo estimativas, os quatro anos de guerra deiram até 65 milhões de mortos, entre militares e civis. A alta quantidade de vítimas fatais também se deveu ao uso da tecnologia. Foi a primeira vez, por exemplo, que aviões, submarinos e armas de repetição, como metralhadoras, foram usados em combate. Também houve investimento na guerra química. Bombardeios com gás mostarda mataram pessoas que viviam nas regiões dos conflitos.

Países europeus se unem para conter o expansionismo germânico

A Europa era formada por uma grande colcha de retalhos no final do século XIX. Algumas nações tentavam manter sua hegemonia no continente, caso de França e Inglaterra, enquanto a Alemanha queria se afirmar com uma nova potência mundial.
Os povos germânicos se unificaram como Império após a Guerra Franco-Prissuana, entre 1870 e 1871, quando venceram a França nos campos de batalha. Como vencedores, reivindicaram terras que pertenciam aos franceses, que sempre as quisereram tomar de volta.
Segundo Carlos Romani, naquela época, a Alemanha superou a França e começou a rivalizar com a Inglaterra. A entrada dos países na guerra contra a Alemanha era para impedir uma expansão do poderio germânico, que queria ocupar mais terras. “A Alemanha se tornou maior que a França demográfica e economicamente. E também deixou a Inglaterra em estado de alerta”, explicou. Os Impérios Austro-Húngaro e Turco-Otomano precisavam controlar a agitação interna de povos descontentes com a submissão a qual eram impostos. A Rússia também entrou na guerra para não deixar a Alemanha se fortalecer. Os russos, governados pelo Czar Nicolau II, temiam que um avanço do Império Austro-Húngaro e da Alemanha significasse perda de território. O avanço militar e econômico dos alemães significaria perda de influência dos russos, por isso Nicolau II optou por se aliar à França e Inglaterra.
A Sérvia, palco do estopim da guerra, era um país pequeno. Mas era independente cercada por um grande império e queria a unificação das regiões vizinhas como Bósnia e Kosovo.

by O Dia

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