Sedentarismo é o maior vilão da epidemia de obesidade nos EUA

Obesidade

Estudo mostrou que aumento do peso da população foi acompanhado por redução na prática de exercícios, mas não por piora na alimentação

Sedentarismo: estudo aponta a falta de atividade física como principal causadora da epidemia de obesidade americana
Sedentarismo: estudo aponta a falta de atividade física como principal causadora da epidemia de obesidade americana(Thinkstock/VEJA)
O principal culpado pela atual epidemia de obesidade nos Estados Unidos não é a má alimentação, mas sim o sedentarismo. É o que conclui uma nova pesquisa da Universidade Stanford, que analisou dados coletados durante vinte anos por um levantamento nacional de saúde.
Os pesquisadores observaram que, durante esse período, os americanos diminuíram significativamente os seus níveis de atividade física, ao passo que o índice de massa corporal (IMC) médio da população aumentou. Por outro lado, a quantidade de calorias consumidas permaneceu estável.
CONHEÇA O CASO

Título original: Move More, Eat Less:It’s Time for Americans to Get Serious about Exercise​

Onde foi divulgada: periódico The American Journal of Medicine​

Quem fez: Uri Ladabaum, Ajitha Mannalithara, Parvathi Myer e Gurkirpal Singh,

Instituição: Faculdade de Medicina da Universidade Stanford, Estados Unidos

Resultado: A epidemia de obesidade dos EUA ocorreu com o aumento do sedentarismo entre a população, e não com mudanças na alimentação.
Para se ter uma ideia, em 2010 mais da metade (51,7%) das mulheres adultas do país eram consideradas sedentárias, ou seja, não praticavam nenhuma atividade física nas horas vagas. É mais que o dobro da taxa de sedentarismo registrada em 1994, que foi de 19,1%. Os homens, embora se exercitem mais do que as mulheres, também apresentaram um aumento na prevalência de sedentarismo, de 11,4% em 1994 para 43,5% em 2010.
Durante esse intervalo de tempo, o IMC médio da dos americanos cresceu 0,37% ao ano, sendo que o aumento mais acentuado aconteceu entre mulheres mais jovens. Além disso, a circunferência abdominal da população feminina aumentou 0,37% por ano e a da masculina, 0,27%.
O total de calorias consumidas ao dia, no entanto, não teve alterações significativas ao longo desse tempo. “A nível populacional, encontramos uma relação significativa entre aumento do IMC e da circunferência abdominal e o sedentarismo, mas não a ingestão calórica”, diz Uri Ladabaum, professor da Faculdade de Medicina de Stanford e coordenador da pesquisa. Segundo ele, porém, isso não significa que uma má alimentação não provoca a obesidade, mas sim que o sedentarismo é o maior causador do aumento do problema nos Estados Unidos.
O estudo foi publicado nesta semana no periódico The American Journal of Medicine.

Cinco passos para sair do sedentarismo
Avalie o seu físico

Passar por uma avaliação de flexibilidade, fôlego, força muscular e composição corporal é importante para medir o progresso que virá com a prática de exercícios. Esse teste pode ser feito por um profissional de educação física. Já pessoas sedentárias com mais de 40 anos ou que tenham algum fator de risco, como sobrepeso e hipertensão, devem agendar uma consulta com um médico antes de iniciar uma atividade física. "Há recursos que traçam o perfil do indivíduo e permitem dizer se ele pode fazer exercícios mais intensos ou se deve optar pelos moderados", diz o fisiologista Turíbio Leite de Barros. Trata-se de testes como o cardiopulmonar, que mede a aptidão cardiorrespiratória, e o ergométrico, que avalia o coração em situação de stress, geralmente com o paciente se movimentando em uma esteira ou bicicleta estacionária.

Estabeleça metas realistas

Ter objetivos ao iniciar uma atividade física é motivador – desde que eles sejam realistas. "Uma pessoa que decidir perder 10 quilos em dois meses dificilmente vai conseguir alcançar a meta e, de certo, vai desistir do compromisso", diz Renato Dutra. O ideal, segundo o educador físico, é estabelecer objetivos de curto (um a três meses), médio (quatro a seis meses) e longo prazo (um a dois anos). "Metas possíveis para um sedentário são, por exemplo, emagrecer 1 quilo em dois meses ou, em um mês, correr 10 minutos ou subir um lance de escada sem se sentir tão cansado." Um dos melhores estímulos é enxergar os resultados.

Escolha um exercício prazeroso

É comum que corrida e musculação, pela difusão e pela praticidade, sejam as primeiras opções na hora de escolher um exercício. Mas isso não quer dizer que elas sejam prazerosas para todo mundo. A regra é experimentar diferentes modalidades até encontrar a mais agradável. "Para sair do sedentarismo, a pessoa deverá buscar um exercício com o qual se identifique", diz Renato Dutra. "Só assim ela descobrirá que, em vez de musculação, prefere pilates, ou que se sai melhor na dança do que na corrida.

Comece devagar

Pessoas que não estão acostumadas a se exercitar devem começar uma atividade física aos poucos, com uma intensidade leve e respeitando os limites do corpo. Isso vai ajudar a evitar lesões e diminuirá as chances de o indivíduo se sentir desestimulado com o exercício. Variar as modalidades também é uma medida que ajuda a espantar o desânimo. "Faça, por exemplo, musculação em um dia, um exercício aeróbico no outro e uma aula de alongamento no dia seguinte”, diz o educador físico Renato Dutra.  

Persista nos novos hábitos

É normal que uma pessoa decida se exercitar duas vezes por semana, mas, logo no início, um imprevisto a impeça de cumprir esse objetivo. "Ela não pode desanimar por causa disso. Se não deu, deve tentar de novo na outra semana. Para criar um hábito, é preciso investir nele, reforçando determinados comportamentos. Uma pessoa que sempre foi sedentária não pode ser tão exigente consigo mesma”, afirma Dutra

by Veja

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