"Jovem foi morto por um policial militar", afirma delegado de Pelotas


Em depoimento, PM alegou que 

disparou tiros para dispersar a multidão


Jovem é morto na saída de festa em Pelotas  Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal




















A Polícia Civil prendeu o autor dos disparos que 
matou Rodrigo da Silva Xavier, 24 anos, em Pelotas, no sul do Estado. 

Segundo o delegado Félix Fernando Rafahim, titular da Delegacia de Homicídios, o homem identificado nas câmeras de segurança é um policial militar alocado na Região de Camaquã. 

— Em depoimento na tarde de ontem (quinta-feira), ele alegou que os tiros disparados foram para dispersar a multidão e que não visava a atingir alguém — afirma o delegado. 

O jovem foi morto na saída de uma festa durante a madrugada de quinta-feira. 

No mesmo dia à tarde, o PM foi preso em flagrante. O policial, com nome não informado, estaria em férias na cidade. O motorista do Cobalt branco, que levava o atirador, também foi identificado. Ele foi detido. A arma do crime, de calibre .40, usado pela polícia, foi apreendida e será encaminhada a perícia. 

O PM envolvido no homicídio responderá a processo administrativo por crime militar. O delegado titular irá analisar os depoimentos dos envolvidos para esclarecer dúvidas e prosseguirá com as investigações. 

Xavier é sepultado desde às 9h30 min desta sexta-feira no Cemitério São Francisco de Paula, em Pelotas.


Jovem é morto na 

saída de festa em Pelotas

Rodrigo da Silva Xavier foi atingido por tiros no peito e no braço por volta das 4h30min

 representante comercial era conhecido como comunicativo e simpáticoFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Um jovem que estava no lugar errado e na hora errada. Essa é principal hipótese da polícia para a morte de Rodrigo da Silva Xavier, 24 anos, que foi baleado na madrugada de quarta-feira. "Xico", como era conhecido por amigos, tinha saído de uma festa de classe média alta no Centro de Pelotas, foi comer um cachorro quente na rua com um amigo e quando se dirigia para seu carro, foi alvejado. O caso percorreu as redes sociais, que alertavam para violência na cidade e chamavam para o enterro do jovem, previsto para às 9h30min desta sexta-feira no Cemitério São Francisco de Paula.

Momentos antes de ser atingido, na esquina das ruas General Teles com Félix da Cunha, ocorreu uma briga entre onze pessoas. Dez estariam contra uma. A polícia ainda não sabe se Xico teria sido confundido com o agredido. Mas acredita que ele não estava envolvido na confusão.

— É provável que as pessoas que estavam brigando possam ter sido as autoras dos disparos, pois logo depois da briga, foram escutados disparos, que atingiram a vítima. Temos informação de que teriam dois carros envolvidos, um Cobalt branco e um Polo prata — avalia o titular da Delegacia de Homicídios, Félix Fernando Rafanhim.

Ele foi levado para o Pronto Socorro por volta das 4h30min, mas não resistiu e morreu às 10h30min de quinta-feira. Próximo ao local onde foi atingido, a Brigada Militar encontrou um cartucho de calibre .40. Esse tipo de calibre é de uso restrito das forças policiais.

— Não podemos descartar nada: o tiro pode ter vindo de um policial ou de uma arma do mercado ilegal — diz Rafanhim.

A possibilidade de que tenha sido um policial assustou os amigos que preferiram não se identificar.

Vítima era representante comercial de vinícola

Xico era representante comercial terceirizado da vinícola Salton. Seus pais são donos de uma casa de vinhos de Pelotas e os três além de morarem juntos, trabalhavam unidos. Comunicativo e apreciador da vida noturna, o jovem com formação em administração conseguiu unir o trabalho à diversão.

— Ele revendia bebidas para eventos. Então em uma semana, estava na noite pelo menos quatro ou cinco vezes para trabalho ou para fazer contatos — lembra um amigo.

Xico era conhecido como mais simpático do grupo. Eles se conheceram ainda no Colégio Pelotense, quando eram um time de vôlei. Juntos ganharam várias medalhas e um troféu estadual. Até hoje o esporte unia o grupo. Uma vez ao ano faziam um campeonato beneficente, cuja inscrição era levar alimentos a serem doados para uma instituição de caridade. As ações solidárias também estavam no dia a dia de Xico. Ele fazia parte de um grupo jovem católico, dos mesmos colegas de escola, que organizavam eventos beneficentes.
ZERO HORA

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