A Atividade de Inteligência Militar, os Governos Civis e o Cenário Atual - II

 14 de outubro de 2013



Por Luiz Antonio P. Valle


Seria correto solicitar ao leitor que, para melhor compreensão, leia a primeira parte desta série de artigos.

Muitos desavisados ainda repercutem a velha crença de que o Brasil não tem inimigos e nem ameaças que justifiquem investimentos. Esta é mais uma falácia, até porque as vezes as maiores ameaças não vem dos inimigos. Também não me parece coerente criticar estadunidenses e ingleses por defenderem seus interesses estratégicos. Se estivéssemos no lugar deles provavelmente faríamos o mesmo. Já foi dito que os EUA não tem amigos, mas interesses. Isto posto, deixemos as ingenuidades de lado.

Existem no Brasil várias organizações criminosas de alto poder ofensivo atuando em diversas “operações”. Há células de pelos menos 5 grupos terroristas internacionais atuando desde a década de noventa. É bem conhecido que as redes Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Jihad Islâmica e Hamas já possuem células bem estruturadas e operacionais em nosso país.

Alguns brasileiros são treinados pelo “professor” iraniano Mohsen Rabbani em Qom (Irã). Há organizações criminosas voltadas para o tráfico de drogas e outros crimes, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), que deixaram mais de 100 mortos entre a força policial de São Paulo e não foram detidas ou punidas. O Estado quedou-se prostrado.

No campo não é diferente e grupos como a LCP (Liga dos Camponeses Pobres) atuam ao estilo das FARCs sem nenhuma oposição. No seu “território” as autoridades brasileiras não entram; bem como não entram em várias outras porções do território amazônico. Ademais, aqui é o “paraíso” das agências de inteligência estrangeiras, que sabem mais sobre o que acontece no Brasil do que qualquer brasileiro. Ameaças sobejam por todos os lados.

A precariedade da segurança no Brasil é de assustar qualquer leigo: portos e aeroportos com vigilância insuficiente, deficiência de controle no espaço aéreo, maritimo e terrestre (faixas de fronteira seca e alagada mal patrulhadas) e equipamentos ultrapassados (baixa qualidade e quantidade para as dimensões da operação).

Não fosse o bastante até o arcabouço jurídico é deficiente; uma vez que o Projeto de Lei 728/2011 não foi ainda aprovado, logo não temos uma legislação que tipifique o crime de terrorismo. Adicionalmente, vaidades e a cultura organizacional de uma série de órgãos de inteligência, prejudica decididamente qualquer tentativa verdadeira e sincera de integração. São feitos lindos discursos, politicamente corretos, mas vazios. Não existe um banco de dados único e muitas vezes, para obter um elenco mais completo de informações, é necessário digitar 13 senhas diferentes em ambientes cibernéticos distintos. Para um trabalho mais completo tem de se chegar a 33!

O Sisbin simplesmente não funciona porque não há cooperação sincera, não há instâncias eficientes de solução de controvérsias e nem linha de comando. Basta olhar os incidentes ocorridos durante a operação Satiagraha, na posse da Presidente Dilma, na questão da insubordinação dos oficiais da Abin que se recusam a estar subordinados ao GSI/PR e ao episódio da visita do Papa Francisco, para citar 4 exemplos de domínio público quando as disputas ficaram expostas. Para não citar as verdadeiras “guerras” internas. Não existe ninguém que possa aglutinar os interesses divergentes dos vários atores e impor uma linha de atuação. Tapar o céu com a peneira não resolve.

A tentativa de aprimoramento geral do SISBIN (Abin), SISP (Senasp) e SINDE (Die) (Decreto 09 de 18 de fevereiro de 2009 que instituiu o Comitê Ministerial para Elaboração da Política Nacional de Inteligência e Reavaliação do Sistema Brasileiro de Inteligência) não deu em nada e continuamos na mesma.

Os conceitos e o entendimento sobre a AI precisam mudar, levando em conta a opinião e experiência de quem conhece o funcionamento dos serviços nos centros de excelência. A CIA foi montada após a segunda grande guerra com a cooperação decisiva de um grupo de militares alemães liderados pelo General Reinhard Gehlen, conhecido como pelo codinome de Herr Doktor ou Número 30. Em 1956 as OG (Organizações Gehlen) viraram a base do BND (Serviço Federal de Informação da Alemanha). Os estadunidenses precisavam de uma estrutura operacional (uma rede montada) e conhecimento, e foram busca-lo com quem os tinha.

O Mossad não tem nenhuma restrição em eliminar adversários com sua divisão Kidon. Os EUA também têm identificado e subtraído adversários com seus drones de forma maciça. A NSA vigia as comunicações globais e identifica alvos. O pessoal da Blackwater e Craft International atua livremente em todo o planeta, inclusive no Brasil, fazendo o trabalho “sujo” e sem vínculos diretos que incrimine os seus mandatários. Apenas para ficar em alguns exemplos.

Enquanto isso nossa Presidente falou na ONU, no dia 24/09/13, em regulamentar a atividade de espionagem/inteligência. Ora, isso foi motivo de piada em todas as rodas qualificadas, nos expondo ao ridículo. É o mesmo que pedir ao Mossad que acabe com suas divisões Kidon e Cesarea. Tolos que guiam tolos; e o riso (KKK......) foi geral, para constrangimento dos raríssimos brasileiros com acesso qualificado.

Dói assistir a tanto amadorismo, tanta ignorância.

Fonte: Alerta Total

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