El País afirma que Brasil quer contratar sete mil médicos espanhóis e Médicos espanhóis alertam sobre meta eleitoral no Brasil

Do UOL, em São Paulo

    O site do jornal espanhol El País publicou nesta quarta-feira (10) uma reportagem sobre o programa "Mais Médicos para o Brasil", apresentado pelo Ministério da Saúde no mesmo dia em Santiago de Compostela, na Galícia.



A proposta foi apresentada pelo secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mozart Sales. Ele afirmou que o governo brasileiro pretende contratar 7.000 médicos espanhóis pelo período de três anos, que poderão ser ampliados para outros três.

ENTENDA A PROPOSTA

  • Arte/UOL
    Governo quer atrair médicos para as periferias e interior do país e adiciona dois anos aos cursos de medicina
A matéria cita que, segundo outro site de notícias, o Europa Press, Sales se reuniu com a conselheira de saúde, Rocío Mosquera, na Faculdade de Medicina da Universidade de Santiago de Compostela (USC), uma das mais antigas da Europa, e com profissionais da saúde local na sede do Colégio de Médicos de A Coruña.

O secretário teria afirmado que o Brasil tem "necessidade de médicos de atendimento básico" e citado 1.557 cidades de alta vulnerabilidade social, além de 25 distritos de saúde indígena. Por isso, o "interesse" em contratar cerca de 7.000 profissionais da Espanha e de outros países também.  
"Ponto de partida"
El País comenta que o secretário teria indicado que este seria apenas o "ponto de partida", deixando, assim, a porta aberta para outras especialidades no futuro.

O El País também informou que desde as 23 horas do dia 9 de julho, quando foi aberto o prazo de inscrições no programa, que será apresentado também em Madrid e Barcelona, teriam chegado 50 inscrições de médicos estrangeiros interessados. Além disso, o consulado do Brasil na Galícia também estaria recebendo ligações de interessados nas vagas, teriam afirmado as autoridades brasileiras à publicação.

O site informa que o programa consiste em uma bolsa mensal de 10.000 reais, aproximadamente 3.435 euros, para especialistas em atendimento básico e que as inscrições vão até 25 de julho, além de disponibilizar um link para o Portal da Saúde, do Ministério da Saúde, para os interessados.
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03.jul.2013 - Médicos realizam protestos na Avenida Paulista, em São Paulo, por melhores condições de trabalho, infraestrutura, salários e contra a entrada de médicos estrangeiros n

by Uol
Médicos espanhóis alertam sobre meta eleitoral no Brasil

11 de julho de 2013 | 8h 37

JAMIL CHADE, CORRESPONENTE - Agência Estado

Os médicos espanhóis garantem que não serão a solução para os problemas da saúde no Brasil e temem que, por pressão política, o governo acelere medidas para atrair profissionais como uma meta "mais direcionada às eleições do que para resolver a questão da saúde no País". Quem faz o alerta é o Conselho Geral do Colégio de Médicos da Espanha, que nesta semana negocia os termos de um acordo com o governo brasileiro e, amanhã em Madri, apresentará ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, as condições que exigem para que a oferta de trabalho do Brasil seja considerada.

O grupo não descarta o interesse. Mas quer certas garantias. A principal é que as condições de infraestrutura dos hospitais para onde esses médicos serão levados sejam informadas com detalhes, com o número de leitos, quantidade de funcionários, recursos e acesso a remédios. "Não queremos ser enganados", disse ao Estado o médico Fernando Rivas, responsável do conselho pelas negociações com o Brasil. Pelo projeto brasileiro, os médicos estrangeiros não precisariam passar por exames. Mas teriam contratos limitados a alguns anos e teriam de escolher entre seis cidades oferecidas pelo governo, todas no interior ou em regiões pobres.

Ontem (10), o governo iniciou a promoção do projeto em uma turnê que começou em Santiago de Compostela. Coube ao secretário de Gestão do Trabalho, Mozart Sales, fazer a apresentação, se reunir com a conselheira de Saúde da Galícia, Rocio Mosquera, e visitar a Faculdade de Medicina. Segundo ele, desde terça-feira, cerca de 50 pessoas procuraram informações sobre o projeto, que espera atrair 7 mil médicos estrangeiros. Sales completa a viagem nesta semana com encontros em Barcelona e Madri, depois de já ter passado por Lisboa.

A oferta é vista com desconfiança entre os médicos espanhóis. Segundo eles, o que o governo apresenta nas palestras é apenas o dado demográfico das cidades, nível de renda e principais problemas de saúde. Mas não os recursos que garantam hospitais na região. "Os médicos espanhóis não são a solução para as questões de saúde no Brasil", declarou Rivas.

"Podemos ajudar. Mas, pelas condições que nos foram apresentadas, não acredito que mais de uma centena de médicos na Espanha aceite ir ao Brasil. Não haverá uma onda de médicos daqui indo para o Brasil, isso eu posso garantir." Rivas passou os últimos dois dias em conversas com a delegação do Ministério da Saúde que está na Espanha, que receberá visita do ministro Padilha hoje (11) e amanhã (12).

Vagas

Segundo o conselho, o governo já informou que cerca de 94 municípios terão vagas abertas e que as chamadas serão realizadas a cada 40 ou 60 dias. Os salários seriam de cerca de R$ 10 mil, considerado "bom" para os espanhóis. Mas Rivas, apesar de ver o projeto de uma forma positiva, alerta que isso não será suficiente para o programa funcionar. "O que mais nos preocupa é a falta de informação sobre as cidades para onde esses médicos serão mandados", explicou Rivas.

"Queremos saber quantas ambulâncias o hospital tem e quais equipamentos. O que não queremos é publicidade enganosa. Os médicos espanhóis têm hoje a chance de ir ao Catar, à Alemanha e ao Reino Unido e, em cada um desses casos, podem ligar e saber exatamente qual a situação. Queremos a mesma coisa do Brasil, mesmo que a informação não seja boa. Mas pelo menos que seja a verdadeira."

Google A delegação do governo brasileiro chegou a causar surpresa entre os responsáveis da Espanha quando sugeriu que procurassem as cidades no Google. Rivas admite que a situação econômica na Espanha é das mais graves e que 2 mil médicos já deixaram o País nos últimos 12 meses e 3,3 mil estão desempregados. Por isso, ele não descarta que "os mais desesperados" considerem a proposta brasileira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

by Estadão

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