sábado, 14 de novembro de 2015

Paris amanhece em choque após pior atentado da história da França

Segundo o presidente francês, François Hollande, 127 mortes estão confirmadas. Ataques deixaram ainda 180 feridos, 80 em estado grave


Polícia reforça segurança perto da Catedral de Notre Dame após uma série de ataques terroristas em Paris - 13/11/2015(Gonzalo Fuentes/Reuters)

A cidade de Paris amanheceu de luto neste sábado após viver na noite de ontem o pior massacre terrorista da história da França. O presidente francês, François Hollande, afirmou que 127 pessoas morreram nos atentados, que deixaram ainda 180 feridos, dos quais 80 se encontram em estado grave. Dois brasileiros estão internados nos hospitais Salpetrière e Bichat, na capital do país.

Oito criminosos morreram nos ataques, cometidos quase simultaneamente a partir das 21h20 (18h20 de Brasília). Segundo o procurador-geral de Paris, François Molins, cúmplices ou coautores dos ataques podem estar soltos.

Os agressores realizaram seis ataques na capital: tiroteios em vários bares e cafés do centro, uma tomada de reféns na casa de shows Bataclan e três explosões nas imediações do Stade de France, onde a seleção nacional disputava um amistoso contra a Alemanha.

Show trágico - Pelo menos 82 pessoas morreram na casa de espetáculos Bataclan, lotada com quase 1.500 espectadores quando os terroristas invadiram o local durante a apresentação do grupo americano Eagles of Death Metal.

Dois ou três indivíduos, que não estavam com o rosto coberto, entraram com armas automáticas do tipo kalashnikov e começaram a atirar aleatoriamente contra o público", relatou um apresentador da rádio Europa 1, Julien Pearce, que estava no local. "Isso durou uns 10, 15 minutos. Foi extremamente violento e houve uma onda de pânico", acrescentou.

Outra testemunha afirmou à emissora France Info que um dos atiradores gritou "Alá Akbar" (Deus é grande) antes de abrir fogo.

Os autores do ataque citaram a intervenção francesa na Síria para justificar as ações, disse uma testemunha à AFP.

"Eu ouvi quando eles falaram claramente aos reféns: 'A culpa é de Hollande, a culpa é do seu presidente, não tem motivo para intervir na Síria'", declarou à AFP Pierre Janaszak, de 35 anos, que estava no Bataclan.

A França participa há dois anos na coalizão antijihadista que luta contra o grupo Estado Islâmico (EI) no Iraque e, em outubro, estendeu os bombardeios aéreos à Síria, país em guerra desde 2011.

Desde 2014, O EI controla uma ampla faixa de território entre os dois países.

Mais ataques - Além do ataque do Bataclan, pelo menos uma pessoa morreu em uma explosão perto do Stade de France, região na qual foram ouvidas três detonações durante um amistoso entre França e Alemanha (2-0), com um público de 80.000 pessoas.

Três pessoas, "sem dúvida terroristas" segundo uma fonte próxima à investigação, morreram na área. O estádio, que receberá partidas da Eurocopa de 2016, foi evacuado.

Hollande assistia à partida ao lado do ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank- Walter Steimeier, e foi retirado do local.

Um restaurante cambojano próximo ao Bataclan também foi alvo de um atentado, que teria provocado 12 mortes, segundo várias fontes.

"Foi surreal, todos estavam no chão, ninguém se movimentava", disse uma mulher.

Nas proximidades da Praça da República, cinco pessoas morreram em um tiroteio com arma automática no terraço de uma pizzaria. Uma testemunha afirmou ter visto um "Ford Focus preto que atirava e depois vários cartuchos no chão".

Um café e um restaurante japonês próximos tiveram o mesmo destino, com um saldo provisório de 18 mortos.

Diante da gravidade dos atentados, a polícia e a prefeitura recomendaram que a população permaneça em suas casas.

As forças de segurança isolaram vários pontos da capital, dominada pela forte presença da polícia, assim como os serviços de emergência.

Governo francês - Hollande, presidente da França, fez dois pronunciamentos aos meios de comunicação após a tragédia, primeiro no Palácio do Eliseu, onde anunciou o fechamento das fronteiras e o estado de emergência, e, depois, na casa de shows Bataclan, onde garantiu que não terá "piedade" com os terroristas.

Hoje, o presidente participa de uma reunião do Conselho de Defesa Nacional às 9h locais (6h de Brasília) e suspendeu sua viagem à cúpula do G20 na Turquia devido às circunstâncias excepcionais, que requerem medidas sem precedentes.

Além de fechar as passagens fronteiriças, a França mobilizou 1.500 militares, estabeleceu protocolos de urgência nos hospitais e proibiu a realização de espetáculos em Paris, pelo menos neste sábado.

Brasileiros - O DJ brasileiro Thy San, 38, que mora a cerca de um quilômetro da casa de espetáculo Bataclan, relatou ao site de VEJA o clima de tensão em Paris. Ele voltava para casa no momento dos atentados, ouviu sirenes, viu a forte movimentação policial e chegou a ouvir o barulho de bombas. Mas só pôde entender o que realmente estava acontecendo quando chegou em sua casa e se surpreendeu com a quantidade de amigos querendo saber se ele estava bem. "Nem desconfiei que pudesse ser um ataque terrorista, embora por aqui as pessoas vivam falando disso", diz. Na televisão, Thy assistiu ao alerta para que ninguém saísse às ruas. San então contatou seus amigos e descobriu que vários deles estavam dentro de bares, que, como medida de segurança, decidiram fechar as portas - com os cliente dentro.

Ao menos dois brasileiros ficaram feridos nos ataques terroristas. A informação foi repassada pelo Consulado do Brasil em Paris ao Itamaraty, em Brasília. Segundo o site do jornal O Estado de S. Paulo, eles estão internados nos hospitais Salpetrière e Bichat, na capital francesa

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