Marina corre para fechar apoio e não 'perder perdendo'

Eleições 2014

Fim da reeleição e alinhamento das propostas para economia e meio ambiente serão colocadas na mesa para fechar apoio a Aécio Neves

Talita Fernandes e Bruna Fasano

Marina Silva faz discurso após resultado do primeiro turno
Marina Silva faz discurso após resultado do primeiro turno - Ricardo Matsukawa/VEJA
(Atualizado às 20h48)
Apesar da sinalização feita no discurso pós-urnas neste domingo, aliados de Marina Silva (PSB) afirmam que o apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) no segundo turno dependerá do compromisso do tucano com pelo menos três pontos: fim da reeleição, continuidade do que ela chama de conquistas econômicas e sociais e políticas direcionadas à sustentabilidade e meio ambiente. Assessores próximos da ex-senadora avaliam que o tucano não terá dificuldade em atender aos pedidos – ele já defendeu publicamente o fim da reeleição e as propostas na área econômica têm familiaridades. "O Aécio também defende Banco Central independente, mas ele deixou a Marina apanhar sozinha", afirma um assessor. Também pesa a favor o fato de a proposta para o meio ambiente dele ter sido elaborada por Fabio Feldman, ex-aliado da pessebista. "Nosso plano tem 99% de convergência com o de Marina. Será um apoio bastante natural, inclusive pelos ataques covardes que o PT cometeu", diz Feldman.
"Desde ontem, várias interlocuções foram feitas por iniciativa do PSDB. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou para uma pessoa da campanha pra sinalizar", disse o biólogo João Paulo Capobianco, braço-direito de Marina. Nesta segunda, ela recebeu a visita do seu candidato a vice, Beto Albuquerque, da deputada Luiza Erundina e do presidente do PSB, Roberto Amaral.
A questão é o tempo – agora são vinte dias até o segundo turno. Os aliados afirmam que ela deveria demonstrar mais pragmatismo e não repetir erros da campanha no primeiro turno. Na época, Marina afirmava que pretendia "ganhar ganhando" ao justificar sua resistência em rebater os duros ataques do PT. Outra opinião recorrente na equipe dela é que optar pela neutralidade seria prejudicial para a vida política da ex-senadora, derrotada nas duas últimas eleições presidenciais.
Um membro da Executiva Nacional avalia que o PSB caminha para o apoio formal a Aécio, mas descarta a possibilidade de Marina negociar cargos e ministérios em eventual futuro governo do PSDB. "A Marina não é de negociar ministério, ela está interessada em propostas."
O PSB se reunirá na quarta-feira para tomar uma decisão – a decisão deverá ser oficializada na quinta. Até lá, o presidente do PSB, Roberto Amaral, vai consultar governadores eleitos do partido e os candidatos que disputam o segundo turno. No PSB, Amaral é considerado o principal entrave para um acordo com Aécio. Ontem, após a consolidação do cenário do segundo turno e as declarações de Marina, ele chegou a afirmar que seu partido tem um alinhamento natural com siglas de esquerda. A frase foi recebida como um recado claro de que Amaral resistirá em fechar a aliança. O contrapeso, contudo, são os líderes regionais que já defendem publicamente o apoio, especialmente dos diretórios de São Paulo, Pernambuco e do Paraná.


O PPS, que integrava a coligação de Marina, se reunirá amanhã em Brasília. "A intenção é ter um posicionamento consensual entre os partidos da coligação, mas o PPS defende o apoio qualificado, com discussão de programa, a Aécio Neves", afirmou o presidente nacional da sigla, Roberto Freire (SP).
by Veja

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