Justiça manda caso Pesseghini ser analisado pela Vara da Infância de SP

13/06/2014 13h34 - Atualizado em 13/06/2014 13h40

Juiz alegou que crime foi cometido por menor de idade em 2013. 

Advogada da família discorda que Marcelo matou família e se suicidou.

Kleber TomazDo G1 São Paulo
O casal de policiais militares Andréia Regina Bovo Pesseghini, de 36 anos, e Luís Marcelo Pesseghini, com o filho, Marcelo Pesseghini, de 13 anos (Foto: Reprodução/TV Globo)O casal de policiais militares e o filho Marcelo
Pesseghini (Foto: Reprodução/TV Globo)
A Justiça de São Paulo determinou neste mês que o caso Pesseghini seja remetido à Vara da Infância e Juventude da capital. Apesar de o juiz Paulo de Abreu Lorenzino, do 2º do Tribunal do Júri, estar “convencido” de que Marcelo Pesseghini, de 13 anos de idade, matou a família e se suicidou em 2013, ele não irá arquivar o caso, como pediu o Ministério Público.
Essa decisão judicial trouxe “nova esperança” à advogada Roselle Soglio, que defende os interesses dos parentes do adolescente. Os avós paternos do estudante não acreditam na investigação da Polícia Civil que concluiu que o neto cometeu a chacina e se matou. Por isso, ela cobra a abertura de um novo inquérito para identificar quem teria sido o assassino dos Pesseghini.
Essa tese, no entanto não convenceu o juiz Lorenzino. Para ele, Marcelo Pesseghini, usou a pistola .40 da mãe para executar os pais, que eram policiais militares, a avó materna e a tia-avó, e depois se matou com um tiro na cabeça na casa onde a família morava. O crime ocorreu em 5 de agosto do ano passado, na Brasilândia, Zona Norte de São Paulo.

Mas alegando que o autor do crime se matou, o magistrado entendeu que o correto é pedir a retirada da punibilidade, já que existe a impossibilidade de punir alguém que esta morto. Ainda segundo Lorenzino, o fato de o responsável pelas mortes ser adolescente o obriga a encaminhar o caso a uma das Varas da Infância e Juventude.
Crime em família SP 08/08 (Foto: Arte/G1)
“Tendo esse magistrado se convencido que a autoria dos homicídios fora de Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, seguido de seu suicídio, não se trata de hipótese de arquivamento do presente inquérito policial mas sim de extinção de punibilidade pela morte do agente (...), entretanto, em sendo o autor dos fatos menor de idade, reconheço de ofício minha incompetência determinando a remeesa dos presentes autos a uma das Varas da Infância e Juventude”, escreveu o juiz em 4 de junho.

Quando o inquérito chegar à Vara da Infância, novos juiz e promotor serão designados para analisar o caso. Se concordarem com o resultado, poderão dar sequência a sugestão feita por Lorenzino, senão existe a possibilidade de pedirem uma nova investigação policial.
"Como defensora da família Pesseghini contesto a versão da polícia e pedirei a abertura de novo inquérito", disse Roselle nesta sexta-feira (13) ao G1. Ela trabalha na capital paulista, e defende os interesses dos avós paternos de Marcelo, que moram em Marília, interior do estado.

A equipe de reportagem havia conversado por telefone com os avósem março deste ano. "É mentira. É lógico que não foi o Marcelinho", disse a avó paterna de Marcelo, a dona de casa Maria José Uliana Pesseghini, 62. "Ele amava a todos e jamais faria isso. Sequer sabia atirar ou dirigir."
"Querem culpar o menino porque ele não está mais aqui", completou o avô do adolescente, o aposentado Luís Pesseghini, 65.

Roselle estuda a possibilidade de pedir uma nova apuração do caso à Vara da Infância. “Isso terá de ser estudado antes”, disse a advogada. ““Traz uma nova esperança, vez que ali se iniciará nova análise do caso e certamente, se poderá dar novo rumo a esta triste história, fazendo Justiça.”

O caso
Após nove meses de investigações, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu que Marcelo matou a família e se matou em seguida.
Uma das provas de que o adolescente matou a todos se baseia em um laudo psiquiátrico sobre a personalidade do garoto.

O resultado apontou que complicações de uma doença mental aliadas a fatores externos levaram o estudante a atirar no pai, o sargento das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Luís Marcelo Pesseghini, de 40 anos; na mãe, a cabo Andréia Bovo Pesseghini, de 36 anos; na avó materna, Benedita de Oliveira Bovo, de 67 anos; e na tia-avó Bernadete Oliveira da Silva, de 55 anos. O documento foi feito pelo psiquiatra forense Guido Palomba.

Segundo a polícia, o adolescente dirigiu o carro da mãe até uma rua próxima ao colégio onde estudava, dormiu dentro do veículo e então foi para a aula. Lá, contou para os amigos que havia matado a família, mas ninguém acreditou nele. Em seguida, o adolescente voltou para a residência e se matou. Todos foram mortos com tiros na cabeça.
De acordo com o exame psiquiátrico, o estudante sofria de uma doença chamada "encefalopatia hipóxica" (falta de oxigenação no cérebro), que o fez desenvolver um "delírio encapsulado” (ideias delirantes). Além disso, ele teria sido influenciado por jogos violentos de videogame.

O laudo apontou que, no ano passado, esse quadro de delírios se agravou quando Marcelo quis se tornar um "justiceiro", um "matador de aluguel de corruptos", inspirado no game "Assassin's Creed". Um mês antes dos crimes, o estudante passou a usar a imagem do assassino do jogo em seu perfil no Facebook e também a usar um capuz como o personagem do game Desmond Miles – um barman que volta no tempo na pele de seus ancestrais, encarna o matador Altair e se envolve na guerra entre assassinos e templários ao longo de diversos eventos.

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