A UM AMIGO DISTANTE



Você ai tão longe. 
Por que não me pede noticias?
Por que não manda também ? Por acaso você sabe como vão as coisas ? Você sabe como vou eu? 
Não.
Nem sequer sabe que mudei de endereço, que encrespei o cabelo, que já não sou a mesma. As coisas continuam a acontecer , engraçadas e tristes, alegres e sombrias, mas eu não sou a mesma. 
Como todo o mundo, eu absorvi o tempo e a minha idade cresceu.
Ando ainda em busca de emoções ? 
Talvez sim. No dia-a-dia, pequenas aventuras, pequenos nadas, grandes nadas, grandes vazios.

Ultimamente uma obsessão: o tempo passa muito depressa. 
E o que a gente faz com esta segunda, esta terça, esta quarta, esta quinta, esta sexta-feira? Este fim de semana? Estes dias todos que correm num ritmo alucinado? Hoje já é junho, amanha será natal depois de amanhã o ano 2008. 
Ah!... Se eu pudesse agarrar um momento bom desta vida! brincaria com ele indefinidamente, o tempo eternamente parado,eternamente preso em minhas mãos ...

Os momentos se perdem rapidamente no passado; não há mais tempo para vive-los.
A memória já não registra os acontecimentos; eles mal são percebidos. Aquela mágoa, um outro dia que me arrancou lágrimas, que me trouxe tremenda revolta, já não lembro mais. 
Vivi a tristeza apenas por um segundo. Não pude fazer mais do que isso; o redemoinho dos momentos seguintes impediu a corrente de lágrimas. Rapidamente elas secaram, deixando sulcos no rosto duro, sério envelhecido.

Uma noite dessas qualquer, eu me lancei dentro da vida, descobri o que existe por detrás do pano negro que envolve o sono, mas que, para muitos, é apenas o pano de fundo de loucas alegrias, de loucas violências, de loucas alucinações.
Vivi então um deslumbramento quase completamente desconhecido. Rostos novos, figuras estranhas desfilavam pela chuva, com um entusiasmo que não se molhavam, que se aquecia com sua própria intensidade. 
Mas foi também um rápido instante que se perdeu.
O dia seguinte trouxe a transformação de um céu sem nuvens, um sol brilhante e as obrigações. A noite tinha passado para sempre.

Depois, em outra ocasião festiva, um romance se esboçou. Uma pessoa a muito tempo querida se aproximou de mim e, depois do burburinho da noite, me prometeu coisas, através de beijos que tinha sabor de um inicio, mas que significavam apenas um fim. 
Essa pessoa, que veio ao encontro da minha passiva carência de afeto, desapareceu sem sequer dizer adeus. E esse momento de felicidade se extinguiu.

Estas são as minhas notícias. Se quiser, se puder manda as suas. Quem sabe, ai tão longe, sua vida é contrario da minha; quem sabe, ai tão longe o tempo se perca mais devagar.



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