Vigilante morre sem atendimento em frente a hospital particular de SP

19/07/2014 13h40 - Atualizado em 19/07/2014 13h45

Durante mais de uma hora o vigilante agonizou e pediu socorro. 

Polícia abriu inquérito para investigar a denúncia de omissão de socorro.

Renata CafardoSão Paulo, SP
A polícia abriu inquérito para investigar uma denúncia de omissão de socorro a um homem que morreu sem atendimento na frente de um hospital particular, em São Paulo, mas imagens foram gravadas por pessoas que estavam no local.
O homem deitado no chão é o vigilante Nelson França, de 48 anos.  As testemunhas disseram que Nelson estava numa lotação quando passou mal e foi deixado em frente ao hospital Santo Expedito - hospital particular da Zona Leste de São Paulo.
Durante uma hora o vigilante agonizou a poucos metros da entrada do pronto-socorro. A pedagoga Daniela Gomes estava no hospital acompanhando a mãe e viu tudo.  “O rapaz falou assim: ‘aqui só atende particular e quem tem convênio’”, conta.
Segundo ela, um enfermeiro impediu que o vigilante fosse socorrido do lado de fora. As testemunhas se ofereceram para levar o vigilante para dentro, mas os enfermeiros também não deixaram. Daniela então pediu ajuda num posto policial.  Foi a Polícia Militar que chamou os bombeiros.
Segundo ela, só quando os bombeiros chegaram é que um enfermeiro e o médico se aproximaram do vigilante.  Mas aí, já era tarde.
“Um enfermeiro ele foi até lá com o médico. Aí o médico pôs a mão do lado no pescoço dele e falou: ó, ele tá em óbito. Aí foi onde começamos a discutir”, conta Daniela.
Os bombeiros disseram que o vigilante chegou a ser reanimado, mas morreu quando estava sendo levado para um hospital público.
Para a polícia, um dos enfermeiros que estava de plantão, Leonardo Bambrila Santos, disse que chamou o médico e que foram feitos os procedimentos de praxe.
A administração do Hospital Santo Expedito não quis gravar entrevista, mas, por telefone o diretor Mauricio Gerdelli, disse que vai abrir sindicância para saber o que de fato aconteceu no caso.
Ele disse que apesar de ser particular, o hospital costuma fazer os chamados atendimentos sociais a pessoas de baixa renda e que não é procedimento dos funcionários recusar atendimento mesmo que o paciente seja deixado do lado de fora. A família do vigilante está indignada.
“Um pai de família ser tratado como um verme, um lixo na porta do hospital sem eles prestarem atendimento. Estamos muito tristes mesmo”, fala a cunhada da vítima, Roseli Ribeiro Santos Souza.
A cunhada de Nelson disse que ele não tinha nenhum problema de saúde. O enfermeiro Leonardo Brambila Santos não foi encontrado pelas nossas equipes.

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