Brasil: Quem são os pré-candidatos que correm por fora

Eleições 2014
Correndo por fora em busca de votos, oito pré-candidatos com escasso tempo de TV sonham em vencer os favoritos

Juntos, segundo as últimas pesquisas eleitorais, eles não somam 6% das intenções de voto. Mesmo se unissem forças, ainda estariam distantes do pelotão de frente na disputa pela Presidência da República. Além de Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), oito já se lançaram pré-candidatos a subir a rampa do Planalto. A última a entrar na briga é a ex-deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS), que herdou a vaga do senador Randolfe Rodrigues (AP).
Com pequena ou nenhuma representação no Congresso, contarão com parcos segundos de propaganda eleitoral na TV para tentar repetir fenômenos como Enéas Carneiro (7,3% dos votos válidos em 1994, pelo Prona), Heloísa Helena (6,8% em 2006, pelo PSOL) e Marina Silva (19,3% em 2010, pelo PV).
Ao ouvir as propostas dos "nanicos" – termo que boa parte deles acha ofensivo ou injustificado –, ZH encontrou ambição, otimismo, exibicionismo, boas intenções, ampla gama ideológica e, aparentemente, só uma unanimidade: a oposição contundente ao governo Dilma.
Denise Abreu, do charuto à ecologiaCandidata do Partido Ecológico Nacional (PEN), Denise Abreu, 55 anos, se diz uma ambientalista, mas "do ambiente a serviço das pessoas, e não o contrário". A curva que levou a ferrenha defensora do agronegócio à candidatura por um partido ecológico começou em 2012. Na moda da sustentabilidade, o PEN foi criado sob medida para Marina Silva caso a Rede não vingasse. Como ela não caiu na conversa, a vaga acabou com a ex-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) – onde ficou conhecida ao ser flagrada desfrutando de um charuto em uma festa enquanto uma greve parava os aeroportos em 2007.
"Minha candidatura supre a necessidade de dar voz a quem é de centro-direita."
Eduardo Jorge, o PV além de MarinaQuestionado sobre o legado de Marina Silva ao PV, o pré-candidato Eduardo Jorge, 64 anos, critica:
– Marina é uma pessoa com alguns pontos de vista conservadores e diferentes do que propomos.
O PV lançou 10 diretrizes programáticas. A candidatura será mantida se houver condições políticas, algo incerto. As bandeiras passam por legalizar a maconha e o aborto até fazer uma reforma política "cirúrgica, não cosmética". Mas o maior foco é garantir o segundo turno. O médico baiano é da turma que se desfiliou do PT em 2003, frustrado com Lula. Foi deputado federal e secretário da Saúde e do Meio Ambiente de São Paulo por duas vezes.
"A candidatura é para amparar quem apoia as nossas ideias e está sem representante."
Everaldo, o Feliciano lightEveraldo Dias Pereira, 58 anos, é discreto, cordato e de fala envolvente. Mas não é menos firme do que o ilustre colega de partido, deputado Marco Feliciano, em temas polêmicos. Casamento homossexual? Pastor Everaldo (PSC) diz defender a Constituição, que "fala em união entre homem e mulher". Descriminalizar o aborto? Afirma não ser "favorável ao assassinato de bebês". O foco dele é o resgate da família e a segurança pública. A candidatura é fruto da decepção e do rompimento do PSC com Dilma. Na política por influência de Brizola, já costurou apoio evangélico ao gaúcho em 1989. Agora, quer fazer o rebanho votar no próprio pastor.
"Não sou candidato de uma religião. Só defendo valores. Quem conhece, vota em mim."
Ey, Ey, EymaelCom exposição escassa, José Maria Eymael (PSDC), 74 anos, confia no sucesso do "Ey, Ey, Eymael...". Porto-alegrense radicado em São Paulo, teve a ajuda de um alfaiate que fazia bicos de compositor para compor o jingle-chiclete da campanha a prefeito paulista de 1985. A música o ajudou a se eleger deputado federal, na legislatura da Constituinte. Otimista nato, Eymael está na quarta candidatura a presidente. Acredita que as redes sociais reduziram a importância da TV na eleição e sonha com o segundo turno difundindo preceitos que misturam política e ensinamentos do Evangelho. Embalado, claro, pelo mesmo refrão.
"Hoje o jingle é apenas a moldura de uma história bonita da política."
No aerotrem de Levy FidelixNa segunda candidatura à Presidência, Levy Fidelix, 62 anos, já concorreu três vezes à prefeitura e duas ao governo de São Paulo desde 1992, quando fundou o PRTB. Apresenta-se como consultor em mobilidade urbana e defende o aerotrem para desafogar o trânsito. Defende a "independência" e nega que a sigla seja "de aluguel", mesmo abrigando Luiz Estevão, senador cassado em 2000, e Joaquim Roriz, que renunciou para evitar a cassação, em 2007. Se Roriz concorrer a deputado distrital, Levy calcula que o PRTB pode ter de cinco a seis vagas no Legislativo do Distrito Federal. Um crescimento na velocidade de aerotrem.
"Levou 20 anos para o governo perceber que entupir a rua de carro poderia dar problema."
Luciana Genro, a boa de brigaImpedida pela legislação de concorrer no Estado por ser filha do governador Tarso Genro, a ex-deputada federal Luciana Genro, 43 anos, tentou ser candidata a presidente, mas perdeu a disputa interna no PSOL para o senador Randolfe Rodrigues (AP) e virou sua vice. Na sexta-feira, Randolfe jogou a toalha, e Luciana herdou a vaga. Agora, ela vai para a campanha com um programa de governo radical, de passagem de ônibus gratuita a uma revolução tributária, com maior taxação para os ricos. Rebelde desde a adolescência, Luciana se orgulha de ter sido expulsa do PT "pelos que hoje estão presos, condenados no processo do mensalão". 
"Vou tentar vocalizar a indignação que tomou conta do Brasil em 2013."
Mauro Iasi, o comunista solitárioPré-candidato do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Mauro Iasi, 54 anos, culpa Dilma pela "despolitização" do país ao tentar fazer um governo de consenso e critica os "partidos conservadores, de posturas mais ligadas à ditadura". Poeta, doutor em sociologia e professor da UFRJ, Iasi diz concorrer para debater temas como reforma agrária e reversão de privatizações. O PSOL ainda busca reeditar, com PCB e PSTU, a aliança que lançou Heloísa Helena em 2006, mas Iasi é pouco otimista. Para ele, a esquerda está isolada e reprimida, mas os protestos de junho com apoio dos jovens mostraram a necessidade de um "reempoderamento popular".
"Os jovens que foram às ruas mostraram querer tomar parte em temas como o transporte."
Zé Maria e o sonho operárioO slogan "contra burguês, vote 16" foi aposentado, mas o discurso socialista segue. Se eleito, Zé Maria, 56 anos, promete estatizar bancos, empresas de energia e telecomunicações e retomar o monopólio do Estado sobre o petróleo. E quer aumentar os salários. Em sua quarta candidatura à Presidência, o pré-candidato do PSTU sonha com um governo de operários. A sigla, que não aceita doação de empresas, apresenta-se como oposição à esquerda do PT. Metalúrgico e sindicalista, Zé Maria começou sua trajetória de forma similar à de Lula. Para repetir a façanha do ex-colega, confia nas redes sociais e no corpo a corpo da militância.
"Ajudei a fundar o PT, mas o partido não fez as mudanças que o país esperava."
Um "nanico" famosoEnéas Carneiro é um dos "nanicos" mais famosos. Cardiologista, fundou o Prona e concorreu três vezes à Presidência (1989, 1994 e 1998). Com 17 segundos no horário eleitoral na TV, encerrava o discurso inflamado com um bordão: "Meu nome é Enéas!" Sua maior façanha foi o terceiro lugar em 1994, com 4,6 milhões de votos. Em 2002, foi eleito deputado federal por São Paulo com a maior votação do país até hoje: 1,57 milhão de votos. Ele morreu em 2007, aos 68 anos, vítima de leucemia.
*Colaborou Guilherme Mazui

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