'Ele não é ameaça', diz juíza sobre alta do acusado de matar cartunista

09/08/2013 13h01 - Atualizado em 09/08/2013 18h52


Justiça autorizou Cadu a ir para casa, após três anos de internação.
Ele confessou ter matado o cartunista e o filho Raoni, em São Paulo.

Paula ResendeDo G1 GO

suspeito de matar glauco (Foto: Reprodução/TV Globo)Carlos Eduardo em 2010, quando foi preso no
Paraná(Foto: Reprodução/TV Globo)
A juíza Telma Aparecida Alves, que determinou a alta médica de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, de 27 anos, assassino confesso do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele, Raoni Vila Boas, afirmou que o acusado correspondeu ao tratamento psiquiátrico para esquizofrenia. "Ele consegue viver como uma pessoa comum, não é uma ameaça. O que gerou o problema foi a doença, que está controlada", declarou a magistrada da 4ª Vara de Execuções Penais de Goiânia, em entrevista ao G1.
Telma Aparecida explicou que os médicos que acompanham Cadu tinham diagnosticado que ele podia voltar para casa e passar a fazer tratamento ambulatorial. A partir desse parecer, a juíza solicitou perícia da Junta Médica do Tribunal de Justiça de Goiás, que também se manifestou favorável à liberação do paciente, em junho. O acusado ficou internado por três anos, sendo que foi transferido para a capital goiana em outubro do ano passado.
Ao G1, a Secretaria Estadual de Saúde não informou se Carlos Eduardo já deixou a clínica particular em que foi internado, com supervisão do Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili). Como o processo corre em segredo de Justiça, o hospital também não comentou sobre a alta do paciente. Já o advogado de Cadu, Gustavo Badaró, está viajando e, segundo a sua secretária, ele não tem como dar entrevista.
Inimputável
Acusado de duplo homicídio, Carlos Eduardo não foi julgado porque a Justiça o considerou inimputável, ou seja, incapaz de perceber a gravidade de seus atos. "Quem tem a doença não sabe, não tem noção do que faz. Ele é louco. Ele foi absolvido, é considerado inimputável, não pode sofrer pena. A medida de segurança foi aplicada por conta da doença", ressaltou Telma Aparecida.
A magistrada reforça que, se uma pessoa não é julgada, não deve ficar isolada da sociedade. "Não justifica absolver a pessoa e prendê-la em um manicômio".
Telma Aparecida esclareceu que continuará a acompanhar o caso. Inclusive, o acusado pode voltar a ser internado em uma clínica psiquiátrica. "Vamos acompanhar com psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais. Ele [Cadu] deve comparecer à clinica todo mês para avaliação. Se apresentar comportamento agressivo, ele pode ser novamente internado". No entanto, ela pontua que a família de Glauco não tem como entrar com recurso dessa decisão.
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  • Não justifica absolver a pessoa e prendê-la em um manicômio"
Telma Alves,
juíza
A juíza ressalta que a proposta do Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator é o "melhor tratamento". Ela lembra que a maioria das pessoas com problemas mentais tem respondido bem ao procedimento. O Paili ficará responsável pelo monitoramento sistemático e deverá informar todo o processo terapêutico à Justiça.
Crime
Glauco e o filho foram assassinados em 12 de março de 2010, no sítio onde o cartunista morava, em Osasco (SP). O rapaz invadiu e atirou contra as vítimas.
Cadu frequentava a Igreja Céu de Maria, fundada por Glauco, que segue a doutrina religiosa do Santo Daime. No dia do crime, o jovem estaria sob efeito de maconha e haxixe.
O jovem também foi acusado de três tentativas de homicídio contra agentes federais, roubo, porte de arma com numeração raspada e tortura. Preso na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR), ao tentar fugir para o Paraguai, acabou indo para o Complexo Médico Penal do Paraná. Em 23 de outubro do ano passado, ele foi transferido para Goiânia.

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