O casamento de uma menina norueguesa e um alerta para um problema global


Thea tem 12 anos de idade e vive na Noruega. Dentro de 2 dias, vai subir ao altar para casar com um homem 25 anos mais velho. Thea, personagem de uma campanha norueguesa, alerta para o problema das milhares de meninas com menos de 18 anos forçadas a se casar em todo o mundo

REDAÇÃO ÉPOCA
09/10/2014 

Thea e o noivo Geir. O blog em que a manina fala do casamento gerou revolta entre os internautas noruegueses (Foto: Reprodução/ Stopp Bryllupet)
Thea mora na Noruega e está prestes a se casar. Como toda noiva, está às voltas com os preparativos do casamento e com o frio na barriga que, naturalmente, antecede a cerimônia. Para lidar com a ansiedade, buscou uma solução moderna e adequada a uma garota de 12 anos – publicou tudo em um blog pessoal.  Na página, Thea mostra fotos da igreja onde a cerimônia deve acontecer; do cardápio escolhido e do noivo Geir, 25 anos mais velho. Queixou-se também, em um rápido desabafo, por perder a festa de aniversário de uma amiga de escola por causa de suas obrigações como noiva. Tudo para horror dos internautas noruegueses.

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Thea, na verdade, é uma personagem de ficção criada pela ONG norueguesa Plan Norway. Seu objetivo é chamar atenção para um problema assustadoramente real. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, 39 mil meninas com menos de 18 anos são forçadas a se casar todos os dias ao redor do mundo. A prática configura, segundo a ONU, uma violação dos direitos humanos.

Quando o blog de Thea foi ao ar, ele não foi imediatamente associado à ONG. Os primeiros internautas que acessaram a página (intitulada “O casamento de Thea”) pensaram tratar-se de uma garota norueguesa real. Chocados, alguns procuraram a polícia. Para eles, era impensável que, em um país desenvolvido, uma menina tão jovem poderia receber autorização para se casar. Era essa a reação buscada pela ONG.
Os preparativos para o casamento de sábado (Foto: Reprodução)
Em seu blog pessoal, o secretário geral da ONG Olaf Thommessen disse que a escolha de mostrar Thea em lugar de meninas de Bangladesh ou da Tanzânia (realmente afetadas pelo problema) tinha por objetivo permitir que os noruegueses se identificassem com a situação da garota. E, com sorte, se revoltassem, passassem a falar mais sobre o problema e buscassem formas de ajudar essas meninas.

A ideia deu certo. O blog de Thea tornou-se, em poucas horas, o mais lido no país. Em duas semanas, segundo informações da ONG, a página alcançou mais de 2 milhões de pessoas através de compartilhamentos em redes sociais. Um número bastante significativo considerando que a Noruega tem cerca de 5 milhões de habitantes.

Thea, a personagem, ainda vai se casar nesta sábado, 11 de outubro, o dia Internacional  das Meninas celebrado pela Nações Unidas.
RC

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