Antes beneficiada com crédito, classe C se desespera para pagar as dívidas


A nova classe média enfrenta dificuldades para pôr as contas em dia. Inflação e juros altos apertaram o orçamento das famílias

'Não pago nada à vista, porque o dinheiro não dá', conta a aposentada Dalva Rodrigues (Janine Moraes/CB/D.A Press)
"Não pago nada à vista, porque o dinheiro não dá", conta a aposentada Dalva Rodrigues

Alvo preferencial do governo, na tentativa de estimular o crescimento do país, a nova classe C passa por momentos difíceis quando o assunto é dinheiro. As quase 40 milhões de pessoas que compõem essa camada da população aproveitaram o crédito farto para comprar carro, trocar a geladeira e a televisão e até adquirir a casa própria. Agora, não conseguem arcar com as dívidas. Levantamento do Instituto Data Popular mostra que 69% da classe C está com dificuldades para pagar as contas. Para 32%, a situação é desesperadora.

A aposentada Dalva Rodrigues, 73 anos, que o diga. Ela fez um empréstimo para terminar de construir sua casa, no Paranoá, próximo a Brasília. Sem conseguir quitar o montante, devido aos juros altos, recorreu a outro banco em busca de mais um financiamento para honrar o compromisso atrasado. Ou seja, tapou um buraco mas abriu outro no orçamento doméstico. Com isso, mais da metade da renda de cerca de R$ 1 mil está sendo destinada ao pagamento de dívidas.

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A casa ainda não tem todos os móveis que Dalva deseja. “Tudo aqui é comprado à prestação, o forno, a geladeira, o microondas. Não pago nada à vista, porque o dinheiro não dá. Tem meses em que preciso apertar, comprar menos, reduzir os gastos com comida no supermercado”, assinala. Ela reconhece que chegou ao limite do endividamento. E sofre porque ainda falta muito para ter o imóvel dos sonhos. “A prioridade é não passar fome”, afirma.

Dinheiro escasso

A pesquisa do Data Popular mostra que, quando o dinheiro fica escasso, como no caso de Dalva, a maior parte dos brasileiros, 81%, economiza nas contas de manutenção da casa, como luz, telefone e gás. Do total de 2.004 entrevistados, 75% comparam preços e 51% trocam os produtos comprados por marcas mais baratas, 23% diminuem a quantidade de mercadorias e 11% simplesmente param de consumir.

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