sábado, 15 de agosto de 2015

A esquerda ‘intelectual’ brasileira: a diferença entre o que dizem e o que fazem – Parte 1: ‘O abismo’

Por Alexandre Karamazov   em 10 de agosto de 2015

O que une Gregório Duvivier, Sakamoto, Zé de Abreu, Luciana Genro, Tico Santa Cruz, Jean Willys, Manuela d´Ávila, Jandira Feghalli e Chico Alencar? A inclinação à esquerda e suas críticas ao capitalismo. Até a página dois. Todos, sem exceção, desfrutam do melhor que o capitalismo pode oferecer, mas lutam, com força avassaladora, pra que nós, meros mortais, não tenhamos este direito. Atualmente é até clichê, e presto minhas homenagens à página ‘Socialista de Iphone’ por isto, mas o resumo é esse: usam Iphone, e desejam que compremos um Nokia tijolão de 1990. Curtem o capitalismo selvagem opressor, e desejam que a gente viva na Rússia de 1917.
Um dos problemas graves do ser humano é o orgulho, independentemente de ideologia, e isto faz com que tais personagens citados acima, uns novos, outros nem tanto, tenham imensa responsabilidade como “formadores de opinião”, porque falam pra milhares de pessoas. O canal ‘Porta dos Fundos’, de Duvivier, fala com milhões. Imaginem se daqui a uns anos, tanto faz se 5 ou 25, Gregório resolve repensar suas ideologias, descobre que o que deseja no futuro é diferente do que deseja hoje, e percebe que evoluiu, mudou, pensou melhor e esteve errado sobre muita coisa que defende publicamente atualmente. Quantos milhões de pessoas não terão sido influenciadas por suas opiniões? Quantas pessoas não terão criado repulsa ao livre exercício de pensar, ao livre mercado, rotulando todos aqueles que discordam delas de ‘fascistas’, ‘reacionários’, ‘burgueses’ e similares? É igual jornal, que após um erro na capa solta uma notinha minúscula de desculpas no dia seguinte, que ninguêm lê. O arrependimento de uma pessoa pública tem essa particularidade. O cantor Lobão, odiado pela esquerda atualmente, assim como tantos outros de direita, era eleitor do PT e fazia shows pra captar recursos pro partido, e, hoje, mudou de lado. Na época onde não havia internet, o estrago causado por tais personalidades não era tão grande e era impossível de mensurar. Hoje, pela quantidade de likes, compartilhamentos e seguidores, podemos ter ideia do estrago feito por nossos “intelectuais”.
Outro fato a ser observado é que nossos “intelectuais” precisam de aspas, sim, porque Tico Santa Cruz ser lido, ouvido, e respeitado como formador de opinião é uma triste amostra de como nosso país atingiu o fundo do poço em matéria de cultura, inclusive cultura das massas. Tico é roqueiro, como eu, e deveria refletir a benção que o capitalismo e as liberdades individuais proporcionaram a este gênero musical no mundo todo, e aqui no Brasil, ainda que com muito custo. A tecnologia que é usada numa guitarra elétrica, por ex., das cordas até os captadores e pintura de uma Gibson americana, só existe graças ao capitalismo. O poder de compra dos  fãs em cada show, idem (ou alguém imagina um Estado socialista socializando ingressos pro show do AC/DC? ). Cada toalha branca no camarim, cada microfone Shure, cada palheta, cada CD, DVD, telão de LCD, e as roupas extravagantes só se sustentam no ‘capitalismo opressor’ que o próprio tanto critica de seu Mac, da californiana Apple. E até o belíssimo direito de escolha, a liberdade, que permite alguém escolher entre o show do Detonautas ou do Queen, do Molejo ou do Calypso, tudo isto é graças ao capitalismo.
Esta contradição ambulante se mostra presente em diversos artistas que falam demais e, aparentemente, estudam de menos. É como o ator Pedro Cardoso – excelente humorista – criticando a Tv Globo após 30 anos de casa: totalmente contraditório.  E a lista de autores e obras contraditórias não é pequena. Alguns exemplos:
Marieta Severo tece elogios ao PT em rede nacional, no Faustão. O mesmo PT que deseja que a Globo vire pó. A Globo que paga o salário dela.
Jô Soares entrevista a presidente mais impopular de nossa História, também na Globo, dizendo-se “politicamente anarquista”.
Gregório Duvivier debocha de Rodrigo Constantino, e todos que o criticam, sem nunca responder com algum tipo de argumentação. E não acha estranho receber dinheiro do contribuinte (reacionários, fascistas, golpistas, elite) pra fazer trabalho pro Banco do Brasil.
Zé de Abreu,ator global, critica o capitalismo na frente de um iMac de 27 polegadas, que custa mais de 10 mil reais. Mora em Paris, e se acha no direito de protagonizar a propaganda oficial do PT. 
Jandira Feghalli apóia a Coréia do Norte tirando selfies no seu Iphone 6, após dar expediente em seu restaurante – propriedade privada não socializada – em Copacabana, com preços $urreais.
Manuela d´Ávila, do PCdoB, compra o enxoval de seu filho em Nova Iorque.
Jean Willys toma café de cápsula em sua Dolce Gusto , e abastece seu carro com gasolina aditivada.
Lula conclama o exército do Stédile, o grupo esquerdista MST, a lutar contra a burguesia, direto de seu tríplex no Guarujá, com varanda gourmet e elevador próprio.
Guilherme Boulos, líder do MTST, é contra a propriedade privada, menos quando se trata do seu livro, vendido diretamente pela internet por R$29,90. Por que não de graça, camarada?
Leonardo Sakamoto escreve – e bem, admito – deturpando tudo aquilo que não vai ao encontro do seu pensamento, colocando no mesmo barco fascistas e oposicionistas do PT e da esquerda de modo geral, e sempre achando que a sua opinião deveria reger 200 milhões de brasileiros ignorantes que deveriam ajoelhar-se e pedir conselhos a ele.
Eles, ‘intelectuais brilhantes e geniais de nosso cotidiano’, tem direito ao capital privado e estatal para usufruir das benesses do capitalismo e do socialismo simultaneamente. E querem, e hão de querer eternamente, que nós esperemos pelo encantado mundo perfeito e igualitário do socialismo do século XXI, que não tem nem papel higiênico.
No próximo texto da série, o lado mais cruel desses personagens na prática: para eles, pobre jamais deve ter acesso ao capitalismo e ao livre mercado. Só eles, seres iluminados, podem conhecer e vivenciar o capitalismo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A farsa em frangalhos: o guerreiro do povo brasileiro era só um caçador de pixuleco

by Augusto Nunes
VEJA



PRESO NA OPERAÇÃO PIXULECO, informa a mais recente anotação no prontuário de José Dirceu de Oliveira e Silva, mineiro de Passa Quatro, 69 anos, advogado com especialização em corrupção ativa e formação de quadrilha. A palavra que batizou a 17ª etapa da Lava Jato, usada pelo gatuno João Vaccari Neto como sinônimo de propina, é vulgar na forma, abjeta no conteúdo e rima com José Dirceu. Pixuleco é um nome perfeito para a operação que consumou a morte política do general sem soldados ─ e implodiu uma farsa que durou quase meio século.

Como pôde durar tanto a vigarice protagonizada por um compulsivo colecionador de fiascos? Já em 1968, quando entrou em cena fantasiado de líder estudantil, nosso Guevara de galinheiro namorou uma jovem chamada Heloísa Helena sem saber que convivia dia e noite com “Maçã Dourada”, espiã a serviço da ditadura militar. Se quisesse prendê-lo, a polícia nem precisaria arrombar a porta do apartamento onde o casal dormia: a namorada faria questão de abri-la. No mesmo ano, a usina de ideias de jerico resolveu que o congresso clandestino da UNE marcado para outubro, com mais de mil participantes, seria realizado em Ibiúna, com menos de 10.000 moradores.
Intrigado com o tamanho da encomenda ─ 1.200 pães por manhã ─ o padeiro que nunca fora além de 300 por dia procurou o delegado, que ligou para a Polícia Militar, que prendeu todo mundo. Libertado 11 meses pelos sequestradores do embaixador americano Charles Elbrick, declarou-se pronto para recomeçar a guerra contra a ditadura, fez uma escala no México, aprendeu a empunhar taças de tequila e enfim entendeu que chegara a hora de matricular-se num cursinho de guerrilha em Cuba que, por falta de verba para balas de verdade, municiava os futuros revolucionários com balas de festim.
Combatente diplomado, submeteu-se a uma cirurgia para que o nariz ficasse adunco antes de regressar ao Brasil na primeira metade dos anos 70. Percebeu que a coisa andava feia assim que cruzou a fronteira e, em vez de mandar chumbo no campo, mandou-se para Cruzeiro do Oeste, interior do Paraná, armado de documentos que o apresentavam como Carlos Henrique Gouveia de Mello, comerciante de gado. Logo se engraçou com a dona da melhor butique da cidade, adiou por tempo indeterminado a derrubada do governo e se entrincheirou na máquina registradora do Magazine do Homem.
Em 1979, a decretação da anistia animou o forasteiro conhecido no bar da esquina como “Pedro Caroço” a contar quem era à mãe do filho de cinco anos e avisar que precisava voltar à cidade grande. Afilou o nariz com outra cirurgia e reapareceu em São Paulo ansioso por recuperar o tempo perdido. A gula e a pressa aceleraram a expansão da cinzenta folha corrida. Deputado estadual e federal pelo PT paulista, rejeitou todas as propostas de todos os governos. Presidente do partido, instalou Delúbio Soares na tesouraria. Com o triunfo de Lula em 2002, o pecador trapalhão foi agir na capital federal.
Capitão do time do presidente, mandou e desmandou até a erupção do escândalo inaugural: um vídeo provou que Dirceu promovera a Assessor para Assuntos Parlamentares o extorsionário Waldomiro Diniz, com quem havia dividido um apartamento em Brasília. Era só mais um no ministério quando, em 2005, o Brasil ficou sabendo que o chefe da Casa Civil também chefiava a quadrilha do mensalão. Despejado do emprego em junho, prometeu mobilizar deus e o mundo, além dos “movimentos sociais”, para preservar o mandato em perigo. Em dezembro, conseguiu ser cassado por uma Câmara que inocenta até a bancada do PCC.
Sem gabinete no Planalto ou no Congresso, sem rendimentos regulares e sem profissão definida, escapou do rebaixamento à classe média ao descobrir o mundo maravilhoso dos consultores de araque. Com a cumplicidade dos afilhados que espalhara pela administração federal, Dirceu não demorou a tornar-se um próspero facilitador de negociatas engendradas por capitalistas selvagens. Em 2012, o julgamento do mensalão ressuscitou o perseguido político: de novo, jurou que incendiaria o país se o Supremo Tribunal Federal fizesse o que deveria fazer. Condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, entrou no presídio com um sorriso confiante e o punho erguido.
O Dirceu que voltou à cadeia a bordo das bandalheiras do Petrolão é uma versão avelhantada do sessentão que deixou a Papuda para cumprir em casa o restante da pena. Desfrutou por poucos meses do poder que perseguiu desde o berçário. Desfrutou por poucos anos da fortuna que passou a perseguir depois do regresso à planície. O casarão em Vinhedo é uma das muitas evidências tangíveis de que José Dirceu é hoje um milionário. Para quê? Para nada. De que vale a posse de mansões para alguém forçado a dormir no xilindró?
Tropas comandadas por um guerrilheiro de festim só conseguem matar de riso, repete esta coluna há seis anos. As dúvidas que assaltaram muitos leitores foram dissolvidas pela implosão do embuste. O guerreiro do povo brasileiro era apenas um caçador de pixuleco.

DST pouco conhecida preocupa especialistas

A 'Mycoplasma genitalium' (MG), bactéria causadora de doença sexualmente transmissível, já tem mostrado resistência aos antibióti...