Morre o ex-presidente do Haiti Jean-Claude Duvalier, o 'Baby Doc'

04/10/2014 13h32 - Atualizado em 04/10/2014 13h39

Conhecido como 'Baby Doc', ex-presidente teve um ataque cardíaco.

Foi retirado do poder por uma revolta popular na década de 1980.

Do G1, em São Paulo

O ex-ditador haitiano Jean-Claude Duvalier, o 'Baby Doc', fala a jornalistas em Porto Príncipe, no dia 21 de janeiro (Foto: St-Felix Evens/Reuters)O ex-ditador haitiano Jean-Claude Duvalier,
o 'Baby Doc', fala a jornalistas em Porto Príncipe,
em imagem de arquivo (Foto:St-Felix Evens/Reuters)
O ex-presidente do Haiti Jean-Claude Duvalier (1971-1986) morreu neste sábado (4) em Porto Príncipe, aos 63 anos. "Baby Doc", como o ditador era conhecido, foi  tirado do poder por uma revolta popular e voltou ao Haiti em 2011, depois de 25 anos no exílio na França.
Segundo as agências de notícias Reuters e France Presse, Baby Doc teve um ataque cardíaco nesta manhã.
Em 2007, Jean-Claude Duvalier falou às rádios haitianas para pedir "perdão ao povo pelos erros cometidos" durante seu governo.
As autoridades do Haiti consideram que mais de 100 milhões de dólares foram desviados sob o pretexto de obras sociais até a queda, em 1986, de "Baby Doc", que sucedeu, em 1971, seu pai François Duvalier, eleito presidente por via democrática em 1957.
Personalidade polêmica
Aos 59 anos, "Baby Doc", filho do ditador falecido François Duvalier, o chamado "Papa Doc", escolheu o primeiro aniversário do terremoto devastador para reaparecer no cenário político do Haiti, em 2011. "Vim para ajudar", declarou ele ao chegar a Porto Príncipe, onde beijou o solo.
Afastado do poder por uma revolta popular em 1986, após 15 anos de reinado absoluto em Porto Príncipe, Duvalier foi uma personalidade polêmica, mesmo após um quarto de século de ausência.
Duvalier apareceu no tribunal nesta quinta-feira (28) para uma audiência para determinar se ele pode ser acusado de crimes contra a humanidade (Foto: AFP PHOTO / Thony Belizaire.)Em imagem de arquivo, Duvalier aparece em tribunal para uma audiência para determinar se ele pode ser acusado de crimes contra a humanidade (Foto: AFP PHOTO / Thony Belizaire.)
As autoridades do Haiti estimam que mais de US$ 100 milhões foram desviados a título de realizações de obras sociais até a queda de "Baby Doc" em 1986. Houve dilapidação sistemática das empresas do Estado, com uma parte do dinheiro transferida para bancos suíços.
No poder aos 19 anos

Jean-Claude, nascido em 3 de julho de 1951 em Porto Príncipe, não parecia preparado para aceder ao poder aos 19 anos, e dirigir a primeira república negra das Américas. Seu pai, que reinou desde 1957, morreu no dia 21 de abril de 1971.
Sua silhueta pesada, suas dificuldades de elocução, sua timidez e o gosto por uniformes enfeitados, não transmitiam a imagem de um ditador implacável, nem de um tecnocrata terceiro-mundista.
Testemunha desde a chegada do pai ao poder, quando tinha 7 anos, de todas as intrigas, desgraças, detenções, execuções, bombardeios do palácio e 11 tentativas de golpe de Estado, Jean-Claude, segundo as pessoas mais íntimas, foi profundamente marcado pela violência. Aos 11 anos, saiu ileso de um violento atentado no qual foram mortos três guardas-costas.
"Baby Doc" tentou uma tímida liberalização. Mas, no fundo, o regime era o mesmo: afastado de um povo jamais consultado democraticamente, submetido ao controle rígido da milícia dos "Tontons macoutes" e vigiado pela velha guarda 'duvalerista' chamada "os dinossauros".
No entanto, mudou a constituição, limpou o exército e afastou os "Macoutes", pronunciando em 1977 uma anistia geral, além de criar uma liga haitiana dos direitos do Homem, e propor eleições livres.
Mas, segundo seus oponentes, foram apenas concessões à política do então presidente americano Jimmy Carter.
Após o casamento com Michele Bennett, rica herdeira protestante e divorciada, saída da burguesia mulata - isto é, símbolo do antigo regime - freou a liberalização. A imprensa passou a ser controlada e os oponentes, presos.
Derrubado por uma revolta popular em 1986, "Baby Doc" foi levado a se demitir pelos Estados Unidos, com a França aceitando recebê-lo de forma temporária. O ex-presidente passou, em seguida, a gozar de uma aposentadoria dourada, em amplas mansões da Côte d'Azur.

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