Mantega usa tática do avestruz: "Brasil não está em recessão"

PIB


Diante da constatação técnica de duas quedas trimestrais seguidas do PIB, ministro da Fazenda culpa Copa e crise externa por redução, em postura que prejudica ainda mais a confiança dos analistas na economia

"É meramente efeito estatístico pelo resultado negativo do segundo trimestre", diz Mantega
"É meramente efeito estatístico pelo resultado negativo do segundo trimestre", diz Mantega (Ueslei Marcelino/Reuters/VEJA)
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira que, em sua opinião, o Brasil não está em recessão. "É meramente efeito estatístico pelo resultado negativo do segundo trimestre", disse horas depois do anúncio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que o Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu pelo segundo trimestre consecutivo, o que configura, sim, recessão técnica.
Mantega, de qualquer forma, parece não concordar com os economistas e dá opinião que não se sustenta diante dos dados técnicos: "Recessão é quando você tem desemprego aumentando e renda caindo. Aqui temos o contrário", analisou. Os números oficiais apontam que a economia brasileira registrou contração de 0,6% no segundo trimestre de 2014 na comparação com os três meses anteriores, nos quais houve queda de 0,2% em dados revisados. Após o anúncio,  Mantega confirmou que o Brasil não irá crescer 1,8% em 2014, conforme a última previsão do governo. Segundo ele, a sua pasta deverá fazer uma revisão para baixo dessa estimativa oficial em setembro.
O ministro abusou das desculpas para minimizar o anúncio de recessão, em um procedimento que costuma utilizar todas as vezes que surgem análises ou notícias ruins sobre a economia nacional, reforçando assim a desconfiança de investidores e analistas com os rumos do país.
Mantega declarou que a economia nacional foi afetada pela menor quantidade de dias úteis na primeira metade do ano e que espera uma recuperação moderada nos próximos meses. "No terceiro trimestre vamos ter 10% a mais de dias úteis. É como termos 10% a mais de produção e comércio", afirmou.  
Além disso, diz ele, também pesou na economia do país a política monetária do Banco Central (BC), que elevou a Selic a 11% para tentar segurar a inflação, que já é alta e ronda o teto da meta do governo, de 6,5% ao ano. Nas contas de Mantega, esse movimento causou restrição de consumo e demanda. 
Ele admite que o resultado do PIB no segundo trimestre ficou aquém das expectativas do governo, mas aproveitou para pôr a culpa mais uma vez no cenário internacional. Mantega acrescentou que acredita na melhora na economia de países como Estados Unidos e Reino Unido, o que deve ajudar nos números do Brasil.
E as desculpas não acabavam. Também citou "problemas localizados" no país, como a seca, que acabou aumentando os custos no setor energético. 
(Com Reuters) 

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