Major dos Bombeiros é orientado a não falar com imprensa sobre boate



Major afirmou que recebeu ligação do governo do Estado com orientação.
Para Gerson Pereira, a corporação 'fez tudo o que estava ao alcance'.

major bombeiros gerson pereira incêndio santa maria boate (Foto: Roberta Lemes/G1)Major concedeu 'última' coletiva após receber
telefonema de governador do estado
(Foto: Roberta Lemes/G1)
O chefe do Estado Maior do 4º Comando Regional do Corpo de Bombeiros, major Gerson Pereira, interrompeu entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (29) sobre o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria(RS), ao receber um telefonema.
"Recebi uma ligação do governo do Estado e fui orientado a não falar com a imprensa. As informações vão ser centralizadas. Esta será a última vez que conversamos", afirmou.
G1 entrou em contato com o governo do RS. A assessoria de imprensa do governo informou que o telefonema não partiu do Palácio Piratini.
O major chegou a comentar sobre a responsabilidade dos Bombeiros na morte de 234 pessoas na madrugada de domingo, após o incêndio da boate. Segundo ele, a casa noturna tinha todas as exigências estabelecidas pela lei vigente no Brasil. “Quem falhou, que assuma a sua responsabilidade. Nós fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e não vou entrar em jogo de empurra-empurra”, afirmou.

O major afirma que, pela lei que regulamenta as exigências de prevenção de incêndios, um espaço como o da boate Kiss, com 645 m² e capacidade para 691 pessoas, pode ter até 2 portas com barras antipânico, iluminação de emergência e extintores.
“Eles tinham tudo. O extintor pode ter falhado, por isso sempre pedimos atenção à data de validade. Gostaria de ter efetivo para que a fiscalização fosse realizada semanalmente, mas é inviável. Se os proprietários efetuaram mudanças no local após a última vistoria, não temos como controlar”, disse.
Questionado sobre o revestimento do palco, o major afirmou: “Não é da responsabilidade do Corpo de Bombeiros e também gostaria de saber de quem é. Tenho minha consciência tranquila que nós fizemos tudo que era da nossa alçada”.
“O que é preciso agora é mudar a legislação para termos regras mais rígidas. Eu quero chegar nos lugares e poder apontar tudo o que está errado. Os Bombeiros gostariam dessa responsabilidade, porque salvaríamos vidas, mas não posso. Se faço isso, estou passando por cima da autoridade de alguém”, complementou.

O major Gafirmou também que entregou todos os papéis sobre a casa à polícia e que não pode dizer se o alvará estava de fato vencido. “Ao perceber irregularidades em locais que frequenta, peço que a sociedade nos avise. Há milhares de casas noturnas pelo mundo, mas essa tragédia infelizmente aconteceu em Santa Maria”, encerrou.
Também na tarde desta terça, outras informações importantes sobre o caso foram divulgadas:
1- Segundo a polícia, a banda Gurizada Fandangueira utilizou um sinalizador mais barato, impróprio para ambientes fechados;
2- há diversos indicativos de que a boate não deveria estar funcionando;
3- a Prefeitura de Santa Maria se eximiu de responsabilidade pelo incêndio.
Incêndio e prisões
O incêndio começou por volta das 2h30 de domingo (27), durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que utilizou sinalizadores para uma espécie de show pirotécnico.
Segundo relatos de testemunhas, faíscas de um equipamento conhecido como "sputnik" atingiram a espuma do isolamento acústico, no teto da boate, dando início ao fogo, que se espalhou pelo estabelecimento em poucos minutos.
Quatro foram presos nesta segunda-feira após a tragédia: o dono da boate, Elissandro Calegaro Spohr, o sócio, Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que fazia um show pirotécnico que teria dado início ao incêndio, segundo informações do delegado Sandro Meinerz, responsável pelo caso.
Ao todo, 44 pessoas já foram ouvidas pela polícia e 10 ofícios de informações foram expedidos a órgãos públicos pedindo explicações e documentos
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by G1

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